O Brasil não é para principiantes: Lula, líder ou criminoso?
09/11/2019 | 09h46
LulaLivre
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Uma frase comumente atribuída ao compositor Tom Jobim parece ser uma realidade latente: “O Brasil não é para principiantes”. A recente decisão do STF que culminou na soltura do ex-presidente Lula causou reações diversas e — de algum ponto de vista — corretas em ambas as manifestações.
O Supremo determinou o que dizia a constituição. Uma visão garantista que, em geral, fortalece o estado democrático de direito. A carta magna foi seguida e ela deve ser a guia mestre em qualquer democracia que se preze, devendo estar acima de personalismos.
Mas existem custos. A democracia exige esforço e por vezes posições que prejudiquem ou imponham ambiguidades morais devem ser tomadas, por um pacto social invisível, mas presente nas relações políticas, jurídicas e mesmo pessoais.
Ora, é justo que alguém seja condenado ao passar por duas instâncias e no caso específico de Lula, os diversos casos de corrupção envolvendo seus governos, com réus confessos e milhões recuperados, impõe uma enorme dificuldade de crer na sua inocência, ou mesmo “boa intenção”. Moralmente é plausível que ele esteja preso e que criminosos que passem por duas instâncias jurídicas tenham sua prisão determinada. Mas não é o que diz nossa constituição.
A política nacional sofrerá consequências visíveis com o ator Lula de volta ao tablado. E não vai ser para principiantes. Toda retórica “LulaLivre”, a estratégia de não sair da prisão ao cumprir os requisitos em setembro e as entrevistas concedidas no cárcere fazem grande sentido político e o líder quase mártir, injustiçado e retirado das eleições, inflará uma oposição que se encontrava perdida, fraca e esvaziada. O caudilhismo está de volta.
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Rafael Diniz é réu em ação popular sobre RPA
06/11/2019 | 09h38
Uma ação popular movida por advogados campistas pede a regularização da contratação pela prefeitura de Campos via RPA - Recibo de Pagamento de Autônomo. A ação foi impetrada na justiça estadual do Rio de Janeiro e distribuída ontem (5) para a 4º Vara Cível em Campos. Entre os pedidos da ação estão a realização de concurso público ou processo seletivo no prazo de 120 dias, inclusão no portal da transparência sobre as contratações e ainda recolhimento de INSS e FGTS para os profissionais contratados via RPA. O advogado Cristiano José Sampaio Neto é autor da ação representado pelos advogados José Guilherme Baars Baptista, Antônio Carlos Dias Vieira, Adilson Rangel e Sara Rocha Ferreira. Como réus figuram o prefeito Rafael Diniz e o município de Campos.
Adilson Rangel, advogado na ação, cita o "grande interesse público" no assunto e a necessidade de uma discussão mais aprofundada sobre o tema – a ação popular requer seja regularizado a forma de contratação além de demonstrar que tem alguns RPAs privilegiados no governo.Além disso, a ação evidencia que não são autônomos no sentido jurídico, mas que são servidores sem concurso, pois tem que cumprir horário, possuem chefia e por isso deveriam ter INSS e FGTS pagos. Não há no portal da transparência informações suficientes o que evidencia o uso político de parte dos RPAs –  explica o advogado.
A ação popular foi proposta pelo advogado Cristiano Sampaio, autuada sob o número 0036691-05.2019.8.19.0014 e  tramita na 4ª Vara Civil em Campos. Entre os pleitos estão o maior detalhamento das informações colocadas à disposição no portal da transparência. Segundo Sampaio, em outubro deste ano o município fez pagamentos para mais de 2000 pessoas a título de “prestação de serviços”. "Para um desses beneficiados, o valor ultrapassou 12 mil reais. Nestes relatórios só existem o nome das pessoas, não havendo número de CPF, local onde trabalham ou sequer o que fazem", cita o autor da ação.
O advogado citou a entrevista concedida pelo ex-secretário do governo Rafael Diniz na FolhaFm, Nildo Cardoso, onde o mesmo afirmou que "30% dos servidores recebem sem trabalhar" e pede na ação que todos os públicos, seja concursados, RPA ou serviço prestado, estejam submetidos à cadastramento biométrico. Sobre a atual forma de contratação, Sampaio diz que os direitos dos profissionais são suprimidos – os contratados sob o regime de RPA em Campos são alijados de todos os direitos, não sendo exagero afirmar que atualmente estão em um “limbo” jurídico, pois, em verdade não são autônomos, nem são contratados pela CLT, assim, não tem o FGTS e INSS recolhidos – finaliza.
 
