Grande operação do TRE-RJ na Maré
31/07/2012 | 14h49
Na manhã de hoje, 31 de julho, o TER-RJ realizou uma grande operação com apoio de 252 policiais e de 70 fiscais  no Complexo da Maré, na capital.  A ação da Justiça Eleitoral contou ainda com dois blindados e um helicóptero. Do comando da operação o presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter declarou: “Mostramos que não existe lugar em que a Justiça Eleitoral não possa entrar”. E avisou que, daqui para frente, operações semelhantes se repetirão em municípios do interior. Profilático para a lisura do pleito, fica o alerta especial para Campos. Segue abaixo a íntegra do e-mail do TER-RJ. Com o apoio de 252 policiais e 70 fiscais, o TRE-RJ realizou, na manhã de hoje, dia 31, uma operação no Complexo da Maré, que mobilizou dois blindados e um helicóptero. Trata-se da primeira grande ação do Centro de Controle e Comando das Eleições 2012 para impedir a formação de currais eleitorais. "Mostramos que não existe lugar em que a Justiça Eleitoral não possa entrar", disse o presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter, que comandou a operação. "Queremos que a população se sinta segura para escolher livremente seus candidatos", complementou. O desembargador Zveiter anunciou que haverá novas operações em municípios do interior. Na operação, os fiscais do TRE-RJ fecharam o centro social Tecnobox, no Parque União,que seria vinculado ao candidato a vereador Pedro Edson (PT). No local, Francisco Valdetério Braz foi preso. Ele havia se apresentado como responsável pelo centro social, onde foi apreendido ainda um carro de som. Os fiscais recolheram também uma granada, encontrada na garagem de uma empresa de ônibus, e três caminhões de placas e faixas com propaganda irregular, a maior parte dos candidatos a vereador Pedro Edson (PT), Paulo Messina (PV) e Teresa Bergher (PSDB). A operação desta terça-feira, dia 31, contou com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, do 22º, 16º e 3º Batalhões da Polícia Militar e das Polícias Federal e Rodoviária Federal. O presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter, informou que as reuniões do Centro de Controle e Comando das Eleições 2012 passam a ocorrer quinzenalmente. Além do TRE-RJ, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Comando Militar do Leste, as Polícias Federal e Rodoviária Federal, a Secretaria Estadual de Segurança Pública e a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro integram o Centro de Controle e Comando.
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De quem é a cadeira?
30/07/2012 | 15h54

É aquele que senta no trono, mas nem sempre o que manda no dia-a-dia

[caption id="attachment_4411" align="aligncenter" width="550" caption="Hieronymus Bosch, Holanda, 1450/1516"][/caption] O QUE É... CHAIRMAN Max Gerhinger*

Há pouco mais de um ano, eu usei este espaço para abordar o termo CEO. Mas, a julgar pelo número de mensagens que recebo solicitando esclarecimentos sobre a sigla, acho que muita gente não leu. Por isso, resolvi repetir a dose. Mas aí os leitores que leram vão dizer: "De novo?" Então, mudei a palavra-título para chairman. Não para disfarçar, mas porque chairman não deixa de ser a origem remota de CEO. A tradução literal de chairman é "homem da cadeira". Seu primeiro registro escrito na língua inglesa data de 1654, mas sua origem histórica é mais antiga. Reuniões sempre existiram neste mundo, desde o tempo das cavernas, mas, durante séculos, elas não eram tão confortáveis como costumam ser hoje, com todo mundo refestelado em poltronas reclináveis. Antigamente, na sala do trono, existia uma única cadeira, onde se assentava a autoridade máxima - o rei -, enquanto o resto da corte permanecia em pé. Porém, reis eram transitórios, enquanto o trono - ou sua representação física, a cadeira - era permanente. Daí, quem era o rei? Aquele que estivesse sentado na cadeira: o chairman. Mas e as rainhas, não se sentiam discriminadas pelo man? Aparentemente não, já que o termo "homem" foi usado durante séculos como sinônimo de "ser humano". Na Bíblia, Deus adverte: "Lembra-te, homem, que és pó", e o recado obviamente incluía as mulheres. O exemplo resistiu séculos afora. Já no século 20, em 1947, surgiria a Declaração Universal dos Direitos do Homem, assim mesmo, machista, embora sem a intenção de sê-lo. Foi a partir da década de 60 que os ventos mudaram. E aí surgiria a sigla CEO, que não cria confusão porque tem dois gêneros. O significado de CEO é chief executive officer. Officer quer dizer "qualquer funcionário com autoridade". Nos Estados Unidos, um policial é chamado de officer. Chief quer dizer "principal" e executive é isso mesmo, o que tem por função executar um trabalho. O CEO é, portanto, o principal funcionário executivo, o de posto hierárquico mais alto. Ou, em bom português, o presidente da empresa. No Brasil, até que alguém se preocupe com isso, a pronúncia de CEO é em inglês, letra a letra: "ci i ou". Ou, tudo junto, "ciiou". Qual a diferença, hoje, entre o chairman e o CEO? O CEO tem uma função contínua: a de se certificar, dia após dia, que seus diretores estão fazendo o que se espera que façam, e a de tomar a decisão final caso seus subordinados discordem de algum assunto ou tenham dúvida quanto à melhor solução. Já o trabalho do chairman é temporário: ele só é chairman quando preside uma reunião do conselho de uma empresa, no máximo uma vez por mês. No resto do tempo, o chairman até conserva o prestígio do título, mas não tem funções executivas. É por isso que, em muitas empresas, a mesma pessoa tem as duas funções: de CEO e de chairman. No mínimo, por uma questão de economia. Mas tudo isso depende: há empresas em que o dono é o presidente do conselho, ou chairman, enquanto o presidente, ou CEO, é um profissional contratado. E aí, quem tem mais poder de decisão, o dono ou o executivo? Só a prática responde. Por isso, em qualquer empresa, títulos são apenas isso, títulos, e o mais importante para quem quer deslanchar na carreira não é saber quem tem o mais vistoso. É descobrir quem realmente manda.

*Max Gehringer, é administrador de empresas e autor de livros sobre gestão empresarial e carreiras. Foi colunista das revistas Você S.A., Exame e Vip. Hoje escreve para a revista Época e Época Negócios.

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Intempestividade ou bom uso?
27/07/2012 | 15h35
No contato com a vereadora Odisséia Carvalho (PT) dias atrás, a mesma me transmitiu sua contrariedade pelo revelado nas duas fotos abaixo. São contra-cheques recentes de servidores públicos municipais, meses de maio e junho. Bom, o questionável é a ampla propaganda subjacente ao recebimento do salário de dois programas de governo da PMCG, em meses próximos às eleições quando a própria prefeita é candidata à reeleição. Não sei se legal, não sei se legítimo,  deixo para conhecimento/reflexão do leitor.

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Nervosismo, assalto frustrado, atende 190!
26/07/2012 | 13h49
Assim foi a hora do almoço dos moradores nas adjacências da "Obra Ioiô" que outro dia reportamos aqui no blog. É aquilo que foi dito, sem tirar nem pôr: os moradores estão se sentido abandonados. A obra impede o policiamento da área, tem havido tentativas recorrentes de furtos e assaltos no bairro, foi objeto de queixa de moradores à reportagem da Folha da Manhã. [caption id="attachment_4398" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Tentativa de assalto na Miguel Herédia, o morador corre atrás do bandido, rende ele já na rua Ovideo Manhães, entre Riachuelo e Gonçalves Dias, dá uma gravata nele, gritaria de todos os moradores e transeuntes, liga para o 190, liga para 190, liga para 0 190. Não atende. Liga para 193, avisa o Corpo de Bombeiro, pede que falem com o 190. O homem já ensaguentado, por tentar fugir, criança assustada assistindo, liga para a imprensa que comparece de imediato. Tenso. Entro em casa para escrever este post (escuto os gritos de que a polícia chegou!). É o relato.
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Exposição de Antonio Cruz
25/07/2012 | 17h20

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Prêmio Funarte Nelson Brasil Rodrigues
25/07/2012 | 09h45
 
