Braços Abertos ao Autismo
27/02/2013 | 18h43

Reproduzo matéria do jornalista Nino Bellieny, postada ontem em seu blog aqui Uma bonita e acertada decisão da Faculdade Redentor, no tratamento ao autismo. Peço a sua atenção!

 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ESTADO DO RIO GANHA PRIMEIRO CENTRO DE AUTISMO

Nino Bellieny
O município de Itaperuna, localizado na Região Noroeste do Estado do Rio, ganha um moderno centro especializado no  Transtorno Espectro Autista-TEA. É o primeiro do Rio e um dos poucos do Brasil. Carinhosamente chamado de Centrinho, já está funcionando no CACI- Centro de Atendimento Clínico de Itaperuna,  com estrutura física adequada para a realização das atividades planejadas para o desenvolvimento das crianças diagnosticadas com o Autismo.  O principal objetivo é promover o desenvolvimento, a inclusão social e o sucesso pedagógico destas crianças, futuros adultos plenamente independentes. O modelo desenvolvido no Centrinho tem como base a teoria desenvolvida pelo M.D Stanley Greenspan e a PhD Serena Wieder, denominada DIR ® / Floortime ™.- The Developmental, Individual Difference,
Relationship-Based , (em tradução livre: Desenvolvimento, Características Individuais e Relacionamentos) ,é uma estrutura que ajuda a médicos, terapeutas, pais e educadores a realizar uma avaliação abrangente
e desenvolver um programa de intervenção sob medida para os desafios e
potencialidades de crianças com autismo e outros desafios de
desenvolvimento. Os objetivos do modelo DIR ® são o de construir bases
saudáveis para as capacidades sociais, emocionais e intelectuais, em
vez de se concentrar em habilidades e comportamentos isolados.
Além do modelo base, as atividades são focadas na Integração
Sensorial,  buscando desenvolver habilidades sociais, de comunicação e
de comportamento, com o objetivo da inclusão escolar e o caminho para
uma vida independente.
Antes de iniciar as atividades no Centrinho,as crianças são submetidas
a avaliação FEAS- - Functional Emotional Assessment Scale-( Escala de
Avaliação Funcional Emocional) através da realização de um vídeo de 45
minutos de duração, em uma sessão com a  criança e sua interação com
os pais. Isto é dividido em três módulos: simbólico, sensorial e
vestibular, onde ela é exposta aos estímulos do ambiente e dos
elementos próprios de cada módulo. A partir da análise do vídeo, feita
pela equipe multidisciplinar do Centrinho-CACI, é possível traçar o
Plano de Ação e as metas terapêuticas de cada criança e incluí-las no
Centrinho.
A equipe terapêutica é formada por profissionais experientes como a
Orientadora – Profa. Helena Fagundes Gueiros - Fisioterapeuta, pós
graduada em Psicomotricidade - Certificada em Integração Sensorial -
Mentorship 1 pela SPD Foundation. DIR C2 pelo ICDL Institute.
e
Bruna Pellegrini Vieira , Fonoaudióloga
Aline Pereira Mota , Fisioterapeuta e
Clécia Souza  Fonoaudióloga
Alunos dos cursos de Fisioterapia e Fonoaudiologia da Faculdade
Redentor,  apoiadora de primeira hora do projeto, serão os monitores.
O Centrinho-CACI fica na Rua José Egídio Tinoco 79, Bairro Cidade
Nova, Itaperuna-RJ. Empresas e pessoas físicas que quiserem também
apoiar, poderão atuar como Padrinhos do Bem. Para isso podem entrar em
contato com gerente Rose pelo telefone 22-3824-3812, pelo email
[email protected]. ou pessoalmente.
(Colaboraram com esta matéria: Helena Fagundes Gueiros e Cláudia Boechat)
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Coisas boas acontecem em Campos
26/02/2013 | 15h09
"A FMC traz para o seu Trote Solidário estes dois grupos como instrumento de humanização do ensino na área de saúde. Palestra e espetáculo abertos aos interessados". Lúcia Talabi  
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Como assim?
25/02/2013 | 14h00
Parece-me absolutamente sem pé, muito menos cabeça, a “saída” que o poder público municipal de Campos, criativamente arrumou para dar “fôlego financeiro” à empresa de transporte público Tamandaré. Depois de atender com serviços de péssima qualidade a população campista, sem o cumprimento de horários, ônibus velhos e imundos e ainda para complicar sem o pagamento aos trabalhadores, como noticiou os veículos de comunicação e, em particular, a Folha da Manhã, a empresa (aviso que não conheço os proprietários) foi surpreendentemente premiada com a permissão de voltar a circular com 17 ônibus alugados à BK Transportes, de Minas Gerais (MG). [caption id="attachment_5817" align="aligncenter" width="450" caption="Ft. Edu Prudêncio"][/caption]