 
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País, mundo e Campos por Marina
03/11/2019 | 09h13
Marina Silva
Marina Silva / [email protected]
Nas três primeiras décadas do séc. XX Campos dos Goytacazes viveu um ciclo de prosperidade, trazido pelas riquezas produzidas pelo setor açucareiro. De grande extensão territorial e pujança econômica, o município polarizava a região Norte Fluminense, que levava o Estado do Rio de Janeiro, com mais de 27 usinas em produção, a ocupar a segunda posição entre os maiores produtores de açúcar do Brasil, atrás apenas de Pernambuco. O “ouro branco” trazia desenvolvimento. Nos anos 40, o Norte Fluminense acaba perdendo sua posição de destaque para São Paulo. Em 1967, o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) fixa como escala mínima de produção 200 mil sacos de açúcar para cada usina brasileira. Sem os investimentos necessários, muitas usinas fecham suas portas no Rio, restando a região agrária de Campos como um núcleo de produção açucareira.
Segundo o IBGE, Campos possui uma população de 507.000 pessoas e ocupa a 1.427ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 2010, que leva em consideração renda, longevidade e educação dos munícipes. Com a descoberta de petróleo na Bacia de Campos, o “ouro branco” deu lugar ao “ouro negro”. Os royalties, compensações pagas aos municípios produtores, injetou grandes volumes de dinheiro, porém, não deixou legados significativos para o desenvolvimento sustentável de Campos e região, como, por exemplo, a criação de um fundo para atravessar momentos de crise. E a crise se instalou. O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o próximo dia 20 de novembro o julgamento da constitucionalidade da Lei 12.734/2012, que determina novas regras de partilha dos royalties do petróleo, com efeito retroativo a 2013, quando a norma foi sancionada. A alteração no modelo de partilha atual resultaria numa perda de receita estimada em R$ 56 bilhões até 2023. Como cabe retroatividade, o município de Campos poderá ser obrigado a devolver ainda cerca de R$ 2,6 bilhões.
Sobre esses e outros assuntos, ouvimos a presidenciável Marina Silva. Historiadora, professora, psicopedagoga e ambientalista, Marina se tornou uma autoridade mundial quando o assunto é meio ambiente. Na entrevista, ela fala sobre as alternativas ao petróleo, política ambiental nacional e as posições de seu partido, Rede Sustentabilidade, em Campos.
Folha da Manhã – Campos dos Goytacazes já teve mais de 30 usinas de cana-de-açúcar. O chamado “ouro branco” movimentou a planície goitacá, trazendo um grande volume de recursos. Atualmente temos três em atividade [Sapu-caia (Coagro), Tocos e Canabrava]. Qual alternativa socioambiental à produção de petróleo para se retomar uma produção em larga escala?
Marina Silva – Não conheço a situação específica de Campos e vou falar em tese. A mudança da matriz energética é conceitualmente ampla. A geração de energia elétrica e a mobilidade vão sair da dependência dos combustíveis fós-seis com o desenvolvimento tecnológico em várias áreas. Não se trata apenas de substituir um combustível por outro. A energia solar, a eólica, os carros elétricos, que usam biocombustíveis e hidrogênio, são as inovações conhecidas. O programa do álcool merece apoio, sem dúvida, pois tem um papel na redução das emissões de gás carbônico. Mas deve ser combinado com a pesquisa e a inovação também na agricultura, pois as monoculturas sempre empobrecem a biodiversidade e o ideal é buscar formas de produção agrícola que favoreçam a manutenção da biodiversidade e as oportunidades de produção bem distribuídas entre os produtores rurais de vários portes.

Folha – Muito se critica a monocultura. Porém, temos mais de 200 mil hectares de terras agricultáveis, já desmatadas, que outrora eram utilizadas para a cultura de cana-de-açúcar. Como utilizar essa área com as novas diretrizes ambientais, destinando 20% para formação de floresta? Voltar a produzir com tecnologia e realizando contenção de encostas, não seria mais interessante para o meio ambiente do que esses 200 mil ha inativos?
Marina – Claro. Essa inatividade não serve a ninguém. Sempre defendi que houvesse financiamento dos bancos públicos para recuperação de terras degradadas e improdutivas, pois o sistema financeiro brasileiro e a própria legislação sempre financiaram o desmatamento. É importante recuperar a reserva ambiental das propriedades, as matas ciliares dos cursos d’água e usar as técnicas recomendadas para proteção do solo, sem dúvida. Com certeza é melhor recuperar o solo das áreas já desmatadas do que ampliar o desmatamento. No Brasil, segundo dados do ministério do Meio Ambiente, temos 35 milhões de pessoas vivendo nos 1,34 milhão de quilômetros quadrados de áreas suscetíveis de desertificação. E já temos as tecnologias adequadas para recuperar essas áreas: plantio misto, sistemas agroflorestais, agroecologia, são muitas as possibilidades. Mas é preciso atenção e investimento.