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Nota de Falecimento
24/07/2012 | 16h34
Há pouco tomei conhecimento do falecimento do arquiteto Francisco Leal. É dele o belo projeto do Palácio da Cultura de Campos. No concreto armado criou um espaço amplo em centro de praça, estilo moderno com colunas que remetem ao tronco da palmeira imperial, arejado e arrojado como a Cultura. Fica meus sentimentos.lp [caption id="attachment_4384" align="aligncenter" width="493" caption="ft. César Ferreira"][/caption]

 

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Força evidente
24/07/2012 | 15h14
Assim foi o lançamento da candidatura a vereador de Fred Machado pelo PSD. Fui – ontem - fazer a cobertura para a Folha da Manhã. Ele é irmão da prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PMDB). Entra embalado na disputa eleitoral por um mandato na Câmara de Vereadores de Campos. O PSD (partido do deputado estadual Roberto Henriques que estava presente) é um dos partidos da coligação “Juntos por Campos” que tem Makhoul Moussalem (PT) como candidato a prefeito e Andral Tavares (PV) como vice (ambos presentes). Já assisti um bocado de atos políticos de natureza variada, mas, asseguro que em particular este me surpreendeu. Pleno início de semana, uma segunda-feira, às 20 h. O ambiente espaçoso tomado de gente transbordou pela rua em meio ao foguetório e aos discursos vigorosos. Clima festivo, típico às manifestações vitoriosas afins. A sede do comitê é grande para um candidato a vereador e fica ali na Rua dos Goytacazes, vindo da ponte da Lapa, à direita antes de chegar na Avenida Sete de Setembro. Na liderança do evento a prefeita Carla Machado, ao compor da mesa, lançou o grau da vontade política de seu grupo. Chamou membros de sua família, amigos, lideranças políticas de Campos e de São João da Barra e apresentou Fred como o ‘irmão de todos’. Carla então passou a palavra ao pastor evangélico David (do Parque Aurora) que, após orar para todos os credos, se inflamou ao dar seu recado com um “Basta no Absolutismo”. Não conhecia pessoalmente o candidato, de fácil lida, ciente do passo novo, satisfeito disse: - Este ato caloroso é a melhor resposta que hoje damos ao denuncismo vazio de certos blogs sem credibilidade. Estes são vozes auxiliares do adversário e se prestam a ficar fomentando “brigas”, tanto inventaram que estamos aqui mais unidos do nunca. Tenho andado e o que vejo é que nem tudo por aí é cor de rosa, sem enganam. A política precisa ser tratada com o coração, tem muito a ser feito. Eu que sou contra toda sombra de absolutismo, faço aqui o meu registro. [caption id="attachment_4378" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Vagner Basilio"][/caption]

 

       
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TRE-RJ fecha centro social no Complexo da Maré
23/07/2012 | 18h35

Fica aqui o alerta, qualquer movimento estranho nas suas redondezas, chame o TRE!

Fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro fecharam, na manhã desta segunda-feira, dia 23, um centro social na Vila do Pinheiro, no Complexo da Maré, suspeito de ser vinculado à vereadora e candidata à reeleição Teresa Bergher (PSDB). No local, foram apreendidos receituários impressos com nomes de candidatos, fichas de exames médicos e documentos que apresentavam indícios de cadastro eleitoral, entre outros materiais. De acordo com o relatório da equipe de fiscalização, no centro social foram encontrados ainda macas e aparelhagem para tratamento odontológico, mas "não havia qualquer tipo de propaganda no interior, nem nas paredes externas do local". O responsável pelo centro, Paschoal da Silva, informou aos fiscais que diversos voluntários, entre os quais a vereadora Teresa Bergher e seu marido, o deputado estadual Gerson Bergher, colaboravam para a manutenção do local. O material apreendido foi encaminhado à sede do TRE-RJ. * ASCOM - TRE/RJ
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Agenda Dr. Makhoul
23/07/2012 | 18h07
Agenda de terça dia 24/07
Manhã:
Ás 09:00 Caminhada no Turf-Club
concentração: Avenida 28 de Março enfrente ao Shopping Turf Club.
Tarde:
Ás 14:00 Caminhada no parque Tarcísio Miranda
concentração: Na praça.
Noite:
Ás 19:00 reunião com candidata a vereadora do PT no parque Santa Helena.
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Ao baixar de um domingo, ele
22/07/2012 | 19h17
Do tanto poeta A proposta de homenagear o poeta Carlos Drummond de Andrade, nos seus 110 anos de nascimento, deu certo na décima edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Drummond esteve em versos pincelados na abertura de cada uma das cinco mesas temáticas diárias, da programação oficial. Ele esteve em a exposição interativa ‘Faces de Drummond’ na Casa de Cultura, uma realização da Casa Azul e da Fundação Roberto Marinho. O Instituto Moreira Salles imprimiu camisa branca especialmente para a Flip com os versos dele: Que pode uma criatura senão,/entre criaturas, amar?/amar e esquecer,/amar e malamar,/amar, desamar, amar?//Sempre, e até de olhos vidrados, amar?// A programação infantil Flipinha e a juvenil Flipzona trouxeram o Carlos para a aldeia em forma de teatro, jogral e mesmo de musical. Imagens do poeta pontuaram o espaço físico da pequena como intensa Paraty. [caption id="attachment_4353" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Drummond 110 Quem no dia 4 de julho chegou a Paraty, ainda que soubesse pela programação divulgada, que encontraria com o poeta maior, ao começar a festa literária percebeu a inteira dimensão da homenagem que se prolongaria naqueles cinco dias. Pela voz do escritor - poeta, filósofo e letrista – Antonio Cícero, um dos drummonds se manifestou na leitura do poema “A Flor e a Náusea”, do livro “A rosa do Povo”, de 1945. Cícero deteve-se em cada uma das nove estrofes do poema, na tentativa de investigar alguns versos de significado menos evidente para o público em geral. E fomos para os tempos que eram. Eram tempos de guerra. Tempos de feiura. “... O tempo é ainda de fezes, maus poemas,/alucinações e espera”...// A plateia dá sinais do incomodo de a densidade das palavras, Cícero então esclarece que “a função da poesia é desautomatizar a linguagem e o pensamento”. Feito o alerta ao recém-chegado público, continua nos versos. “... As coisas. Que tristes são as coisas,/consideradas sem ênfase.// E Cícero segue ao falar do tédio em Drummond “... Nenhuma carta escrita nem recebida./Todos os homens voltam para casa./ Estão menos livres mas levam jornais/e soletram o mundo, sabendo que o perdem.//” Eram tempos de solidão, pessoal e literária, tempos de reflexão ante a incomunicabilidade humana da guerra, ou seja, da náusea. E da flor surge a poesia. “... Uma flor nasceu na rua!//... Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde/e lentamente passo a mão nessa forma insegura.// É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.//”.   [caption id="attachment_4354" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]   De outra faceta

Os materiais da vida Carlos Drummond de Andrade

Drls? Faço o meu amor em vidrotil nossos coitos são de modernfold até que a lança de interflex vipax nos separe em clavilux camabel camabel o vale ecoa sobre o vazio de ondalit à noite asfáltica plks

[caption id="attachment_4355" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

