Armadilhas Urbanas VI
31/01/2013 | 20h04
[caption id="attachment_5727" align="aligncenter" width="600" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption]

Esquina da Rua Formosa com Rua Câmara Junior

 

 

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Dinheiro pra dar e vender
31/01/2013 | 15h18
Vejam comigo esses cubículos cuja obra, como tantas outras,  também parou. Dispostos em praça lá no final da antiga Avenida Calabouço, ou Avenida Pereira Pinto, na direção de Custodópolis. Qual a finalidade deles, desconheço. São micros, sem alicerce que os sustente, lado a lado colocados, para quem? para o quê? A impressão que deixam é de que a qualquer vento encanado partirão pelos ares. A impressão que fico é de temos muito dinheiro para jogar fora. Observem. [caption id="attachment_5720" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_5721" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_5722" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption]

 

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Pertinente comentário
29/01/2013 | 13h46
Publico comentário que recebemos do artista plástico, cubano e residente em Campos, Francisco Rivero. Vale a sua atenção. Desearia comentar lo siguiente, cuando una accion de este tipo acontece se impone una respuesta que tenga como principio un reflejo pedagogico para que los ciudadanos sepan de la importancia del cuidado y conservacion del patrimonio espiritual y cultural de una ciudad. Por ejemplo mencionaria lo acontecido en la ciudad de Paris con un edificio que albergo los talleres de pintores y artistas ” el Bateau-Lavoir ” a principio del siglo pasado en el Barrio de Montmatre. Fue en este lugar donde Picasso elaboro su concocido cuadro ” La Señoritas de Avignon ” ( Les Demoiselles d’Avignon (1906-1907). Tambien alli trabajaron otros pintores o escultores como Van Dongen, Braque, Modigliani, Manolo, Agero, Laurens entre otros, asi los escritores Apollinaire, Alfred Jarry, Paul Fort. El Bateau-Lavoir desde la Primera Guerra Mundial fue un centro intelectual y artistico. Estos locales de lo que fue en un inicio una antigua fabrica de pianos,con una estructura de madera fue hasta 1970 un espacio utilizado por los artistas. En el mes de mayo de 1970 fue parcialmente destruido por un incendio que fue comandado por especuladores inmobilarios en complicidad con los propietarios. Las investigaciones judiciales dieron luz sobre las ideas como propositos de estas personas en relacion a este lugar de interes publico. Los responsables de esta destruccion fueron llevado a juicio y condenados a pagar la reconstruccion del edificio en su arquitectura inicial, esta sancion sirvio de ejemplo educativo para recordar que el parimonio es un asunto de todos. Hoy en dia si usted visita Paris en la rua Ravignan numero 13 podra leer una placa que señala estos hechos y se situa frente a una pequeña plaza Émile-Goudeau donde se han plantado arboles para el descanso y la reflexion. Un saludo cordial Francisco Rivero
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Indios saem. Prédio fica.
28/01/2013 | 19h55
Uma história de final feliz quanto ao respeito do patrimônio cultural e histórico. Falo do prédio construído em 1862, que abrigou o Museu do Índio, na capital do estado. Notem que o imóvel, ainda não estava tombado, sim listado pelo Conselho de Proteção do Patrimônio Cultural do município do Rio de Janeiro que desde o início se manifestou contrário à demolição. Depois de posicionamentos difusos e controvertidos das autoridades (municipal, estadual e federal), enquanto a sociedade civil enfáticamente defendeu a preservação da memória, venceu o bom senso. [caption id="attachment_5704" align="aligncenter" width="550" caption="Agência Brasil"][/caption] Nota do governo do estado (divulgada na imprensa hoje, 28/01) "O Governo do Rio de Janeiro decidiu preservar o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã. O Estado ouviu as considerações da sociedade a respeito do prédio histórico, datado de 1862, analisou estudos de dispersão do estádio e concluiu que é possível manter o prédio no local. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes vão agora tomar a iniciativa de fazer o tombamento do imóvel. O Governo está tomando as devidas providências para que o local seja desocupado dos seus invasores. O Governo do Estado comprou em 2012 da Conab o imóvel, composto por esse e outros prédios, pelo preço de RS 60 milhões. O Ministério da Agricultura já está desocupando os demais prédios existentes no local, que serão demolidos para garantir o fluxo de pessoas no entorno do estádio. O restauro do prédio do antigo Museu do Índio ficará a cargo do concessionário vencedor da licitação do Complexo do Maracanã, cujo edital sairá em fevereiro. O destino do prédio, após o tombamento, será discutido conjuntamente entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro". Breve histórico A área disputada entre o governo e os índios pertenceu ao Duque Luís Augusto de Saxe, marido da princesa Leopoldina, filha mais nova de D. Pedro II.  Ali, entre 1850 e 1890, ficava o Palácio Leopoldina. Em 1915, o marechal Rondon criou, no prédio, o Serviço de Proteção ao Índio, atual Funai. Em abril de 1953 foi criado o Museu do Índio. Em 1977, sob direção de Darcy Ribeiro, o museu foi transferido para Botafogo, zona sul. Os índios ocuparam o espaço, que estava abandonado, em 2006.
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De tragédias. Em tragédia.
28/01/2013 | 16h35
Impossível, desde ontem,  não se sentir um tanto soterrada junto aos 231 cadáveres jovens,  na tragédia que sacudiu o Brasil. Foram minutos de terror, de horror pleno que desgraçadamente tirou a vida daqueles guris que lá estavam despreocupadamente celebrando a juventude em conquistas. No luto dos próximos dias, semanas, meses e anos, virão à tona os responsáveis por tal assombro mortal. Nada voltará a ser o quê foi antes. Abaixo,  poesia, de Fabrício Carpinejar, cronista e poeta gaúcho, publicada no dia de hoje (28/01),  na capa do Jornal O Globo. Fala por nós.

