O controle necessário das fake news
27/05/2020 | 20h07
O uso das redes sociais para se comunicar — muitas vezes dispensando os canais oficiais e a imprensa profissional — é uma das principais características em comum dos líderes da “nova direita”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, principal representante da onda conservadora-liberal, nacionalista e populista que ascendeu no mundo, que inclui Itália, Hungria, Polônia e o presidente brasileiro Bolsonaro, tuitou que pretende “regular fortemente” as plataformas digitais, argumentando que, as mesmas redes que foram essenciais na eleição desses representantes, estariam cesurando vozes conservadoras. O Twitter marcou posts do presidente americano com o alerta de que não poderiam ser confirmadas. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal, através do ministro Alexandre de Moraes, conduz o inquérito que apura fake news. Os alvos desta quinta-feira foram aliados e apoiadores de Bolsonaro.
As eleições brasileiras de 2018 foram marcadas por denuncias de uso e divulgação de fake news de ambos os candidatos que foram ao segundo turno. Bolsonaro teria sido beneficiado por notícias falsas veiculadas por redes sociais que informavam que o candidato do PT, Fernando Haddad seria o criador do “kit gay” ou que o homem que esfaqueou Bolsonaro, Adélio Bispo, era aliado de Lula. Haddad foi acusado de impulsionamento irregular.
No recente episódio do churrasco que o presidente Bolsonaro prometeu promover enquanto o país atravessa sérias restrições de aglomeração por conta do coronavírus, o desmentido e acusação de fake news se deram pelo próprio autor. De consequências bem mais graves, a investigação da Polícia Federal conduzida pelo Supremo, visa comprovar o uso criminoso de notícias falsas para influenciar e conduzir processos e o eleitorado. Roberto Jefferson, ex-deputado federal, Luciano Hang, dono das lojas Havan, Allan dos Santos, blogueiro e a ativista Sara Winter tiveram bens apreendidos por mandados de busca e apreensão hoje. Sara, chegou a dizer que vai "infernizar a vida" do ministro Alexandre de Moraes e que gostaria de “trocar soco” com ele.
A pandemia pode trazer, por necessidade de saúde pública, maior controle das informações veiculadas nas redes sociais. Controle promovido por dispositivos legais e por decisão das próprias empresas de mídia social. Caso se confirme e os dispositivos criem ainda mais mecanismos de controle, políticos que instrumentalizam essas ferramentas serão diretamente afetados. De Trump a Bolsonaro, o principal meio de interlocução com seus eleitores poderá ser um campo minado.
 
Notícias falsas de robôs e tios e tias do Whatsapp e Facebook serão higienizadas pela responsabilidade que o mundo exige com o covid-19?
 
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Mobilização do setor cultural em Campos para aprovação de Projeto de Lei
25/05/2020 | 12h41
Teatro Trianon
Teatro Trianon
O Congresso Nacional deverá votar, a partir desta terça-feira (26), a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial para os trabalhadores informais e mais vulneráveis, em razão da pandemia do coronavírus. Apesar da sinalização positiva do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), ele alerta que será necessário avaliar a origem dos recursos para o pagamento do benefício. Entre os Projetos de Lei (PL) que poderão ser aprovados nesta semana, está o PL 1075/20, que cria ações emergenciais destinadas ao setor cultural. A chamada Lei de Emergência Cultural, foi proposta em março, por 31 deputados de 14 estados e por 8 partidos, mas ganha fôlego com a mobilização do setor cultural.
 
 
Entre as principais medidas, o projeto prevê um salário mínimo para toda a cadeia de trabalhadores da cultura. Alinhado com o alerta do presidente Maia, a proposta prevê uso de recursos do Fundo Nacional da Cultura (FNC) e de 3% da arrecadação das loterias federais. O projeto também prevê contrapartida dos artistas beneficiados, incentivando a produção online. Pede ainda que os recursos do Fundo Setorial do Audioviual sejam liberados imediatamente e o desbloqueio de vetos de emendas destinadas a programas culturais. 
 
A medida de iniciativa do Congresso preenche uma lacuna em relação à ausência de propostas efetivas do poder executivo para auxílio ao setor cultural, fortemente abalado pela crise sanitária. Estudos do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedepar-UFMG) apontam que para cada R$ 1 perdido na cultura, perde-se R$ 1,6 na economia como um todo. O mesmo estudo estima um prejuízo de 11,1 bilhões pela paralisia dos equipamentos culturais.
Conferência virtual e mobilização em Campos
Como forma de mobilizar o setor, foi criado a Articulação Nacional de Emergência Cultural, que une agentes culturais, integrantes do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, ex-gestores do extinto Ministério da Cultura, parlamentares de partidos diversos e comunidade acadêmica.
A conferência do estado do Rio acontece hoje (25), às 20h, com transmissão pelo Instagram e pelo Youtube, nos canais da inciativa “Emergência Cultural”. Foram abertas inscrições para 250 participantes e a transmissão será aberta para o público.
Em Campos, pessoas e instituições ligadas à cultura mobilizam através das redes sociais a participação na conferencia virtual. Entre outras, as instituições Conselho de Cultura, Museu de Campos, Arquivo Público e Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima manifestaram-se através de seus presidentes e diretores.
Muitas vezes com uma compreensão limitada por parte da sociedade, até mesmo dos próprios agentes culturais, o potencial da cultura para contribuir na construção de soluções frente à maior crise de saúde que enfrentamos em mais de cem anos, não é considerada com a devida importância. Esse cenário pretende ser alterado em iniciativas como o Projeto de Lei 1075/20. 
 
Conselho Municipal de Cultura de Campos, presidente Marcelo Sampaio – "Total apoio para que o Projeto de Lei 1075 seja urgentemente votado e aprovado pela Câmara dos Deputados federais. A cultura importa e muito!"
 
Arquivo Municipal Waldir Pinto de Carvalho, diretora Rafaela Machado – "Amanhã acontece a conferência organizada por representantes do Estado do Rio, assim como de outros estados, através da internet, para dialogar, debater e esclarecer alguns temas a respeito da Lei de Emergência Cultural e da sobrevivência do próprio setor. Eu acho que Campos e o Norte e Noroeste Fluminense precisam ter uma representatividade grande, que venha dos artistas e dos agentes culturais, mas também daqueles que pensam sobre polícias públicas e culturais. Então, fica aqui meu apelo para que a comunidade acadêmica, vereadores, para quem se pretende se candidatar aos cargos do legislativo, amanhã participem dessa conferência, que vai pensar sobre o hoje e o futuro do setor cultural"
 
Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, presidente Cristina Lima – "A FCJ Oswaldo Lima se incorpora à classe artística na luta pela aprovação do PL 1075/20 Emergência Cultural – Cultura Importa!"
 
 
 
Museu Histórico de Campos, diretora Graziela Escocard – "Meu apoio a Lei Emergencial da Cultura. A Lei 1075/20, a lei que apoia através de um auxílio emergencial, aos trabalhadores do setor artístico. Não só do setor artístico, mas também os ligados à preservação e a cultural de nosso país. Portanto, aqui na fé e na esperança, aguardo que os nossos deputados federais, representando a região, votem sim!"
 