 

Difícil compreender como uma empresa detentora de uma concessão de serviço público pode, assim do nada, repassar a concessão para outra pessoa jurídica. Mesma opinião tem o Sindicato dos Rodoviários de Campos que enxerga a substituição de empresas como um ato de ilegalidade. Em nota oficial a Emut afirma: “A Emut reconhece apenas a Empresa Tamandaré como concessionária do serviço de transporte público coletivo e não interfere em suas relações com a empresa locadora dos veículos, bem como com os funcionários”.????? Ou seja, oficialmente, “faz vista grossa”. Isso significa que qualquer pessoa poderá se julgar em igual direito de abrir uma empresa de transporte (sem possuir os meios de transporte), se habilitar a uma concessão da PMCG e passo seguinte, aprovada, sair por aí e alugar ônibus, e, está resolvido. Coisas estranhas acontecem em Campos.
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Orquestrando a Vida: agenda cheia em 2013
25/02/2013 | 12h54
Um ano repleto de trabalho, projetos e voos. Assim é a agenda para 2013 da ONG Orquestrando a Vida. Se sem sede,  o maestro Jony Willian era só esperanças, agora bem instalado, numa casa cedida pelo governo do Estado, no fim do ano passado, a Orquestrando a Vida é só certezas. “De longe a gente veio”, afirma o maestro. A ONG, além de ser o celeiro na formação musical de jovens, é o sustentáculo das reconhecidas orquestras sinfônicas locais. Através da música, desenvolve ação social ao oferecer ensino musical gratuito aos jovens, que necessariamente precisam comprovar baixa renda familiar. “Somos ligados ao ‘El Sistema’, projeto venezuelano. Para nós não existe limite para a criança. Ela vê, reconhece e ultrapassa o limite. Campos é o maior e mais antigo núcleo no Brasil, os outros dois estão no  Rio de Janeiro e em Salvador. Este último, chamado Neogibá, foi encampado pelo governo da Bahia”, esclarece Jony. O foco do trabalho da ONG nesse ano é o melhoramento técnico. A formação de uma nova liderança integra, também, a meta anual. “Nosso melhoramento passa por crescimento na técnica, tanto para novos maestros quanto para as orquestras e lideranças. Através dos seminários binacionais previstos até setembro, fortaleceremos técnica, liderança e o conceito do projeto, o de não formar técnicos distanciados da realidade social em que vivem. Cultivamos aquele sentimento ‘amador’, no sentido de manter o amor mesmo pelo que aprendemos e que naturalmente podemos retribuir, multiplicando com os demais”, disse. Na realidade, os seis seminários previstos já começaram. O primeiro, agora em março, em Campos, um Seminário Brasil/Panamá. Em abril, Roberto Zambrano (um dos fundadores do ‘El Sistema’) também passará por Campos, no Seminário Venezuela/Brasil. Em maio, o venezuelano Juan Gorrin (diretor geral dos coros daquele país) ficará 15 dias — oito horas por dia — exercitando junto à Orquestra David Machado, a técnica, o avanço para cantar com orquestra e a formação de liderança coral. No segundo semestre, em setembro, será a vez da Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino ser trabalhada no Seminário Uruguai/Brasil. Em maio, a ONG recebeu dois convites internacionais, daqueles irrecusáveis. Serão duas apresentações da Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino, uma em Portugal e outra em Açores. Pela significância da oportunidade, Jony buscará apoio cultural da sociedade campista para a compra das passagens do grupo. Fato inédito que mexeu com o ânimo dos músicos e alunos da Orquestrando a Vida foi a proposta para se apresentarem na Venezuela. Serão cerca de 100 músicos de Campos. Durante 15 dias receberão treinamento, visitarão projetos venezuelanos, onde a Orquestra Mariuccia Iacovino fará concerto erudito com uma orquestra local. Para culminar, pela primeira vez, a orquestra inteira estará no Festival Villa-Lobos, na sede do El Sistema em Caracas. Também para esse ano estão programados três concertos shows no Trianon, ainda sem data confirmada. Nas três apresentações, a Mariuccia Iacovino sobe inteira ao palco com Jane Duboc, Leila Pinheiro e com Maurício Manieri, sucessivamente. No rastro da comemoração pela realização do sonho da casa própria, Jony fala do sucesso por terem sido aprovados cinco alunos da Orquestra, no Centro Universitário do Conservatório Brasileiro. Luciana Portinho [ Capa da Folha Dois de hoje, segunda-feira (25/02) ].
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Cancelada reunião com o Carnaval Campista
24/02/2013 | 18h38
Repasso informação que recebemos do Secretário de Cultura cancelando reunião agendada para terça (26/02), no Teatro de Bolso, com os carnavalescos campistas.
"A reunião marcada com os carnavalescos para a próxima terça-feira, no Teatro de Bolso, foi cancelada pelo Secretário Municipal de Cultura, professor Orávio de Campos Soares, por avaliar que poderia ocorrer o mesmo clima de desarmonia entre as sociedades carnavalescas, atualmente divididas por diferentes grupos de interesse"... Tenho que concordar de que ao vivo e a cores seria impossível, no prazo de uma semana, haver debate civilizado entre os próprios carnavalescos e entre estes e os representantes da prefeitura responsável por aprovar as contas de 2012 e de liberar, ou não, a verba pública de 2013 , às agremiações do carnaval.  Agora é aguardar o desenrolar da cizânia.  
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Um Viva à Academia Campista de Letras
24/02/2013 | 12h47
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SURURU no carnaval campista
22/02/2013 | 12h45

