Fedeu
31/07/2015 | 12h18
SÃO PAULO — A advogada Beatriz Catta Preta, defensora de nove delatores da Operação Lava-Jato, afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo, na noite desta quinta-feira, que pretende abandonar a profissão por se sentir ameaçada. A defensora afirmou que a intimidação aumentou depois que um dos seus clientes, o consultor Júlio Camargo, relatou um encontro com o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em 2011, em que o parlamentar lhe pediu US$ 5 milhões em propinas. Cunha nega a acusação. — Sim, vamos dizer que aumentou essa pressão (após o depoimento de Júlio Camargo), aumentou essa tentativa de intimidação a mim e à minha família. Em São Paulo, após passar férias de 34 dias em Miami, e com fisionomia bastante abatida, Catta Preta informou ao “Jornal Nacional” que todos os depoimentos dados por Julio Camargo foram realizados com a apresentação de documentos e provas. Camargo citou Cunha em 16 de julho, durante uma audiência da Justiça Federal em Curitiba. Para a advogada, o fato de seu cliente não ter até então citado o nome de Cunha não ocorreu porque o consultor estava com receio. — Ele tinha medo de chegar ao presidente da Câmara. À reportagem da TV Globo, Catta Preta disse temer pela integridade sua e da sua família. — Vou zelar pela segurança da minha família, dos meus filhos. Decidi encerrar minha carreira na advocacia. Fechei o escritório — afirmou a advogada. Sem citar nomes, a advogada disse que a pressão veio dos integrantes da CPI da Petrobras, dos deputados que votaram a favor de sua convocação para falar sobre os honorários que recebeu dos clientes da Lava-Jato. Ao ser indagada se recebeu ameaças de morte, respondeu: — Não recebi ameaças de morte, não recebi ameaças diretas, mas elas vêm de forma velada. Elas vêm cifradas. Beatriz Catta Preta comunicou, na semana passada, ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Federal Criminal do Paraná,que estava deixando seus clientes. Sobre a sua convocação na CPI da Petrobras, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entendeu a ação como uma tentativa de intimidação. Nesta quinta-feira, no início da noite, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar para dar à dar a advogada o direito de não responder a perguntas de integrantes da comissão. Na entrevista ao “Jornal Nacional”, Catta Preta negou ter recebido R$ 20 milhões na Lava-Jato. — Esse número é absurdo. Não chega nem a metade disso - ressaltou, acrescentando que tem “vida financeira correta”. Eduardo Cunha não quis comentar o assunto. O advogado do deputado, Antonio Fernando de Souza, disse ao “Jornal Nacional” que as declarações da advogada não fazem sentido, "uma vez que Júlio Camargo já havia negado o envolvimento de Cunha publicamente". Para Souza, Catta Preta dá de que houve o que chamou de "coisa montada" e disse que "a mentira salta aos olhos". O advogado de Cunha voltou a negar veementemente o envolvimento do presidente da Câmara nas fraudes e disse que Júlio Camargo não tem nenhum documento que ligue o político às irregularidades.