 
 
 
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De Brizola e Darcy a Garotinho e Crivella. O que acontece no Rio?
24/05/2020 | 21h51
Nos Tempos da Guanabara - Uma História Visual
Nos Tempos da Guanabara - Uma História Visual / Assessoria de Imprensa e Divulgação do Governo Carlos Lacerda
O acontece no Rio? O Estado é um ente da federação marcado pela diversidade. A capital, sempre alijada do interior, cometendo o erro estratégico não admitido por outros co-irmãos, como São Paulo, construiu sua imagem e a nutriu por possuir uma cultura endógena e revelada, para outros estados e regiões do Brasil, em bases plurais. Pátria do samba, ditador de moda, hábitos e costumes, laicidade orgulhosa — e atacada — difundida por religiões de matriz africana. Estado de grande atividade cultural, “dono” de patrimônio material e imaterial de causar inveja a qualquer cidade francesa, criada e alimentada em mesas de bar espalhadas pela Lapa, pela beira-mar da zona sul e pela alegria da baixada fluminense.
Mas, algo de esquizofrênico existe na capital fluminense. E o resultado dessa patologia social escorre ao interior.
O indivíduo carioca, mitificado pela malandragem e o “jeitinho”, personificação de características do “homem cordial” do historiador Sérgio Buarque de Holanda, sofre politicamente de um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e do pensamento. Muito de seus prefeitos e governadores representaram pouco a cidade. Brizola, governador do estado na década de 1980, dono de um populismo caudilho, embora sofresse de um carisma crônico, como muitos cariocas, não tinha lá muito o “jeitão” da cidade, mais identificado no Rio Grande do Sul, estado que também foi governador, fato único na república brasileira. Brizola ainda personificava o mito populista-salvacionista de cunho nacionalista típico dos anos 30, assim como Garotinho, uma das criações do brizolismo, e um político que representa, esse sim, algumas das características cariocas, boas e ruins. O governador, que faleceu em 2004, chegou a pedir perdão por ter “criado” Garotinho.
Brizola, Darcy e a Uenf
Brizola, Darcy e a Uenf

Mas, Brizola também possibilitou homens públicos como Darcy Ribeiro (ressalvando que Darcy era a muleta intelectual que sustentava Brizola). Outro ponto da esquizofrenia política do Rio. Como é possível o mesmo personagem gerir Darcy e Garotinho?
 
 
Esta falta de identidade política se aprofundou. Hoje o Rio de Janeiro é representado por Marcelo Crivella (prefeitura) e Wilson Witzel (governo do Estado). O primeiro, bispo da Igreja Universal, representa a face da intervenção inconstitucional da igreja no estado. Em uma de suas ações, censurou um livro em plena Bienal. O segundo é autor de declarações como “acertar a cabecinha” de bandidos e de propostas como uso de sniper nas favelas cariocas. Ambos não poderiam ser menos representativos. Ambos não poderiam ser menos aderentes ao progressismo e efervescência cultural do Rio.
A patologia social fluminense reflete da falta de reconhecimento de sua população como um estado único. Desde a Guanabara, a crise de identidade do fluminense provoca atraso econômico e retrocessos políticos. O interior não reconhece a capital, a capital não reconhece seu interior. Como se pode constatar, mesmo sem anamneses mais profundas, ou sessões de psicanalise públicas, o Rio está doente.
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Prefeitura promete volta de parte da equipe do Museu e do Arquivo - Dia Internacional dos Museus, aniversário do Arquivo e resposta da prefeitura - um dia importante para a Cultura de Campos
18/05/2020 | 22h28
Interior vazio do Cine Teatro Trianon - patrimônio campista perdido
Interior vazio do Cine Teatro Trianon - patrimônio campista perdido
Dia 18 de maio de 2020. Um dia para ficar marcado para quem atua, milita ou acompanha a cultura em Campos. Hoje comemora-se o Dia Internacional dos Museus. Este ano, com o tema “Museus para a Igualdade: Diversidade e Inclusão”, definido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a comemorações que são celebradas há 18 anos no Brasil e dedicadas a estes equipamentos culturais, tiveram que se adaptar à realidade da pandemia. Em Campos, os desafios são ainda maiores. Após a prefeitura suspender o contrato dos RPAs, esvaziando praticamente toda equipe do Museu Histórico, as comemorações ganham ar de preocupação. A cultura da cidade tem o 18 de maio marcado também pelo aniversário do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto Carvalho. Este ano, pela primeira vez em seus 19 anos de história, o Arquivo não comemorou seu aniversário. A instituição atravessa o mesmo drama do Museu em Campos. 
Após a veiculação da suspensão das atividades do Museu e do Arquivo (confira aqui) e intensa mobilização do setor cultural na cidade, com campanhas de instituições do setor, universidades, historiadores e pesquisadores e um ofício (veja aqui) enviado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a prefeitura se posicionou. Em resposta ao blog, a presidente da FCJOL (Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima), Cristina Lima, enviou o ofício que expediu como resposta ao IPHAN e informa a recondução de colaboradores ao Museu e ao Arquivo, em caráter de exceção.
O blog, depois da primeira abordagem do assunto, que teve mais de 3.200 interações, dedicou-se à abordagem do tema. A cultura tem sido uma aliada em tempos de pandemia. Os serviços de streaming cresceram mais de 20% desde o início da crise. Livros, peças de teatro, visitações a museus e outras formas de cultura - a maioria de forma virtual - tiveram crescimento em seu consumo.
Em Campos, ambos os aparelhos culturais, Museu e Arquivo, vinham promovendo atividades online com grande audiência e elogiada pelos espectadores via rede social. Mais do que entretenimento, a cultura representa identidade e atua no tecido cultural de uma cidade e do país como um instrumento essencial, principalmente em tempos de crise. Segundo reportagem do O Globo, uma série de pesquisas recentes sobre cidades demonstra que territórios com agenda de ações culturais contínuas criam melhores condições de segurança e de índices econômicos. Além disso, na ausência de instituições do estado, a cultura pode ser um elemento fundamental de mediação social.
Tema ganhou destaque em Campos
Aristides Soffiati, charge de Marco Antonio Rodrigues
Aristides Soffiati, charge de Marco Antonio Rodrigues
A semana começou tendo o assunto em alta. Na segunda (11) o renomado historiador campista, Aristides Soffiati, deu uma entrevista ao programa Folha no Ar, da Folha FM98,3, onde cobrou dos gestores da cultura e do prefeito de Campos uma posição mais clara sobre o fechamento do Museu e do Arquivo. No mesmo dia, ao Blog Opiniões do jornalista Aluysio Abreu Barbosa, o prefeito Rafael Diniz e a presidente da FCJOL, Cristina Lima, falam sobre o assunto e garantem que a suspensão das equipes seria temporária.
 