Folha – Campos viveu por muito tempo com recursos da arrecadação de impostos gerados pela produção de açúcar, que muitos dizem ser maior que a dos royalties do petróleo por muito tempo. Regiões como São Paulo, Acre, Goiás e Sul têm usinas de cana-de-açúcar. A monocultura da cana prejudica? Existem alternativas?
Marina – A história econômica do nosso país se fez, em grande parte, de monoculturas. Desde as plantações de cana no Nordeste às fazendas de café em Minas e São Paulo, uma riqueza enorme foi gerada. A II Guerra Mundial teve enorme contribuição de apenas um produto da Amazônia, a borracha, ainda que tenha sido produto extrativista. Mas estamos no século XXI, em meio aos avanços da tecnologia, novas fontes de energia, novos arranjos econômicos e, principalmente, diante de uma crise ambiental que está gerando uma grande mudança climática. Devemos fazer um esforço para desenvolver de forma sustentável todas as formas e possibilidades de geração de riqueza. Creio que há uma recuperação possível para a produção de açúcar, que poderia beneficiar Campos e outras regiões que já foram prósperas e produtivas, mas não recomendo que voltemos a ser dependentes de apenas um produto. O futuro está na diversificação.

Folha – O presidente Jair Bolsonaro discursou na ONU (debates gerais da 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 24 de setembro) falando que o Brasil estava “à beira do socialismo”. Ele parece desconhecer os conceitos clássicos do socialismo, doutrina político-econômica baseada na igualdade e no controle dos meios de produção, diminuindo — ou extinguindo — as diferenças de classe. Embora tenha grande importância acadêmica, estudiosos defendem que o socialismo não foi experimentado, de fato, no mundo. A Rede se propõe socialista, ou pelo me-nos próximo a conceitos socialistas?
Marina – Muitas vezes as lideranças políticas fazem discursos destinados a gerar e disseminar sentimentos que convêm aos seus interesses. A criação de situações de medo e a demonização das opiniões dos adversários são estratégias que não têm ética, mas que têm grande poder para jogar milhões de pessoas contra outras. Um presidente da República não deveria agir assim, mas, infelizmente, é o que tem acontecido. A Rede Sustentabilidade procura dialogar com todas as correntes políticas numa postura de respeito. Temos uma visão política alinhada com a teoria do pensa-mento complexo, de Edgar Morin e outros pensadores contemporâneos. Entendemos que a realidade não é bipartida ou polarizada em dois blocos direita/esquerda. E a Sustentabilidade, certamente, atravessa a divisão clássica de classes e setores sociais. Todos precisam de ar puro, água limpa, solo fértil. A sustentabilidade econômica só existe se houver distribuição equânime de riquezas, a cultura precisa ser diversa e respeitada em suas várias identidades para que haja trocas e evolução. Todas essas coisas dependem de uma política ética e democrática. Como você vê, não é possível enquadrar a visão política da Rede em padrões criados no século XIX. As utopias daquela época são importantes, mas hoje já não conseguem responder à complexidade do mundo.

Folha – A política deve necessariamente tratar das questões ambientais, visto as necessidades de produção de alimentos e impactos no clima da ação humana. Porém, sem alterações de formas de consumo e modos de vida, não conseguiremos promover respeito ao meio ambiente. O Brasil deve se posicionar como o dito “pulmão do mundo”? Discursos emocionados como da Greta Thunberg [sueca de 16 anos que discursou na abertura da Cúpula do Clima, na sede das Nações Unidas em 23 de setembro] são muito interessantes, mas não reforçam a imagem de ecologistas carica-tos? A luta não deveria ser mais pragmática?
Marina – O Brasil e particularmente a Amazônia prestam serviços ambientais muito relevantes ao clima do planeta. Mas também é relevante para a produção de chuvas e, por consequência, à produção de alimentos. Quem não vê razões éticas e ecológicas para conservar o meio ambiente deveria ao menos ter o bom senso de aceitar as evidências científicas. A atuação da Greta, uma jovem que se preocupa com risco de extinção da vida em nosso planeta, é legítima e traz uma esperança. Venho falando há 30 anos: as pessoas têm que tomar a defesa do meio ambiente em suas mãos, não podem deixar só a cargo de governos e empresas. Espero que nesta nova geração, que sente seu futuro já comprometido, muitas outras Gretas surjam para nos lembrar das nossas responsabilidades.