reproduzido do O Globo
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Mundo vulgar
30/07/2015 | 11h57
Beira ao surreal a decisão de um padre ser convocado a fazer o exorcismo em sobrevoo de helicóptero para banir o mal de uma cidade litorânea da Itália. Castellammare di Stabia, perto de Nápoles, sul da Itália estaria sendo assombrada por decadência moral e social. Incidentes vêm apavorando a população. Igrejas tem sido invadidas, túmulos violados, crucifixos são virados de cabeça para baixo e imagens de Santa Maria atiradas de penhascos. Católicos da cidade de 65 mil moradores atribuem tais desordens à presença de adoradores do diabo. Enquanto isso, em outro continente, ainda repercute a estupidez de um dentista norte-americano que matou o famoso leão do Zimbábue. O felino Cecil, tinha 13 anos, era calmo, líder de um bando de leões e deixou para trás 24 de seus filhotes . Entidades especializadas temem que sem o pai, o macho dominante do bando, é possível que as crias sejam mortas por outro leão que tentará assumir o lugar de Cecil no bando. Ou seja, Palmer também sentenciou os filhotes à morte. O imbecil do dentista, de nome Walter Palmer, teria pago U$ 50 mil pela cabeça do leão que foi propositalmente afastado de uma área de proteção até uma propriedade privada e teve seu rastreador GPS removido. Em um "esporte" bem animal Cecil foi perseguido por 40 horas e, por fim, morto com um disparo de arma. [caption id="" align="aligncenter" width="560"]cecil (Foto: reprodução) Cecil (Foto: reprodução)[/caption]
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100 anos não são 100 meses
29/07/2015 | 12h58
Como a maioria da população brasileira que em algum dia recorreu a empréstimos bancários para poder equilibrar suas combalidas finanças particulares, eu, você e a galera, estamos carecas de saber do perrengue que é arrastar uma dívida por alguns anos no orçamento familiar. Pois não é que nos últimos dias o campista foi informado de que essa operação "venda do futuro" que a prefeitura quer porque quer fazer será paga em 100 anos?! Imaginem... irá comprometer o futuro de mais quatro gerações! Em relação ao tal empréstimo, apresentado como panaceia à suposta quebradeira das contas municipais (ao meu ver falsa; um mantra de araque para solucionar outros interesses próximos), as inumeráveis explicações e números não batem. Aliás, para quem nunca precisou praticar aritmética como exercício cotidiano... [caption id="attachment_26430" align="aligncenter" width="554"]Charge 03-07-2015 do Blog Opiniões, Folha da Manhã[/caption]
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Pacato cidadão em dia de fúria
28/07/2015 | 13h53
Não que se vá defender a atitude de quebrar patrimônio alheio, agora, como negar que é bem compreensível sua fúria. Do pacato cidadão exige-se o cumprimento pontual nas obrigações comercias. Em troca, quando este requer qualquer tipo assistência o deixam pendurado, mofando, em uma ligação telefônica que muitas das vezes cai antes que o usuário termine de esclarecer o problema. Não por acaso as companhias de telecomunicação brasileiras figuram no topo das reclamações dos consumidores. Aos fatos Inconformado por não conseguir cancelar sua linha telefônica, um homem teve um ataque de fúria ontem (27) na loja da Nextel da Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, cidade do Rio de Janeiro. Após ser informado que o serviço só poderia ser feito pelo site da operadora (as lojas das operadores servem então para o quê? Só para vender?), o cliente, não identificado, saiu do estabelecimento e voltou com uma marreta na mão, se pôs a quebrar o vidro. Em vídeo do ataque que circula nas redes sociais (muitos internautas se solidarizaram com a revolta do consumidor), o cidadão grita com um empregado da loja. Afirma que, se o serviço não for feito, voltaria para quebrar tudo. Em seguida, escuta-se o barulho de vidro se quebrando. — Vocês não estão lidando com moleque, não. Estão lidando com um homem —  berrava o cliente. A PM foi acionada mas, quando chegou ao local, o cliente já tinha ido embora. De acordo com a nota da corporação, o gerente da loja não se dispôs acompanhar os agentes do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) até a delegacia mais próxima. O caso não foi registrado. Ninguém ficou ferido.
A loja ficou com os vidros da fachada destruídos, nenhum funcionário da empresa foi agredido Foto:  Leandro Gonçalves / Praça Seca News
'Dia de fúria' A expressão "dia de fúria" deu nome ao filme lançado em 1993 ("Falling down", no título original), com Michael Douglas no papel principal. Ele vive William Foster, um homem desempregado e divorciado, que tem reações violentas a problemas cotidianos devido a um colapso mental causado por estresse.
Fonte. G1 e O Dia
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Qual é o cartão-postal de Campos?