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Fabrício Carpinejar

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço.Não vão se lembrar  de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.
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Em busca de tombamentos
27/01/2013 | 16h17
[caption id="attachment_5684" align="alignright" width="390" caption="Ft. Folha da Manhã"][/caption] A demolição do Casarão histórico que integrava o acervo histórico-cultural de Campos, na calada da noite do primeiro sábado do ano, sem autorização do Município mexeu com os formadores de opinião da cidade, demandou pronto posicionamento da sociedade civil organizada, do executivo municipal e do poder judiciário. Foi também o assunto que abordou o promotor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Lessa Bastos, em seu artigo semanal publicado na Folha da Manhã, na última quarta-feira. Nele, o promotor (logo de cara) em suas palavras classifica a demolição como um ato ilícito: “O ato, sem dúvida alguma, foi ilícito, isto pelo simples fato de não ter sido precedido de autorização do Município. Como agravante, há ação judicial em curso, em que os então proprietários postulam que o juiz obrigue o Município a dar autorização para a demolição. Todavia, não há nenhuma decisão judicial, definitiva ou liminar, acolhendo a pretensão do autor, de sorte que a demolição se deu mesmo “na mão grande”, ao arrepio de qualquer autorização, administrativa ou judicial. Agrava ainda mais a situação se tratar de imóvel listado no plano diretor como de interesse histórico-cultural-arquitetônico”. No artigo, Marcelo Lessa faz a chamada ao poder público municipal. “O tombamento é ato administrativo que depende da iniciativa do Município. A partir dele, ficará fora de discussão não só a impossibilidade de demolição, como a obrigação de preservação do imóvel que for tombado. E isto com a publicidade desejável, já que o tombamento será aver-bado no registro de imóveis”. Sobre a “cobrança” do MP, o presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (Coppam), Orávio de Campos se justifica, “Todos os que estão na lista de tombamento, tomaram ciência através do Diário Oficial, lamentavelmente, o processo é lento, a parte burocrática exigida é trabalhosa, tem que ser bem fundamentada, explicar o porquê do imóvel ser tombado. Dr. Marcelo está cheio de razão, é moroso o processo, temos que aproveitar toda boa vontade do MP. O ato de tombamento do imóvel é exclusivo do presidente do Coppam. Faremos, na segunda e teça-feira próximas uma reunião administrativa da equipe que acelere o processo e talvez já libere o primeiro lote”, finalizou. Marcelo Lessa ainda que reconheça a irreversibilidade do desmonte do patrimônio histórico-cultural indica a disposição do Ministério Público em propor medidas de efeito pedagógico, “Isto porque foi expedida recomendação ao Município para que não autorize nenhum tipo de construção ou exploração econômica no terreno do imóvel, ao passo em que, simultaneamente, está sendo proposta ação civil pública, com o objetivo de obrigar os hoje proprietários a reconstruir o imóvel com suas características originais, bem como exigir dos responsáveis pela demolição a reparação dos danos, inclusive morais, causados ao patrimônio histórico municipal. E sem prejuízo de apurar a responsabilidade criminal pela demolição, eis que o fato parece constituir crime, a teor do disposto no art. 62 da Lei de Crimes Ambientais”. Para Orávio, o posicionamento do MP através do promotor é correto. “É muito bom e bem escrito. O efeito de pedir a reconstrução, através de uma ação civil pública, não é de preservação, mas, se insere no contexto de punição. Sabemos que nunca mais teremos o Casarão do Chacrinha, mas, mandar edificar quem demoliu cumpre o papel pedagógico sugerido, eu entendo e concordo”, disse Orávio. De acordo com o diagnóstico do promotor Marcelo Lessa e, discordante da solução da reconstrução sugerida, o pesquisador e um dos representantes da sociedade civil no Copppam, Leonardo Vasconcellos, compreende a necessidade de uma clara medida pedagógica. “Se nada for feito, assistiremos uma sucessão de demolições de casas antigas em Campos. O espaço do casarão demolido já está vazio, vamos torná-lo em um espaço coletivo e público, em uma área verde, de recreação, de contemplação. Não temos que inventar a roda, o MP sofre pressão de todos os lados, se faz necessária a aproximação do Legislativo, que se faça uma legislação atualizada à realidade presente. Mesmo o tombamento, por si só, não garante que o imóvel de valor histórico ou arquitetônico não se degrade. Já ouvi proprietários afirmarem que não passarão fome pela preservação dos patrimônios. A prefeitura tem que assumir a sua parte. Sou defensor da premiação àquele que faz o certo”, frisou Leonardo. Luciana Portinho * Capa da Folha Dois de ontem (sábado, 26/01/13).  
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PAPITO
25/01/2013 | 20h18
PAPITO Luciana Portinho Meu pai quando sentia necessidade de sua intervenção, o fazia sem sofreguidão. Esperava o momento e local adequados. Passavamos, naquela época, muitos fins de semana no sítio. Naquele ambiente idílico do Cuiabá, eu o ouviria com atenção redobrada, ele sabia. A família instalada, cada um envolvido em particular distração. Sem mais nem menos, me convidava. "Luciana, vamos dar uma andada"? Nunca disse não ao convite. Ele, então, passava a mão em uma das bengalas e lá iamos os dois para a estrada, a cachorrada atrás. Propositalmente (creio, hoje) a passada era lenta; no ritmo de um passeio. Entre comentários sobre o clima, ou uma página do jornal, ele estancava, eu também. Aí, ele se virava para mim, pousava a sua mão direita no meu ombro direito e gravemente soltava..."Antes ser cabeça de formiga a rabo de elefante". Aos ouvidos de outros, poderia parecer sem nexo. Aos meus cravava certeiro.Quase sempre repetia, já de lado, após me oferecer seu braço de apoio. Andando de braços enlaçados, faziamos meia volta. Concordasse, ou não, com ele, no momento, era o de menos. Me recordaria por toda uma vida. [caption id="attachment_5679" align="aligncenter" width="600" caption="Fotografia de Antonio Cruz"][/caption]

 

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Carta Aberta ao Promotor
25/01/2013 | 16h09
Recebemos carta aberta abaixo, em forma de comentário, do prezado leitor,  Sávio. Pelo teor de importância, pelo respeito à autoridade para qual apela, a reproduzimos na primeira página do blog.   Prezado Promotor, Dr. Marcelo Lessa: Muito pertinente o seu artigo, e não é de hoje que vimos acompanhando o brilhante trabalho ou sua atuação em muitas demandas relacionadas a este nosso Município. No entanto, como o Sr. explicita no artigo, outras ações do próprio Município são necessárias, de modo que lhe seja possível exercer o “munus” e assim poder atuar. Por exemplo, convido-o para ver sobre o patrimônio histórico, conhecido como Solar dos Ayrises (ou, Airises) e o abandono do mesmo, conforme pode ser visto aqui: http://camposfotos.blogspot.com.br/2010/09/solar-dos-airizes-fotos-de-joao.html http://www.manhuagito.tv/2010/04/solar-dos-airizes-casarao-sofre-com-abandono/ Suponho que, neste caso, os óbices vão até além do Município, porque pelo que tenho notícia, tal Patrimônio é tombado e da alçada do IPHAN. Lendo no Site Oficial deste Órgão, encontro pela lavra do mesmo, a seguinte definição: “O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura, responsável por preservar a diversidade das contribuições dos diferentes elementos que compõem a sociedade brasileira e seus ecossistemas. Esta responsabilidade implica em preservar, divulgar e fiscalizar os bens culturais brasileiros, bem como assegurar a permanência e usufruto desses bens para a atual e as futuras gerações.” Ora! Parece que a referida “autarquia”, pelo menos em relação a este patrimônio, não vem cumprindo o seu papel. Já vai longe o tempo em que fui aluno na FDC, mas lembro-me de que “compete aos promotores de justiça: promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses coletivos”. Isto posto, posso inferir que, uma vez o IPHAN não cumprindo devidamente o seu papel, V.Sª poderia argüir do referido Órgão, o motivo de não fazê-lo, ou tomar outras providências, que suponho, estariam adequadas às suas funções. É evidente, que não me encontro seguro nas minhas especulações, as quais podem estar, no sentido técnico, inadequadas às suas atribuições, no entanto, reconhecendo o Vosso empenho em tantas outras intervenções pró-cidade, também posso entender que a boa vontade, bem como o espirito público que tem demonstrado, possam ser o suficiente para que promova alguma ação, no sentido de “proteger e preservar” este patrimônio agonizante, antes que seja tarde demais. Eu, e tenho certeza, muitos campistas, depositamos no senhor, este tipo de esperança! Obrigado.
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CONECTANDO PESSOAS
24/01/2013 | 17h18
CONECTANDO PESSOAS Por Luciana Portinho [caption id="attachment_5668" align="alignright" width="250" caption="Ft. Facebook"][/caption] Tenho amigos os mais variados e de cada um deles, extraio o melhor, seja na arte da convivência, do pensar direto, da sinceridade inequívoca e é, exatamente com os quais, melhor me dou. Amigos são partes nossas espalhadas pelo mundo e estas partes, conectam-se pelo intrínseco poder de aglutinação e bem-aventuranças. Também na hora das dores e dos apertos, reforçam nossa capacidade de amar ao próximo por mais distante que ele esteja. Por força da poesia e das artes plásticas, aproximei-me de um destes amigos, ao qual prezo muito e representa com dignidade os demais que estimo em igual valia e presteza. Como desejo falar periodicamente de cada um deles, tinha que escolher o primeiro, a vez de cada um dos meus amigos, chegará. O escolhido para começar esta série, é um exemplo bem formatado de diplomacia e gentileza, embora, não hesite em ser franco, às vezes, até rude, mesmo sendo rude, não ofensivo e nem invasivo, apenas não deixando para depois o que pode ser dito ou feito na hora. Amigo de estender a mão e puxar com força, se no vazio estivermos, dando-nos o impulso necessário. Das palavras certeiras como seus golpes de Jiu-Jitsu. Escreve bem, comunica-se bem, faz bem feito profissionalmente tudo o que é de sua área fazer, porém, o que mais admiro em sua personalidade forte e simples, é a capacidade de conectar pessoas. Dia desses, ouvindo o radialista André Freitas em um programa, chamou-me a atenção o que ele dizia e concordei de imediato, mentalmente, como ouvintes fazem ou não. Dizia ele, ser Nino Bellieny, um “aproximador de pessoas”, alguém, que une as pontas dos fios e cria ou reforça tramas para o bem. Nino é assim. Não há nele o egoísmo daquele que se deseja absoluto, daquele que se pretende líder pela força e poder. Faz isso sem articulações pessoais ou desejos ocultos de abocanhar vantagens. Faz por naturalidade, com honestidade e integridade, por ser para ele, tão fácil quanto respirar. Tenho orgulho deste meu amigo conectado e conectador. E isto posto, rendo minha singela homenagem em forma destas palavras, abrindo espaço para outros, como já disse, pretendo homenagear, principalmente, em vida, quando, enfim e antes de mais nada, as palavras realmente podem ter a devida utilidade. * Nino Bellieny, é jornalista, radialista, poeta e artista visual. Campista, nasceu no interior do município, mais precisamente na região dos tabuleiros de Campos, em Morro do Coco.
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Artigo do Dr.Marcelo Lessa
24/01/2013 | 12h52
Patrimônio histórico Por Marcelo Lessa Bastos A demolição de um casarão que integrava o acervo histórico-cultural de Campos, no final do ano passado, sem autorização do Município e na calada da noite, despertou grande polêmica, com repercussão nos meios de comunicação até agora. O ato, sem dúvida alguma, foi ilícito, isto pelo simples fato de não ter sido precedido de autorização do Município. Como agravante, há ação judicial em curso, em que os então proprietários postulam que o juiz obrigue o Município a dar autorização para a demolição. Todavia, não há nenhuma decisão judicial, definitiva ou liminar, acolhendo a pretensão do autor, de sorte que a demolição se deu mesmo “na mão grande”, ao arrepio de qualquer autorização, administrativa ou judicial. Agrava ainda mais a situação se tratar de imóvel listado no plano diretor como de interesse histórico-cultural-arquitetônico. O fato parece irreversível, já que o imóvel acabou sendo demolido. Todavia, ante as medidas que o fato desafia e estão sendo tomadas pelo Ministério Público, pode ficar demonstrado, inclusive de modo pedagógico, que a ousada desfaçatez foi em vão. Isto porque foi expedida recomendação ao Município para que não autorize nenhum tipo de construção ou exploração econômica no terreno do imóvel, ao passo em que, simultaneamente, está sendo proposta ação civil pública, com o objetivo de obrigar os hoje proprietários a reconstruir o imóvel com suas características originais, bem como exigir dos responsáveis pela demolição a reparação dos danos, inclusive morais, causados ao patrimônio histórico municipal. E sem prejuízo de apurar a responsabilidade criminal pela demolição, eis que o fato parece constituir crime, a teor do disposto no art. 62 da Lei de Crimes Ambientais. Mas a questão merece uma outra reflexão, ainda mais oportuna. É que, há muitos anos, o Município se omite em editar os atos administrativos de tombamento dos imóveis listados pelo plano diretor como integrantes do acervo histórico-cultural-arquitetônico de Campos. Tal omissão gera uma situação jurídica muito controvertida, em que se debate a suficiência da lei municipal para limitar o uso da propriedade ou a necessidade de estar o imóvel tombado para que tais limitações incidam. O tombamento é ato administrativo que depende da iniciativa do Município. A partir dele, ficará fora de discussão não só a impossibilidade de demolição, como a obrigação de preservação do imóvel que for tombado. E isto com a publicidade desejável, já que o tombamento será averbado no registro de imóveis. Enquanto esta iniciativa não se consolida, o Ministério Público faz o que pode para tentar proteger o patrimônio imobiliário da cidade. Adota a tese da suficiência legislativa, ainda que não esteja, particularmente, totalmente convencido da procedência dela. E, com base nisto, várias ações civis públicas já foram propostas com vistas a exigir dos proprietários a conservação e a preservação de imóveis listados no plano diretor. Ao contrário do que foi veiculado em entrevista publicada neste Jornal, atribuída ao presidente da ANFEA, este órgão ministerial não está omisso com relação ao assunto. Somente não dispõe de ferramenta mais efetiva para exigir a proteção do patrimônio imobiliário (o que apenas terá com o efetivo tombamento), muito menos pode adivinhar o dia e a hora que algum proprietário que se julga mais esperto vai resolver fazer justiça com as próprias mãos e colocar o imóvel no chão. Promotoria de Proteção aos Direitos Difusos [email protected] * Artigo publicado hoje (24/01/13) na página 04,  da Folha da Manhã.
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Reerguer a história
24/01/2013 | 08h33

