#euvoutomarbanhonacasadoAlckimin
27/01/2015 | 10h31
Uma das tantas brincadeiras (apesar da gravidade do tema) que o paulista criou para enfrentar com algum humor a falta d'água. A hashtag acima, ontem (26/01), levou um grupo às ruas de São Paulo, em clima de animação e ironia protestaram em frente à casa do governador de São Paulo. O grupo não foi grande, não importa, toda a mídia nacional divulgou. O governador Alckimin, até agora, não admite com todas as letras o que todos nós assistimos diariamente pelos canais de TV: a falta d'água nas torneiras das residências e nos estabelecimentos industriais e comerciais do estado. [caption id="attachment_8691" align="aligncenter" width="460"]protestoaguaspfutura2 Foto: Luiz Claudio Barbosa / Futura Press "Acumule a inhaca para o maravilhoso Dia do Banho Coletivo na Casa do Geraldinho! ..."[/caption] Como é difícil cair a ficha dos governantes brasileiros e admitir as trapalhadas, o erro puro e simples, a falta de visão de médio e longo prazo, a gastança naquilo que carece de serventia à população. Para essa casta de governantes que se jactam de impolutos e eficientes planejadores, caiu a ficha geral. Campos dos Goytacazes que o diga!
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Ontem o dia foi dela: Carmen Portinho
27/01/2015 | 09h56
Engenheira e Urbanista - a primeira mulher a obter o título de urbanista no Brasil, a terceira mulher engenheira a se formar em nosso país - Carmen Portinho teria feito 112 anos no dia de ontem (26/01). Dividimos o mesmo sobrenome com orgulho da figura pública que foi, da profissional ímpar e da tia que nos serviu de exemplo por sua simplicidade, determinação e caráter. Ontem, foi criada a sua página na Wikipédia. Quem se dispuser a conhecer a biografia desta mulher, soube aliar a essas qualidades o afeto, o amor às artes plásticas e a atenção à natureza, irá se deliciar com as passagens. [caption id="attachment_8687" align="aligncenter" width="300"]Carmen_foto data de nascimento 26/1/1903 Corumbá MS; faleceu em 25/7/2001 RJ.[/caption] Ver Wikipédia,  aqui.
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É pra rir. É pra chorar.
23/01/2015 | 09h33
Dos assuntos que dominam a agenda dos dramas do cotidiano de todos nós: a água. Ou melhor, a falta dela. Bem escrito, sugiro a leitura. E vamos nós! Até quando e como? Alguém se atreve a predizer? Eu já enfiei as minhas certezas há tempo na minha sacolinha.

Ensaio sobre a cegueira paulista

janeiro 21, 2015 11:43
 E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo estado, por todas as cidades e vilarejos
Por Mauricio Moraes E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo Estado, por todas as cidades e vilarejos. Em 2014, nas eleições para o governo do Estado, a cegueira estava disseminada. Diferentemente do livro de José Saramago, onde uma mancha branca, um “mar de leite”, cegava um a um os habitantes de uma cidade fictícia, em São Paulo os cegos continuavam enxergando. Mas há tempos já se diz que o pior cego é aquele que não quer ver. E eles não viram, ou apenas fizeram cara de paisagem, junto com editores cegos de jornais e revistas, do rádio e da TV. Tudo parecia normal durante a reeleição do “Geraldo”, alcunha de Geraldus Alckminus, da longeva dinastia tucana. “Não vai faltar água”, disse o governador pausadamente naquela campanha, ressaltando cada sílaba, na maior mentira deslavada da história recente do país. E assim a maioria dos paulistas “acreditou” no que ele disse. Culparam São Pedro, o PT, e ignoraram solenemente os milhões que escorreram nos túneis do metrô e a violência que voltou a crescer. Se fizeram de Maria Antonieta no desmonte da educação e das universidades do Estado. Aplaudiram a PM esfolando manifestantes e matando jovens negros e pobres nas periferias. E sobretudo se fizeram de surdos quando alertados que a Cantareira estava baixando e que a água, logo logo, iria acabar. No quarto mês de 2015, no início do quarto reinado alckmino, ano 20 da era tucana, muitos paulistas começaram a se dar conta da realidade. Talvez tenha sido o odor inebriante do CC no busão ou as louças amontoadas na pia. O cabelo ensebado por falta de banho