27/07/2015 | 13h47
Tenho lido matérias jornalísticas sobre a volta (ainda que restrita) do bondinho de Santa Teresa, motivo de alegria do carioca e de esperanças para o comércio do tradicional bairro da cidade do Rio de Janeiro. Demorou, mas, enfim, volta aos trilhos. O bondinho é um ícone no imaginário dos moradores da cidade, é amálgama de uma identidade; um pedaço do passado integrado à paisagem. E atrai turistas. Me pus a pensar em Campos. Qual seria o nosso cartão-postal? Lembrei-me de alguns que poderiam ter continuado a ser. O Mercado Municipal: entregue aos ratos e à sujeira. O Horto Municipal: sucateado e transformado em depósito de máquinas. O rio Paraíba do Sul: seco pela estupidez e desmandos dos governantes (de todos sem exceção). O Pavilhão de Regatas: demolido a golpe de marreta pela atual administração que se aboleta na prefeitura de Campos como trampolim para interesses particulares. Qualquer cidade em qualquer canto da Terra que tenha governantes com um mínimo de amor pelo seu chão, de gratidão por sua raiz e cultura (ainda que incipiente), embeleza o território com continuado carinho... Alguém poderia lembrar de algum?    
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Onda de colorir chega às cuecas
25/07/2015 | 15h36
Cueca da Trave Underwear: aposta para o dia dos pais Foto: Reprodução/Facebook Febre do mercado editorial brasileiro depois do livro "Jardim Secreto", da ilustradora britânica Johanna Basford, a sugestão de colorir cuecas é lançada pela marca de underwear friburgense "Trave Underwear". A nova coqueluche nacional de colorir livros, criticada por alguns intelectuais como Zuenir Ventura, "Ainda vamos sentir saudades dos edificantes compêndios de autoajuda, por sua profundidade", é mesmo um filão comercial. Segundo o 3º Painel das Vendas de Livros do Brasil, divulgado no mês de junho pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pelo Instituto de Pesquisa Nielsen, o mercado editorial foi salvo pela onda dos livros para colorir, um dos maiores sucessos dos últimos tempos. Sozinhos, eles renderam mais de R$ 25 milhões entre janeiro e maio. A febre das “cores” garantiu um salto de 8,83% no volume de faturamento total.
Agora, no rastro da tal febre dos livros para colorir a Trave Underwear, de Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, investe na "cueca para colorir" como presente para o dia dos pais.
A peça de algodão, nos tamanhos adulto e infantil,  pode ser personalizada com canetas especiais para tecido. Já lançada nas redes sociais da marca, chegará às lojas na próxima semana. O preço será R$ 25.
— A ideia veio do próprio diretor da empresa, que estava colorindo um livro para desestressar. Fizemos um floral bem parecido com o do livro "Jardim Secreto", inserindo outros elementos, e também criamos uma outra estampa, geométrica — conta a estilista da Trave, Paloma Loretti.
Para a estilista, o lançamento não corre o risco de sofrer com o saturamento de produtos para colorir que continua em alta desde o lançamento do livro "Jardim Secreto", da ilustradora britânica Johanna Basford.
— (A moda) pode ser demais dependendo do público. Para o infantil nunca é demais. A ideia é que a criança brinque, personalize a sua cueca e possa dar a outra de presente para o pai — sugere a estilista.
Fonte G1
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Pra valer: consumidor tem direito à agua filtrada
24/07/2015 | 10h44

Negar água filtrada em restaurante, bar ou afins acarretará multa de R$ 542 ao comerciante. Vale a partir desta sexta-feira, em todo o estado do Rio de Janeiro.

Nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro começa a vigorar a lei estadual que obriga restaurantes, bares e similares a fornecerem água filtrada gratuitamente aos clientes. Será multado o estabelecimento que descumprir a norma. O valor da multa inicial é de R$ 542,00. O texto fala em água potável, ou seja, filtrada, não em água mineral.
Autor do texto, o deputado André Ceciliano (PT) explica que, além da multa, os restaurantes serão obrigados a afixar um cartaz em local visível com informações sobre a medida. - A lei de 1995 não estava muito clara, não era conhecida e não tinha penalidade. Esperamos que, com a norma sancionada, esse direito seja efetivado - frisa o deputado.
Antes, os estabelecimentos já eram obrigados a fornecer a água mas o descumprimento não impunha sanções ao comerciantes. O valor da multa poderá aumentar caso o estabelecimento seja reincidente.