Decididamente, continua surpreendente o clima irracional que domina parte das organizaçãoes carnavalescas de Campos. Hoje pela manhã, mais uma vez a sociedade campista assiste à falta de entendimento entre as sociedades canavalescas locais e o setor responsável pelo carnaval ( que aqui em Campos, não acontece no Carnaval como em todos os demais lugares do mundo).

Fui cobrir para a Folha da Manhã. Ao entrar na sala com a fotógrafa Hellen Souza, nos deparamos com o secretário Municipal de Cultura de Campos, Orávio de Campos Soares, sentado em uma das cabeceiras da sala de reuniões, envolto e acuado por representantes carnavalescos, alguns exaltados, falando ao mesmo tempo, naquele clima passional que impossibilita qualquer diálogo, quanto mais um acordo comum.

Até para conseguir alcançar as razões do ânimo exaltado, nos demandou certa organização das idéias e um olhar apurado para entender qual o cerne das desavenças.

Única decisão de comum acordo:  marcada nova reunião aberta para a terça da semana próxima (26/03), às 10h, no Teatro de Bolso , com a presença de todos e de demais representantes da prefeitura de Campos, como da Procuradoria, do Controle e da Auditoria, orgãos responsáveis por aprovar as contas das agremiações, um dos pontos da confusão.

 

 