pode ter ajudado. Cientistas suspeitam dos efeitos colaterais da água do volume morto. Dizem que uma moradora dos Jardins acordou num surto psicótico depois que uma crosta de poeira havia se impregnado em seu carro de luxo. Nem decuplicar a oferta ao lava jato conseguiu driblar a realidade. “Esse atendimento não era gourmet?”, gritava, insana. Mas naquele dia já não havia mais água. Não demorou a que o caos se instalasse. Todos correram aos supermercados para estocar o líquido precioso. As gôndolas ficaram rapidamente vazias. Em Itu, um caminhão de água foi sequestrado. Por toda a parte, havia registros de brigas, até por garrafinhas de 500 ml de água. E o preço foi às alturas. Em Pinheiros, uma rua cedeu depois que vários moradores cavaram poços clandestinos. A desordem se instalou. No Palácio dos Bandeirantes, longe de tudo e de todos, Alckminus tentava contornar a crise. Desta vez, estava preocupado. O Maquiavel de Pindamonhangaba enxergava tudo muito bem e, com jeito de bom moço, já havia se tornado mestre em abafar CPIs na Assembleia Legislativa ou em mentir que a Corregedoria da PM funciona. Agora, estava sob grande pressão. Ainda não havia sinal de nenhuma turba chegando ao longínquo Palácio dos Bandeirantes. O Choque da PM bloqueou o acesso ao Morumbi (com garantia de água à vontade, a fim de evitar um motim policial). O estoque de balas de borracha foi reforçado e um novo lote de gás lacrimogêneo fora usado contra manifestantes do Movimento Água Livre. Contra o povo, Alckmin tinha a polícia. O que realmente o preocupava eram os 30 PIBs de São Paulo reunidos no Palácio (a quem foi oferecido champagne por razões de “restrição hídrica”, como explicou o cerimonial). Também apavoravam o governador as chantagens dos acionistas da Sabesp. Apesar do preço exorbitante, a falta d’água deixou a companhia deficitária, com as ações a preço de banana na Bolsa de Nova York, onde eram comercializadas desde a privatização parcial da empresa. E assim os paulistas tentavam deixar a cidade, o Estado. Um grande congestionamento, que já durava uma semana, travou as rodovias. Na capital, moradores fugiam pelas ruas, carregando o que podiam, em uma cena dantesca. Uns deliravam e arrancavam as roupas, andando desorientados. A Força Nacional foi acionada. Já havia gente se jogando no Tietê. Em meio à tragédia, os jornais traziam notícias otimistas. “Cacique Cobra Coral assegura que vai chover”, dizia a manchete de um deles, com declarações de Alckminus justificando a contração da “consultoria para deficiência hídrica”. Analistas chegaram a prever um ataque da população ao Bandeirantes, mas pesquisas mostravam que grande parte dos paulistas ainda não tinha certeza sobre quem era o responsável pela crise da água, se Dilma ou Haddad. Na dúvida, resolveram ir embora o mais rápido possível, com a fé abalada em São Pedro. Ainda mantinham a esperança de que, um dia, a cidade fosse inundar mais uma vez durante as chuvas de verão e que haveria água para todos (ou ao menos nos camarotes). Para muitos, a cegueira era irreversível. Fonte: aqui http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/01/ensaio-sobre-cegueira-paulista/
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1% da população mundial possui 48% da riqueza global
19/01/2015 | 20h32
A menos de dois dias da abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) a ONG Oxfam publicou um relatório sobre a acachapante concentração da riqueza no mundo. Baseado em dados do banco Crédit Suisse, o estudo revela que  1% da população detém 48% do patrimônio, contra 44% em 2009 e ultrapassará 50% em 2016.
Isso significa que a concentração da riqueza nas mãos dessa minoria continua a crescer. Os mais ricos continuam a enriquecer. Segundo a Oxfam, eles possuem mais do que todos os outros habitantes reunidos do planeta. A quase totalidade dos 52% do patrimônio restante está nas mãos dos 20% mais ricos. "No fim, 80% da população mundial deve se contentar com apenas 5,5% das riquezas", estima o relatório. Isto porque os 52% restantes do patrimônio não são igualmente repartidos: os mais pobres do planeta sobrevivem com apenas 5,5% da riqueza produzida no mundo.