 
Cristina Lima, presidente de FCJOL
Cristina Lima, presidente de FCJOL
Na quinta (14), foi a vez de Cristina Lima conceder entrevista ao Folha no Ar. O programa, que bateu recorde de interatividade, com participação das diretoras Graziela Escocard (Museu) e Rafaela Machado (Aquivo), inclusive, que enviaram questionamentos à diretora da Fundação que cuida da cultura no município. Cristina reafirmou o caráter temporário dos desligamentos e afirmou que estaria buscando uma solução, através de consenso com a classe cultural, o prefeito e as instituições envolvidas, para uma solução. Este blog abordou as duas entrevistas (veja aqui ).
 
Além do destaque na imprensa campista, instituições ligadas à cultura e ao patrimônio histórico iniciaram campanhas em defesa do Museu e do Arquivo. O Centro Acadêmico de História da Universidade Federal Fluminense, CAHIS UFF, o Conselho Municipal de Cultura e a Associação Nacional de História, Anpuh Brasil foram algumas que se manifestaram. Ao blog, o historiador Hélio Coelho, nome de muito prestígio no meio cultural campista, indicou a divulgação de uma Carta Aberta de sua autoria que tratava do tema. Falaram também outros nomes importantes da cultura local e estadual. O historiador Eugênio Soares, o jornalista Wellington Cordeiro, o reitor da Uenf Raul Palacio e o diretor do Instituto de História da UFRJ, Antônio Jucá.
 
 
 
 
 
O ofício do IPHAN e a resposta da prefeitura – promessa de recondução de parte da equipe
Após o recebimento de ofício da superintendência estadual do Iphan, órgão que cuida nacionalmente dos patrimônios históricos, a prefeitura enviou resposta onde apresenta soluções para a manutenção dos prédios e do importante acervo que eles abrigam.
“Não obstante esse tempo obscuro que passamos, tanto o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho como o Museu Histórico de Campos dos Goytacazes estão com os vigilantes e a Guarda Civil Municipal à disposição para proteção dos prédios históricos. Contudo, por iniciativa do Prefeito Rafael Diniz, o Plano de Suspensão Emergencial foi revisto e autorizado, para os respectivos prédios e acervos, colaboradores que manterão os devidos cuidados com sua manutenção e conservação”, cita o ofício assinado pela presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Cristina Lima.
O blog fez novamente contato com Cristina, que atendeu prontamente, onde garantiu que, alinhada com o prefeito, reconduzirá parte da equipe do Museu e do Arquivo para que sejam mantidas as condições mínimas de manutenção dos prédios e do acervo (perecível em grande parte). A presidente da FCJOL informou ainda que serão direcionados guardas municipais para a segurança e preservação do patrimônio das instituições e que os vigias estão mantidos.
Apesar das soluções parciais, situação do Museu e do Arquivo é preocupante
Apesar da promessa de recondução de parte da equipe, a prefeitura mantinha meses de salários atrasados dos RPAs. Em tempos de pandemia, onde a economia já sofre os efeitos, talvez seja difícil até o transporte das pessoas reconduzidas até seu local de trabalho. Fragilizadas pelo afastamento e pelos atrasos salariais, os colaboradores do Museu e do Arquivo, que receberam treinamento específico para atuar nas instituições, precisarão de apoio para preservar esses patrimônios campistas.
A questão da segurança também é preocupante. O Museu está localizado no Solar do Visconde, prédio tombado pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural), no centro da cidade. Em tempos de isolamento social e com a divulgação que sua equipe estaria afastada, o local pode sofrer vandalismo ou mesmo roubo. O Arquivo, localizado em área rural, no Solar do Colégio, construção tombada pelo Iphan, corre risco pelo afastamento e desocupação da equipe.
Rita Sousa, restauradora do Museu de Campos, treinada por Carlos Freitas, primeiro Diretor do Museu, afastada pela prefeitura.
Rita Sousa, restauradora do Museu de Campos, treinada por Carlos Freitas, primeiro Diretor do Museu, afastada pela prefeitura.
 
 
 
 
 
 
 
Jorge da Paixão, trabalhava no Arquivo Público de Campos desde sua fundação, responsável por abrir e fechar o prédio do Solar todos os dias há exatos 19 anos, afastado pela prefeitura.
Jorge da Paixão, trabalhava no Arquivo Público de Campos desde sua fundação, responsável por abrir e fechar o prédio do Solar todos os dias há exatos 19 anos, afastado pela prefeitura.
 
 
 
 
 
 
 
 

 
Ainda há muito a se fazer pela cultura de Campos. Imprensa, sociedade civil, instituições de ensino, artistas, intelectuais e qualquer cidadão que se preocupa com sua história devem se permanecer vigilantes, participando como fizeram em Campos e cobrando dos entes públicos, de todas as esferas, ações que permitam a manutenção, valorização e preservação de nosso patrimônio histórico cultural, material e imaterial.
Campos, que já foi considerada “capital do intelectualismo fluminense”, sempre foi pulsante culturalmente. O trabalho do Museu e do Arquivo até aqui são exemplos. A cidade abriga construções como o Solar dos Airizes, que tem relevância nacional, e encontra-se em situação de deterioração. Perdeu criminosamente seu majestoso teatro Trianon, outras tantas construções históricas já foram demolidas, está há anos sem seu Palácio da Cultura e abandonou seu Museu Olavo Cardoso. Porém mantém vivo seu Teatro de Bolso, reergueu o Trianon e possui o capital humano necessário para impedir que a cultura seja colocada em segundo plano. Em recente vídeo, o ator da Rede Globo, Lima Duarte, lembrou a peça "Os Fuzis da Senhora Carrar", de Bertolt Brecht e recitou: “os que lavam as mãos o fazem numa bacia de sangue”. A cultura de Campos pode ficar tranquila. Seus integrantes não lavam as mãos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Iphan pede a prefeitura plano de conservação do Museu e do Arquivo
18/05/2020 | 09h53
O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), através da superintendência do Estado do Rio, enviou ofício à Prefeitura de Campos pedindo que se manifeste sobre o fechamento do Museu Histórico de Campos e do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto Carvalho. O documento ressalta a importância desses aparelhos culturais e solicita ao município que envie um “plano circunstanciado de conservação preventiva de ambos os bens e de seus acervos”. O ofício, assinado eletronicamente pelo Superintendente Manoel Vieira, foi emitido nesta sexta-feira (15).
O blog tentou contato com a assessoria de comunicação da prefeitura, mas não obteve resposta. A presidente da FCJOL (Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima) respondeu o contato, onde informa que está em consulta ao setor jurídico da Fundação para reposta ao órgão federal. 
O Museu e o Arquivo sofreram o desligamento de seus quadros funcionais pelo decreto municipal de 6 de maio que suspendeu os contratos dos RPAs e estagiários da prefeitura por conta da pandemia da Covid-19. O corte, temporário segundo a prefeitura, gerou o encerramento das atividades virtuais das instituições e afeta diretamente a manutenção das construções que abrigam o Museu e o Arquivo, Solar do Visconde e Solar do Colégio, respectivamente. A primeira tombada pelo INEPAC - Instituto Estadual do Patrimônio Cultural e a segunda pelo IPHAN. Além das construções históricas, o acervo que é em sua maioria perecível, fica comprometido sem a devida manutenção que vinha sendo executada pelos técnicos contratados via Recibo de Pagamento Autônomo - RPA.
“Preocupa-nos, portanto – além do fim das atividades que vinham sendo desenvolvidas com a comunidade remotamente pela internet, que tem grande valor na manutenção do vínculo dessas instituições com a sociedade mesmo em tempos de isolamento social – que a ausência de um corpo de funcionários com configuração adequada e suficiente para realizar as atividades de conservação preventiva de que necessitam os bens tombados e seus acervos possa comprometer o seu atual estado”, diz o Manoel Vieira, superintendente do IPHAN, através do ofício.
O fechamento desses aparelhos culturais em Campos gerou mobilização do setor cultural da cidade. O assunto foi abordado inicialmente pelo blog, que em sua segunda postagem ouviu historiadores e pesquisadores. Instituições ligadas à cultura e ao patrimônio histórico iniciaram campanhas em defesa do Museu e do Arquivo, tais como o Centro Acadêmico de História da Universidade Federal Fluminense, CAHIS UFF, o Conselho Municipal de Cultura, a Associação Nacional de História, Anpuh Brasil e agora, o IPHAN, se manifestando por ofício.
Ofício do Iphan
Ofício do Iphan
O espaço continua aberto para que a prefeitura informe sobre as demandas pedidas via ofício do Iphan bem como a resposta jurídica fornecida. 
 