Do encerramento

Já no domingo, últimas horas da Flip, naquela penúltima mesa de 2012 “Drummond: o poeta brasileiro” o também consagrado poeta Armando Freitas Filho, em vídeo – mas, como se ali estivesse, discorreu sobre sua relação pessoal e literária com Drummond. “Se uma máquina de escrever falasse, teria a voz de Drummond: seca e surda”, disse Armando. Rememorou o presente dado por seu pai ao fazer 15 anos – um disco, com Manuel Bandeira no lado A e Carlos Drummond de Andrade no lado B. Não por acaso era o lado B, esclarecendo que Drummond vai mais fundo, está adiante, do lado de lá: “Escrevia com o próprio fígado, pegava o ser humano por dentro, como se fosse uma cunha. Você pode até esquecer as palavras do verso, mas não esquece o sentimento que o verso trouxe”. Em 1960, Armando entregou o manuscrito de seu primeiro livro a Bandeira e foi por ele aconselhado a encaminhar seus poemas a Drummond. Daí surgiu uma rica relação pessoal, de mestre e pupilo – “ele não foi uma influência, foi uma possessão” – só terminada com a morte de Drummond. “Fui o primeiro a chegar ao velório e até corrigi um erro ortográfico que o funcionário cometera na placa que afixam à porta da sala onde está o morto – faltava um M no Drummond”, lembrou. “Hélio Pellegrino e eu entramos juntos na sala, abraçados, Hélio tremendo muito (ou era eu?), quando fomos abordados pelo jovem repórter Arthur Dapieve, perguntando qual era o significado daquela morte. Hélio respondeu: ‘Eu não me entenderia como pessoa sem a poesia dele’.” E assim caminhou a Flip, no que tange ao poeta da poesia Drummond. Ou como nas palavras do poeta, ensaísta e crítico literário Antonio Carlos Secchin, “O primeiro Drummond a gente nunca esquece”.
Luciana Portinho
Matéria publicada em 15/07, no caderno especial, Folha na Flip 2012.
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Acho uma graça
20/07/2012 | 16h23
Hoje é o prazo fatal para que magistrados e servidores do poder judiciário divulguem os seus salários. É o que estabelece a Lei de Acesso. Pois bem, como era de se esperar de um poder que se coloca acima do bem e do mal de nós mortais, resistem de forma organizada. Os presidentes de 24 Tribunais de Justiça  se declaram contra. O Tribunal do Paraná já disse que não o fará e ponto. É mesmo um absurdo a resistência orquestrada à divulgação dos nomes, salários, abonos e gratificações do judiciário. O cidadão comum foi até acusado de "curiosidade mórbida" por um eminente juiz. O fato é que o Brasil escandaliza quando se trata de disparidade salarial, inclusive na esféra pública. Em pleno século XXI sobrevivem os famigerados cargos vitalícios. As distorções no setor público são gritantes, para eliminá-las é preciso saber aonde e como se encontram camufladas. Com a democratização, nas últimas décadas o país assiste o cerco da sociedade civil aos abusos dos poderes legislativo e executico. Era chegada a hora do Poder Judiciário dar a sua colaboração. Democracia requer transparência do setor público em contratos, licitações, obras e também no pagamento de salários e vantagens. Não se justifica tanto temor.   Fonte: O Globo, 20/07/12, página 3.
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OBRA IOIÔ
19/07/2012 | 22h47
[caption id="attachment_4339" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Na quarta passada, fui à rua novamente fazer a cobertura eleitoral para a Folha da Manhã. Desta vez, acompanhei o candidato oposicionista a prefeito Erik Schunk (PSOL) em visita à obra da Av.Sete de Setembro. Essa importante via de acesso como outras demais periféricas permanecem interditadas, desde o término do carnaval, é um martírio. De lá pra cá, tumultua a vida dos moradores, arruína os pequenos comerciantes do bairro, azucrina a rotina dos motoristas que mofam em engarrafamentos provocados pela interrupção da avenida. [caption id="attachment_4340" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

A obra recebeu o apelido “ioiô”, pela quantidade de vezes em que é feito/refeito/desfeito o serviço da passagem da tubulação de rede de esgoto.Segundo as ‘boas línguas da vizinhança’, já houve troca de projeto, de engenheiro e de empresa contratada pela PMCG. Cada uma dessas mudanças acarretou em desmanchar o já feito, algo desanimador para uma população perplexa que há seis meses é obrigada a conviver com o arrastado compasso da engenharia biruta. [caption id="attachment_4341" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

É espantosa a inexistência de administração da obra. Em nenhum momento, desde fevereiro, moradores e comerciantes, receberam qualquer comunicação sequer esclarecimento como é de se esperar por parte de uma administração pública, um mínimo gesto de consideração com sua gente. O direito de ir e vir foi sumariamente retirado do cotidiano dessas pessoas. O pequeno comércio resiste para não falir - o sapateiro e o borracheiro não aguentaram e saíram -, outros recorrem às suas reservas para sobreviver. Moradores idosos ou em cadeira de rodas estão isolados em suas residências. [caption id="attachment_4342" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Tem de tudo um pouco, inclusive do muito pó de pedra suspenso em nuvens para qualquer um ver ou aspirar. Autoridades do governo categoricamente, ontem, afirmaram que tudo acabará em agosto. Moro nas adjacências.Torço...sinceramente, muito! [caption id="attachment_4343" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

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Shakespeare & árabes, Folha na Flip 2012
18/07/2012 | 16h05
Dois momentos na Flip 1 – “Quando não houver império britânico, nem norte-americano, haverá Shakespeare” (Drummond) Na mesa “O Mundo de Shakespeare” dois respeitados especialistas, Stephen Greenblatt e James Shapiro apresentaram razões fundamentadas pelas quais não sobram dúvidas de que um indivíduo chamado William Shakespeare (1564-1616) de fato escreveu obras-primas como Hamlet ou Rei Lear. “Tudo isso é bobagem” ambos garantem. Ainda que a dúvida tenha habitado mentes lucidas como as de um Henry James, um Mark Twain ou um Francis Bacon. Voltaire achava Shakespeare “vulgar”. Tolstoi implicava com o inglês. Já Freud foi particularmente obcecado com a questão da possibilidade da existência de um Shakespeare real. [caption id="attachment_4335" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.flip.org.br"][/caption]

 