[caption id="" align="alignnone" width="534"] A metade das riquezas do mundo na mão de uma ínfima minoria[/caption]  
[caption id="" align="alignnone" width="534"] O essencial da população mundial possui menos de 5,5% das riquezas.[/caption]
Sem querer ser pessimista, mas, sendo realista: poderia dar certo? Ou ainda, como civilização poderíamos ter dado certo deste modo??
 Fonte: Le Monde
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Pra pensar 3
19/01/2015 | 08h14
É tentador ceder a pressões ainda mais quando feitas pelo senso comum (maioria). Pode ser cômodo ao profissional que não deseja se expor, mas, é um desserviço ao exercício da profissão. Dito isto, trazemos outra análise sobre as repercussões dos atos terroristas de extremistas islâmicos  (fanáticos) que levaram a República Francesa ao dilema do momento: lutar pela defesa intransigente dos valores universais do livre pensar e da livre expressão - dois direitos fundamentais da laicidade, um não existe sem o outro,  esboçados na quebrada do século 18, confirmados pela lei de imprensa francesa, em 29 de julho de 1881. Para simples esclarecimento, na França, diferentemente que em outros países europeus, como na Alemanha e Grécia, não existe o delito (crime) de blasfêmia. Lá, pode-se criticar tudo, inclusive religiões, resguardado ofender pessoas que professam suas religiões. Paradoxalmente, o que garante o direito à livre associação religiosa e a todas as convicções é justamente a laicidade. [caption id="attachment_8667" align="aligncenter" width="400"] Paris, Praça da República, 11 janeiro 2015. Ft. Joel Saget AFP[/caption]  

Charlie Hebdo: Ironia e tragédia

Aqueles que promovem a guerra contra o terror e os que semearam o terrorismo por todos os cantos do mundo estão tentando se apropriar dos ataques.


Alejandro Nadal (La Jornada)
A luta para se apropriar de um duelo político tem longa trajetória, sobretudo quando o luto tem origem em um crime. Plutarco narra, em Vidas paralelas, como, depois do assassinato de César, no Senado romano, as distintas facções batalharam para ocupar o vazio que engendra o desolamento público para se consolidar no poder. Cássio e Brutus disputam a aflição popular com Antônio, mas este conseguiu com sua elegia fúnebre colocar o povo de Roma contra os assassinos de César e desencadear uma guerra civil.

Um paralelismo pode ser traçado com os esforços para recuperar espaços públicos após o ataque contra a Charlie Hebdo. Esta sempre foi uma revista irreverente com o poder, militar ou econômico, iconoclasta com todos os símbolos de hierarquias, laicas ou religiosas. É e foi inimiga do racismo e da discriminação em todas suas manifestações. Sempre lutou contra as ditaduras e a arbitrariedade, o poderio militar e o intervencionismo neocolonial. Mas agora, em pleno duelo social, buscam de todas as formas se apropriar dos símbolos e bandeiras que acompanharam a Charlie em sua luta. Estão buscando instrumentalizar a tragédia para promover o terrorismo de Estado. Hoje, corre-se o risco de transformar tudo isto em um episódio mais da luta contra o terror e do suposto choque entre civilizações.