 
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Campos pode perder o Solar dos Airizes
15/05/2020 | 18h01
O Solar dos Airizes é uma construção de estilo colonial, localizada na BR356, estrada Campos-Atafona, Localidade de Martins Lage, no município de Campos dos Goytacazes, estado do Rio de Janeiro, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1940 sob o número 177-T-1938, inscrição no Livro de Belas Artes nº 276, de 19/02/1940.
O Solar dos Airizes é uma construção de estilo colonial, localizada na BR356, estrada Campos-Atafona, Localidade de Martins Lage, no município de Campos dos Goytacazes, estado do Rio de Janeiro, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1940 sob o número 177-T-1938, inscrição no Livro de Belas Artes nº 276, de 19/02/1940.
 
Um majestoso solar construído no século XIX, que foi residência do ilustre campista Alberto Lamego, desponta na paisagem de quem transita na BR-356, entre Campos e São João da Barra. O Solar dos Airizes foi o primeiro imóvel tombado em Campos. Por inciativa do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em 1940, o tombamento demonstrou que a manutenção do casarão era de interesse nacional. O purismo arquitetônico e sua imponência fazem do Solar de Airizes um valioso patrimônio campista. Além do – também objeto do tombamento – mobiliário e a pinacoteca de Alberto Lamego, localizada hoje no Museu Antônio Parreiras, em Niterói.
O solar e as “suas” terras foram vendidos pela família Lamego a uma empresa sulista ligada ao ramo imobiliário. Hoje, encontra-se em situação precária. Caso nenhuma intervenção seja proposta e realizada, a probabilidade de o campista acordar com a notícia de que o Solar veio ao chão é cada vez maior. 
O mesmo órgão que realizou seu tombamento na década de 1940, O Iphan, responsável pela preservação e divulgação do patrimônio material e imaterial do país, atravessa um momento de crise. Na última segunda (11) foi nomeada para a presidência da instituição Larissa Peixoto, mulher de um ex-segurança do presidente Bolsonaro e com formação em Turismo e Hotelaria. Sua nomeação foi questionada pelo Ministério Público Federal nesta quarta (13) para que o governo se justifique, uma vez que a nomeação não atenderia aos critérios definidos pelo 9.727/2019: “perfil profissional ou formação acadêmica compatível com o cargo ou a função para o qual tenha sido indicado”.
Uma crise sanitária mundial devastadora, grave crise econômica anterior e prevista, crise institucional e social, presidência do Iphan contestada. Somando-se o recente fechamento do Museu e do Arquivo Público em Campos, pode ser uma tempestade perfeita para a cultura e o patrimônio histórico do município. A ruína do Solar dos Airizes pode ser uma de suas consequências. Principalmente em momentos de grave crise a defesa dos elementos de identidade nacional ultrapassa a questão cultural. Torna-se a uma questão social. Além de ser a preservação do patrimônio, quando bem planejada, possibilitar o desenvolvimento do país, gerar empregos e ser um importante elemento da sustentabilidade de cidades.
Solar dos Airizes
Solar dos Airizes
Solar dos Airizes
Solar dos Airizes
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Fechamento do Museu e do Arquivo não é culpa do coronavírus
14/05/2020 | 14h50
A entrevista da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Cristina Lima, hoje (14) na FolhaFM, repercutiu no meio cultural de Campos. Em sua maioria, negativamente. Como não poderia deixar de ser, após a prefeitura decidir suspender os contratos de toda equipe do Museu e do Arquivo Público. Reconhecido pelo próprio jornalista e âncora do programa, Aluysio Abreu Barbosa, a participação dos ouvintes e telespectadores conduziu a entrevista, que teve grande audiência, principalmente das pessoas ligadas à cultura de Campos.
Apesar de militar há bastante tempo na cultura, com contribuições inegáveis, Cristina culpou muito e solucionou pouco. A situação imposta pelo coronavírus é gravíssima e afeta a economia global. Porém é ainda mais danosa em administrações públicas que já vinham em processo de desorganização institucional e falta de inciativa em soluções para além de recursos oriundos de compensações financeiras. Não foi o covid-19 que determinou o desligamento de todos os RPA´s ou os problemas na cultura. São problemas antigos, vem se arrastando por diversos governos e não foi encarado com a devida responsabilidade pelo atual. Especificamente sobre o Arquivo e Museu, Campos foi a única a fechar esse tipo de instituição nessa crise.
A presidente da FCJOL – e responsável pela cultura no município – ofereceu como alternativa ao fechamento do Museu e do Arquivo o voluntarismo. Embora na cultura muitas ações realmente sejam voluntárias, feitas por pura paixão dos envolvidos, não é possível propor publicamente, ocupando o cargo que ocupa, essa alternativa. Os funcionários dessas instituições receberam treinamento específico (custeados com dinheiro público) e possuem conhecimento acumulado essencial para atuar nesses órgãos. Serem dispensados assim, mesmo que “temporariamente”, afeta todo trabalho desenvolvido até aqui. Pedir que eles continuassem de forma voluntária (que já vinham fazendo, pois estão com salários atrasados) ou substituí-los por voluntários sem treinamento é tão temerário quanto improvável.
Mas Cristina foi além. Disse que não era possível efetuar os pagamentos sem que os serviços estivessem sido prestados. Graziela Escocard, diretora do Museu, comentou na transmissão ao da rádio hoje: “Os RPAs estavam trabalhando sim! Estavam indo até o Museu para manutenção. Claro que nem todos!”. Rafaela Machado, diretora do Arquivo, segue em mesma linha: “A necessidade de manutenção constante e necessária do Solar e do acervo - 600 metros lineares de documentação - demonstram que os RPAS estavam trabalhando sim. Em sistema de rodízio para não colocar a segurança de ninguém em risco. Assim como o fazem Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional. Os acervos são perecíveis. Isso é fato! Não conseguimos parar as consequências desses danos se intervenções não forem feitas. Então, só para registrar que desde meados de março os RPAS do Arquivo não deixaram de trabalhar. Nem eles nem os estagiários - que desenvolviam as atividades on-line em parceria com a equipe”.
Não é hora da crítica pela crítica; é preciso propor soluções 
Na ausência de um diálogo franco e aberto — e direto — com o prefeito Rafael Diniz (única manifestação pública feita aqui) é preciso que a classe se una e proponha soluções. Imediatas e de médio prazo.
Por falta de planejamento, não foram promovidas pelo poder público parceiras com a inciativa privada, perfeitamente possíveis pelo grande interesse e relevância das instituições. De mesmo modo, não foram criadas as condições para que participassem de editais da área, sejam governamentais ou de instituições brasileiras e estrangeiras que fomentem a cultura. E mais grave: não foram direcionados servidores de carreira para esses órgãos, ou criado condições jurídicas para que os funcionários lotados nos órgãos, alguns há mais de 19 anos, fossem protegidos de desligamentos arbitrários e assim garantindo a continuidade e a manutenção necessária.