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Roda furada
21/02/2013 | 18h10
Sob o título Nada será como antes, o blog Ponto de Vista noticiou, hoje cedo, a abertura de uma grande licitação da PMCG para dar existência ao transporte público que nos últimos 4 anos a população assistiu viu desaparecer. Sim, pois o mínimo que ainda existia, acabou em um arranjo eleitoral populista, encoberto na tal passagem de 1 Real. A alegria da população que necessita do transporte público para ir de casa para o trabalho e voltar do trabalho para casa, durou pouco. Esta mesmo que faz uso de alternativa pública de locomoção viu desabar a qualidade do serviço prestado, percebeu o desaparecimento dos veículos, se deu conta da invasão canibalesca da lotadas, vans, ou seja lá, qual nome resolverem apelidar. Virou um tormento diário ir e vir dentro dos limites geográficos do município. [caption id="attachment_5786" align="aligncenter" width="550" caption="Ft.Helen Souza"][/caption] Mesmo para aqueles que possuam meios de locomoção particular, o reflexo do desmonte planejado (e bem executado) do transporte público campista, salta aos olhos no trânsito emperrado que tomou conta da cidade nos últimos anos. O número de carros só aumentou em resposta à ausência de uma política de desenvolvimento para o setor que, no mínimo, contemplasse o crescimento populacional. Torço e torço para que esta grande licitação 'nacional' seja para resolver e não para mais uma vez fazer uma complicação de grande porte. Nota: Você, leitor, sabe que estive de férias, em Cartagena das Índias, Colômbia. Pois, pasmem, Cartegena que é uma cidade de 1 milhão de 400 mil habitantes e tem um transporte público confuso espera com ansiedade para 2014 o funcionamento do novo sistema de transporte. Todos os muitos microônibus serão retirados das ruas e no lugar deles um corredor será criado, cujo nome traduz a vontade de mudança "Transcaribenha". Advinhem: de quem é o projeto? Isso, dele mesmo, do curitibano Jaime Lerner que também implantará sistema semelhante em Bogotá, capital da Colômbia.  Pergunto então, por qual razão a PMCG sempre quer inventar, a roda?!
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Um país que não queremos
19/02/2013 | 18h33
Repasso manifesto on-line para quem queira assinar. O prazo é até amanhã (quarta-feira), quando então será entregue. Clique lá em baixo!
Caro Ministro Lewandowski,
Precisamos da coragem cívica de todos os mandatários para virar a página do neocoronelismo no Brasil, se de fato queremos ascender à condição de nação desenvolvida e respeitável.
O Brasil tem leis suficientes para nos fazer uma nação séria; precisamos apenas que elas sejam cumpridas com zelo e senso ético, como o foram no julgamento do Mensalão.
Por um Brasil sem miséria e corrupção: pela punição dos "colarinhos brancos" do Estado.
Saudações republicanas. Para conscientizar os líderes do Senado sobre o Problema Renan, escreva sua mensagem aqui (lado esquerdo): <http://www.avaaz.org/po/fora_renan_senators_and_stf/?bKuWBbb&v=22104>.
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Merenda
19/02/2013 | 14h19