Greenblatt parte da premissa de que o ator, dramaturgo e empresário de teatro Shakespeare era um gênio que nunca fez peças do nada. “Ele foi colaborativo e reescreveu sim, só que era tão superior aos demais que quando o fazia, o dele era tão melhor que obscurecia o outro. Não havia direito intelectual e ele reescrevia também. Foi um artista incrivelmente criativo, poderoso, que se coloca inteiro na história. A visão dele é perceptível, ele enxergava o que tinha força de ser levado ao palco. Há sinais de que reescrevia compulsivamente as suas próprias obras”, disse. Sobre a alegada falta de documentos de época, Greenblatt explicou: “Embora vivesse numa época muito burocrática, em que havia uma preocupação em registrar todos os passos de certas pessoas, Shakespeare não era uma dessas pessoas: era apenas um ator e dramaturgo, sem importância alguma.” Além disso, acrescentou, “A Inglaterra já era oficialmente protestante, mas a mãe de Shakespeare era católica e, na verdade, quase todo mundo era católico. Como o catolicismo de então era equivalente à Al-Qaeda de hoje”, ele não tinha interesse algum em deixar uma trilha de documentos sobre suas origens ou suas ideias. “Shakespeare voava abaixo da linha do radar, tinha uma profunda aversão à prisão”, garantiu em tom brincalhão. Ambos, Greenblatt  e Shapiro trouxeram seus livros a Flip: pela Companhia das Letras, A Virada, de Greenblatt, que foi professor da Universidade da Califórnia em Berkeley e, em seguida, de Harvard; e pela Editora Planeta, 1599 – Um ano na vida de William Shakespeare, de Shapiro, professor da Universidade Colúmbia. 2- “Os americanos não entendem absolutamente nada de cultura árabe” ao assegurar isso o poeta Adonis - nascido sírio e com o nome Ali Ahmad Said Esber – junto do prestigiado escritor franco-libanês que foi admitido na Academia Francesa de Letras em 2011 Amin Maalouf, deu o norte de sua intervenção na mesa intitulada “Literatura e Liberdade”. Apresentados à plateia como “filhos do mundo mediterrâneo - do pão, do azeite e do vinho-, que misturou judeus, cristãos e muçulmanos por pelo menos nove séculos” a moderadora e jornalista portuguesa (correspondente no Oriente Médio por muitos anos) Alexandra Lucas Coelho abriu a sessão. Os dois escritores têm um pé no Ocidente e outro no Oriente, na literatura e na militância política e social, cada um à sua maneira. Amim, que se define como um otimista inquieto deixa claro: “Não faço diferença entre fontes ocidentais e orientais. Vivi ao meio onde tentávamos beber em todas as duas. Nunca hesitei em me dirigir aos autores ocidentais e tentar aprender com eles. Sou um pouco de tudo isso”. Já Adonis esclarece que a cultura árabe repousa sobre dois pilares: a religião e a poesia. “Não há um único grande poeta árabe que seja religioso”, a despeito de que “religião e cultura estão estreitamente ligadas no mundo árabe”. “No contexto da religião, o ser humano só pode crer, obedecer e praticar a religião. Não tem nada a acrescentar. Nem Deus pode acrescentar algo, porque já disse sua última palavra ao seu último profeta. É por isso que precisamos refazer o passado e questionar nossa moral, nossas tradições, nossa religião. Nem sequer é possível haver literatura, porque esta propõe visões diversas e cria novas relações, o que é impossível quando a última palavra já foi dita. A maioria dos problemas do mundo de hoje é de ordem cultural”. Amin concorda. “O século XXI será o século da cultura ou não será”. E salienta que não por acaso as tiranias desconfiam da ficção. [caption id="attachment_4316" align="alignleft" width="300" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_4317" align="alignright" width="300" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]
Matéria publicada domingo (15/07) no caderno especial, página 3, Folha na Flip 2012.
Luciana Portinho
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Fiscais do TRE-RJ fecham centro social em Belford Roxo
18/07/2012 | 15h57
Fica aqui o alerta, qualquer movimento estranho nas suas redondezas, chame o TRE! Por determinação do juiz Alfredo José Marinho Neto, titular da 153ª ZE, de Belford Roxo, responsável pela fiscalização de propaganda naquele município na campanha eleitoral deste ano, foi fechado na última segunda-feira, dia 16, um centro social e um trailer que seria vinculado ao candidato Oséias Oliveira, que concorre a uma vaga de vereador pela coligação “Junto com o Povo” (PP/PMDB). No local foram apreendidos, entre outros materiais, camisetas com o nome do candidato e cópia de título de um eleitor, com anotação de promessa de voto em troca de uma caixa d’água. O centro social e o trailer, situados na Rua Mara, lote 05, quadra A, Bairro Wona, ofereciam à população atendimento odontológico e  fisioterápico, além de cortes de cabelo. Participaram da operação cinco fiscais do TRE em Belford Roxo, em dois veículos. Relatório sobre a apreensão será remetido ao Ministério Público Eleitoral, que decidirá se vai representar contra o candidato. obs. por e-mail do TRE-RJ
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Presidente do TRE-RJ se reúne com cúpula de segurança do Estado
17/07/2012 | 15h57
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, desembargador Luiz Zveiter, se reuniu, na manhã desta terça-feira, dia 17, com representantes das Polícias Federal e Rodoviária Federal, da Secretaria Estadual de Segurança Pública, do Comando Militar do Leste e da Procuradoria do Ministério Público Eleitoral com o objetivo de traçar um plano para evitar que grupos organizados criem redutos eleitorais para a eleição municipal que acontecerá neste ano. De acordo com o presidente da Corte, desembargador Luiz Zveiter, na próxima reunião, os serviços de inteligência de todos os órgãos envolvidos trarão um mapeamento dos locais onde milicianos e outros grupos criminosos atuam no Rio. Esse foi o primeiro encontro de uma série de reuniões semanais que serão realizadas no decorrer do período eleitoral, sempre nas terças-feiras. A força-tarefa atuará no Centro de Controle e Comando, sediado no TRE-RJ. * por e-mail do TRE-RJ
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ELA É BURRA
17/07/2012 | 13h10
[caption id="attachment_4324" align="alignleft" width="201" caption="Ft. Google"][/caption] Max Gehringer* Em uma das empresas que trabalhei, eu fazia parte de um grupo de treinadores voluntários. Éramos coordenados pelo chefe de treinamento, o professor Lima, e tínhamos até um lema: "Para poder ensinar, antes é preciso aprender" (copiado, se bem me recordo, de uma literatura do Senai). Um dia, nos reunimos para discutir a melhor forma de ministrar um curso para cerca de 200 funcionários. Estava claro que o método convencional - botar todo mundo numa sala - não iria funcionar, já que o professor insistia na necessidade da interação, impraticável com um público daquele tamanho. Como sempre acontece nessas reuniões, a imaginação voou longe do objetivo, até que, lá pelas tantas, uma colega propôs usarmos um trecho do Sermão da Montanha como tema do evento. E o professor, que até ali estava meio quieto, respondeu de primeira.  Aliás, pensou alto: - Jesus era peripatético... Seguiu-se uma constrangida troca de olhares, mas, antes que o hiato pudesse ser quebrado por alguém com coragem para retrucar a afronta, dona Dirce, a secretária, interrompeu a reunião para dizer que o gerente de RH precisava falar urgentemente com o professor. E lá se foi ele, deixando a sala à vontade para conspirar. - Não sei vocês, mas eu achei esse comentário de extremo mau gosto - disse a Laura. - Eu nem diria de mau gosto, Laura. Eu diria ofensivo mesmo  - emendou o Jorge, para acrescentar que estava chocado, no que foi amparado por um silêncio geral. - Talvez o professor  não queira misturar religião com treinamento - ponderou o Sales, que era o mais ponderado de todos. - Mas eu até vejo uma razão para isso... - Que é isso, Sales? Que razão? - Bom, para mim, é óbvio que ele é ateu. - Não diga! - Digo. Quer dizer, é um direito dele. Mas daí a desrespeitar a religiosidade alheia... Cheios de fúria, malhamos o professor durante uns dez minutos e, quando já o estávamos sentenciando à fogueira eterna, ele retornou. Mas nem percebeu a hostilidade. Já entrou falando: - Então, como ia dizendo, podíamos montar várias salas separadas e colocar umas 20 pessoas em cada uma. É verdade que cada treinador teria de repetir a mesma apresentação várias vezes, mas... Por que vocês estão me olhando desse jeito? - Bom, falando em nome do grupo, professor, essa coisa aí de peripatético, veja bem... - Certo! Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para fazer pregações, como os filósofos também faziam, ao orientar seus discípulos. Mas Jesus foi o Mestre dos Mestres, portanto a sugestão de usar o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma belamensagem moral e o deslocamento físico... Mas que cara é essa? Peripatético quer dizer "o que ensina caminhando". E nós ali, encolhidos de vergonha. Bastaria um de nós ter tido a humildade de confessar que desconhecia a palavra que o resto concordaria e tudo se resolveria com uma simples ida ao dicionário. Isto é, para poder ensinar, antes era preciso aprender. Finalmente, aprendemos. Duas coisas. A primeira é: o fato de todos estarem de acordo não transforma o falso em verdadeiro. E a segunda é que a sabedoria tende a provocar discórdias. Mas a ignorância é quase sempre unânime. *Max Gehringer, é administrador de empresas e autor de livros sobre gestão empresarial e carreiras. Foi colunista das revistas Você S.A., Exame e Vip. Hoje escreve para a revista Época e Época Negócios.
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Um vivente na Flip
16/07/2012 | 20h01
Paulo Cavalcante vem do nordeste pela sexta vez a Flip. Desde 2005, Paulo cumpre de forma original a sua sina de escritor brasileiro; divulgar o seu trabalho literário. E aí se posta logo na descida da ponte sobre o rio Perequê – Açu, porta de entrada na festa literária. Paulo é um cabra talentoso e determinado. O local que ele escolheu é estratégico, quem se dirige às tendas dos autores ou do telão, logo o vê. Nos cinco dias do evento ele passa em pé, numa média 12 horas, conversando com o público sobre sua vocação de escritor e sobre seus livros. Na busca de novos leitores trouxe novamente seu romance ‘O Martírio dos Viventes’, agora na 6º edição. Está satisfeito com o resultado alcançado em 2012, a venda ultrapassou os 100 exemplares. [caption id="attachment_4310" align="aligncenter" width="500" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption]

 