A concentração em Paris, no domingo passado, teve dois públicos. No primeiro, o povo e suas organizações, sindicatos, associações civis, manifestando repúdio ao covarde assassinato dos redatores da Charlie Hebdo e dos reféns do metrô de Paris. Muitos deles seguiram de perto a épica luta do semanário e de seu predecessor, Hebdo HaraKiri, desde 1969. Luta a partir da esquerda contra o despotismo, exploração, engano e intimidação. Mas, naquele dia, marcharam em Paris também chefes de Estado e líderes políticos de partidos e organizações que sempre abriram as portas para a guerra, para o comércio de armas e para o capital financeiro. Marcharam lado a lado Merkel, Rajoy e Renzi, chefes da austeridade neoliberal que atualmente destrói a Europa. Não faltaram Netanyahu e outros amigos do militarismo. Também se somaram a eles alguns notáveis como guardiões da ordem moral burguesa e da obesa hipocrisia dos bons costumes, amigos do racismo e da descriminação. Faltaram somente Marine Le Pen e os neonazistas para completar o quadro. Outros, nem sequer tiveram que viajar a Paris para explorar o momento. Em Atenas, o primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para fazer investidas contra o Syriza por sua postura sobre a imigração. Do México, o governo manifestou seu pesar: deve saber que isso não anula sua grave responsabilidade nos assassinatos (Tlatlaya) e desaparecimentos (Ayotzinapa). A ironia é brutal: os inimigos da Charlie Hebdo estão lutando para disputar o duelo, os que promovem a guerra contra o terror e os que semearam esta praga por todos os cantos do mundo. Criticou-se a imprudência dos caricaturistas da Charlie Hebdo. Mas é preciso responder com uma reflexão política, porque é disso que estamos falando, de política, não de bons costumes ou de etiqueta. Por que é tão importante a liberdade de expressão? A resposta é clara: a liberdade de expressão é irmã gêmea da liberdade de consciência, e as demais liberdades carecem de sentido sem elas. Em particular, sem liberdade de expressão, a liberdade de associação política fica sem sentido. Não é exagero afirmar que a liberdade de consciência e a liberdade de expressão são as mais importantes do catálogo de liberdades republicanas. Por isso, os limites da liberdade de expressão são apenas três: a não incitação à violência ou um crime e a difamação. A blasfêmia não é uma das restrições, como deixa claro a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Na imprensa internacional, sobretudo no mundo anglo-saxão, a Charlie Hebdo tem sido apresentada como um veículo obstinado em ridicularizar o fundamentalismo islâmico, como se este tivesse sido seu único trabalho. Nada mais afastado da verdade. Os primeiros inimigos da Charlie foram o fascismo, o racismo, o neocolonialismo, o militarismo e a pena de morte. O fanatismo religioso e seu apoio hipócrita a estruturas de exploração esteve sempre em seu catálogo de inimigos a vencer, mas não é o único nesta lista. O luto público é a parteira de uma análise política fraca porque a dor e a sede de vingança escurecem o raciocínio e tornam a racionalização difícil. Por isso, o oportunismo encontra nas lamentações um terreno fértil para suas estratagemas. Hoje, mais do que nunca, é necessária uma análise política cuidadosa. A tragédia em Charlie Hebdo não é parte dessa farsa chamada guerra contra o terror, nem de um suposto choque de civilizações. Fonte: Carta Maior Tradução de Daniella Cambauva
       
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Um Rio
18/01/2015 | 17h27
Reproduzo via mural do Artur Gomes, poeta e produtor cultural, publicado no Facebook, o poema escrito por Antonio Roberto Góis Cavalcanti (Kapi), entre os anos 1977 e 1978. Há mais de duas décadas, a sensibilidade do poeta Kapi já antevia a agonia do "nosso" Rio Paraíba do Sul.
Um rio Era uma vez… Um rio Que de tão vazio, já não era rio e nem riachão, tão pouco riacho.Não era regato, nem era arroio, muito menos corgo.uma vez… um rio que, de tanta cheia, já não era rio e nem ribeirão.Era mais que Negro, era mais que Pomba, era mais que Pedra, era mais que Pardo, era mais que Preto, bem maior ainda que um rio grande. Era uma vez… um rio que de tão antigo era temporário, era obsequente, era um rio tapado e antecedente. Que não tinha foz, que não tinha leito, que não tinha margem e nem afluente, tão pouco nascente. Mas que era um rio. Não era das Velhas, não era das Almas, não era das Mortes. Era um Paraíba, era um Paraná, era um rio parado. Rio de enchentes, rio de vazantes, rio de repentes: Um rio calado: Sem Pirá-bandeira, Sem Piracajara, Sem Piracanjuba. Em suas águas não havia Pira não havia íba, não havia jica, não havia juba. Nem Pirá-andira, nem Piraiapeva, nem Pirarucu. Era um rio assim: Sem pirá nenhum. Mas que era um rio. Era uma vez…. Um rio. Que, de tão inerte, Já não era rio. Não desaguou no mar, não desaguou num lago, nem em outro rio. É um rio antigo, que de tão contido não é natureza. Um dia foi rio, há muito é represa. [caption id="attachment_8661" align="aligncenter" width="556"]IMG_4154 Ft. Artur Gomes[/caption]  