Folha – Voltando a Campos e ao Rio, temos um grande recurso natural que é o rio Paraíba do Sul. Um amplo projeto de irrigação, com tecnologia e apoio de órgãos como a Embrapa, seria essencial para o desenvolvimento da região ou os impactos ambientais serão mais danosos que os resultados econômicos?
Marina – Tem que se fazer os estudos de impacto ambiental, não se pode ser a favor ou contra sem informações confiáveis. É claro que o uso da água exige cuidados. Além do uso doméstico, temos a produção agrícola, a indústria, às vezes, até serviços como o turismo, tudo depende de água. Um tipo de uso tem que ser equilibrado para não causar prejuízo aos outros nem custos adicionais à sociedade ou prejuízos à saúde pública. Mas a legislação brasileira já prevê as medidas mitigadoras de impacto e vários outros instrumentos de gestão. É importante conhecê-los e considerá-los. Qualquer projeto com essa magnitude, além dos aspectos econômicos, precisa levar em conta também se há viabilidade social e ambiental.

Folha – O partido Rede Sustentabilidade irá participar ativamente das eleições municipais?
Marina – A Rede vai fazer o maior esforço possível para superar a cláusula de barreira. A estratégia para cumprir essa diretriz nacional será definida em cada estado. Estamos estimulando todos os elos estaduais a fazerem um esforço para, mantendo nossa coerência política e programática, ter candidatos competitivos no maior número de municípios.

Folha – Em Campos, alguma definição partidária já foi decidida?
Marina – A Rede tem um sistema horizontal de decisões, nada é decidido “de cima pra baixo”. As decisões em cada estado e seus respectivos municípios devem passar por amplos debates promovidos pela direção estadual. Como o município de Campos é bastante importante no Estado do Rio, certamente a direção estadual dará atenção grande à eleição de representantes da Rede para a Câmara Municipal dessa cidade.

Folha – A Rede apoiou o atual prefeito, Rafael Diniz [Cidadania], tendo o vereador Marcão [atual PL] como mais votado pela Rede. Após a vitória, o partido se queixa de abandono. Existe demanda judicial que requer o mandado de volta ao partido por infidelidade partidária. Dados os desafios ambientais e econômicos ligados ao agronegócio, Campos deve-ria ter uma representação da Rede mais forte e mais atuante?
Marina – A Rede tem um estatuto que regula essa relação entre o mandato parlamentar e o partido. Ao assinar a ficha de filiação, cada um aceita as regras estatutárias. A direção estadual de cada unidade da Federação tem autoridade para buscar o cumprimento dos dispositivos estatutários. Quanto à representação no município de Campos, ou em qualquer outro, depende da dinâmica social e política local. Nossa representação será tanto mais forte quanto for a atuação do partido e sua organização no nível local, nos diversos segmentos sociais e comunidades.

Folha – Existe a possibilidade de candidatura própria em Campos ou outra cidade de região?
Marina – Essas discussões estão sendo feitas pelo Elo Estadual RJ e serão reportadas à Executiva Nacional ao longo do processo eleitoral. A legislação eleitoral para 2020 permite coligações apenas para as candidaturas majoritárias, as candidaturas proporcionais não terão chapas coligadas. Assim, nossa direção no Estado fará as construções que mais contemplem o programa e a visão política da Rede.
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Bolsonaro X Witzel afeta as eleições de 2020?
30/10/2019 | 14h21
O presidente da república, Bolsonaro, costuma manter o clima de campanha vivo. Ataca constantemente a esquerda e o PT e dá declarações para inflar a militância. Na madrugada dessa terça (29), em uma live transmitida da Arábia Saudita, elegeu o governador do Rio, Wilson Witzel (SPC), como seu potencial adversário em 2022. Bolsonaro atribui a ele o vazamento de informação onde seu nome era citado na investigação do caso Marielle, vereadora do Rio assassinada em março de 2018.
– Acabei de ver aqui na ficha que o senhor (Witzel) teria vazado esse processo que está em segredo de Justiça para a Globo – disse Bolsonaro na transmissão.
Para as eleições municipais do ano que vem, a briga BolsonaroXWitzel já vinha causando conflitos. Com a acusação direta de ontem, o governador do Rio deverá se afastar de vez do bolsonarismo, sendo oposição de fato ao Planalto.
Candidatos a prefeito e vereador que pretendiam se apresentar com a imagem de conservador ou mais “à direita”, que contavam com uma onda eleitoral que parecia ter o governador e o presidente surfando juntos, deverão ter que fazer uma escolha política e rearrumar os arranjos feitos.
O recente racha entre Bolsonaro e seu próprio partido, o PSL, faz ventilar a possibilidade da legenda abraçar o governador Witzel, como candidato em 2022, o que divide a bancada do partido na Alerj e possivelmente altera os arranjos locais nos municípios.
 