[caption id="attachment_5647" align="alignright" width="390" caption="Ft. Phillipe Moacyr"][/caption]

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Campos, emitiu parecer sobre a demolição do antigo Casarão, localizado na esquina da Rua Treze de Maio com Saldanha Marinho. O documento assinado pelo promotor de Justiça Marcelo Lessa considera a demolição do prédio, avaliado como patrimônio histórico de Campos, como “fato criminoso que parece se adequar ao tipo do art.62 da Lei nº 9.605/98” e solicita certidão de inteiro teor do imóvel para que se saiba quem é o atual proprietário, além de indicar que através de ação civil pública pedirá a reconstrução do imóvel “tal como era antes”, caso se configure por inteiro o ato ilícito.
No despacho, datado do dia 16 deste mês, Marcelo Lessa solicita “buscas físicas, examinando inquérito por inquérito, armário por armário” para que o inquérito civil nº 236/03 seja remetido com urgência ao MP. Ele pede que se oficie ao cartório do registro de imóveis, para que seja expedida a certidão de inteiro teor. Este tipo de certidão corresponde a um raio X do imóvel. Nela, se saberá quem é o atual proprietário e quando este último adquiriu o casarão, demolido sem autorização do poder público municipal, durante a noite do sábado, dia 5, deste mês, como noticiou anteriormente a Folha.
O objetivo final do despacho do promotor, com múltiplas solicitações, sugestões e recomendações apontam para a reconstrução do imóvel demolido, visto que os indícios sugerem que foi demolido à revelia de decisão judicial, inclusive sem autorização do Município. Ainda, indica pedido de “indenização pelos danos ao patri-mônio histórico”.
Para Orávio de Campos, presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (Coppam), a medida do MP cor-responde exatamente ao pensamento do conselho.
— É uma decisão que respalda a manifestação da maioria absoluta dos representantes da sociedade civil presentes naquela reunião, também histórica, do Coppam e do Concultura, no Teatro de Bolso [também na última quarta-feira]. Defendemos que o ato de demolir foi uma evidente desobediência civil. A medida da reconstrução reclamada é drástica. Que sirva de exemplo, para que não se brinque com o patrimônio cultural e histórico — frisa Orávio.
Mesmo que a reconstrução do prédio se confirme, os debates que envolvem o tema preservação histórica não serão encerrados. É que o assunto se mostra amplo e complexo para os pesquisadores, que avaliam a questão da autenticidade dos prédios. Para o coordenador do Centro de Me-mória Fotográfica de Campos, Leonardo Vasconcelos, a reconstrução é um equívoco.
— A reconstrução seria a edificação de um falso histórico, uma arbitrariedade. O que adianta levantar uma construção co-mo a anterior se não houver uma função para o prédio? Temos um exemplo de reconstrução em Campos na Formosa, esquina com São Bento, que é horroroso e sem funcionalidade. Em casos como esse o local deveria ser transformado em espaço público. Sou frontalmente contra a reconstrução — expôs.

Interesse por réplica não é unanimidade

Também contra reconstruções de prédios antigos, o arquiteto Humberto Neto Chagas disse que uma punição ao proprietário seria o bloqueio de novas construções no espaço. Para ele, o valor histórico e estético já foi perdido.
— Existem vários autores e documentos internacionais que tratam a reconstrução como a criação de um falso histórico. É como se estivéssemos criando um clone — comparou.
Mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), na linha de pesquisa “Patrimônio e Cultura”, Humberto citou o teórico italiano Cesare Brandi, referência em restauração. No trecho do livro “Teoria da Restauração”,  ele diz que “A cópia é um falso histórico e um falso estético e por isso pode ter uma justificação puramente didática e rememorativa, mas não se po-de substituir sem dano histórico e estético ao original”. Como exemplo, ele indicou o Campanário de São Marcos, em Veneza, que para Humberto tem um valor didático e não histórico.
Por sua vez, Leonardo Vasconcelos afirmou que é preciso fazer uma triagem dos imóveis que merecem ser preservados a todo o custo. “Porém, não se pode simplesmente obrigar o proprietário a preservar sem saber se ele tem condições de fazer isso. Quem é que vai bancar o custo de preservação/ manutenção? A Prefeitura tem feito isso com os prédios sob seu cuidado? São questões que precisam de reflexão”, pontuou.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Orávio de Campos, todos os prédios históricos sob responsabilidade da Prefeitura estão sendo mantidos.

Luciana Portinho e Talita Barros

* Capa da Folha Dois, ontem 23/o1/13.