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Mário de Andrade na Flip 2015
18/01/2015 | 08h22
Mário de Andrade, um dos principais nomes do Modernismo do Brasil, poeta, escritor e crítico literário será o homenageado da Flip 2015, a Festa Literária Internacional de Paraty. O anúncio foi feito pela organização do evento na última sexta-feira (16). Nos 70 anos da morte do autor paulista, ele será objeto da conferência de abertura, de mesas na programação principal e na FlipMais, e também de uma exposição. “Mário é um autor para o Brasil do século 21, com vida e obra a serem redescobertas, rediscutidas, postas em debate", diz o curador do evento, o jornalista e editor Paulo Werneck. Mário foi um dos pioneiros da poesia moderna no Brasil. O autor de 'Paulicéia desvairada', livro considerado marco do modernismo brasileiro, formava o "Grupo dos Cinco", ao lado de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade. O grupo foi responsável por organizar a Semana de Arte Moderna de 1922. A Flip, em sua 13ª edição, manterá a gratuidade no show de abertura e nos telões externos. Considerada a maior festa literária do país, acontecerá entre os dias 1° e 5 de julho. [caption id="attachment_8655" align="aligncenter" width="620"]mario_de_andrande_por_lasar_segall Mário de Andrade em tela de Lasar Segall[/caption]  
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Pra pensar 2
13/01/2015 | 21h19
De tudo que tenho lido na imprensa nacional, internacional e redes sociais sobre a carnificina que abateu os geniais cartunistas do jornal francês satírico Charlie Hebdo, na semana passada, talvez o mais esdrúxulo seja a falsa solidariedade manifesta disfarçada no viral Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie). Sob o manto da politicamente correta tolerância e do mantra pretensamente difuso, "o meu direito termina quando começa o do outro", buscam as "razões" que justificam o absurdo de invadir uma redação de jornal e sumariamente matar profissionais da imprensa, em pleno exercício profissional, no coração de uma república democrática e das mais representativas na conquista e observação dos direitos civis universais. Forçando um pouco a barra, mas, nem tanto, logo me lembrei da situação da mulher que quando estuprada, até recente, era responsabilizada (indiretamente) pela violência cometida pelo homem. Afinal, se ela estivesse sentada assim ou assado, com a roupa tal ou qual, ela em última instância é que teria provocado o agressor a agir. Também, me fez recordar os inúmeros casos de agressão e morte de mulheres que supostamente teriam ferido a honra dos maridos. Feridos na honra, ganhavam o direito de espancar e matar. Analisar as origens históricas do fundamentalismo religioso, nos ajuda a entender o fanatismo religioso - ou de qualquer natureza -  contemporâneo, nunca a compactuar com suas ações bárbaras. Passado quase uma semana do atentado que animalescamente ceifou 17 vidas, reafirmo, junto aos quase quatro milhões de franceses que foram às ruas no domingo passado, daqui desta planície goytacá: Eu sou Charlie (Je suis Charlie). Amanhã sairá a próxima edição do semanário francês. Já sem a sua cabeça pensante, no entanto, uma edição histórica. Dos 50 mil exemplares regulares, Charlie Hebdo irá às bancas com uma tiragem de 3 milhões. Abaixo, segue a capa já divulgada pela mídia de meio mundo. Foi desenhada pelo cartunista Luz, sobrevivente ao atentado terrorista por ter chegado atrasado naquela manhã fatídica. Com fundo verde, representando o extremismo islâmico, a caricatura do Maomé, com uma lágrima e segurando um cartaz, onde se lê: Eu sou Charlie. Acima dele, escrito em negro, Tudo está perdoado.Image-1(1)  
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Pra pensar
10/01/2015 | 19h55
Os últimos acontecimentos na França, colocam sérias questões para os futuros possíveis que estão por vir (já se anunciaram) e que, de algum modo, repercutirão em todo o mundo. Amanhã, domingo (11/01), assistiremos a uma mega manifestação na capital francesa (Paris), cidade oprimida pelos atos terroristas recentes. Dela participarão, primeiro a população indignada, fiel às liberdades democráticas, aos ideais que fizeram daquela república um baluarte da convivência entre os diferentes, do estado laico, da garantia aos direitos civis. Em segundo, líderes e representantes governamentais de meio planeta, muito deles - por ação ou omissão - corresponsáveis pela radicalização crescente entre Oriente e Ocidente.