 
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"Lula Livre" e Bolsonaro: duas ameaças à esquerda e ao Mercosul
29/10/2019 | 16h09
O ENTITY_quot_ENTITYLula LivreENTITY_quot_ENTITY faz bem a esquerda?
O ENTITY_quot_ENTITYLula LivreENTITY_quot_ENTITY faz bem a esquerda? / [email protected]
Diz a sabedoria popular que um erro não justifica o outro. As recentes declarações de Bolsonaro sobre as eleições na Argentina e a foto do presidente eleito por lá pedindo “Lula Livre”, parecem confirmar o ditado.
No último domingo (27) Bolsonaro afirmou que os argentinos “escolheram mal” e que não pretende cumprimentar o presidente eleito Alberto Fernández. São posições de conflito. O presidente brasileiro já teria dito que detestaria ver a “esquerdalha” de volta ao poder no país de Eva Perón. Reclama de ideologismos pregando justamente outro viés ideológico. Como chefe de estado, Bolsonaro não se comporta à altura, podendo prejudicar relações comercias e diplomáticas, área que se mostra mal assessorado.
Fernández por sua vez publica uma foto, após sua eleição, com correligionários fazendo o gesto do movimento “Lula Livre”, iniciado pelo PT. Erra ao inflar uma ideia que tem algum sentido em terras brasileiras, mas afeta a soberania quando feito por representeante de outro país. Lula foi preso cumprindo todo o devido processo legal. Passou por duas instâncias e teve respeitado o contraditório e a ampla defesa. Caso caiba alguma nulidade ou vício no processo, deve ser discutido pelo sistema judiciário brasileiro – e somente ele.
A narrativa “Lula Livre” impõe a uma parcela da esquerda uma ideologia mofada, anacrônica, que quer colocar o líder carismático e caudilho em um pedestal que não lhe cabe. Para Lula ser o líder de latino-americano dessa parcela que vem perdendo os embates eleitorais pelo mundo, deveria ter aceitado exílio quando foi indiciado, impondo um status de prisão política na prática.
Bolsonaro continua sendo o seu principal adversário. Sua dinastia tosca composta por filhos que causam problemas e provocam a todo momento animosidades contra instituições essenciais a qualquer país democrático, como o congresso e judiciário, acabam por sendo a oposição ideal.
Talvez um erro não justifique o outro. Mas o fato é que a combalida democracia brasileira parece não aceitar mais as barbaridades retóricas do presidente e o insistente "Lula Livre".
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Só mais uma
27/10/2019 | 12h01
Mais do Mesmo
Mais do Mesmo
—Essa é a última, amanhã tenho que acordar cedo.
É a última cerveja que tomou em um bar da Pelinca. O bar é daqueles com mesas na calçada. Achou o atendimento cair muitos nesses últimos tempos. E como é caro! Não que tenha um preço alto, é caro mesmo. A única vista que oferece é dos carros passando, não é climatizado e não tem diferencial nos produtos. É mais do mesmo, com preço de bistrô em Búzios.
— Aliás, em Campos costuma ser assim. As coisas começam até bem, mas vão se transformando em algo pior, uma versão piorada do que já foi um dia. Campos é a cidade do “já foi”.
É possível que ele esteja mais impaciente mesmo. A empresa dele caiu de rendimento consideravelmente nesses últimos meses. Aonde ia aos finais de semana, para fugir do mau atendimento e do “mais do mesmo” já não vai com a mesma frequência. Apesar de a estrada ter melhorado, o Rio está cada vez mais violento.
—Campista tem mania de Rio e Búzios. Acha chique ir nesses lugares. Já vi uma centena de fotos no Parque Lage, sempre a mesma, em mesma posição, no jardim de 1840 do John Tyndale, aquele paisagista inglês.
Ouviu sem retrucar a observação. Achou pedante citar o paisagista, possivelmente tenha lido no Google recententemente. Fez uma autocrítica, mas não alterou muito seu modo de pensar. Sim, já fez a esposa posar para essa foto no Parque Lage, aos pés do Morro do Corcovado. Mas não levou em consideração a mesmice. Achara bonita aquela construção, queria aquele registro.
—Shopping de novo? Não se faz outra coisa nessa cidade?
Dessa vez ele mesmo sabia que estava exagerando na crítica. Sente falta daqueles shows que aconteciam no Jardim São Benedito e no Liceu, música de alta qualidade aos fins de semana; encontrava velhos e bons amigos por lá. Mas embora ainda haja poucas opções de lazer de qualidade na cidade, tem bons cinemas, tem tido boas peças de teatro e no próprio Liceu eventos com cervejas artesanais e tendas dos bons restaurantes da cidade. Estão ficando repetitivos, mas tem tido. Não pôde ir na “Diadorim” de Arlete Sendra, mas soube que foi ótima a peça.
—Também tenho que trabalhar amanhã, mas vamos lá conhecer um bar novo que abriu lá no final da Pelinca. Quer ir?
—Tá, só mais uma então.
 