As soluções não serão simples ou rápidas. Porém a crise exige soluções imediatas. Mas, que não dependam necessariamente de voluntarismo.
Por que não direcionar servidores aos órgãos, previamente discutido e que fossem escolhidos com a participação do Conselho de Cultura e as diretoras, para que lá permaneçam até o fim da pandemia e que recebam treinamento específico para a devida manutenção?
Por que não propor junto ao Conselho de Cultura e outras entidades ligadas à cultura, um corpo técnico-deliberativo com representantes (esses sim, voluntários) que proponham soluções ao caso e ofereça treinamento à equipe provisória?
Por que não determinar à secretaria de comunicação que ofereça suporte e pessoal, sob supervisão das diretoras, para manter as valiosas atividades virtuais desenvolvidas pelo Museu e Arquivo?
Por que não procurar – institucionalmente enquanto poder público municipal – Museus e Arquivos de outros municípios para que cedam em forma de parceria, profissionais que seriam mantidos na cidade, custeado pela prefeitura, enquanto durar a pandemia, evitando o fechamento e detrimento de materiais por falta de manutenção?
Por que não propor a Câmara Municipal discussões para a criação de leis municipais que garantam o funcionamento dessas instituições e a criação ou melhoramento de fundo municipal específico para a cultura. 
Mesmo que a omissão do prefeito e dos vereadores (que apesar de ter cadeira no Conselho de Cultura, representante da Câmara compareceu apenas duas vezes, desde 2017) se justifique por não aderência à causa da cultura, devem fazê-lo por pragmatismo. Pois, como mostrou hoje a considerável participação na entrevista à FolhaFM concedida por Cristina Lima, e reproduzindo a fala do entrevistador, a cultura pode não trazer votos, mas retiram muitos.
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Os ataques à cultura: Alemanha nazista e suas repetições
12/05/2020 | 10h28
Num lugarejo bem perto de Salzburgo — uma cidade austríaca que fica na fronteira com a Alemanha — existia uma mina de sal no ano de 1945 que sua implosão significaria uma tragédia para a humanidade. E por pouco foi implodida, se não fosse um grupo composto por soldados especiais que impediu que ela ruísse. Ali, naquela mina, estavam quase 7.000 obras de elevado valor histórico-culturais. Dentre elas, a Madonna de Bruges, esculpida em mármore por Michelangelo. Além de quadros de Rembrandt. A soma daquelas obras primas não podiam ser medidas com números matemáticos. Eram de valor inestimável.
O tal grupo de "soldados especiais" faziam parte de uma força-tarefa criada por 13 países aliados, em plena II Guerra Mundial, composta por historiadores, intelectuais, arquitetos e artistas que tinham a nobre missão de resgatar arte e cultura das mãos dos nazistas.
Essa é uma história real, que foi contada, com certa leveza e fantasia, no filme dirigido e estrelado por George Clooney, traduzido no Brasil como “Caçadores de Obras Primas”. A ficção se confunde com a realidade e mostra que a Alemanha nazista tinha um planejamento tático para o roubo de obras de arte tão elaborado quanto para as operações militares. O objetivo era uma dominação não apenas política, mas cultural.
Cena do filme, baseado em fatos reais,
Cena do filme, baseado em fatos reais, "Monuments Men", de 2014, dirigido e estrelado por George Clooney / Jornal O Globo
Durante a guerra todos os grandes museus da Europa foram fechados. Levaram 6 anos para reabrirem as portas. A Monalisa e o restante do acervo do Louvre foram escondidos no interior da França, espalhado por várias cidades pequenas, para que não caíssem nas mãos dos invasores. Na Itália, uma bomba que atingiu a igreja de Santa Maria delle Grazie, quase destruiu o painel da Última Ceia, obra icônica de Leonardo da Vinci.
Isso vem se repetindo. Em junho de 2015, o Estado Islâmico explodiu dois templos da Antiguidade na histórica cidade de Palmira. O grupo radical atacou outros tantos monumentos históricos, como o santuário que foi destruído pelo grupo em agosto do ano seguinte, após uma explosão que o deixou em pedaços. Datado dos primeiros séculos da era cristã, Baal Shamin era um dos principais símbolos arquitetônicos do local. Com traços egípcios adquiridos após uma reforma em 258 d.C., havia se tornado uma igreja.
Datado dos primeiros séculos da era cristã, Baal Shamin era um dos principais símbolos arquitetônicos do local. Com traços egípcios adquiridos após uma reforma em 258 d.C., havia se tornado uma igreja.
Datado dos primeiros séculos da era cristã, Baal Shamin era um dos principais símbolos arquitetônicos do local. Com traços egípcios adquiridos após uma reforma em 258 d.C., havia se tornado uma igreja. / Jornal O Globo
Mas, os ataques à arte e cultura não acontecem apenas em tempos de guerra.
O Brasil assistiu recentemente um secretário de Cultura usar em um pronunciamento público, praticamente em sua integridade, um texto do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels. O secretário, escolhido por Bolsonaro, ainda pôs de fundo musical em seu discurso a ópera romântica Lohengrin, composta e escrita pelo alemão Richard Wagner. Wagner era o compositor preferido de Adolf Hitler, que elegeu as narrativas nórdicas do compositor como a trilha sonora da propaganda política de seu regime sanguinário.
“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada.” Discurso de Ricardo Alvim, ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro.
Considerar a cultura, a história, a arte e o conhecimento filosófico-educacional acumulado como perfumaria, assessório ou que podem ser descartados, serem alvo de "desmonte", é um erro político-social grave. Provas inequívocas foram dadas em toda história da humanidade. Governos direcionam esforços monumentais para proteger a cultura — ou para controlá-la — pois sabem da sua importância, sua determinância no processo de identidade de um povo, de uma nação. 
Fechamento de museus e de instituições que mantém vivo o arquivo, o conhecimento histórico, memorialístico e patrimoniais da história, deve ser combatido em qualquer circunstância econômica ou social, sob pena de não continuidade de um trabalho que permite saber que somos e para onde vamos. A própria história nos ensina que mesmo em guerras, a cultura foi protegida a qualquer custo. E esse trabalho apenas cumpre esse papel quando feito por gente com conhecimento acumulado, por equipes especializadas e por amantes de um dos principais elementos da essência humana: a cultura. 
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Salve a cultura - Instituições, intelectuais, professores e historiadores de Campos se mobilizam
09/05/2020 | 16h10