 

 

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Samba:Patrimônio da Humanidade
22/01/2013 | 06h30
[caption id="attachment_5637" align="alignright" width="400" caption="Ft. Divulgação"][/caption] O que o oceano tem a ver com o Samba? Para Rogério Bicudo, músico campista que há 30 anos foi morar na Europa e divide a sua vida entre o Brasil e a Holanda há 10 anos, tem sim! É dos dois lados oceânicos que na música forjou-se o artista – popular na inspiração, erudito na técnica. Assim, para lá e para cá, tanto no plano geográfico quanto no plano da criação musical, Rogério Bicudo encontrou sua fórmula particular de bem viver, “Um local complementa o outro. Nunca fiz outra coisa na vida, vivo da música. A agenda nos dois continentes é feita com antecedência, dá para planejar”, afirma. O músico, casado há 21 anos com uma portuguesa, tem oito CDs lançados. Às vezes, se questiona de pouco ser convidado a se apresentar para uma plateia popular, no verão em Campos. “Não aceito a etiqueta de ‘intelectual’, eu só sou um músico, um artista. O último CD lançado ‘Sambanovo’ é só Samba, e Samba é um patrimônio da Humanidade”, diz Rogério Bicudo. ‘Sambanovo’ é por ele descrito como um CD resultante de a trajetória ao longo de 10 anos em convívio no ambiente da Lapa, com pessoas conhecidas no entorno de bares locais. É também fruto da parceria produtiva com o poeta/letrista Renato Fialho – Renato, segundo Rogério Bicudo, é homem de cultura vasta, um importante cronista do Rio de Janeiro, juntos tem perto de 40 composições dos diversos estilos: choro, ciranda, capoeira, afoxé e o ‘velho e bom’ samba - da intensa vivência com sambistas como Ivan Milanez, dos encontros musicais com Tony Botelho e Eric Calmes e das idas e vindas a Campos pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima que por vezes se estendeu a Marataízes. Rogério encontra sua inspiração na cidade do Rio de Janeiro, para qual vem com frequência, pois, como diz “é no amanhecer do caos que componho mais, lá fora não há surpresas, é uma vida muito organizada, sem espaço ao imprevisto”, no entanto, o violonista reconhece, “A técnica, mantenho ao estar lá. O ser humano é ser humano em qualquer lugar. Tenho uma temporada de concertos no exterior que é mais em janeiro; aproveito então os meses de junho, julho e agosto e trabalho mais aqui.” Ele fala de uma Europa, em recessão, “O primeiro setor a sofrer em momentos de recessão econômica é a Cultura. Sobra sempre para a Arte, mas, minha carreira é bem consolidada fora do Brasil”. Para o músico que tem parceiros também em Marataízes (ES), Minas Gerais e é claro em Campos, sua terra natal, o seu tempo é integralmente dedicado para a música. “Tirando o calor das amizades que me alimentam a alma, é muita transpiração. A música é o grande prazer, meu oxigênio, qualquer tempo livre eu dedico a ela”, frisa. Do reconhecido ‘Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira’, Rogério Bicudo tem lá seu registro. Dele, consta com a seguinte biografia: “Começou a tocar violão ainda menino, dedicando-se principalmente à música popular. Passou a infância no Espírito Santo. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou a Escola de Música Villa-Lobos. Teve aulas de violão clássico com Odair Assad. Em 1982, viajou para a Espanha, onde estudou no Real Conservatório de Madri, com mestres seguidores da escola de Andrés Segovia. Participou também de cursos de música barroca e renascentista”. Referência que o músico traduz, “Minha trajetória inclui formação erudita, está presente na limpeza do som que eu tiro. O som soa erudito no acabamento, mas, minha alma, na síntese é popular”. Luciana Portinho * Capa da Folha Dois, de segunda-feira, 21/01/13.    
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EXEMPLAR
21/01/2013 | 09h26
Luciana Portinho Em 1628, isso mesmo, em 1628, foi posto ao mar o mais caro e ricamente ornamentado navio de guerra real construído pela Suécia, até então. Era 10 de agosto de um dia claro de verão com vento fraco. A bordo uns 100 homens, mas, também suas mulheres e crianças. O navio se deslocou 300 metros, o vento mudou de direção subitamente, a embarcação adernou e foi a pique. Os habitantes de Estocolmo, capital do país, se espremiam no cais para assistir a partida, desejar uma boa trajetória. Foram testemunhas do naufrágio. Foi uma catástrofe, uma comoção nacional. Então vigorava, a máxima: “Depois de Deus, a saúde do reino depositado em sua frota” dizia então, Gustavo II Adolfo, rei da Suécia. [caption id="attachment_5600" align="aligncenter" width="320" caption="Ft.Imagem Google"][/caption] O nome desta nave marítima: Vasa. Nela, foram empregados no casco, mil carvalhos, 64 canhões de grosso calibre, mastros de mais de 50 metros de altura, centenas de esculturas douradas e pinturas; levaria 145 homens na tripulação e 300 soldados. [caption id="attachment_5601" align="aligncenter" width="550" caption="Ft. Google"][/caption]

Essa pequena história, verídica, é rica em detalhes dos quais vou me abster aqui. Durante 333 anos o Vasa ficou submerso nas águas frias e pouco salgadas do Mar Báltico. Em nenhum momento desses três séculos as autoridades suecas desistiram de tentar içá-lo, de explorar o seu interior, no fundo das águas escuras. Só no século XX, em 1961, o Vasa finalmente veio à tona. Foi então, todo recuperado em suas pinturas, entalhes e esculturas. Através dos utensílios encontrados, a vida daquela época se reconstituiu nos hábitos, e valores.

[caption id="attachment_5603" align="aligncenter" width="550" caption="Ft. Google"][/caption]

Desde então, já restaurado, foi construído um moderno museu temático ao seu redor, onde a luz externa não penetra, como se o Vasa estivesse em uma gigantesca capsula protetora, de diversos pavimentos climatizados. Até o ano de 2001, mais de 20 milhões de pessoas o visitaram. O Vasa, é fonte de turismo internacional ao compor a memória do país.

[caption id="attachment_5604" align="aligncenter" width="550" caption="Ft. Google"][/caption]

A razão de trazer aqui esta real história bonita e brava, nada mais é para que colabore no despertar de os campistas, nos serve de exemplo. O primeiro exemplo é que a história não se repete, é única, portanto, é razão da identidade de um povo enquanto “uma gente”. O segundo exemplo é que sendo de raiz particular, invariavelmente é motivo de orgulho ( pode também ser de vergonha), em todo caso, de preservação.