De passeio por essa hiper interessante cidade colombiana, Cartagena das Índias, a pé pela parte histórica, conhecida como cidade amuralhada, dei de cara com um intervalo escolar - a gurizada na rua, naquele momento de excitação típico que antecede à merenda. [caption id="attachment_5766" align="aligncenter" width="550" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_5767" align="aligncenter" width="550" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption] Dos dias que experimentei, a alimentação do cartagenense é menos manufaturada do que a nossa. O milho, a mandioca, a banana e o coco estão ainda mais presentes no cotidiano da mesa. As frutas tropicais disponíveis nas ruas, para os nacionais e os estrangeiros, são consumidas o tempo todo, em quantidade, vendidas pelas mulheres, que equilibram as variedades em grandes bacias no alto das cabeças. Lembrei-me das nossas antigas lavadeiras com suas impecáveis trouxas de roupa. Lá,  elas são conhecidas como ‘palanqueiras’, em saias rodadas de babados, multicoloridas. Não resisti a alguns sapotis, por sinal deliciosos, que descascam e cortam na hora e higienicamente te servem em um prato descartável. [caption id="attachment_5770" align="aligncenter" width="550" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption] Bom, da merenda que tive a sorte de observar ser vendida em frente à escola, ainda que disposta de uma forma mais simples (sem marcas expostas) do que a das nossas cantinas ou lanchonetes, havia um pouco de um bocado: mingau de aveia, ovo cozido na casca, suco de melancia, laranjada, limonada, ‘caraminõles’ (lembram o nosso bolinho de aipim), chips de batata, aipim e de banana, pequenos embutidos e mais uma diversidade de guloseimas que garantiu a alegria dos estudantes. [caption id="attachment_5769" align="aligncenter" width="550" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption]
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Firmino
17/02/2013 | 18h12
Publico texto de  Geraldo Machado. Nos leva a um tempo histórico brasileiro, da segunda metade do século XX. Advogado, produtor rural e colaborador da Folha da Manhã; conheço Geraldo Machado desde logo que em Campos aportei.  O registro traz a saga de um homem comum, que como o próprio autor define,  "Patrono de minha infância e testemunha de meus inquietamentos juvenis. É o retrato insuspeitado do homem que se dera à sua condição própria, de operário. Num momento crucial. Aí vai, sem pretensão alguma a mais do que o relato, puro".
FIRMINO 
Geraldo Machado
Era um negro alto, forte, ereto, fala mansa, extrema agilidade. Fala pausada, tudo ouvia com atenção. Ria poucas vezes, mas escancaradamente de sucessos e estripulias que os meninos aprontavam. Não disfarçava o orgulho de ouvir histórias, relatos, nenhum reparo, nenhuma admoestação. Em tempos passados, dizia-se que fora forte, bom de briga, não levava desaforo, nunca fugira de embates, transmudava-se em lince, rápido. Dizia-se que não poucas vezes enfrentara muitos e muitos vencera nos combates, comuns aqueles velhos carnavais, quando era usual no encontro dos “cordões de índios” resultar em pancadaria das grossas, daquelas de por todo o mundo, no centro, a correr, sem destino certo. Dentre as histórias que lhe atribuíram, uma em que, acuado por 3 ou 4 policiais, mais alguns “inimigos” do “outro” cordão, partiu para cima, já que para o perigo - coragem...Ao menos quatro foram parar no meio do valão, salvos de afogamento por obra e graça do acaso ou da sorte ou da misericórdia... Na labuta diária, trabalhava duro, na lavoura em terras da usina. Em tempos de férias, costumava pegar uns “bicos” como vigia de casas da cidade, temporariamente abandonadas pelas famílias que iam veranear, até o carnaval chegar... A pouco e pouco, foi se fixando – nesse mister – em nossa casa, tanto que, já casado, ainda o convoquei a meu serviço, em minha casa, já no início das “temporadas”... Nunca se alterou, sempre se mostrou solícito em fazer o que advinhava fosse uma necessidade de cada um de nós, mesmo que passageira... A conjugação desses aspectos de sua personalidade, davam – no entanto – uma dimensão equivocada de sua consciência como classe permanentemente espoliada. Dia