Foi uma semana difícil. Em nota emitida na última quarta-feira (6) a prefeitura de Campos dos Goytacazes — cidade definida como a “capital do intelectualismo fluminense” pelo escritor Horácio Souza em seu livro Cyclo Aureo: Historia do 1º Centenario de Campos, de 1935 — decidiu suspender o contrato de todos estagiários e profissionais contratados sob o regime de RPA (Recibo de Pagamento a Autônomos) do município. A decisão caiu com uma bomba em muitas famílias campistas. Duas delas, sentidas com extrema preocupação por intelectuais, professores, historiadores e gente ligada à cultura em Campos: as famílias do Museu e do Arquivo Público. A cidade perde, com uma “canetada”, a equipe, as ações e a continuidade do brilhante trabalho dessas duas famílias.
Desde a primeira abordagem do assunto (confira aqui), o blog procurou a prefeitura, abrindo espaço para que se manifestasse, através de porta-voz, sobre o caso. Em resposta, a assessoria de comunicação informou que já havia emito nota (íntegra aqui) e que ninguém iria comentar. Na nota, a prefeitura oferece suas justificativas para a suspensão dos contratos.
Em 1834, Campos já tinha um jornal circulando. ‘O Campista’, sob a direção do médico Francisco José Alypio foi a gênese do histórico ‘Monitor Campista’, que nascia em 1846 com sua logomarca em letras góticas, sendo o terceiro fundado no Brasil. A planície Goytacá já demonstrava que seria um berço não só fluminense como nacional, de intelectualidade e cultura. Como alguns exemplos dessa efervescência jornalística e literária campistas, está o jornalista e poeta romântico José Alexandre Teixeira de Melo, o também jornalista e escritor abolicionista José do Patrocínio, o presidente da República nascido em Campos, Nilo Peçanha, além do romancista e contista José Cândido de Carvalho.
O Palácio da Cultura e Casa de Cultura Villa Maria
Campos já havia perdido uma importante “família” na cultura. O Palácio da Cultura idealizado pelo prefeito Rockefeller de Lima na década de 1970, nos moldes do concretismo. Essa família começou quando a Biblioteca Nilo Peçanha já não comportava o acervo e o fluxo de leitores, levando a construção de um monumento arquitetônico voltado para a arte em sua concepção mais ampla. O prédio que seguia as tendências vanguardistas europeias e do movimento modernista e concretista brasileiro em uma área de aproximadamente 9.560 m². O paisagista Roberto Burle Marx foi convidado para projetar o jardim. O Palácio tronou-se tão incrível que foi considerado pela Associação Brasileira de Engenharia como a obra mais importante no Brasil do ano de 1973. Apesar de idealizado por Rockefeller, foi inaugurado pelo prefeito seguinte, Zezé Barbosa, avô do atual prefeito Rafael Diniz. Porém, mesmo com tanta ebulição cultural não foi suficiente para sustentar o ideal e manter o Palácio da Cultura em atividade.
Palácio da Cultura - Monumento cultural em Campos
Palácio da Cultura - Monumento cultural em Campos
Outro exemplo da preocupação de campistas com arte, educação e cultura, o que hoje conhecemos como a Casa de Cultura Villa Maria foi construída em 1918, como um presente de para Maria Queiroz de Oliveira, D. Finazinha. Na ausência de herdeiros, ela deixa a Casa em testamento para a primeira universidade que viesse a instalar-se na cidade. Com a criação da Universidade Estadual Norte Fluminense - UENF, no ano de 1993, a Villa Maria passa a integrar seu patrimônio. Como um de seus filhos, a Fonoteca da Villa foi idealizada pelo antropólogo, escritor e político Darcy Ribeiro, que dá nome à Uenf, inspirada na Fonoteca do Memorial da América Latina, Darcy almejava para o projeto em Campos mesclar lazer, estudo e pesquisa.
D. Finazinha Queiroz - Deixa a Villa Maria para a primeira Universidade instalada em Campos
D. Finazinha Queiroz - Deixa a Villa Maria para a primeira Universidade instalada em Campos
A Villa ainda resiste. Recebe eventos culturais e permanece erguida em um dos locais mais altos e históricos da planície, de onde D. Finazinha estaria em uma de suas janelas olhando com tristeza o fechamento do Museu de Campos e do Arquivo Público.
Muitas outras ações e instituições poderiam ser citadas, como exemplo o importante Museu Olavo Cardoso, que é um misto de museu-casa da cidade. Instalado na antiga residência de Olavo Cardoso, proeminente usineiro e filantropo campista.
Encerramento das atividades do Museu e do Arquivo
Mesmo com a promessa de que tudo voltará ao normal após a crise sanitária do Coronavírus, a preocupação de que muito se perderá com o esvaziamento no Museu e no Arquivo tem fundamento. A exemplo do Palácio da Cultura, que até o momento permanece sem exercer sua nobre função na nobre Avenida Pelinca, essas duas instituições correm sério risco. Os prédios históricos que as abrigam — o Museu no Solar Visconde de Araruama e o Arquivo no Solar do Colégio — perigosamente podem ficar cobertos por tapumes e faixas de interdição.
Criado pela Lei nº 7.060 de 18 de maio de 2001, o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho atua como um dos principais arquivos municipais do país na guarda e preservação de documentos históricos, além de permitir o acesso ao público e desenvolver pesquisas de relevado valor. É preciso ressaltar que “o Arquivo é o que existe dentro dele, ou seja, seu acervo – os documentos, e as vidas que lá estão – as pessoas. Esses profissionais são especiais, pois desenvolvem um trabalho extremamente técnico e qualificado. Há pessoas ali que há 19 anos trabalham com restauração, algo absolutamente delicado e raro”, lembra Rafaela Machado, diretora do órgão.
No Museu Histórico é possível fazer uma viagem por toda a trajetória da cidade. Inaugurado em 29 de junho de 2012 e instalado no Solar do Visconde de Araruama depois de um longo período de reformas, já recebeu cerca de 150 mil visitantes desde sua inauguração. Assim como o Arquivo, o Museu vinha mantendo as atividades on-line a “sistemática realização de exposição temporárias, com temas históricos relacionados à nossa cidade, como forma de atrair o público ao Museu. Agora com a pandemia nossa reinvenção com ações ligadas ao Museu Virtual, falando sobre nosso acervo, através de vídeos, fotos. As lives (bate-papos), em parceria com a Secretaria de Educação e com a Uenf”. Ressalta Graziela Escocard, diretora do Museu.
Rita Sousa (acima), restauradora do Museu de Campos, afastada pela prefeitura e Jorge da Paixão (ao lado de Rafaela Machado), trabalhava no Arquivo Público de Campos desde sua fundação, responsável por abrir e fechar o prédio do Solar todos os dias há exatos 19 anos, afastado pela prefeitura.
Rita Sousa (acima), restauradora do Museu de Campos, afastada pela prefeitura e Jorge da Paixão (ao lado de Rafaela Machado), trabalhava no Arquivo Público de Campos desde sua fundação, responsável por abrir e fechar o prédio do Solar todos os dias há exatos 19 anos, afastado pela prefeitura.
Intelectuais, professores e historiadores ligados à cultura de Campos se manifestam
Campanha da CAHIS UFF
Campanha da CAHIS UFF