Por último, fica a certeza: tudo dá caldo, basta ter vontade ‘política’. É assim ou daqui a 333 anos, Campos terá reservado o vazio para contar aos seus.  
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EROTISMO CENSURADO
19/01/2013 | 18h46
Por decisão de um juiz de Macaé os livros da trilogia campeã de vendas “Cinquenta tons de cinza”, da escritora britânica E. L. James foram recolhidos das livrarias, na última quinta-feira em Macaé. A medida repercutiu nacionalmente. O juiz Raphael Baddinino da Segunda Vara de Família, da Infância, da Juventude e do Idoso na ordem de serviço expôs suas razões: “Estas e outras publicações consideradas ‘impróprias’ não podem ser expostas nos estabelecimentos sem lacre”. Apesar de a decisão, valer para outros livros, o juiz cita por diversas vezes a trilogia. Em Macaé foram recolhidos 64 volumes — em duas livrarias da cidade, Nobel e Casa do Livro. Os livros foram levados para a 2ª Vara e podem ser solicitados pela livraria e devolvidos no prazo de cinco dias. O artigo 78 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no qual o juiz se embasou, diz que “revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo”. O magistrado relata que teve a iniciativa de expedir a ordem de serviço depois de verificar pessoalmente, em uma livraria da cidade, que muitas crianças estavam bem próximas das vitrines onde livros com conteúdo erótico estavam expostos. “A ordem de serviço é uma forma de garantir que a lei seja cumprida. Uma criança ou adolescente pode pegar um dos livros em uma prateleira e ter acesso a um conteúdo inapropriado para sua idade. Eles precisam ser protegidos”, afirmou o juiz. No ano de 2012, as mulheres dominaram o mercado editorial com romances tórridos no quesito paixão e apimentados no terreno do sexo, alguns classificaram a trilogia como leitura ‘pornô soft’. A autora E.L.James, no Brasil, vendeu 2,37 milhões de sua trilogia “50 tons de cinza”, editada pela Intrínseca. No mundo bateu os 67 milhões de exemplares vendidos, para um público em sua maioria feminino. A trilogia composta pelos volumes “50 Tons de Cinza”, “50 Tons de Escuridão” e “50 Tons de Liberdade” conta a saga do casal de adulto-jovens: a inexperiente, romântica e curiosa Anastásia Steele e o traumatizado, milionário e sexy Christian Grey. Como em um conto de fadas do século XXI, os dois de histórias tão díspares se percebem à primeira vista, cada um com uma expectativa fantasiosa própria a respeito do outro e de si. No espaço comum da paixão e do sexo, desembocam em uma história de amor de final feliz, não sem antes — pelo caminho sofrido da possessividade e insegurança — soltarem os pedaços de um passado que já não mais opera no novo sentimento presente. Para a professora da Uenf e Doutora em Literatura de Língua Portuguesa Arlete Sendra, a obra é vulgar, mas, as pessoas têm direito de lê-la. “Colocar um lacre só torna a obra mais sedutora. Particularmente, não recomendo a obra a nenhuma faixa etária, no entanto, as pessoas têm direito a ler vulgaridades. Para mim, a decisão do juiz é uma violência”, disse. O pesquisador e articulista da Folha da Manhã, Arthur Aristides Soffiati define a sentença como inócua. “É insustentável. Em todo o Brasil o livro é vendido, sem lacre, em livrarias, rodoviárias, aeroportos. O livro não é uma revista pornô, não é impróprio para menores, a medida é inócua”, opina. Mesmo tom adotou a professora do Instituto Federal Fluminense (IFF) e colaboradora da Folha, Analice Martins, “Não li nenhum dos livros da trilogia, nem tenho interesse em fazê-lo, mas não vejo cabimento numa atitude isolada como essa. O discernimento entre pornografia e erotismo é condição essencial para uma avaliação técnica e estética que possa implicar a convocação do artigo 78 do ECA”, comentou Analice. Embora reconheça a necessidade de haver um cuidado com relação à criança e ao adolescente, o presidente da Academia Campista de Letras, Hélio de Freitas Coelho, considera a medida como uma perigosa manifestação de controle autoritário. “Tanta informação atinge mais diretamente a criança e o jovem e as autoridades não têm o rigor devido. O livro, um best-seller, é menos accessível; na capa não há nada de diferente. Ainda que a motivação seja justa, a atitude é obscura, de controle. É da essência dos impulsos e instintos, a curiosidade em relação à sexualidade e à sensualidade. É diferente da apologia de qualquer ato pornográfico. Um pouco de curiosidade, uma olhadinha em textos literários mais excitantes, faz parte”, frisou Hélio Coelho. Luciana Portinho * Capa da Folha Dois de hoje, 19/01/13  
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Depois da Demolição, a punição?
19/01/2013 | 14h16
[caption id="attachment_5613" align="alignright" width="390" caption="Ft. Silésio Corrêa"][/caption] Depois da demolição irregular do Casarão histórico — datado de 1870 e apontado por pesquisadores como exemplar da aristocracia urbana de Campos —, foi realizada na manhã de ontem, no Teatro de Bolso Procópio Ferreira, uma reunião extraordinária conjunta do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (Coppam) e do Conselho Municipal de Cultura (Concultura). Ao abrir o encontro, o secretário municipal de Cultura, Orávio de Campos Soares, defendeu que a demolição “criminosa”, na calada da noite de um sábado, requer medidas urgentes e eficazes, do poder executivo, da justiça e da sociedade civil. “É um momento histórico da luta pela preservação do patrimônio cultural de Campos. Faço aqui um SOS à sociedade, corremos o risco de uma avalanche de demolições, não é só um problema da municipalidade”, disse ao salientar a importância da cobertura que o fato vem recebendo por parte da imprensa. “Corremos o risco de uma demolição em massa. A imprensa foi muito feliz ao cobrir a demolição no ato. É muito fácil fazer críticas através das redes sociais. Podem acusar o Coppam de tudo, menos de que é inoperante; as medidas legais e administrativas foram tomadas, só não podíamos ficar parados em frente ao Casarão”, frisou Orávio. No bojo da demolição recente, questões como o da propriedade privada como um direito garantido constitucionalmente versus o direito cultural coletivo salvaguardado pelos poderes públicos, ou ainda, como inibir e mesmo punir a desobediência civil, como na derrubada do casarão. Nesse sentido, o representante da Procuradoria Municipal, Leonam de Menezes Rodrigues adiantou que o órgão já oficiou ao MP, e anunciou duas importantes iniciativas no âmbito da legislação municipal que interferem na preservação do patrimônio histórico material, para o ano de 2013: a reformulação do Plano Diretor e a reforma do Código Tributário Municipal. Para o arquiteto, ex-membro do Coppam e articulista da Folha da Manhã, Ronaldo Linhares, o caso reflete a perda de identidade urbana, “A solução é simples. A administração pública se rege pela legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Temos que ser pragmáticos; basta um decreto da prefeita embasado, fundamentado que desaproprie a área do terreno do casarão e o transforme em uma praça, em um espaço verde, que humanize a cidade e sinalize para o ônus de futuras atitudes destrutivas afins”, propôs o arquiteto. “É na discussão que os problemas afloram e podem ser corrigidos” disse o arquiteto e responsável técnico pela revitalização do Centro Histórico, Claudio Valadares. “Às vezes, a lei não é muito segura, temos falhas no Plano Diretor, a bem da preservação do patrimônio histórico é urgente que seja modificado. É necessário regulamentar e normatizar. Temos que dialogar com o proprietário, é importante que a comunidade esteja mais atenta, com um olhar mais profundo; a questão é ampla, há que se ter um critério sem prejuízo dos proprietários, afinal trata-se de patrimônio particular”, falou. O discurso do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Carlos Fernando Monteiro da Silva, não foi otimista no curto prazo. “A lei é feita de modo geral. Por exemplo, ela expressa ‘Não Mate’, mas, não será o poder judiciário e o MP que impedirão o sujeito de matar. Ela pune. Ca-da juiz tem em média 7000 processos, a justiça é lenta, temos que buscar o equilíbrio, conscientizar a população da importância da preservação, organizar um movimento social a favor da defesa do patrimônio cultural local, sob pena de ir tudo ao chão”, alertou Carlos Fernando. Por iniciativa de Orávio, coube ao pesquisador e um dos quatro representantes da sociedade civil no Coppam, Leonardo de Vasconcelos encerrar os trabalhos. “Reconhecendo que a legislação vigente não amedronta quem quer demolir. Assistimos a uma profusão favelizante de estacionamentos; miseravelmente rendem R$ 30 mil por mês. São regularizados? Será que recolhem ISS aos cofres municipais? Precisamos de medidas coercitivas, a imprensa tem cobrado, tem sido um braço forte na luta. Vim a esta reunião pensando em pedir o meu desligamento do Coppam, me sinto impotente ao ver a cidade se descaracterizar dia a dia. Concordo com a desapropriação da área, que seja criado um jardim, será um exemplo, que pensem duas vezes antes de demolir”. Talvez  por isso, uma voz que ecoou na reunião do Coppam foi a do o arquiteto Fabrício Alvarenga, presidente da Associação Norte Fluminense de Engenheiros e Arquitetos (Anfea). “Temos que reconhecer que a culpa é generalizada, prefeitura, MP e sociedade. Admito que a Anfea errou, também. Está tudo errado, é difícil admitir o erro. As pessoas não acreditam em nada na cidade, no país. Demoliram sem laudo técnico, em surdina, no escuro, é a certeza da impunidade. O Coppam requer um corpo técnico profissional identificado com a cidade. precisamos refazer o levantamento criteriosamente, sem radicalismo pois não nos levará a lugar nenhum. Ouvir também o proprietário para que não seja penalizado pelo simples fato de ser proprietário de um imóvel, tombado ou tutelado”. Luciana Portinho * Capa da Folha Dois de  17/01/03
17/01/2013 08:03
 
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Desordem pública
16/01/2013 | 20h43
Flagrantes que recebemos pela rede social . Mostra um carro da Prefeitura parado em cima da calçada atrapalhando os pedestres, há vaga sobrando do outro lado da rua. O carro estaria sendo utilizado para buscar servidor  em casa. Local, rua do Gás, após a FME (antiga AABB), em Campos dos Goytacazes.  Na outra, o veículo está estacionado em vaga reservada aos deficientes. [caption id="attachment_5585" align="aligncenter" width="600" caption="ft. Facebook"][/caption] [caption id="attachment_5587" align="aligncenter" width="600" caption="ft. Facebook"][/caption]

 

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Praça da Bandeira
15/01/2013 | 15h08
Republico post de dois anos. De lá para cá nada foi feito,  a não ser uma calçada de cimento barato em volta do Palácio da Cultura, diga-se, sem personalidade, de décima quinta categoria. Inevitável, qualquer um de nós ao pensar em um Palácio, em nossas mentes formam-se imagens de ambiente bem acabado, amplo, descortinado. Pois bem, peço que leiam. Volto ao assunto em momento pertinente, é quando a sociedade campista discute o destino do patrimônio cultural próprio.