O consumidor que queira reclamar o direito e não for atendido, poderá acionar o Procon. E ainda, caso o consumidor tenha desconfiança da procedência da bebida, pode pedir ao estabelecimento para ver o local de onde a água foi tirada. A lei não fala em exigência da água ser refrigerada.
Fica o alerta aos comerciantes de Campos e região. Em tempos em que todos desconfiam de todos e que costumeiramente leis são burladas, olho vivo!
fonte. G1 e O Globo
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Quem é normal?
22/07/2015 | 16h22
Por Suzana Herculano-Houzes ( Neurocientista)
Dizem que o cérebro humano é o sistema mais complexo do universo, aquele cuja definição requer a maior quantidade de informações. Parte dessa complexidade –a que cabe em combinações variadas de uns 10 a 20 mil genes, não mais– é definida geneticamente; outra parte, enorme e impossível de se quantificar, é definida ao longo da vida, ao sabor da construção autorregulada do cérebro e do seu próprio uso
Em termos biológicos, é espantoso que mais coisas não deem errado mais vezes. É tão maravilhoso que um sistema tão complexo funcione tão bem na maioria dos casos, e na maior parte do tempo, que seguimos alheios à multiplicidade de bombas por explodir em nossos corpos, acreditando na normalidade da vida. A tal normalidade é um conceito enganoso. Em português comum, ser "normal" significa ser saudável, perfeito. Matematicamente, contudo, "normal" é apenas aquele que cai no centro da distribuição estatística de um parâmetro. E dada a complexidade do cérebro, dificilmente alguém matematicamente normal é também perfeitamente saudável. Duvida? Vejamos. De acordo com as estatísticas dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, ao menos 30% dos adultos sofrem, sofreram ou vão sofrer de um transtorno de ansiedade em algum momento da vida; mais de 20%, de depressão, mania ou bipolaridade; quase 20%, de enxaquecas. Dos idosos com mais de 65 anos, 13% tem doença de Alzheimer, e dentre aqueles com mais de 85 anos, 45%. Cerca de 9% dos adolescentes sofrem de algum grau de distúrbio de déficit de atenção, cerca de 9% das crianças e adultos tem algum distúrbio de personalidade (borderline, evitante ou antissocial). Cerca de 4% das pessoas sofrem ao menos um ataque epiléptico ao longo da vida, e 3% sofre ao menos um AVC. Dos jovens adultos, 2% tem transtorno obsessivo-compulsivo; cerca de 1% da população tem algum grau de autismo (ou síndrome de Asperger); outro 1% sofre de esquizofrenia. E um número enorme ainda escolhe destruir o próprio cérebro com drogas variadas. Assim como a pessoa "média" não existe –aquela com exatamente a altura média, o peso médio, a distância entre os olhos, a frequência cardíaca média da população–, a chance de alguém ser normal a vida toda, sem qualquer transtorno neurológico, é ínfima. De perto, ninguém é normal. Nem deveria ser: porque normal, afinal, é não ser normal. Ainda bem que a medicina está aí para isso.
Artigo publicado na Folha de São Paulo
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Filosofias do Planalto Central
20/07/2015 | 00h09
  Collor-solta-ameaça
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Abaixo do volume morto: existe vida?