 
 
 
 
 
 
 
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Doutor Rafael e a saúde
24/10/2019 | 12h17
Um dos setores que mais deu dor de cabeça ao prefeito Rafael Diniz foi a saúde. Sob ameaça de nova greve, dessa vez nos hospitais contratualizados, Diniz enfrenta novamente críticas por sua gestão e pela comunicação do governo, assim como em agosto, na “greve dos médicos”. Dessa vez o motivo do desgaste foi o atraso da complementação municipal paga a esses hospitais, que hoje somam o valor de R$ 15 milhões.
Como adiantou a coluna Ponto Final, as complementações só devem ser pagas quando entrar a próxima Participação Especial, esperada para 10 de novembro.
O remédio para diversas crises têm sido os royalties. O problema é que assim como alguns medicamentos faltam nas prateleiras dos hospitais, esses recursos serão placebos em pouco tempo. O “doutor Rafael” prescreve essa medicação para muitas doenças e, assim como muitos médicos, dá como causa à enfermidade uma virose.
A “virose” que acomete a cidade é grave e real. Mas não pode ser usada para justificar tudo. É necessário ver mais exames para que se chegar a diagnósticos mais precisos. Um bom “doutor” é aquele que escuta o paciente, verifica seu histórico clínico, prescreve o tratamento correto para cada situação.
A saúde continua doente. A greve de agosto expôs a situação dos hospitais públicos da cidade, em relação às condições de trabalho dos médicos e a estrutura como um todo. A greve que se aproxima deverá expor as veias de um outro problema, dessa vez em órgãos auxiliares importantes para o bom funcionamento do organismo da saúde pública em Campos.
Doutor Rafael e a saúde
Doutor Rafael e a saúde
Uma anamnese política bem feita da cidade-paciente deverá chegar à conclusão que as enfermidades já vinham sendo tratadas de maneira errada. Quando o remédio royalties era abundante não fizeram estoque, não organizaram de maneira evitasse desperdícios. Talvez agora não seja justo culpar o médico que está tratando doenças generalizadas, mas o “Doutor Rafael” precisará de médicos auxiliares, enfermeiros, anestesistas e qualquer profissional que possa ficar de plantão, com ponto biométrico ou não, caso queira amenizar a dor do paciente e continuar o tratamento.
 
 
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O "filhismo" no Bolsonarismo e em Campos
22/10/2019 | 18h07
Wladimir, Garotinho, Caio e Arnaldo. Famílias políticas
Wladimir, Garotinho, Caio e Arnaldo. Famílias políticas
Na entrevista que deu ontem na FolhaFM, onde se lançou a prefeito, Roberto Henriques (antigo PPL, em processo de fusão com o PC do B) falou em “filhismo” em uma referência a Caio Vianna (PDT), Wladimir Garotinho (PSD) e Rodrigo Bacellar (SD).
A herança política pode ser uma dádiva ou um fardo. Em Campos o filhismo pode projetar protagonistas eleitorais e, ao mesmo tempo, decretar o insucesso ao final da corrida, pela ampla rejeição e processos acumulados ao longo dos anos pelos “pais políticos”.
Repare bem (parafraseando Ciro Gomes) caro leitor, como pode ser complexa a relação familiar na política. No clã Bolsonaro, o senador Major Olímpio, bolsonarista de carteirinha, disse que os filhos do presidente têm “mania de príncipe”. A deputada Joice Hasselmann , outra bolsonarista convertida (ate então), disparou: “Esses moleques precisam de camisa de força. São um risco para o Brasil e para o mandato do presidente”.
No governo federal os filhos atrapalham um pai governante já desastrado, ao ponto de recomendar que as pessoas defequem em dias alternados, usando outras palavras, em tom, digamos, mais coloquial. O filhismo abala a república. Já levou o presidente a interferir na Polícia Federal, na Receita e no Coaf. Provocou a demissão de dois ministros e impuseram ao vice-presidente uma posição menos importante.