Praça da Bandeira

Por lucianaportinho, em 11-10-2010 - 10h05
Ao longo de oito anos, me dirigi quase que diariamente, à Praça da Bandeira, portal de entrada da Pelinca. E o fazia incomodada. Em dias de chuva me espremia entre os carros. Era obrigada a dar saltos e ainda assim molhar as canelas. Aquele gradil, em  praça tão apertada sempre também me pareceu ridículo. Foi colocado num surto qualquer de macaquice administrativa provinciana, quando no Rio de Janeiro, a prefeitura por medida de segurança, cercava suas extensas praças. E ainda, aqueles dois fumegantes quiosques na ponta mais estreita da praça tornaram mais confusa a área com latas de lixo imundas. Em torno da praça, quase ninguém mais consegue ver, o trânsito rufa. Presas por dentro das grades, duas lindas construções de estilo moderno e plenas de significado: o Palácio da Cultura e o Pantheon dos Heróis de Campos. Li na coluna Ponto Final, Folha da Manhã de sábado passado, em nota intitulada ' Acessibilidade', referência à caótica situação. Deixo minha contribuição à atual administração municipal. Medidas simples, mas, dariam novo colorido a um espaço tão vital como a Praça da Bandeira. Primeiro, há que refazer com urgência todo sistema de galeria de águas pluviais. Obsoleto que é, ao menor sinal de chuva, não consegue dar vazão. Reintegrar a praça na vida de seus moradores, retirando aquele gradil horroroso. Acabar com aquele estacionamento particular interno. Não faz sentido, o poder público privatizar área pública em seu próprio benefício. Na mesma linha, deslocar aqueles dois quiosques. Se algum comércio há de ter que seja o de flores, embelezam qualquer espaço, em qualquer lugar do mundo. Refazer o espelho d’água, foi aterrado; existia no projeto original do arquiteto Francisco Leal.  Criar uma área de lazer para as crianças. Criança é burburinho de graça e de vida. Se dentro do Palácio há Cultura, que ela transborde suas paredes e saia para a área da praça, através da música, poesia, representação cênica e das artes plásticas.  Deixar aberta a porta do Pantheon à visitação permanente; quase que a totalidade da população desconhece a existência daquele monumento. Como acima escrevi, são pequenas medidas, no entanto, humanizariam a Praça da Bandeira e arredores. É só ter vontade política.
 
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Mudança na toada
14/01/2013 | 23h22
COMPASSO MARCADO Luciana Portinho Naquela tarde, estava no cais. De pé, olhava em direção ao mar. Imenso aquário de infinito mistério. Visto da terra, aquele azul profundo lhe metia medo. Não era o azul oceânico. Ventava forte e a maresia impregnava até sua alma. Perto dali, algumas crianças brincando de baleba, outras no ágil manuseio do cerol das pipas embaralhadas. Não havia dúvida, até aqui, este fora seu porto. Sempre retornara a ele. Por entre a cantoria das gaivotas e as mãos dos pescadores correram seus sonhos. Até hoje, ainda se questionava ter nascido fêmea. Se homem fosse, mais aceita teria sido sua vida. Sabia-se uma mulher com encantos. Bem lhe fazia bulir com os homens. Alguns de fato eram atraentes, na palma desses tinha se deixado ficar. Aquele lugar era pequeno demais para a sua alma liberta. Filho não quisera ter, nem marido. Só, se impusera pela própria trajetória. Não saberia ter vivido o tempo todo fixa na terra; esperando, bordando, murchando. Agora, parada - imersa em lembranças - as cenas ganhavam animação. No início, os marujos resistiram à decisão de com ela partilhar os percalços mar adentro. Entendiam como um cio, capricho de vadia. Doidivana. Fora assim vista por todos. Depois, nos perigos do mar mostrara a que veio: insuperável na destreza de um leme, no manejo das velas. Na exata previsão dos humores das ventanias dialogava com as tempestades. Nestes momentos limiares, no turbilhão da imprevisibilidade ela era acometida de uma cálida calmaria. Havia nela uma sólida sintonia com as forças da natureza. Ali, na suspensão temporal, procuravam pelo corpo, por gotas de seu suor se hidratavam, vasculhavam seu olhar como se bússola fosse. Diziam, nela haver, as profundezas do contorno de Iemanjá, a rainha do mar. Conquistara assim o espaço individual. É  puxada para o presente por uma lufada fria. Um tremelique a percorre. Apruma o corpo, os seios já rígidos. Aos poucos, uma nova imagem ingressa no seu foco visual. No horizonte, cresce. Esplendorosa nau. Galera das amplas velas brancas, ESTUFADAS. Nave dos longos deslocamentos viera lhe buscar. [caption id="attachment_5574" align="aligncenter" width="350" caption="Muchacha de Espaldas, Salvador Dali, 1925."][/caption]

 

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Como não ficar por isso mesmo ?
14/01/2013 | 15h21

Uma semana após a demolição do Casarão histórico situado na esquina das ruas Saldanha Marinho com Treze de Maio, área central da cidade de Campos, o resto dos escombros (que não foi retirado da calada na noite do desmonte), continua lá, assim como o muro não derrubado totalmente (na manhã de domingo passado).  Do episódio, feito não se sabe por quem até agora — sem a exigida licença da secretaria municipal de Obras e Urbanismo —, em noite de um sábado de verão, quando boa parte da população está fora da cidade veraneando, fica clara a urgência de uma atuação enfática por parte dos órgãos responsáveis, em particular, pela Prefeitura de Campos, primeira responsável na preservação do patrimônio cultural e histórico dos bens listados e protegidos pela lei municipal 7972 de 31/03/98. O presidente da Associação Norte Fluminense de Engenheiros e Arquitetos (Anfea), Fabrício Alvarenga, é radical, “Temos que recomeçar do zero, definir critérios do que pode, deve ou não ser preservado, fazer levantamento atualizado e agir em cima de prioridades”.  Ele diagnostica a demolição recente pela certeza da impunidade, pela omissão das autoridades competentes, pelo “jeitinho” do poder público. Por outro lado, Fabrício, alerta da inexistência de compensação para o particular que queira manter patrimônio histórico sob sua propriedade. “O bem não pode ser um fardo. A Anfea defende a preservação, sempre. A municipalidade tem que oferecer uma contrapartida ao dono de um imóvel histórico, criar uma função para o imóvel listado como patrimônio cultural, se não, é covardia. Não tenho procuração para falar em nome de nenhum proprietário, se trata de uma questão de justiça e nisso o MP tem parcela de culpa ao ser omisso. Há mais ou menos 10 anos entregamos ao MP e a Prefeitura uma relação com 450 imóveis levantados sem que nenhuma medida, até hoje, fosse tomada”, disse Fabrício. Já o professor e pesquisador Aristides Arthur Soffiati não vê solução sem que seja criado um órgão de caráter executivo — com quadro profissional remunerado que funcione de segunda-feira à sexta-feira, em expediente normal — na questão da defesa do patrimônio cultural municipal como o são o Ipphan e o Inepac, nos governos federal e estadual. — Chegamos ao ponto em que não é mais possível permanecer, há que haver uma reformulação. O Coppam é um conselho consultivo e deliberativo, mas, não consegue dar conta de fiscalizar. Temos que ter um órgão executor da política de defesa do patrimônio cultural material e imaterial, com recursos financeiros mínimos. Propusemos 1% da arrecadação um municipal destinado à Cultura, como o é em nível do governo federal. Fizeram um escândalo, foi barrado pelos vereadores governistas. Julgaram que não poderiam se conter com os 99% restantes a outras áreas. Sem isso a política cultural fica pela metade, a prefeita não dá a mínima atenção, as deliberações se avolumam sem solução — frisa. Soffiati só exclui da crítica o presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal de Campos, Orávio Campos Soares. “No mais, na Cultura e no Ambiente, só vejo pessoas nomeadas sem qualquer vínculo com suas pastas”, frisa ele, ao lembrar ainda do agravante. “Vivemos sob a hegemonia dos interesses do capital. Até o Dr. Marcelo Lessa (MP) defende o direito da propriedade privada”. O arquiteto e Mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo, Humberto Neto das Chagas, é um dos quatros representantes da sociedade civil no Coppam. Para ele, a demolição do Casarão era uma tragédia anunciada. O terreno já tinha sido mutilado para a construção de uma agência do Bradesco. “Não é novidade a falta de vontade política por parte da prefeitura. Foi feito um esvaziamento proposital do Coppam, isso é claro. Retiraram o jeton, com isso os representantes do Inepac e do Ipphan que antes participavam das reuniões semanais, não vem mais. No atual governo, nem existem mais as reuniões com periodicidade no Coppam. Nas últimas, nem houve quórum, tenho mesmo a curiosidade de saber onde estão as atas do Coppam, onde está o Livro de Tombo do conselho? A lei municipal de proteção em vigor é frágil, dá margem para  interpretações legais variadas”, desabafa Humberto que não esconde a latente indignação: “De um modo geral, predomina localmente uma visão errônea. Enquanto o mundo inteiro se direciona para outra ponta do que é desenvolvimento, nós aqui estamos fazendo uma cidade mais quente, mais engarrafada, mais utilizadora de energia”, finaliza. Coppam e Concultura debatem demolição De todo o espanto causado pelo desmonte do Casarão histórico, fica a constatação da insuficiência dos instrumentos legais para a preservação do patrimônio cultural material de Campos. Em resposta, visando debater a demolição, o presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal (Coppam), Orávio de Campos, convocou uma reunião conjunta com o Conselho Municipal de Cultura (Concultura) para a próxima quarta-feira, a partir das 9h30, nas dependências do Teatro de Bolso. Na última semana, o Brasil assistiu a um embate entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Governo do Estado como noticiou o Jornal do Brasil Online. “O Estado do Rio de Janeiro está proibido de demolir o prédio onde funcionou o Museu do Índio, vizinho ao Complexo do Maracanã. Em sessão realizada em dezembro último, o Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural emitiu parecer contrário ao pedido de demolição feito pelo governo Cabral, e sinalizou para um possível tombamento do lugar”. Lá, foi o bastante para que um ente público respeitasse a decisão do conselho municipal e não afrontasse a lei. De acordo com o advogado João Paulo Granja — situações de conflito entre interesses de particulares e da coletividade estão previstas na Constituição Federal de 1988, em vigor no país. “Pelo artigo 216 — inciso V, parágrafo 1º — cabe ao poder público conservar o patrimônio cultural de natureza material e imaterial, tomados em conjunto ou individualmente, cabendo à sociedade contribuir para este fim”. Em Campos, com o momento de grande e crescente especulação imobiliária, a sociedade começa a cobrar ao governo municipal e ao Ministério Público que sejam objetivos na ação de preservação e de punição aos crimes contra o patrimônio histórico municipal. Luciana Portinho Matéria publicada na Capa da Folha Dois, Folha da Manhã de ontem, domingo, 13/o1.
   