Primeiro de Abril de 1964. Os milicos ainda não se sentiam seguros, e, já cedo, rumavam ao centro, à Praça do Salvador, milhares e milhares de trabalhadores de usinas, de fazendas de usinas, ferroviários, empregados de empresas de transporte, de água, luz, esgotos, etc. Desde manhãzinha – embevecido – assistia aquele desfile, em que a alma popular expressava a repulsa ao golpe já anunciado e prestes e se tornar vitorioso. Cada caminhão apinhado ecoava um canto de guerra, palavras de ordem, em alto e bom som, emitidas daquelas gentes, suadas, temperadas na força do embate diário, que se repete desde milênios... E, de repente, vieram os caminhões trazendo os operários da Usina Queimado. Apressei o passo, fiquei rente ao caminho que seria percorrido por essa parte do cortejo. E lá, no alto de um dos caminhões, empunhando uma enxada, qual uma lança – o velho e bom e doce FIRMINO. A berrar, a plenos pulmões, JANGO, JANGO, JANGO. Até perdê-lo de vista quando se diluiu na multidão que já se acumulara na praça, pude experimentar um sentimento, até então não suspeitado, sequer. Nosso FIRMINO, amável, amigo, conselheiro às vezes até – TINHA CONSCIÊNCIA DE CLASSE – ali engrossava o coro das multidões que as marchas de carolas e o som das cornetas e o tropel sufocaram. E me senti feliz, como há muito tempo não ficara, e muito tempo depois não esqueceria...  
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Da Maria, da mulata: MARIA MULATA
12/02/2013 | 20h44
Ave migratória de penas negras, se move quase sempre em grupos. Na dela, se aproxima sem receio, aparenta conforto na companhia de nós, humanos. Maria Mulata, assim chamado, é pássaro de trinado estridente de sons fortes e variados. Ouvir à algazarra dos pios colore o dia. É visto da costa dos Estados Unidos da América do Norte ao sul do Peru. Em Cartagena, Colombia, como tantas coisas mais, de objeto, virou lenda. Portanto, sujeito. Querer saber a verdade verdadeira, sobre a origem do nome do simpático pássaro de olhos circulares amarelos, é dispor-se a ouvir pelas ruas, histórias -  cada qual com um enredo contido. Para alguns, uma ave mansa, mas, geniosa. Ao se sentir, por algum motivo, agredida, Maria Mulata temperamental que é, perseguirá o seu agressor. Outros dizem que o nome original era só Mulata. Maria teria sido uma bela escrava negra que, quando assediada pelos homens, reagia com gestos e falatório raivoso. O tempo se encarregou de associar mulher e pássaro. É bom relembrar que Cartagena das Índias, em época colonial, foi palco natural, dos embates militares da coroa espanhola com os piratas que insistiam em "saqueá-los". Dos 11 quilometros de imponente muralha e casamatas restam na parte interna uma charmosa cidade inteira, tombada como Patrimônio da Humanidade, em 1984, pela Unesco, orgulhosamente preservada por um povo alegre que com sabedoria extrai da Cultura a fonte de sobrevivência: o turismo. Como magistralmente retratou o escritor Gabriel Garcia Marquez, aqui carinhosamente apelidado de Gabo, "... Isso é o que mais me fascinou sempre em Cartagena: o raro destino de suas casas e de suas coisas. Quanto mais mortas aparentam, todas parecem ter vida própria,  e trocam de lugar e de finalidade, enquanto os seus donos passam ao largo da vida, sem demasiado ruido. É uma magia de origem ...". A escultura abaixo , foi elaborada em ferro pelo artista plástico colombiano Enrique Grau, inaugurada em agosto de 1997. Enrique Grau ( 1920/2004 ) é conhecido por seus retratos de figuras ameríndias e afrocolombianas. Um apaixonado estudioso dos hábitos da Maria Mulata. [caption id="attachment_5745" align="aligncenter" width="600" caption="Ft. Google"][/caption]