Ex-diretor do Arquivo, Carlos Freitas, endossou campanha em favor das instituições criada pelo CAHIS UFF, Centro Acadêmico de História da Universidade Federal Fluminense, onde pede que todos os “estudantes de iniciação científica, recém-formado, mestrando, doutorando, professor doutor que fez ou faz uso do acervo documental e de memória do Arquivo ou do Museu em suas pesquisas, poste um vídeo em suas redes sociais em defesa da memória da cidade e do país”.
Jornalista e presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC), Wellington Cordeiro, nome sempre ligado à ações culturais relevantes na cidade, também vê com preocupação o fechamento. Diz que é mais uma “demonstração de desimportância que é dada à Cultura”.
— O Arquivo Público Municipal e o Museu de Campos são instituições necessárias para dar sentido de pertencimento à população campista, preservando nossa memória e apresentando nossa história. Para além de seus acervos, estão as pessoas que sempre cumpriram com zelo essa digna incumbência. Sem essas pessoas comprometidas, não sobra nada. Espero que após esse período de isolamento, esses profissionais sejam revalorizados em suas funções e, não apenas descartados. É de se destacar que mesmo durante a pandemia, esses espaços culturais se reinventaram e não paralisaram. Veremos se ao término do isolamento, essa equipe que sempre foi muito dedicada, estará de volta. Essa é mais uma demonstração de desimportância que é dada à Cultura.
Reitor da Uenf, Raul Palacio, cita a importância das instituições e comenta sobre a fragilidade imposta pela equipe ser formada exclusivamente pelo regime de RPA. Palacio avalia que em uma eventual volta às atividades, deve ser discutida a realização de concurso público ou relocação de servidores para compor os quadros das instituições.
— Lamentar que tenham sido fechadas essas duas instituições de pesquisa e também de cultura. Em um momento em que mais estamos precisando de pesquisa e cultura. Além disso, eu queria chamar atenção para a fragilidade de como essas instituições funcionam. Se for real que elas funcionam com RPA ou algum tipo de funcionário não fixo, na realidade torna muito frágil a situação dessas intuições que são extremamente importantes. A grande verdade é que deveríamos ter funcionário público concursado o qual teria resguardado o funcionamento dessas instituições. Então, além do fechamento é importante chamar a atenção na fragilidade do ponto de vista de contratação de pessoal que essas instituições funcionam. É importante que na reabertura possa se contratar profissionais através de concurso público, em função da importância que ambas as instituições têm.
O professor, advogado, historiador e escritor Hélio Coelho, ex-presidente da Academia Campista de Letras (ACL), nome de grande relevância na cultura da cidade, emitiu uma Carta Aberta sobre o caso. Helinho, como é conhecido carinhosamente no meio cultural, autorizou a reprodução de parte de seu documento aqui:
— Graziela Escocard Ribeiro e Rafaela Machado, suas Diretoras e equipe, mesmo com prédios fechados, faziam de tudo para que o Sol da Cultura e do conhecimento entrasse no simbolismo dos Solares e afastasse o bolor do obscurantismo irradiando saber e conhecimento para dentro de nossas casas, amenizando as tensões de nosso recolhimento e isolamento. Senhor Prefeito, saúde é muito mais do que ausência de doença no corpo! O senhor seu pai foi um dos mais brilhantes educadores e intelectuais desta Terra, um amante zeloso e cuidador refinado da Cultura e tenho certeza de que em conjunto com a ilustre Professora que é a Senhora sua Mãe, tenho certeza de que lhe transmitiram esses e outros valores, razão do meu espanto e indignação ao tomar conhecimento do que Vossa Excelência acaba de fazer com essas duas grandes instituições e seus zelosos, necessários e reduzidos servidores. Cultura faz bem à alma, alimenta o espírito, fortalece identidades, preserva e dá sentidos à memória, revigora o corpo e a vontade de viver! É uma das dimensões da saúde plena a que todo cidadão tem direito.
O Professor Eugênio Soares, pesquisador do Laboratório de História Regional e Patrimônio (UFF) e do Laboratório de História Regional do Espírito Santo e Conexões Atlânticas (LACES/UFES), autor dos livros “Vivendo em tempos de tirania : a Vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes, tão perto do Rio de Janeiro, tão longe do Espírito Santo (1808-1832)” e “A visita do Imperador”, lembra que os sucessivos governos em Campos deram pouco valor ao conhecimento histórico e que o Arquivo e o Museu cumprem um importante papel nessa tomada de consciência, sendo os guardiões e promotores de nossa memória e história.
— Às vezes, tenho a impressão de que a amnésia coletiva e o esquecimento são um projeto deliberado de sucessivos governos municipais (executivo e legislativo) das últimas décadas. Com raras exceções, a exemplo da boa gestão do médico Edson Batista na Câmara Municipal, as autoridades políticas locais não dão o menor valor a produção do conhecimento histórico, memorialístico e patrimonial. Elas agem como se o presente não trouxesse consigo o passado e as virtualidades do futuro, como se as estruturas que condicionam as nossas vidas surgissem apenas de um aqui agora arbitrário. Nestes termos, vivem sonâmbulos na superfície do eterno presente, pois mal lêem o que é produzido pelos pesquisadores locais (UFF, IFF, UENF, ISEPAM) sobre a relação passado/presente da região. Entendam, o Arquivo Público Municipal e o Museu Histórico cumprem um importante papel nessa tomada de consciência, são os guardiões e promotores de nossa Memória e História. Eu sei que a medida da prefeitura atingiu a vários setores. Sou solidário com todos aqueles que foram lançados à própria sorte nesse momento de pandemia. Porém, é triste perceber que as duas instituições (Arquivo e Museu) sequer possuem um número suficiente de funcionários para tocarem o trabalho adiante quando esse horror terminar. Isso mostra o desprestígio que a sensibilidade e a inteligência gozam em nossa cidade.
Antônio Carlos Jucá, doutor em história pela UFF, diretor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que ação da prefeitura "demonstra uma enorme miopia, e a grande prejudicada será a população campista".
— A suspensão das atividades do Museu e do Arquivo histórico de Campos são um verdadeiro desastre para a história nacional. Campos possui um rico acervo, já utilizado por inúmeros historiadores para melhor compreender tanto a história local quanto a nacional. Com a criação de cursos de história na UENF e, mais recentemente, na UFF, a procura por esses acervos cresceu. É preciso lembrar que as equipes que trabalham nessas instituições são altamente especializadas. Dissolvê-las significa uma enorme perda de conhecimento essencial para o seu funcionamento, tanto nesse momento quanto depois que a pandemia acabar. Demonstra uma enorme miopia, e a grande prejudicada será a população campista.
 