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Demolição pauta reunião de Quarta
13/01/2013 | 09h16
Nessa quarta-feira (16/01), às 9,30h, no Teatro de Bolso haverá uma reunião conjunta entre o Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal de Campos e o Conselho Municipal de Cultura. Todos os conselheiros estão convocados pelo presidente dos dois conselhos, o professor Orávio de Campos Soares. Sem direito a voto, mas, com direito a voz, a sociedade civil também está convocada. O momento é importante. A demolição do Casarão histórico situado na esquina da Treze de Maio com Saldanha Marinho foi mais do que emblemática para o movimento especulativo que pode vir a mudar a face da cidade de Campos nos próximos dez anos. Tanto o poder Judiciário quanto o Executivo, têm sido fracos em suas respostas, estas são um sinal verde para aqueles  que não se importam em preservar o patrimônio cultural, material e imaterial. Vigora uma sensação de impunidade, de ausência de poder, de falta de vontade de aplicar a lei. Ou seja, estamos na fronteira do perigoso "faroeste", quem dá o último tiro é o vencedor, até ser abatido,ele também, por um último tiro. Tanto o Coppam quanto o Concultura podem reverter a correlação de forças, é o momento de somar inteligências e vontades políticas. Dois pontos na pauta: 1) Demolição do Casarão histórico na noite de sábado, 2) Medidas que devem ser tomadas. A hora é agora!
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Catadores de Lixo vão às ruas de Campos
11/01/2013 | 18h25
A manifestação será no dia 16/01, quarta-feira, a partir das 10h na Praça São Salvador em Campos dos Goytacazes/RJ. Lá, estarão sendo recolhidas assinaturas para um abaixo-assinado, solicitando a coleta seletiva com a participação dos Catadores no município. No comunicado da Profa. Érica Almeida - UFF/CAmpos, Coordenadora do Projeto de Extensão Apoio aos Catadores de Campos/RJ, "A manifestação em apoio aos catadores e à implantação da coleta seletiva com a participação dos catadores em Campos dos Goytacazes/RJ, política pública de inclusão produtiva recomendada pela nova Política Nacional de Resíduos Sólidos em resposta ao fechamento dos lixões e ao desemprego dos catadores tradicionais. Não basta fechar lixões; é preciso investir na coleta seletiva com os catadores, caso contrário a PNRS não se constituirá num instrumento de democratização e de cidadania". Ela pede a divulgação nas redes e blogs e a presença de todos!      
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Desgraças de metrópole...
10/01/2013 | 19h32
Em cidade média, é o ponto do buraco em que nos metemos. Hoje, uma tarde de quinta-feira, o Centro razoavelmente razoável; nem cheio e nem vazio. Um cidadão exaltado, trepado em cima da mureta de proteção do Pelourinho. Fazia um discurso inflamado sobre o nada e sobre o tudo. Desconexo do nosso entendimento. Não falava coisa com coisa à nossa compreensão. E gesticulava, dedo em riste, descia, tomava uma linha reta até a banca do calçadão, por ela retornava, concentrado na concatenação do discurso. [caption id="attachment_5543" align="aligncenter" width="550" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_5544" align="aligncenter" width="550" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_5545" align="aligncenter" width="550" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Populares disseram que estava assim há mais de uma hora. Fico me perguntando quão frágil é o nosso limiar de racionalidade, ou então, o quanto suportamos de sofrimento sem que percamos a razão. Sempre que me deparo com um caso desses – comuns em grandes aglomerados urbanos – me ponho a pensar, a querer compreender que condição de vida trágica é esta que criamos para nós humanos.  
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Ajustes de crescimento
09/01/2013 | 10h02
Abaixo, copio a nota oficial da Mantenedora da Faculdade Redentor, dando ciência das mudanças nas direções das unidades Campos e Itaperuna e da criação de nova instância a unir a vida acadêmica das duas unidades. Sinais inequívocos de ajustes constantes na vida acadêmica a sinalizar agilidade de gestão, confiança e determinação em avançar continuamente. Bom para a Faculdade Redentor, ótimo para Campos. LP
Comunico a todos os setores, departamentos, coordenações, professores, funcionários e colaboradores da Faculdade Redentor de Itaperuna e Campos dos Goytacazes, a posse das novas Diretorias das unidades de Graduação:
Em Campos dos Goytacazes o novo Diretor da Unidade de Graduação será o Prof. Leandro Azeredo, com vasta experiência na área de educação, com experiência e formação e gestão acadêmica, que dirigiu brilhantemente a Faculdade Redentor de Itaperuna, e agora assume com grande entusiasmo esse novo desafio que é dirigir a Unidade de Campos, onde o trabalho já é uma realidade e com grande potencial de crescimento no curto prazo.
Em Itaperuna o novo Diretor da Unidade de Graduação será o Prof. André Raeli com vasta experiência na área de educação, com experiência e formação e gestão acadêmica, que dirigiu brilhantemente a Faculdade Redentor de Campos, membro da equipe de especialistas do MEC, que implantou competentemente  a Faculdade Redentor de Campos, e agora assume com grande entusiasmo, também, esse novo desafio que é dirigir a Unidade de Itaperuna, Unidade de graduação já com o tempo de maturação adiantado, mas que tem como meta crescer ainda mais nos próximos anos!
É criada a Presidência de regulação acadêmica que terá ascendência sobre as unidades, nos temas inerentes a questão exclusiva de regulação junto ao MEC.
A posse se dá imediatamente, a transição será feita de maneira tranquila até que se consuma os objetivos da gestão.
Atenciosamente
Luís Adriano Pereira da Silva.
Diretor de Operações e Finanças do Grupo Redentor de Ensino
Sociedade Universitária Redentor - Mantenedora
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Às claras
08/01/2013 | 14h07
Cópia do ofício 0594/2013,  protocolado ontem (07/01), no MPE e assinado pelo presidente do Coppam (Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal de Campos), Orávio de Campos Soares.