18/07/2015 | 00h11
Na política brasileira sim. É sabido que morte, neste ambiente quase irreal, não é como acontece na vida dos comuns. Morre-se e quando todos pensam que o defunto está bem morrido, eis que ressurge para espanto geral de todos e azar da população. Hoje, acompanhava o noticiário do rompante do presidente da Câmara Federal,  o nobilíssimo deputado Eduardo Cunha, com o governo federal quando topei com a foto abaixo no O Globo. Não contive o riso com a cena dos dois representantes maiores do Congresso Federal, o deputado Eduardo Cunha adentrando o que parece ser o gabinete do senador Renan Calheiros. No centro, ao fundo, o mordomo, na beca, com bandeja na mão, meio que surpreso mirando os dois parlamentares. Genial! Foi enorme a minha vontade de saber o que se passou, naquele momento, na mente do mordomo. FullSizeRender(15) A causa do rompimento, todos vocês conhecem, dispensa esclarecimentos. O esdrúxulo é assistir o deputado afirmar que rompia pessoalmente com a presidente Dilma. Ou seja, quem rompeu não foi o presidente da Câmara Federal e sim o ser físico Eduardo Cunha. Deu para entender? É risível e trágico. O nobre deputado, finge não saber que enquanto estiver investido da função de presidente da Câmara, não mais fala em nome próprio. Quer partir para a briga pessoal larga o cargo! IMG_6490    
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Casas da Mãe
15/07/2015 | 11h25
Existem casas e casas. Ontem o Brasil inteiro lembrou-se daquela famosa. A Casa da Dinda que é delle, não é dos brasileiros, volta ao noticiário 23 anos após figurar em toda mídia por conta do processo do impeachment do dono da casa, o ex-presidente, hoje senador Fernando Collor. Andava ausente do imaginário brasileiro. Pois está lá ela, de plaquinha nova, desenho de letras bem delicado. O espaço é como cartola de coelho, faz aparecer o impensável. Dela, ontem (14)  foram retirados três automóveis de bacana: um Porsche, uma Ferrari, além de um modelo quase exclusivo da Lamborghini. [caption id="" align="aligncenter" width="550"]Lamborghini de Collor é avaliado hoje em mais de R$ 3,2 milhões e é mais exclusivo que o modelo de Eike Batista por causa da cor e do teto removível Pedro Ladeira/Folhapress[/caption] Pelo olhar do dono, não esperava por essa. Aliás, os nobilíssimos congressistas que estavam no camarote assistindo a operação da Lava Jato surrar o governo e o partido do governo, como se só esses representassem a mixórdia da política nacional, desceram do camarote. FullSizeRender(14)      
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Números não mentem
13/07/2015 | 22h39
No Brasil, a cada dia são assassinados 28 crianças ou adolescentes, a maioria negra, duas vezes mais do que há 25 anos a despeito das leis que protegem os direitos da crianças e adolescentes, denunciou hoje a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). O relatório divulgado por este organismo internacional de proteção à infância destaca o contraste entre o embate travado no Congresso Nacional que reduziu a maioridade penal de 18 para 16 anos e os 10.500 homicídios de menores registrados em 2013 (último ano com dado oficial disponível), número bem superior a muitos países em guerra. “Pode-se observar um movimento na sociedade brasileira que responsabiliza os adolescentes pela violência. Na realidade, sentenças de morte recaem todos os dias sobre os adolescentes, essencialmente negros, em todo o país”, afirma a Unicef. “Esta situação perturbadora classifica o Brasil como o segundo país com o maior número de jovens de até 19 anos mortos, somente atrás da Nigéria”, acrescentou a Unicef. (negrito nosso) A porcentagem de homicídios (vítimas de 19 anos ou menos) no seio da população negra - geralmente pobre e que vive na periferia das grandes cidades - é quase quatro vezes superior à verificada na população branca: 36,9 contra 9,6 por cada 100.000 habitantes. Em sua maioria os crimes restam impunes, segundo o mesmo relatório elaborado quando se comemora os 25 anos da adoção do Estatuto da Criança e do Adolescente, criado para garantir o direito desses no Brasil. Ressalvas A Unicef lembra que decorridos 25 anos, 60% dos brasileiros melhoraram seus proventos, 39 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema, enquanto a economia do nosso país (emergente) de 202 milhões de habitantes ( 51,2% negros ou mestiços) passava da 13ª para a 7ª posição mundial. O Brasil progrediu também em aspectos como educação, má nutrição, trabalho e mortalidade infantil, no entanto, nas comunidades indígenas, em relação ao restante da população, é duas vezes maior o risco dos bebes morrerem antes de completar um ano. Em 2010, o Brasil tinha 59,7 milhões de crianças e adolescentes, ou seja, representavam 33% da população total, enquanto que em 1991 eles representavam 45%. Fonte: Le Figaro (tradução nossa). Também sobre o assunto, ver o blog Entrelinhas (aqui).
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"Influencer"?