 

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La?os latino-americanos
06/02/2013 | 14h42
Amigos, Dias que anunciam o Carnaval. A não ser que outra tragédia nos esmague, a próxima semana haverá de ser razoavelmente previsível. O comércio venderá as geringonças da folia, as marcas de cerveja disputarão palmo a palmo para vender mais, as rodovias federais começarão a emitir os sinais dos insuportáveis engarrafamentos, as rodoviárias superlotadas darão os sinais da movimentação humana. O Congresso se retira da cena burlesca, sufocam-se os golpaços das óperas bufinhas municipais. Rico, facinho vira pobre; pobre, arremedo de rico; transformista, macho fica; vagabundo vira lady e dama vira periguete. É o tal faz de conta - por uns dias -  em que o povo pensa que sobe ao palco. Eu então aproveito, raspo as minhas férias. Saí de fininho com minha mãe, dar uns passeios com ela. Vim para a terra do Gabo. Nem tão longe, nem tão perto. No calor úmido, refrescar a mente, me defrontar com o outro, absorver novas paragens. Não prometo frequência, mas, algo interessante que observe no caminho, com gosto trarei aqui para vocês. No domingo (17/02), se a vela inflada da vida colaborar, retorno ao batente firme. Até lá, é esperar que o janeiro brasileiro (em matéria de espantos) tenha nos valido por alguns meses do ano corrente. Bons momentos de prazeroso relaxamento para todos! Ah! Só não vale fantasia dos Renãrinhos... Um abraço, Luciana [caption id="attachment_5738" align="aligncenter" width="600" caption="ft. Google"][/caption]    
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Incentivo à leitura longe do ideal em Campos
01/02/2013 | 11h43
Para atingir a meta prescrita na Lei 12.244 de 2010, o Brasil precisa criar 130 mil bibliotecas até 2020. A mesma lei determina a existência de pelo menos um livro por aluno em cada instituição de ensino público e privado do país. Atualmente, da rede pública brasileira apenas 27,5% das escolas têm biblioteca. Nacionalmente, segundo levantamento do movimento “Todos pela Educação”, para equipar todas as unidades escolares, seria necessário, nada menos, do que construir 34 unidades por dia. Em Campos, se-gundo dados da secretaria Municipal de Educação, com cerca de 60 mil estudantes na rede pública municipal, das 165 escolas e 79 creches, existem bibliotecas aproximadamente 100 delas e o  total de livros disponíveis não foi quantificado. Além das bibliotecas, existem as salas de leitura nas unidades de ensino de Campos. São 38 salas de leitura; estas são espaços destinados a leitura, mas, não contam com a presença do bibliotecário e sim de professores denominados “incentivadores da leitura” que percorrem as escolas da rede municipal através do Programa Municipal de Incentivo à Leitura “Ler para Ser”. A coordenadora do programa Maria Auxiliadora Martins explica que são quatro profissionais no programa. “Às vezes há pouco espaço na escola para o funcionamento de uma biblioteca, o que não nos impede de trabalhar a leitura na escola. Nossa equipe é formada por quatro profissionais que percorrem as unidades escolares no ônibus do programa de incentivo à leitura”, disse Maria Auxiliadora. No país, como um todo, a justificativa corriqueira para o não cumprimento da lei é a falta de espaço físico. Campos não foge à regra. Se-gundo a secretária municipal de Educação, Joilza Rangel Abreu, “As novas escolas e creches já contemplam o espaço físico da biblioteca. Desde que assumi a secretaria, foram criadas 20. Recentemente inauguramos oito creches, nessas a biblioteca foi prevista. Nas escolas mais antigas, em algumas, nem há espaço disponível para tal. É prioridade da secretaria de Educação o investimento em aquisição de livros. Agora, para 2013, foi feita uma grande compra de livros. Cada aluno da 6ª série terá seu exemplar. Tem sido um investimento crescente. Desde cedo, o estímulo à leitura é parte do modelo pedagógico adotado por nós”, frisa a secretária. Pela Lei 12.244 até 2020, ou seja, daqui a sete anos, em se tratando unicamente do ensino público municipal, Campos por possuir 165 escolas, necessitará contar com mais 65 bibliotecas implantadas. Significa dizer que, por ano, terão que ser criadas, em média, 9  unidades. Para o cumprimento da lei, o acervo total de livros disponível (ao número de alunos  existentes na rede municipal hoje) deverá ser de 60 mil. Porém, não se sabe o total de livros disponíveis hoje na rede. A título de curiosidade, a maior biblioteca pública de Campos, a Biblioteca Nilo Peçanha (com sede no Palácio da Cultura), mesmo somando o acervo das Casas de Cultura em Conselheiro Josino, Goytacazes e  Farol de São Thomé — não atinge os 30 mil exemplares. Obra deixou biblioteca fechada por um ano O Centro Educacional 29 de Maio, uma das escolas tradicionais da área urbana de Campos, no bairro da Pecuária, desde o dia 2 de janeiro de 2012, entrou em ampla reforma. Segundo a diretora Heloisa Salomão, que assumiu a direção no início de 2011, a escola que está finalizando o processo de matrículas, conta com cerca de 900 alunos. “Como a reforma foi demorada o último ambiente ainda a ser mexido é o da biblioteca. Por necessidade da obra, a biblioteca que sempre foi atuante na vida dos alunos, não teve como funcionar no ano passado, serviu de depósito e não houve tempo hábil de concluir a obra. Na tentativa de suprir a sua falta, uma equipe pedagógica em projetos especiais trabalhou na sala de leitura com a literatura de Monteiro Lobato”, frisou a diretora que aguar da a liberação do espaço. Luciana Portinho * Publicado ontem (30/01) na capa da Folha Dois.
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Sobre o autor

Luciana Portinho

[email protected]