Folha da Manhã Você é o autor do hino da cidade Caraúbas, ou seja, é também compositor e poeta. Conte-me um pouco sobre a sua saga. Paulo Cavalvante Sou nascido em Caraúbas, na microrregião do Cariri Oriental da Paraíba. Nasci em 1960, tenho 52 anos. Um filho de camponeses que saiu da roça aos 17 anos para tentar o futuro. Fui um bocado de muito, já trabalhei como copeiro, balconista, garçom, office-boy e cozinheiro. Nada tão diferente dos demais de minha geração. Desde bem cedo trabalho e me licenciei em História pela Universidade Estadual da Paraíba. Folha Pois é, você disse que é professor em dois estados, como é isso? Paulo Então, moro em Campina Grande, na Paraíba e trabalho na rede municipal de Campina. Sou professor de história. E trabalho também em Currais Novos, no Rio Grande do Norte. Lá leciono na rede pública estadual, no ensino médio. Folha Quer dizer que você fica para cima e para baixo, mas, como consegue conciliar. Sua cultura de nordestino é a explicação? Paulo Talvez os apertos da seca tenham me temperado. Divido meu tempo entre as duas matriculas. Vou na quarta depois do expediente em Campina e fico no Rio Grande de quinta e sexta. Currais está a 200 km, aí vou de moto. Folha E o que vem fazer um professor na Flip. Você disse que vem aqui desde 2005. Compensa? Paulo Este evento é nobre, sem igual, é uma vitrine para qualquer autor. Meu romance O Martírio dos Viventes, que fala sobre a realidade da seca que experimentei durante 21 meses, nos anos 92/93, já está na 6ª edição. Não o deixo em livrarias, pois gosto do contato com o público. A narrativa escrita em linguagem regional é uma ficção que articula luta, exclusão social e religiosidade, o apelo aos céus do que é negado no material. Folha Paulo, sua presença aqui, parado em cima desses tocos, com a indumentária típica nordestina chama a atenção logo na descida da ponte. Você criou um marketing com sua própria imagem, gera empatia. Interessantes estas plataformas que te põem mais alto do que público, a ideia foi sua? Paulo Nelas fico a uma altura de 2,10m, qualquer um me avista. São como tamancos gregos. Dentro de cada um deles trago meu farnel; minha ração energética para jornada. Quer ver... tem banana, castanha de caju, rapadura e uma maçã. Pela manhã tomo um bom café e vou comer outra refeição ao final do dia. Criei um personagem e tenho compromisso com ele. [caption id="attachment_4311" align="alignleft" width="300" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption]   Folha E a sua família, Paulo? Você disse que tem dois filhos formados. Sua mulher, o incentiva nas suas andanças? Paulo Sou um sertanejo, para quem já teve que comer calango, hoje vim no conforto de um avião com pagamento parcelado, fruto de investimento próprio. Nas primeiras vezes minha mulher ficava tiririca comigo, pedia que esperasse minha aposentadoria (sic). Meus filhos achavam que o pai tinha ficado doido.   [caption id="attachment_4312" align="alignright" width="300" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption]  
Entrevista publicada domingo (15/07), página 6, do caderno especial Folha na Flip 2012.
Luciana Portinho
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Dos estímulos
16/07/2012 | 13h26
[caption id="attachment_4289" align="aligncenter" width="500" caption="René Magritte"][/caption]

 

Max Gehringer* É quando o funcionário reage a uma preocupação genuína da empresa com ele. Uma das lembranças mais vívidas que tenho de meu primeiro emprego era o grande escritório. Todo aberto, com um pé-direito enorme e paredes nuas. O ambiente era tão espartano que a única coisa que podia ser vagamente chamada de "decoração" eram os dois pomposos retratos dos fundadores, pendurados na parede do fundo. E era ali, sob os retratos, que ficavam as mesas dos diretores, estrategicamente posicionadas para que eles tivessem uma visão total do local. De frente para a diretoria ficavam todas as outras, e a hierarquia funcionava por fileiras de mesas. Na primeira fila estavam situados os chefes, para que eles pudessem ir rapidamente até a mesa dos diretores quando fossem chamados. Na última fila, ficavam os supervisores. E no meio, observados todo o tempo tanto pela frente quanto pela retaguarda, ficávamos nós, o resto dos funcionários. Cada funcionário tinha a sua mesa, e só. Mesmo os cestos de lixo ficavam junto às mesas dos supervisores, para que eles pudessem conferir tudo o que estava sendo descartado. Um dia, apareceu na empresa um pessoal estranho, bem vestido e bem falante. Eles se definiam como "atualizados com as tendências da administração moderna", algo que nós ali nem desconfiávamos que pudesse existir. Esse povo tinha sido contratado com o objetivo de mudar a mentalidade já meio ultrapassada da empresa, e começou alterando o layout: construíram salas para os gerentes, salinhas para os supervisores e minissalões para cada departamento. Como tudo isso requeria espaço, o escritório teve de ser ampliado. E aí, aproveitando o embalo, foram inseridos vários itens, digamos, mais atualizados com as tendências da administração moderna, como vasos com flores, reproduções de pinturas clássicas e persianas coloridas nas janelas. O efeito foi incrível. A produtividade geral dobrou da noite para o dia. E, para nós, tudo pareceu óbvio: quando se dá ao ser humano mais espaço e mais tranqüilidade, ele funciona melhor. O escritório havia deixado de ter aquele aspecto de estádio de futebol para se transformar num ambiente que privilegiava a individualidade. E o agradecimento se resumiu em uma palavra que qualquer empresa entende e aprecia: produtividade. Há um mês, eu me encontrei com um funcionário de uma grande instituição financeira e ele me contou, todo entusiasmado, a grande mudança pela qual o escritório acabara de passar. Dezenas de salas e salinhas tinham sido colocadas abaixo e o local havia sido transformado em um imenso salão, onde todo mundo podia ver todo mundo. E o resultado tinha sido positivo, em todos os sentidos: de repente, passou a haver mais espaço, mais luminosidade, mais contato humano e, principalmente, muito mais produtividade! "Isso é o século 21!", ele me disse. E eu, tentando não melindrá-lo, expliquei que aquilo, a bem da verdade, era o século 19. Grandes escritórios abertos, sem paredes, divisórias ou baias, foram o início de toda a história, lá pela época da Revolução Industrial. O fato de a produtividade melhorar quando a empresa constrói ou derruba salas, tanto faz, é resultado não da engenharia, mas da mensagem que a empresa está passando: estamos mudando para oferecer melhores condições de trabalho. E, quando o funcionário sente que existe uma preocupação genuína com ele, fica mais produtivo.  Até no escuro. *Max Gehringer, é administrador de empresas e autor de livros sobre gestão empresarial e carreiras. Foi colunista das revistas Você S.A., Exame e Vip. Hoje escreve para a revista Época e Época Negócios.
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Vadias de Campos
15/07/2012 | 22h45
Sábado de manhã passado (14/07), fui cobrir para o jornal a Marcha das Vadias. Concentração na Praça São Salvador, nos dirigimos para lá, eu o colega Thiago Macedo. Na realidade a pauta era a presença do médico sanitarista Erik Schunk na passeata. Erik, é candidato de oposição a prefeito, por uma frente de esquerda composta pelo PSOL, PCB e PSTU. Bom, mas, o assunto aqui são elas. Fui pensando que não teria ninguém afinal a sociedade de Campos - por longo tempo um enclave da monocultura da cana - mesmo em transito de uma virada socioeconômica, ainda se veste com seu conservadorismo mal disfarçado. A moral dominante exclui o diferente, falseia as realidades. Há uma exagerada necessidade de aparecer “bem” e, estar bem aqui significa ser como a maioria aceita como deva ser. [caption id="attachment_4278" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Tive uma boa surpresa, na praça havia algo como uma centena de jovens. Mulheres, em sua maioria, universitárias reunidas em protesto, com características típicas às manifestações públicas: disposição de luta, irreverência e bom humor. Abriram a boca contra a violência doméstica que segundo dados estatísticos se repetem, no Brasil, a cada 2 minutos em número de 5. Uma faceta sempre chocante esta a do espancamento da mulher em casa. A média anual de estupro nacional (sic) permanece na estratosfera: 15 mil mulheres! Estes dados nos colocam na vergonhosa posição mundial de 7ª maior em mortalidade de mulheres. [caption id="attachment_4279" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