11/07/2015 | 19h31
Eu não! Mais um modismo daqueles bem chatos na praça. Li hoje em um blog que formador de opinião agora é isso. Tô fora. Li nesta semana que o rio Paraíba do Sul ( o pior é que existem outros rios nas mesmas condições no Brasil ) quase não mais consegue desaguar no oceano. Secou. Li na semana passada que os outrora esbeltos e pequenos chineses estão cada vez maiores e obesos. Em dez anos cresceram em média meio centímetro e engordaram três e meio quilogramas. Tenho lido nas últimas duas semanas da mudança de lado "rompimento" do deputado Pudim com seu mestre Garotinho. Por toda a história passada, sinceramente não creio. Como escreveu o poeta Waly Salomão: "Estou exatamente na esquina da Rua Walk com a Rua Don't Walk". Um ótimo domingo para todos! [caption id="attachment_9125" align="aligncenter" width="560"]IMG_6421 Paraty, RJ[/caption]  
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Flip, território da liberdade do pensamento
04/07/2015 | 12h27
Talvez uma das mais interessantes características da Flip seja a de propor linhas de pensamento diferentes para um mesmo tema. Em princípio, não existem tabus que não possam publicamente ser debatidos, alias se assim não fosse o evento não completaria, sem deixar a peteca cair, a sua 13ª edição e, também convocaria as nuvens, não seres humanos que pensam e escrevem o que pensam. [caption id="attachment_9120" align="alignleft" width="338"]ANTONIO RISERIO foto O Globo[/caption] A mesa “A cidade e o território”, abriu o segundo dia da Festa Literária Internacional de Paraty 2015. Reuniu o antropólogo baiano Antonio Risério e o poeta carioca Eucanaã Ferraz. Dois enfoques. Risério apontou a necessidade de encarar a situação catastrófica das metrópoles brasileiras: “não temos mais tempo para pensar uma cidade ideal, como fizeram os modernistas, hoje, a cidade ideal é a necessária, nos falta tempo”. Ferraz argumentou que a poesia traz consigo um urbanismo, pois age num terceiro espaço entre o real e a imagem do real. Na sua fala, o antropólogo começou analisando o duplo sentido das grandes cidades brasileiras com seus centros históricos: “duas cidades funcionando dentro de uma”, o que leva a um terceiro modelo que é “o que queremos construir: nem a cidade barroca escravista, tampouco a cidade capitalista que geram as periferias de excluídos”. Para ele, o centro antigo é o elemento central de uma identidade cívica que se deseja preservar, “é uma missão de todos num contexto em que avança a segregação sócio territorial”. — Temos que enfrentar a realidade e construir um chão compartilhável, uma narrativa comum. Mas como compartilhar um discurso, uma meta, se habitamos lugares tão diferentes e distantes. Sob o signo da segregação sócio territorial e das suas fraturas não é possível se manter saudável. Caso não nos organizemos, podemos nos encrencar de vez — afirmou Risério. — Não há nenhuma catástrofe a caminho, a merda já aconteceu. Só nos resta tentar remendar a idiotice planetária que já aconteceu. Ao responder a uma pergunta da plateia, pediam sua opinião sobre as ciclovias de São Paulo, o antropólogo afirmou que o debate não deve se centrar na construção ou não das pistas exclusivas para bicicletas, mas no fenômeno urbano onde elas estão inseridas. Ele elogiou o prefeito paulista Fernando Haddad (PT). — São Paulo é um fenômeno sócio territorial especifico com seus viadutos, como o Minhocão, frutos da engenharia da ditadura e do Paulo Maluf. Com Haddad, pela primeira vez vejo alguém tentando discutir a cidade enquanto questão urbanística. A ciclovia não é o problema. Acontece que esse cara está encarando o automóvel – disse Risério, provocando aplausos do público. [caption id="attachment_9122" align="alignleft" width="331"]EUCANAÃ FERRAZ foto. O Globo[/caption] Ferraz iniciou sua participação recitando os versos de “Lira paulistana”, poema de Mário de Andrade, autor homenageado da Flip: “Quando eu morrer quero ficar / Não contem aos meus inimigos / Sepultado em minha cidade / Saudade”. Seu objetivo foi ilustrar a inflexão praticada pelos