As redes sociais foram tomadas por dois virais: "Eu sou Charlie" e "Eu não sou Charlie". Não há como ignorar os acontecimentos. Declararei-me, desde o início da carnificina: Eu sou Charlie, porque no momento trata-se de defender o direito à livre expressão do pensar. O momento é de unidade na defesa da democracia que a duríssimas penas foi conquistada, aqui como lá. Trago o artigo abaixo como uma contribuição, sugiro que leiam.

O terrorismo, a extrema-direita e o suicídio europeu

O ato terrorista contra os jornalistas do Charlie Hebdo é apenas a ponta do iceberg. A Europa inteira está assentada sobre uma bomba-relógio.

 

O ato terrorista contra os jornalistas do Charlie Hebdo francês, em Paris, que também provocou a morte de um funcionário da revista, de dois policiais no ato e possivelmente de mais um em tiroteio posterior, é apenas a ponta de um iceberg.

A Europa inteira está assentada sobre uma bomba-relógio. Não é uma bomba comum, porque casos como o do Charlie Hebdo mostram que ela já está explodindo. Nas pontas da bomba estão duas forças antagônicas, com práticas diferentes, porém com um traço em comum: a intolerância herdeira dos métodos fascistas de antanho. De um lado, estão pessoas e grupos fanatizados que reivindicam uma versão do islamismo incompatível com o próprio Islã e o Corão, mas que agem em nome de ambos. Os contornos e o perfil destes grupos estão passando por uma transformação – o que aconteceu também nos Estados Unidos, no atentado em Boston, durante a maratona, e no Canadá, no ataque ao Parlamento, em Ottawa. Cada vez mais aparecem “iniciativas individuais” nas ações perpetradas. Este tipo de terrorismo se fragmentou em pequenos grupos – muitas vezes de familiares – que agem “à la cria”, como se dizia, em ações que parecem “espontâneas” e até “amalucadas”, mas que obedecem a princípios e uma lógica cuja versão mais elaborada, para além da “franquia” em que a Al-Qaïda se transformou, é o Estado Islâmico que se estruturou graças à desestruturação do Iraque e da Síria. São fanáticos que negam a política consuetudinária como meio de expressão de reivindicações e direitos: negam, no fundo, a própria ideia de “direitos”, inclusive o direito à vida, como fica claro no gesto assassino que vitimou o Charlie Hebdo. Do outro, estão os neofascistas – ou antigos redivivos – que se agarram à bandeira do anti-islamismo também fanático como meio de arregimentar “as massas” em torno de si e de suas propostas. Agem de acordo com as características próprias dos países em que atuam, mobilizando, de acordo com as circunstâncias, as palavras adequadas. No Reino Unido, criaram o United Kingdom Independence Party – UKIP, Partido da Independência do Reino Unido, nome malandro que oculta e ao mesmo tempo carrega a ojeriza pela União Europeia. Na França têm a Front Nationale da família Le Pen, que mobiliza o velho chauvinismo francês que lateja o tempo todo desde o caso Dreyfus, ainda no século XIX. Na Alemanha é feio ser nacionalista alemão, desde o fim da Segunda Guerra. Então criou-se um movimento – PEGIDA – que se declara de “Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente”, procurando uma fachada pseudamente universalista para seus preconceitos anti-Islã e anti-imigrantes. Esta, aliás, é a bandeira comum destes movimentos: fazer do imigrante ou do refugiado político ou econômico o bode-expiatório da situação de crise que o continente vive, assim como no passado se fez com o judeu e ainda hoje se faz com os roma e sinti(ditos ciganos). Na Itália este fascismo latente se organiza com o nome de “Liga Norte”, mobilizando o preconceito social contra o sul italiano, tradicionalmente mais empobrecido. São movimentos que, embora busquem por vezes o espaço da política partidária, como é o caso do UKIP e da Front Nationale, ou mesmo da Liga Norte, têm como cosmovisão a negação da política como espaço universal de manifestação de direitos e reivindicações. Negam a política como campo de manifestação das diferenças, barrando ao que consideram como alteridade o direito à expressão ou mesmo aos direitos comuns da cidadania. O exemplo histórico mais acabado disto foi o próprio nazismo que, chegando ao poder pelas urnas, fechou-as em seguida. O caldo de cultura