No ato que foi apartidário e sem ‘aparelhamento’ por nenhuma entidade, o microfone foi livre. Falou quem quis. Uma das falas que me chamou a atenção foi a de Amanda Pereira da Silva, de 31 anos. Ela é uma assistente social que trabalha em prevenção DST/AIDS aos travestis e profissionais do sexo. Apresentou-se como um transexual em formação e criticou a hipocrisia de Campos, “somos aceitos de noite, enxotados de dia”. Incomoda o dito por ela, mas, é uma das realidades local. Quem tiver alguma dúvida é só observar os “carrões bacanas” que passam pela noite nas ruas centrais, contratando o serviço delas. [caption id="attachment_4280" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

O fato é que concordando na íntegra, ou não, com este movimento de mulheres, de longe viemos e para longe iremos. Ainda que dele não participe, continuo simpática à defesa dos direitos das minorias. A caminho continuamos! [caption id="attachment_4281" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

 
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Da inocência
14/07/2012 | 12h40
Max Gehringer* [caption id="attachment_4269" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Google"][/caption] No ano de 1598, navegando pelo oceano Índico em direção ao sudoeste da África, caravelas portuguesas chegaram às praias de uma ilha de origem vulcânica com pouco mais de 1 800 quilômetros quadrados de área. Essa ilha, hoje chamada Maurício, ficava no meio de nada, a  ficava no meio de nada, a 1000 quilômetros do pedaço de terra mais próximo, a ilha de Madagáscar. Entre outras novidades, os portugueses depararam com um tipo de ave desconhecida que, como se verá a seguir, parecia ser completamente pirada. Por isso, deram ao pássaro o apelido de "doido" - ou, em português arcaico, "doudo". O tempo e a fonética se encarregariam de eliminar o "u", e a ave entraria nos compêndios de ornitologia como "dodó". Mas, naquele 1598, a primeira coisa que surpreendeu os marinheiros foi o fato de que o dodó, ao contrário de qualquer outro animal selvagem, não fugia quando os humanos se aproximavam. Apesar de ser uma ave, não sabia voar. E nem correr. Só andava, e extremamente devagar. Também não subia em árvores, e fazia seu ninho a céu aberto, sem nenhuma preocupação com possíveis predadores. A explicação para isso era simples: não havia predadores na ilha Maurício. Assim como não há cobras em Fernando de Noronha, porque elas nunca conseguiram chegar ao arquipélago, também a ilha Maurício ficara tanto tempo isolada do resto do mundo que o dodó acabou se transformando em uma criatura absolutamente incapaz de perceber o perigo. E, mesmo que percebesse, não saberia como reagir a ele nem como se defender. Simplesmente ficava ali parado, sem sentir nenhum receio, olhando e esperando. Os portugueses trouxeram cães e porcos para a ilha. Dos porões das caravelas desembarcaram ratazanas. E todos esses bichos logo descobriram o banquete: comida não apenas farta mas aguardando para ser devorada, sem resistir. É claro que não faltou a colaboração do maior dos predadores, o homem. O resultado foi até óbvio: em 1681, os dodós já não existiam. Foi, provavelmente, o único animal da história que desapareceu por ser totalmente inocente. Perto do dodó, até uma borboleta pareceria feroz. Se a gente imaginar que no começo dos tempos havia um Plano Estratégico para a Criação, é bem provável que o dodó teria sido escolhido como o paradigma para o relacionamento entre os seres vivos: num futuro perfeito, todos seríamos como ele, bons, sem medos, sem precisar atacar ninguém ou fugir de alguém. Só que o Plano Operacional Prático, que é o que vale, mudou tudo: nós somos constantemente instados a ser mais agressivos, mais técnicos, mais pragmáticos, mesmo que para isso tenhamos de tomar decisões que possam ferir os sentimentos de nossos semelhantes. Além disso, somos sempre alertados para ficar atentos o tempo todo, caso contrário seremos presa fácil para os predadores corporativos. Daí, ou nos adaptamos às regras da selva, por mais que as achemos injustas, ou seremos devorados pelo sistema. É uma pena, mas nas corporações, assim como aconteceu na natureza, os predadores levam vantagem. E que fim levou a inocência? Bom, a palavra vem do verbo latino nocere, "machucar". O "inocente" é o que "não machuca" ninguém, não importa a pressão ou a situação. O último a acreditar que a inocência podia ser a forma mais elevada de convivência foi o dodó. E, por agir segundo suas convicções, acabou extinto. *Max Gehringer, é administrador de empresas e autor de livros sobre gestão empresarial e carreiras. Foi colunista das revistas Você S.A., Exame e Vip. Hoje escreve para a revista Época e Época Negócios.
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Hoje, às 19h, em Quissamã
13/07/2012 | 18h21
Fátima abre a campanha hoje, sexta-feira 13, às 19 h. O lançamento será no Clube Recreativo de Quissamã.
Será lançada nesta sexta-feira  13  a campanha da Coligação Pra Frente Quissamã que tem a vereadora Fátima Pacheco ( PT) como candidata a prefeita e Arnaldo Mattoso (PMDB) como vice-prefeito. A coligação conta com o apoio de 12 Partidos: PT, PMDB, PSDB, PSC, PRP, PDT, PSD, PHS, PSL, PSDC, PTB e PC do B, e vem com 73 candidatos à Câmara Municipal.
O trabalho da candidata Fátima Pacheco,  no entanto,  iniciou-se logo após a convenção  que homologou  seu nome à Prefeitura de Quissamã, ocorrida no último dia 23. De lá pra cá, Fátima participou de uma série de reuniões. A primeira delas com o Senador Lindbergh Faria . Fátima quer estreitar, cada vez, mais as relações com as autoridades federais e estaduais objetivando assegurar novos investimentos para o município e consolidar os já existentes, como o Complexo Logístico e Industrial de Barra do Furado e inúmeras reuniões com  a coordenação de campanha, lideranças comunitárias e candidatos a vereador.
*da Ass. da Coligação Pra Frente Quissamã 
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EMPRESA DE CAMPOS ILUMINA PARATY
13/07/2012 | 16h16
Recebi o email abaixo do Renato e é bem interessante tomar conhecimento e poder divulgar. Sou do tipo que vibro com a realização dos que cavam suas vitórias, dos que produzem com paixão. Esses me reafirmam da necessidade de estar sempre disposta e a posto. E assim... de braços abertos a vida nos encontra! ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Luciana, Sou brasileiro, campista,  engenheiro eletricista, 48 anos e tenho 2 filhos:  Carolina, 22 anos e Guilherme, 11 anos. Amo o que faço, procuro tratar a coisa pública com muita responsabilidade, acredito que é possível ganhar dinheiro no setor público oferecendo um produto de qualidade aos munícipes. Nossa empresa existe há 10 anos,  OTIMITEK ENGENHARIA E MANUTENÇÃO LTDA, atuando  nos  ramos de construção civil e elétrica . Em 2008, com a mudança de governo foi feito um Pregão em Campos para manutenção da Iluminação Pública no valor de R$ 18.000.000,00 ( ISTO MESMO, DEZOITO MILHÕES ) com exigências "pesadas no edital" , o que impossibilitou as empresas de  Campos que atuavam na área elétrica de participar. Na ocasião, éramos 7 a 8 empresas , com o fechamento do mercado de trabalho em Campos nossa empresa se viu obrigada a abrir novos mercados. O preço foi alto, mas foi muito bom, tivemos que nos profissionalizar mais ainda e procurar fazer um trabalho diferenciado para nossos clientes . Há dois anos somos responsáveis pela manutenção da Iluminação Publica de  Barra  Mansa, com um resultado positivo. Há um ano  iniciamos também um trabalho na área de Iluminação em Angra do Reis , com bons resultados . Quando conheci Paraty em uma viagem com amigos pensei que legal seria trabalhar aqui, poder fazer um belo trabalho em uma cidade com uma história cultural tão forte. Ganhamos a licitação e estamos a 2 meses trabalhando para reativar a Iluminação Pública do município que estava muito precária. Nosso desafio inicial foi preparar a cidade para a Festa do Divino (Gincana Cultural muito famosa na cidade e região), a festa junto com o Festival do JAZZ  são portas de entrada para a FLIP. Graças ao empenho dos nossos colaboradores, chegamos a FLIP com 95% da Iluminação Pública de Paraty recuperada. Agora estamos trabalhando para implantar 350 novos pontos de iluminação até setembro , reativar a  iluminação do Estádio Municipal  E O MAIS IMPORTANTE  RESGATAR A ILUMINAÇÃO ORIGINAL DO CENTRO HISTÓRICO . A  FLIP  foi um momento importante para nós , além da iluminaçâo publica fomos convidados a montar a iluminação cênica em várias tendas , o resultado associado à beleza das tendas ficou muito interessante. Durante a semana da FLIP li na Folha (sou assinante a alguns anos)  que você estaria em Paraty representando a FOLHA , pensei que legal campistas invadindo esta terra maravilhosa. Até pensei que bom seria encontrar com você, Luciana. Quando li que a folha faria uma caderno especial sobre a FLIP aí  pensei que bom seria poder registrar no caderno que tem uma empresa de Campos trabalhando para manter a luz acesa nesse balneário  de tanto charme e cultura. Pena que o contato tenha sido um pouco tarde, más, fico feliz com seu interesse em nossa história . Grande abraço , PARABÉNS PELO SEU BLOG, SEMPRE QUE POSSO LEIO, ESTÁ ENTRE OS MEUS FAVORITOS. Atenciosamente,  Renato Silva Gomes Engº Eletricista/ Segurança do Trab. Sócio Gerente
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Agora, mais um desastre
09/07/2012 | 14h49
Fernando Gomes Silva, 25 anos, vinha de Campos em direção ao Rio de Janeiro com sua carga de tijolos. [caption id="attachment_4248" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