modernistas ao abraçar a metrópole na década de 1920, enquanto toda linhagem anterior, Olavo Bilac à frente, a recusava. Para o poeta, a poesia é um fato social, “ela nos fala, é uma materialidade entre outras materialidades, é uma matéria que se instala entre outras matérias, daí seu valor urbanístico”. Menos do que um discurso excepcional e sacralizado e também não restrito ao sentimento do sujeito. Trata-se de uma matéria que entra em relação com outras matérias na cidade. — O urbanista Giulio Carlo Argan diz que faz urbanismo quem produz valor e o coloca em circulação. A poesia tem um alto valor de imaginação e se põe como valor, junto de outros valores, na cidade. Ela tem uma função, mesmo que não seja normativa – disse Ferraz, autor de uma tese de doutorado sobre a relação entre poesia e arquitetura. — É o terceiro espaço que a poesia põe em questão com o seu urbanismo, um espaço que não é nem a realidade nem a imagem dessa realidade. A poesia é uma ameaça, disse Eucanaã Ferrraz. No fim da mesa, quando comentava sobre três mulheres importantes da arquitetura moderna nacional – Carmen Portinho, Lota Macedo Soares e Lina Bo Bardi -, Risério criticou nomes badalados internacionalmente, como Santiago Calatrava e Frank Gehry. Segundo o antropólogo, cada arquiteto fazendo a sua escultura e “foda-se o resto”, não pensam no entorno e deu como exemplo a Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. A mediação da mesa foi do poeta e curador João Bandeira.  
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Gracinha com o chapéu dos outros
03/07/2015 | 09h22
Comprar o futuro político deles às  custas de um significativo endividamento para o campista é falta de humanidade. Eles  sabem que empobrecerão Campos ao sangrar o orçamento - receitas futuras - com juros exorbitantes da dívida que querem porque querem contrair. image        
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Da Flip 2015, primeiras impressões
02/07/2015 | 23h16
Com 43 autores - 11 são poetas - e o escritor brasileiro modernista Mario de Andrade (1893 - 1945) como homenageado, ontem (01) teve início a 13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A cidade histórica durante os cinco dias do evento, será aos poucos tomada por uma gente misturada que veio assistir aos debates, encontros e mostras. Ainda que a recessão econômica do presente afete toda e qualquer iniciativa no país, a Flip, logo na abertura, deu mostra da seriedade e qualidade com que é elaborada desde a primeira edição há mais de uma década. O evento cultural, segundo os organizadores (Associação Casa Azul) não é mais um evento “de fora” ao paratiense; está fincado nos quatro cantos do Centro Histórico, movimenta a economia do turismo local, já faz parte do território, mesmo que tenha tido seu orçamento diminuído. Se em 2014 a Flip contou com R$ 8.5 milhões este ano recebeu R$ 7,5 milhões. Não é nada, não é nada – outros talvez cancelassem a festa em total descompromisso com o cativo público -, pois aqui se observa que o fundamental do movimento cultural está assegurado, o supérfluo sofreu cortes e a Flip 2015 acontece firme apesar de. Intitulada “As margens de Mário” foi a mesa da sessão de abertura da Flip 2015. Dela, participaram a crítica literária argentina Beatriz Sarlo, a ensaísta paulista Eliane Robert Moraes e o carioca estudioso do modernismo brasileiro, Eduardo Jardim. Antes, um vídeo com o artista e músico pernambucano Antonio Nóbrega. A proposta é alargar o olhar como o fez Mario de Andrade em suas incursões inquietas pelo Brasil; nas palavras de Nóbrega “O dia que descobrirmos esse olhar seremos um país melhor”, ou como disse Beatriz Sarlo ao fazer paralelo entre os dois países sul-americanos - Argentina e Brasil – trata-se de pensar “carência e conflito” deste país não apenas multicultural, mas, “ricamente multicultural”. "Eu sou trezentos, sou trezentos- e-cinquenta, Mas um dia afinal me encontrarei comigo..." Mário de Andrade FullSizeRender(11) FullSizeRender(12) FullSizeRender(13)  
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