em que vicejam tais pinças contrárias à vigência dos princípios democráticos é o de uma crise econômico-financeira que se institucionalizou como paisagem social. Na Europa a tradição é a de que crises deste tipo levam a saídas pela direita. O crescimento do UKIP e da Front Nationale, partidos mais votados nas respectivas eleições para o Parlamento Europeu, em maio de 2013, é eloquente neste sentido. Na Alemanha as manifestações de rua do PEGIDA vêm crescendo sistematicamente, atingindo o número de 18 mil pessoas na última delas, na cidade de Dresden, reduto tradicional de manifestações nostálgicas em relação ao passado nazismo devido a seu (também criminoso) bombardeio ao fim da Segunda Guerra pelos britânicos. Deve-se notar, como fator de esperança, que manifestações contra estas formas de intolerância – o terrorismo que reinvindica o Islã como inspiração e os movimentos de extrema-direita – têm tomado corpo também. Houve manifestações de solidariedade aos mortos na França em várias cidades europeias e na Alemanha manifestações contra o PEGIDA reuniram milhares de pessoas em diferentes cidades. Mas pelo lado da exprema-direita cresce a aceitação de suas palavras de ordem na frente institucional (líderes do novo partido alemão Alternative für Deutschland têm acolhido reivindicações do PEGIDA) e junto à opinião pública. Na Alemanha recente pesquisa trouxe à baila o dado preocupante de que 61% dos entrevistados se declararam “anti-islâmicos”. Como ficou feio alegar motivos racistas, o que se alega agora no lado intolerante é a “defesa da religião” ou a “incompatibilidade cultural”. Os assassinos do Charlie Hebdo gritavam – segundo testemunhas – estarem “vingando o profeta”, referência a caricaturas de Maomé consideradas ofensivas. Na outra ponta jovens da Front Nationale, também no ano passado,  recusavam a pecha de racistas e declaravam aceitar o mundo muçulmano – em “seus territórios”, não na Europa agora dita “judaico-cristã”, puxando para seu aprisco a etnia ou religião que a extrema-direita europeia antes condenava ao ostracismo, ao campo de concentração e ao extermínio. Os partidos e políticos tradicionais, em sua maioria, estão brincando com fogo, sem se dar conta, talvez. Não aceitam o reconhecimento, por exemplo, que grupos por eles apoiados na Ucrânia são declaradamente fascistas, homofóbicos e até antissemitas. Preferem exacerbar o sentimento antirrusso e anti-Putin. Durante mais de uma década as duas agências do serviço secreto alemão concentraram-se em esmiuçar a vida dos partidos e grupos de esquerda (além dos possíveis terroristas islâmicos) e negligenciaram criminosamente o controle sobre os grupos e terroristas alemães. No momento o “grande terror” que se alastra no establishment europeu não é o de que a extrema-direita esteja em ascensão, embora isto também preocupe, mas é o provocado pela possibilidade de que um partido de esquerda, o Syriza, vença as eleições na Grécia (marcadas para 25 de janeiro), forme um governo, e assim ponha em risco os sacrossantos pilares dos planos de austeridade. Nega-se o pilar da democracia: contra o Syriza agitam-se as ameaças de expulsão da Grécia da zona do euro e até da União Europeia; ou seja, procura-se castrar a livre manifestação do povo grego através da chantagem política e econômica. Se as coisas continuarem como estão, poderemos estar assistindo o suicídio da Europa que conhecemos. O que nascerá destes escombros ainda se está por ver, mas boa coisa não será, nem para a Europa, nem para o mundo. (*) Originalmente publicado no Blogue do Velho Mundo, na Rede Brasil Atual. Fonte: aqui
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FRANÇA: drama tem fim (aparente)
09/01/2015 | 15h28
Chega ao fim a caçada aos terroristas que nos últimos dois dias investiram contra a república francesa, contra a liberdade de expressão, contra o livre exercício da profissão de informar e opinar. Além dos 12 mortos (!) no ataque inicial ao jornal de humor Charlie Hebdo, durante o dia de hoje, as informações iniciais indicam a morte de pelo menos mais sete mortos no enfrentamento da polícia. Entre esses últimos, estariam os extremistas que desencadearam o terror que dominou a sociedade francesa nas últimas 48 horas.        