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12775....dias
08/01/2013 | 09h49

PARABÉNS FOLHA DA MANHÃ!

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DEVER CUMPRIDO
06/01/2013 | 22h10
Na quinta feira passada (03/01),  recebemos denúncia da prática intensa  de pesca predatória em uma das margens da Lagoa de Cima. O resultado da pesca ilegal estaria sendo destinado à venda, inclusive ao estado de Minas Gerais, ver post aqui. Um crime contra o meio ambiente, contra a o equilíbrio da natureza.  O autor da denúncia, um leitor de bem com a cidade de Campos e de mal com todo tipo de atentado à cidadania, nos ofereceu prova sustancial. Solicitávamos a fiscalização dos órgãos competentes que pusesse um basta na nefasta prática. Pois, ficamos sabendo que Agentes do Grupamento Ambiental da Guarda Civil de Campos apreenderam dois dias após a postagem, na tarde de sábado (05/01), redes ilegais em um rio na localidade de Lagoa de Cima. Estamos em período de defeso. Na presença da fiscalização, oito homens fugiram a nado. Largaram redes e até um barco a motor para trás. O material apreendido foi encaminhado a 134ª Delegacia Legal do Centro, onde o caso foi registrado. Para mais detalhes, ver também aqui.    
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E na calada da noite
06/01/2013 | 00h45
Ontem por volta das 22.40 h, recebemos a denuncia da demolição daquela casa linda na esquina da Saldanha Marinho com Treze de Maio, de frente ao Vips Center e ao Posto São José. Mais um crime ao nosso patrimônio público. O mandante do desmonte sabia da gravidade da ação, tanto que agiu em uma noite de sábado, em janeiro (quando a população da cidade está fora de Campos) e o fez entre 20.30 h e 21.40 h. Na calada da noite, veio tudo abaixo. Lá foram vistos e fotografados três caminhões caçamba que recolheram a maior parte dos destroços do casarão, uma retro escavadeira hidráulica de esteira, uma carreta prancha que trouxe a retro para a operação e um automóvel Audi preto fazendo a  retaguarda. Foram flagrados, fotografados. Pararam de retirar os escombros. Fecharam o portão e lá dentro ficaram a retro, a carreta prancha que levará a retro embora e ainda um monte de entulho. Tudo foi fotografado por populares que disponibilizaram ao blog e ao Ministério Público, por conseguinte. Um escândalo.

Fotos abaixo, movimentação do abate do casarão, enviadas por leitor.

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CRIME, sim um crime doloso
03/01/2013 | 23h01
É grave o teor da denúncia que recebemos de leitor. Está ocorrendo na Lagoa de Cima, um patrimônio natural dos campistas, do lado oposto ao Iate Clube, pelo acesso de Santa Cruz. Trata-se da pesca predatória que estaria sendo realizada, segundo ele, por pescadores locais ao usarem uma rede de malha fina para capturarem piabas (lambaris). O resultado dessa pesca criminosa (até 500 quilos por semana) estaria sendo comercializado para restaurantes de Minas Gerais. Alguns dizem que alguns bares na lagoa vendem até 50 kg de piabas, sob ‘encomenda’. Moradores, descontentes com o fato asseguram que a trançado da rede usada para esse fim é proibido, pois é menor do que um centímetro. Eles ainda se queixam da ausência de fiscalização na área da Lagoa. Os mesmos moradores apontam situação parecida no distrito de Rio Preto. Lá a redes estariam sendo postas para “cercar a água”, ou seja, tanto a proliferação dos peixes quanto a abundância estão ameaçadas. Lamentáveis práticas que se não sustadas pelos órgãos competentes deixam um rastro de devastação ambiental. Atenção Ibama e Inea! Mãos à obra! [caption id="attachment_5489" align="aligncenter" width="600" caption="A foto foi tirada na Lagoa de Cima, recebida anexa à denúncia."][/caption]

 

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Vê.... os flamboyants floridos
03/01/2013 | 12h56
Em um início de estação onde temperaturas beiram os 40 graus é que o campista se ressente de uma arborização visível na área urbana do município. São avenidas e ruas que pela falta adequada da presença de árvores, amplificam a reflexão da solina pelo asfalto. Áreas verdes trazem conforto visual aos olhos, acariciam os ouvidos com a presença dos pássaros que nelas recriam seu habitat, criam as desejadas zonas de sombreamento e colaboram na manutenção da temperatura a níveis menos agressivos ao corpo humano. Em Campos, verão já foi sinônimo de Flamboyants (Delonix Regia) que copados nos matizes de coral, abóbora e amarelo, coloriam a paisagem da cidade. Esta alegre espécie, por suas raízes superficiais espraiadas, foi sendo aos poucos banida da área urbana por causar dano às calçadas e à rede de esgoto em busca de umidade. [caption id="attachment_5482" align="aligncenter" width="450" caption="Ft. Google"][/caption]

 

Para o professor e ambientalista Aristides Arthur Soffiati, aqui o traço marcante é o da desarborização, “As ruas estão escalvadas”. Ele estabelece um paralelo entre grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, nelas o planejamento urbano não desprezou o cultivo de amplas áreas verdes, praças e extensos parques. O ambientalista também cita municípios menores como o de Cantagalo (região serrana do estado do Rio de Janeiro) onde animais silvestres são vistos  nas praças. “Não há explicação plausível para a indiferença do poder municipal de Campos com a criação de áreas verdes públicas na malha urbana. Isso seria tão fácil de fazer, mas, o que se vê são as grandes áreas ainda não construídas serem destinadas a criação exclusiva dos grandes empreendimentos imobiliários. Quando se trata de arborização urbana, há uma dívida grande da prefeitura com a sociedade”, frisa Soffiati. Na Prefeitura de Campos é a secretaria Municipal de Meio Ambiente, o órgão responsável pelo plantio e manutenção das árvores em toda extensão do município. Através do secretário Wilson Cabral, é esclarecida a atribuição da pasta que segundo ele é intensa e ininterrupta. “Temos o compromisso de manter a arborização já existente e de fazer o plantio e replantio de espécies adequado às áreas específicas, como por exemplo, beira de rio, calçadas, interior e cidade. A secretaria tem uma meta. Somos um município de 4.032 Km², não é tão simples. No entanto, temos a consciência da importância; em números são cerca 1.500 mudas/mês”, disse Cabral, que reafirma o plantio realizado em bairros do Programa Morar Feliz como no Parque Prazeres, Tapera II, Eldorado e Santa Rosa. Wilson Cabral solicita a participação da população para que colabore na indicação de exemplares que possam oferecer risco à população ou mesmo que estejam doentes, sugerindo podas técnicas. Para esse fim, há na secretaria municipal de meio ambiente, um telefone disponível ao cidadão que queira solicitar o plantio ou serviço de poda. É o disque-poda: 2725.1234. Funciona das 8 às 17 h, de segunda-feira à sexta-feira. Luciana Portinho Capa da Folha Dois, Folha da Manhã de hoje, 03/01/13  
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DO FAROL, um farolete
01/01/2013 | 16h40
O que poderia ser um FAROL, torna-se um farolete. Aqui em Campos dos Goytacazes, norte do estado do Rio de Janeiro, nobilíssima planície goitacá, de um povo outrora bravio, pois dominava o seu entorno ambiental, pisamos o umbral de 2013 com uma comemoração de pequenice imaginária. Sei que irei desagradar ao cordão de puxa sacos do poder municipal, largo pra lá, ou então, me despersonifico. Fomos cobrir o Réveillon para a Folha da Manhã. Fomos bem, aliás, a equipe toda da Redação estava no pique do astral da primeira cobertura jornalística de 2013. A gente tenta, mas, não inventa. O show de abertura do ‘Verão Família’ realizada no viés populista da política local; de um gosto palatável para uma maioria carente de tudo, de um custo (o cachê tem que ter sido baixíssimo) de arrecadação municipal paupérrima (sic). Um deserto à beira do Atlântico. Os fogos espichados por cravados 15 minutos, fizeram Puff, fizeram Paf. Nenhum OH, nenhum AH. Ao povo querido: pão dormido! Deve ter sido o lema e tema da preparação da temporada. Sensação de cópia, da cópia, da cópia copiada. Para mais detalhes, leiam as reportagens na Folha da Manhã de amanhã. Delas, façam as suas particulares leituras. Com o pé direito (e o esquerdo) por 2013, sigamos juntos! Forte abraço,  
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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