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Em terras Goytacá, pensar em um governo dos “filhos políticos” pode trazer alguns dissabores. Caio, com uma relação conturbada familiar, não se saberá quem governará de fato: pai, mãe ou madrasta. Wladimir, apesar de exercer um bom mandado parlamentar, esbarrará, caso eleito, na figura centralizadora e corrosiva do pai. Rodrigo, carrega a influência do pai Marcos Bacellar, trazendo nebulosidade a um possível governo municipal.
Segundo estudo publicado na revista Galileu, em março deste ano, “um em cada dez líderes vêm de lares nos quais já há fortes laços políticos”. A dinastia palaciana vem deixando cada vez evidente o grito “O rei está nu!”, como no conto de Hans Andersen em “A nova roupa do imperador”. As dinastias campistas lutarão por retorno ao trono, porém para um reinado com sério risco de falência, que não deixará apenas o rei nu.
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Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa
20/10/2019 | 21h41
petroleo_-_recurso_finito.jpg
petroleo_-_recurso_finito.jpg / [email protected]
“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. A frase é comumente atribuída a Walter Barelli, ex-ministro no governo Itamar Franco. Mas foi amplamente incluído no imaginário popular, sendo uma expressão que diz exatamente o que ela quer dizer: uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.
Uma coisa é a dependência dos royalties do petróleo que Campos cultivou nas últimas décadas. A abundância de um recurso sabiamente finito não foi bem aproveitada. Infraestrutura da cidade é precária, transporte público sem qualidade, o principal rio que corta o município, não foi cuidado. As periferias continuaram sem as condições mínimas de qualidade de vida, a educação pública continuou de baixa qualidade e não foram atraídas industrias e empregos à contento. Planejamento municipal de longo prazo foi um palavrão para todos os governos de Campos. Isso é uma coisa.
Outra coisa é a redistribuição dos royalties. Campos pode dormir rica e acordar pobre, como disse o prefeito Rafael Diniz em entrevista à Folha ontem (19). E o pior: poderá ser obrigada a pagar duas dívidas: os royalties recebidos até aqui indevidamente, caso o STF decida pela partilha, e as parcelas da “venda do futuro”, herança dos Garotinhos.
Uma coisa é a cidade estar inerte. E está. A sociedade civil organizada tem se mobilizado pontualmente sobre o assunto, porém em baixa intensidade. A mobilização deve ser não só para pressionar os ministros do supremo para que percebam o mal que poderá ser causado a municípios e estados, trazendo poucos benefícios a outros, mas também para que se criem alternativas para outras fontes de recursos.
Outra coisa é algumas pessoas acharem que a cidade está atenta. Apesar de insistência do poder público e de meios de comunicação, o movimento deve ser encorpado pela sociedade, assim como foi feito pela duplicação da BR-101 e a recente campanha de doação de medula óssea.
O problema é uma coisa passar a ser outra coisa a partir do dia 20 de novembro.
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Falta de apoio da prefeitura foi sentido na campanha de doação de medula
19/10/2019 | 08h31
Fernando Costa - Organizador da Campanha
Fernando Costa - Organizador da Campanha / [email protected]
A campanha “Campos Doe Esperança, Doe Medula” teve início ontem (18), no Ciep da Lapa, das 8h às 16h. A ação se estende até hoje (19), em mesmo local e mesmo horário, recebendo potenciais doadores, através de cadastramento no REDOME – Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea, por equipe do Laboratório de Histocompatibilidade e Criopreservação (HLA) da Uerj. A campanha em Campos cumprirá os dois primeiros passos para o doador de medula óssea, realizando o cadastro no REDOME e coletando de 5 ml de sangue do voluntário. Hoje, a chance de paciente que necessita de transplante de medula, como única forma de cura para sua doença, é de 1 para 100.000, uma vez que é necessário haver compatibilidade genética entre doador e paciente. As campanhas, que ocorrem nacionalmente, buscam reduzir essa proporção.
Cerca de 200 voluntários participam da campanha em Campos, que vem recebendo diversos apoiadores institucionais, da iniciativa privada e da sociedade campista. Atualmente, o Brasil tem 850 pacientes esperando um transplante. Priscila Pixoline, de 34 anos, professora e mãe de Pedro, de um ano e dois meses, foi diagnosticada com Leucemia Linfoide Aguda (LLA) e desde então faz quimioterapia. Patrícia Campos, de 34 anos, e Matheus Morgade, de 19 anos, completam a lista de campistas que tem esperança em achar um doador compatível, sendo o transplante a única forma de cura.
Escolas e Universidades apoiando a Campanha
Escolas da rede particular ajudaram na divulgação da campanha, como fez a Creche Escola Sagrada Família na última quarta-feira (16), que recebeu o coordenador Fernando Costa e Guilherme Trindade, campista doador de medula óssea que salvou uma vida através do transplante há cerca de 2 anos.