Ao entrar na curva anterior à entrada de Macaé, segundo ele, deu de cara com o outro caminhão parado em uma obra da BR101 sem sinalização adequada. O prejuízo está feito.

[caption id="attachment_4249" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

Ele e o outro motorista, vivos.

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Parece macumba
08/07/2012 | 09h21

E  não é.

  [caption id="attachment_4240" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

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Não confundir
07/07/2012 | 07h52
Existem os malufs e o Maalouf. Na Flip está presente o Amin Maalouf. Respeitado escritor franco-libanês, ingresso na Academia Francesa de Letras em 2011. Um católico crescido em uma Beirute cosmopolita e multicultural. Seu pai um poeta prestigiado, se gabava de cabeça saber os cem mil versos da poesia árabe clássica. [caption id="attachment_4229" align="aligncenter" width="520" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption]

 

O Maalouf aqui na Flip defendeu que “O século XXI será o século da cultura ou não será”. E nos lembrou que todas as tiranias desconfiam da ficção.
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FLIP e tudo mais
05/07/2012 | 01h06
[caption id="attachment_4218" align="aligncenter" width="500" caption="                                                     Ft. Luciana Portinho                                                                                                                                              "][/caption] Ainda que seja de literatura, que seja de uma baita festa e da elite, os pés e os sérgios se fazem presentes, nos bancos e calçadas do meu Brasil. [caption id="attachment_4219" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption] Aberta foi a 10º Festa Literária Internacional de Paraty. [caption id="attachment_4222" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption] O poeta Antonio Cícero deu um banho. Recortou a humanidade, perdida no labirinto material. Entramos nas águas do pensamento crítico e  literário do nosso país.  Estou presente com meus pés de lucianas.  E vamos nós!
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Das ilações e confusões
03/07/2012 | 19h52
O QUE É... INTERPRETAÇÃO Max Gehringer* [caption id="attachment_4207" align="aligncenter" width="500" caption="René Magritte, pintor surrealista belga, 1898/1967. "Golconda, 1953"."][/caption] É captar indícios e os transformar em verdades corporativas. Por que a gente diz que um artista "interpreta" uma melodia ou uma peça de teatro? Porque ele está transformando em um desempenho audível ou visível o que o autor da peça supostamente estava imaginando quando a compôs. É por isso que uma partitura pode variar uma barbaridade quando executada por dois músicos diferentes: cada um deles está "interpretando" o que, em sua percepção pessoal, passava pela cabeça de quem a criou. A mesma coisa acontece na vida prática: não raramente, uma versão de alguém para um fato acaba se tornando "a verdadeira", mesmo quando o autor ou causador do fato insiste em desmenti-la. Esse fenômeno está na própria origem do verbo "interpretar": ele se originou do latim e do sânscrito, e significa "espalhar (algo) dentro de um grupo". Se esse algo é ou não "a verdade", aí já é outra história. E por falar em vida prática, uma das figuras mais inocentes - e, ao mesmo tempo, mais nocivas - na fauna das organizações é o intérprete corporativo. Ele é uma espécie de despachante de rumores que age por conta própria. O intérprete tem uma função normal dentro da empresa, como todos os seus colegas têm. Mas o que o diferencia dos demais é o fato de ter delegado a si mesmo uma missão adicional: a de manter a empresa informada sobre o que realmente está acontecendo. E o problema aí é esse realmente, porque o intérprete não tem acesso às informações, apenas capta indícios e os transforma em fatos consumados. Daí o intérprete corporativo ser um inocente, já que não se beneficia pessoalmente das coisas que fica espalhando. Mas é, ao mesmo tempo, altamente nocivo, já que suas versões podem causar estragos consideráveis. Intérpretes corporativos existem em todas as empresas. Eu nunca trabalhei em uma que não tivesse, pelo menos, um deles. Eles são muito convincentes, iniciam suas frases com um "Você já soube?" - e aí contam histórias mirabolantes sobre os bastidores da empresa. E como eles sabem de tanta coisa? "Sei de fonte limpa", afirmam. Ah... Então, o intérprete corporativo estava no sanitário da empresa, lavando as mãos. Aí, no último banheirinho, toca um celular. "Alô", alguém atende lá dentro, e o intérprete imediatamente reconhece aquela voz. É o doutor Nelson, o gerente. O intérprete ainda não sabe, mas está no lugar certo na hora certa: do outro lado da linha está o big boss do doutor Nelson, querendo saber por que os resultados andam tão ruins. O intérprete não sabe quem está falando nem qual é o assunto, mas não lhe será difícil deduzir. E ele ouve atentamente a conversa (ou melhor, escuta somente as respostas que o Nelson vai dando): - É, está difícil... -- Estou tentando, não é falta de esforço. - Está acabando com meu humor... - Olha, eu acho que essa situação não vai se resolver, é um problema crônico. Aí, o intérprete sai de fininho do sanitário, encontra um grupinho no corredor e pergunta: - Vocês sabem por que o doutor Nelson anda tão mal-humorado ultimamente? Opa, aquilo era uma revelação e tanto, principalmente após o intérprete afirmar que ouviu tudo da boca do próprio. O pessoal então se cala para ouvir. E o intérprete olha para os lados, pede sigilo absoluto, curva-se para a frente e sussurra: - Prisão de ventre. E das crônicas! *Max Gehringer, é administrador de empresas e autor de livros sobre gestão empresarial e carreiras. Foi colunista das revistas Você S.A., Exame e Vip. Hoje escreve para a revista Época e Época Negócios.
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A decisão de Ilsan
02/07/2012 | 20h56
Terminadas as convenções, o quadro político eleitoral tomou forma clara. De todos os personagens envolvidos nas articulações partidárias e composições de alianças, a meu ver, uma se destacou. A vereadora oposicionista Ilsan Viana (PDT), do alto de seu mandato parlamentar, anunciou de público que não buscará sua reeleição. Resumindo, abre mão de sua candidatura para - de corpo e alma - se dedicar a campanha de Arnaldo Vianna (PDT) a prefeito nas eleições de 2012. Foi sábia a atitude de Ilsan. Sábia e rara. Pensou grande. Agiu, com o coração e de cabeça pensada. Decidiu em nome de uma inquebrantável unidade dos partidos que se aliaram ao PDT de Arnaldo; o PPS de Rogério Matoso, vice na chapa, e do PPL do presidente da Câmara de Vereadores Nelson Nahim. A vereadora não precisaria ir para o sacrifício ao abrir mão de uma reeleição sempre mais certa aos que, como ela, detém um mandato parlamentar. Mas nada de boba tem; sabe que seria alvo da maledicência do adversário que tentaria a todo o momento da campanha enfiar a cunha da discórdia entre ela e os demais concorrentes a uma vaga no legislativo que estão com Arnaldo. Cortou o mal pela raiz. A atitude merece ser analisada e reconhecida. Ilsan Viana reafirma a sua trajetória política com a assertiva da tomada de decisões - firmes e rápidas - que a caracterizam. Também deixa patente o quanto se empenhará na campanha do ex-prefeito Arnaldo Vianna à prefeitura de Campos. Recado dado.  
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Sabendo usar
02/07/2012 | 16h53
A natureza é generosa, mesquinho é o Homem. Farta, tudo nos entrega de mão aberta, sobra ao humano ter critério em  aproveitar o oferecido pronto. A cidade do Rio de Janeiro aprendeu a usufruir, tim-tim por tim-tim, de cada ambiente que o meio natural lhe apresenta. Assim é porque o carioca que lá habita, na atualidade, vai às ruas em defesa de seu habitat. Nem precisa dizer que o bonito, mas, o bonito mesmo no Rio não veio da construção humana. Esta, quando muito se esforça, chega perto e só. Foi uma alegria para todos nós brasileiros ver o Rio de Janeiro elevado à categoria de Patrimônio Mundial da Humanidade. É a primeira cidade a receber título da UNESCO como Paisagem Cultural Urbana. Campos, através de seus governantes, deveria ter a cabeça aberta (sem a maldita politiquinha) e observar o que tem sido feito de bom pelo poder público municipal nas últimas décadas na capital. Perder tempo, patrimônio e recursos, no delírio de querer inventar a roda, é historicamente imperdoável. Se adotassem uma postura mais humanizadora, não teriam acabado de destroçar o tão simpático Pavilhão de Regatas com o medíocre propósito de colocar uma parada de lotação particular, naquele que é o filé mignon da cidade, o rio Paraíba do Sul. Deixo aqui o registro que fiz quando de meu último fim de semana no Rio de Janeiro. Foi sábado de dia claro, na Lagoa Rodrigues de Freitas, zona sul da cidade. [caption id="attachment_4192" align="aligncenter" width="500" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_4193" align="aligncenter" width="500" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_4194" align="aligncenter" width="500" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption] [caption id="attachment_4195" align="aligncenter" width="500" caption="ft. Luciana Portinho"][/caption]