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Terror investe contra a liberdade de expressão
07/01/2015 | 17h29
O dia começou sangrento na capital da França. Quatro homens mascarados atacaram a redação da revista de humor Charlie Hebdo, em Paris. Invadiram a reunião de redação , aos gritos de “vingamos o profeta” e fuzilaram 11 pessoas. Depois, na rua, mataram mais um, dessa vez um policial. Em um  vídeo, filmado por um dos ocupantes do edifício que se refugiou num telhado, divulgado no site da televisão pública France Télévisions, pode-se ouvir entre disparos a voz de um deles gritar: “Allahu Akbar” (Alá é grande). Eram 11h30 (hora local), quando teve início a carnificina. Dois homens armados com um fuzil automático kalashnikov e um lança-foguetes entraram na sede do Charlie Hebdo. Houve troca de tiros com as forças de segurança, relatou uma fonte próxima da investigação à agência France Presse. Na fuga, os atacantes ainda feriram um policial a tiro. Entre os mortos quatro reconhecidos cartunistas franceses:  Georges Wolinski, o editor da publicação, Stephane Charbonnier, o "Charb"; Jean Cabut, o "Cabu"; e Tignous. Wolinski era uma lenda internacional do cartum, um dos símbolos vivos do Maio de 68. [caption id="attachment_8629" align="aligncenter" width="620"]cartunistas mortos Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista 'Charlie Hebdo' mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut - o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier - o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)[/caption] Ao Jornal Hoje, Ziraldo declarou: "A gente é amigo de longe. Mas toda vez que eu vou à França, encontro com ele. Ele já veio ao Brasil. A gente tem uma relação muito fraterna, muito agradável. Ele era muito combativo. Aquele francês bem irreverente e bravo. O 'Charlie Hebdo' fazia um humor muito agressivo. Acho que eles tinham muita coragem." O presidente francês, François Hollande, já no local,  descreveu a ação como um “ataque terrorista” de “extrema barbárie”. O jornal Charlie Hebdo tornou-se conhecido em 2006 quando decidiu republicar charges do profeta Maomé, inicialmente publicados no diário dinamarquês Jyllands-Posten e que provocaram forte polêmica em vários países muçulmanos. Em 2011, a sede do semanário foi destruída num incêndio de origem criminosa depois da publicação de um número especial sobre a vitória do partido islamita Ennahda na Tunísia, no qual o profeta Maomé era o “redator principal”. No mundo todo, além da manifestações oficiais, a população solidária se organiza para ir às ruas. Pelas redes sociais, estampam em seus perfis, Je suis Charlie. Daqui, contra toda forma de opressão e restrição da liberdade de expressão, Eu sou Charlie! Dia de triste memória. Image-1 Fontes: Agência Brasil, G1, Folha da Manhã
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Qualquer noite dessas
01/01/2015 | 22h04
Quando chegar a maré cheia
vou pegar 
uma daquelas pranchas de areia
e vou embora ...
Vou matar todas as saudades
vou para minha Campos dos Goytacazes,
vou com todas as velas enfunadas,
descer na Rua da Jaca
e ouvir histórias de lobisomem
contadas por José Cândido,
vou ver a lua seresteira
acender suas velas
nas margens da grande curva.
Quero ver tudo!
Ver Atafona afogada na areia
soltando o vento leste,
quero ouvir o murmúrio do canavial
e o gemido das velhas catanas,
vou procurar aqueles objetos perdidos
que deixei no fundo do meu quintal
deixa chegar a maré cheia!
Vou pegar uma daquelas pranchas de areia
e vou me embora...
Vou para a minha Campos do Goytacazes
Antonio Carlos Pereira Pinto
( Encontrei este poema, sem data, remexendo nos papéis. Bonito, de um tempo remoto, em uma dessas viradas do calendário que inventamos para nos lembrar da dimensão real. Tempo menos fornalha, do céu mais camarada, das velas levadas pelo vento em dias de água no Paraíba do Sul.)
[caption id="attachment_8623" align="aligncenter" width="400"]barco_rvermelho Ft. Globo. G1[/caption]
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