No último dia 17 foi a vez do Uniflu, na antiga Faculdade e Direito de Campos, apoiar o evento. Guilherme apresentou para alunos e professores do centro universitário os passos para a doação e deu um testemunho sobre ser um doador e a oportunidade de salvar vidas.
– Eu doei, salvei uma vida, mas também fui agraciado. É transformador poder ser compatível com outra pessoa e saber que um pequeno gesto seu a salvou. O processo de doação não tem risco ao doador, é retirado uma parte de sua medula óssea através de dois processos: aférese ou punção. O meu foi por aférese. É uma decisão médica. O procedimento é praticamente indolor e sem riscos – disse Guilherme na apresentação no Uniflu.
Segundo informação da página da Universidade Estadual do Norte fluminense – Uenf, em rede social, será disponibilizado ônibus para transporte de doadores, que saíra da própria instituição nos dois dias da ação.
A prefeitura de Campos na Campanha
Além do apoio em divulgação, a campanha contou com ajuda financeira de voluntários e empresas que doaram o transporte, alimentação e hospedagem da equipe do HLA que atenderá hoje e amanhã no Ciep. Nas redes sociais conseguiu atrair seguidores e apoiadores nas páginas da campanha.
Segundo fonte, a coordenação da campanha procurou a secretaria de saúde do município em busca de apoio, em mais de uma oportunidade, sem obter resposta. A prefeitura divulgou a campanha em seu site que informa a presença do Hemocentro do Ferreira Machado hoje no local.
O doador Guilherme Trindade fala sobre os apoios e o que viu até aqui:
– A campanha Campos doe Esperança doe Medula deu início de forma independente e assim foi até aqui, sem nenhum tipo de apoio da Secretaria de Saúde do município e consequentemente da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, e foi coordenada e elaborada insistentemente e após inúmeras negativas pelo Fernando, morador de Campos e engenheiro mecânico, motivado pela Leucemia Linfoide Aguda - LLA, que sua esposa Priscila enfrenta no momento. A cura para sua doença está em encontrar um doador compatível com ela, sendo alguém anônimo e fora da família, as chances passar a ser de 1 para 100.000 pessoas. Atualmente no município existem 03 pessoas incluindo a Priscila necessitando de um doador compatível. Ao todo no Brasil existem 861 pessoas aguardando um doador compatível. O Fernando iniciou essa campanha solitário após encarar uma negativa do nosso secretário de saúde em ajudar, e seguiu iniciando um ciclo de apresentações em diversos locais, explicando de forma bastante convincente todo o drama que ele enfrenta ao lado da sua esposa, e através das redes sociais, a campanha também foi ganhando corpo e agregando um corpo enorme de voluntários que se disponibilizaram e abraçaram a causa. A expectativa é avançar a meta de cadastros do estado do Rio e trazer Campos como ponto fixo de cadastro dado o tamanho do município e a distância do Rio que atualmente em todo o estado é o único ponto de cadastro, tanto no Inca quanto no Hospital Pedro Ernesto. O ciclo de apresentações incluiu além do Fernando, depoimentos do Guilherme que é cidadão campista e já doou medula e o Vitor também campista e já enfrento uma leucemia, e recebeu a medula compatível através de um doador voluntário do RN o que trouxe grande apoio e credibilidade a campanha. Muitas pessoas que têm maior alcance nas redes sociais também compartilharam a campanha insistentemente, além da imprensa local, rádio, TV, blogs da internet, jornais também difundiram a mensagem a muitas pessoas, o que foi fundamental para que as pessoas começassem a conhecer a importância do cadastro e desta campanha.
Prefeitura responde
Procurada pelo blog, a prefeitura de Campos se posicionou sobre o assunto: “Familiares de pacientes portadores de leucemia e outras doenças hematológicas buscaram a secretaria de Saúde para realização da campanha para cadastramento de doadores de medula óssea, uma vez que a última campanha nesse sentido havia acontecido na cidade em 2008. Diante deste fato, o Hemocentro Regional de Campos fez uma solicitação ao Laboratório de Histocompatibilidade e Criopreservação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) para realizar em Campos uma campanha.
 
No dia 12 de agosto deste ano aconteceu a primeira reunião para tratar do assunto. A convite do Hemocentro, participaram deste encontro representantes de entidades parceiras, do Laboratório da Uerj, representantes da sociedade civil, além de familiares de portadores de leucemia e de outras doenças hemotológicas.
 
O município, diante da realidade financeira atual, prestou apoio através de divulgação em canais de comunicação como o portal oficial e redes sociais. A Fundação Municipal de Esportes (FME) foi acionada para cessão de espaço no evento Federal Kids e a Guarda Civil Municipal (GCM) disponibiliza agentes para segurança no espaço do cadastro”.
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Edmundo Siqueira

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