 

   
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HIPOCRISIA
01/07/2012 | 19h05
O QUE É... HIPOCRISIA Max Gehringer* [caption id="attachment_4184" align="aligncenter" width="500" caption="Salvador Dali, pintor surrealista, 1904/1989. "][/caption]

Três Esfinges de Bikini. 1947. Óleo sobre tela, 30 x 50 cm. Galerie Petit, Paris.

É representar um papel levando em conta as prioridades pessoais Fábula à grega em dois atos. Personagens: o Gafanhoto Estressado e a Aranha Bem-Intencionada. Cena um: o Gafanhoto tenta convencer a Aranha de que um colega de trabalho dos dois, o Camaleão, é um hipócrita de carteirinha. -- Esse Camaleão é um fingido, Aranha. Sempre mudando de cor conforme a ocasião. -- Mas essa não seria só a natureza dele, Gafanhoto? Ele não foi criado desse jeito? -- Nada! Antigamente, ele fazia o mesmo que nós, dava duro para levar a vida. Depois, virou esse artista em tempo integral, sempre escondido atrás de disfarces e artimanhas. -- Mas por que ele faria isso? -- Para tirar proveito da situação. Ele fica ali, na moita, com aquela cara inofensiva, mas, na primeira oportunidade, abocanha os descuidados. -- Puxa, é verdade. E eu, que passo horas tecendo a minha teia, no maior capricho... -- E eu, que fico pulando de um lado para outro sem parar? É por isso que vivo estressado. Se me distraio, o Camaleão solta a língua e me pega. -- É mesmo. Se você não me abre os oito olhos, eu nunca teria pensado nisso. -- Porque você é singela e bem-intencionada. Sabe como chama o que o Camaleão está fazendo? Competição desleal no ambiente de trabalho! -- Faz sentido. Você é um sábio, Gafanhoto. -- Obrigado, Aranha. Mas o ponto é que não podemos, nunca, confiar no Camaleão. -- Será que não haveria um jeito de neutralizá-lo? Bom, para nosso benefício mútuo, eu acho que tenho um plano infalível. -- Tem? -- Tenho. Escute... Intervalo: se os antigos gregos não tivessem inventado as fábulas, a democracia e a filosofia (e, ademais, sacado que a soma do quadrado dos catetos era igual ao quadrado da hipotenusa), ainda assim eles teriam entrado para a história por sua habilidade para criar palavras. Como "hipotenusa". Ou "hipocrisia", termo que significa "abaixo da decisão". Hipócrita, no teatro grego, era a maneira como o povo se referia ao ator que representava sem nunca tomar decisões sobre o texto. E seu talento estava em convencer a platéia de que ele não era ele mesmo, mas sim aquele personagem ali no palco. Milênios se passaram e não surgiu palavra melhor para definir os hipócritas modernos, que continuam tão dissimulados quanto seus ancestrais. A diferença é que os hipócritas evoluíram. Agora, eles criam seus próprios diálogos. Por isso, no palco corporativo, a sobrevivência profissional depende da sensibilidade para identificar os personagens que estão contracenando conosco. O Estressado, que ninguém aprecia muito, pelo menos é sincero ao manifestar seus sentimentos. O que nem sempre é o caso do colega aparentemente bem-intencionado, em quem depositamos toda confiança e para quem abrimos nosso coração. Cena dois: o Gafanhoto se aproxima para escutar o plano da Aranha. E se enrosca na teia. Imediatamente, ela o pica e começa a embrulhá-lo para o almoço. -- O que você está fazendo, Aranha? Nós não somos colegas e parceiros? -- Não leve a mal, meu caro Gafanhoto, mas essa é a lei aqui da selva: boa intenção é uma coisa e prioridade pessoal é outra...

*Max Gehringer, é administrador de empresas e autor de livros sobre gestão empresarial e carreiras. Foi colunista das revistas Você S.A., Exame e Vip. Hoje escreve para a revista Época e Época Negócios.
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Estraçalhado
01/07/2012 | 17h37
De tão feio o final, foi parar com seus restos mortais por trás do dique, dentro do leito do rio. Ah, se ainda fosse para ser levado inteiro pelas águas, talvez aportasse pelas bandas de São João da Barra e lá novamente elevado à categoria para qual um dia foi erigido. Triste fim, meu caro Pavilhão de Regatas. [caption id="attachment_4175" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Thiago Macedo"][/caption]

 

Passei ontem pela orla de Guarus; junto,  o fotógrafo Thiago Macedo, colega da Folha da Manhã. Entre uma convenção partidária e outra, em ensolarada tarde, inevitável esticar nosso olhar para o outro lado da cidade, em direção à Praça Matriz. Logo nos chama a atenção uma forma de concreto caída na outra margem do Paraíba. Sim, é o que sobrou do descaso das autoridades municipais. Em breve o espaço se prestará como ponto para rentáveis lotadas, ou se preferirem, ‘transporte alternativo’. Alternativo a qual transporte, é uma pergunta, mas, já aí é outro assunto. [caption id="attachment_4176" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Thiago Macedo"][/caption]

 

Pelo que me parece o entorno da Praça São Salvador é tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal. Que nada falou. Cego, surdo e mudo está o outrora atuante Coppam.  
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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