 
 
 
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Museu e Arquivo de Campos perdem toda equipe e suspendem atividades
07/05/2020 | 16h24
Segundo nota oficial da prefeitura de Campos, emitida nesta quarta (06), entrou em vigor o “Plano de Suspensão Emergencial” que suspendeu os contratos temporários de profissionais da educação, de estagiários e dos Recibos de Pagamento a Autônomos (RPAs) de diversas secretarias e superintendências. Ainda segundo a mesma nota, “a medida vale até a normalização das atividades, após o fim da pandemia do coronavírus”. A medida radical foi justificada por queda na arrecadação de “40% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e 20% no Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSqn). Já as receitas oriundas do petróleo acumulam perda de 64% este ano em comparação ao ano passado”.
Embora a situação se mostre caótica, potencializada por uma pandemia que assola o mundo inteiro, as boas práticas de gestão pública vão em direção contrária. Manutenção de empregos é uma das principais. Existem outros cortes que podem ser feitos, como diminuição de salários de prefeito e secretários, recorrer às ajudas financeiras do Estado e do Governo Federal e até o endividamento público. Cortar empregos de colaboradores, sem qualquer aviso prévio, e que já vinham sofrendo com atrasos que, segundo fonte, se perduram por mais de quatro meses, se mostra uma medida contraprodutiva – e covarde.
Duas dessas entidades sentiram fortemente o baque. O Museu Histórico de Campos e o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho tiveram sua equipe cortada em sua totalidade, com exceção das diretoras Graziela Escocard e Rafaela Machado, respectivamente. As unidades vinham desenvolvendo diversos trabalhos de forma virtual e vinham recebendo especialistas da cidade, em história e outros assuntos correlatos, com objetivo de divulgar e valorizar a história de Campos e região. 
— O Arquivo desde o aniversário da cidade passou a realizar lives semanais com temáticas importantes para a história da cidade, sempre com convidados de reconhecimento do meio histórico e acadêmico, entre eles o arqueólogo Luís Cláudio Symanski e a historiadora Lana Lage. Nas últimas semanas, lançou também o podcast Arquivo Conectado, que já figurava entre os mais ouvidos da cidade — relata a diretora do Arquivo, Rafaela Machado. 
Entre a equipe do Arquivo que foi desligada pela prefeitura, está o Sr. Jorge da Paixão, que trabalhava na instituição desde quando o Arquivo foi inaugurado. Responsável por abrir e fechar o prédio do Solar todos os dias, há exatos 19 anos, o Sr. Jorge fala com tristeza do afastamento e diz que espera poder voltar em breve, já que aquela é a sua "segunda casa".
Jorge da Paixão, trabalhava no Arquivo Público de Campos desde sua fundação, responsável por abrir e fechar o prédio do Solar todos os dias há exatos 19 anos, afastado pela prefeitura.
Jorge da Paixão, trabalhava no Arquivo Público de Campos desde sua fundação, responsável por abrir e fechar o prédio do Solar todos os dias há exatos 19 anos, afastado pela prefeitura.
A diretora do Museu, Graziela Escocard lamenta que algumas das atividades on-line podem ser suspensas e diz que seus colaboradores estavam trabalhando e desempenhando funções via home office.
— Gostaria de ressaltar a nossa sistemática na realização de exposição temporárias, com temas históricos relacionados à nossa cidade, como forma de atrair o público ao Museu. Agora com a pandemia nossa reinvenção com ações ligadas ao Museu Virtual, falando sobre nosso acervo, através de vídeos, fotos. As lives (bate-papos), em parceria com a Secretaria de Educação e com a Uenf. Quiz Histórico e as exposições virtuais — diz Graziela.
Rita Sousa é restaurada, treinada pelo Carlos Freitas, foi afastada pela prefeitura no Plano de Suspensão Emergencial.
Rita Sousa, restauradora do Museu de Campos, treinada por Carlos Freitas, primeiro Diretor do Museu, afastada pela prefeitura.
Rita Sousa, restauradora do Museu de Campos, treinada por Carlos Freitas, primeiro Diretor do Museu, afastada pela prefeitura.
Rafaela comenta com muita tristeza sobre o desligamento da equipe e que alguns estavam ali antes mesmo dela. Segundo Rafaela, o corte afetará os trabalhos em andamento e espera que a equipe volte em sua integralidade:
— Durante a suspensão do atendimento ao público, toda a equipe se manteve trabalhando, fosse nas idas constantes ao Arquivo, fosse de casa. A equipe de estagiários passou durante todas essas semanas por treinamentos e cursos, os RPAS se dedicaram a realizar postagens na página do Arquivo com a divulgação de pesquisas com temáticas relacionadas à história e ao patrimônio local e planejaram e executaram a implementação de novos projetos que exploram as mídias virtuais, como o podcast e as lives. Interromper esses projetos é muito triste. No entanto, ainda mais triste é afastar pessoas, mesmo que temporariamente, que estão ligadas profundamente ao Arquivo. Faço questão de ressaltar que o Arquivo é o que existe dentro dele, ou seja, seu acervo – os documentos, e as vidas que lá estão – as pessoas. Esses profissionais são especiais, pois desenvolvem um trabalho extremamente técnico e qualificado. Há pessoas ali que há 19 anos trabalham com restauração, algo absolutamente delicado e raro. 
No Museu Histórico é possível fazer uma viagem por toda a trajetória da cidade. Inaugurado em 29 de junho de 2012 e instalado no Solar do Visconde de Araruama depois de um longo período de reformas, já recebeu cerca de 150 mil visitantes desde sua inauguração.
O Arquivo público tem a função de preservar o patrimônio documental do município. Criado pela Lei nº 7.060 de 18 de maio de 2001, atua como um dos principais arquivos municipais do país na guarda e preservação de documentos históricos, além de permitir o acesso ao público e desenvolver pesquisas de relevado valor.
Em um momento em que muito se perderá e que uma grave crise econômica, prevista por economistas, se aproxima como efeito da pandemia, é preciso proteger e resguardar entidades essenciais. A preservação da história é certamente um desses serviços que deve ser mantido, sob pena de deixarmos de entender a importância da preservação do patrimônio histórico, material ou imaterial. E ainda corrermos o risco de perder parte da memória coletiva e individual, para que possamos compreender o passado e traçarmos o futuro de um determinado grupo social, cidade e nação. Nossa história está diretamente ligada à formação de identidade, formação cultural e econômica de um povo. O foco é o coronavírus e salvar vidas, mas não podemos deixar que tudo se perca nesse caminho, principalmente o essencial e o que não atrapalha – ao contrário – no combate à essa crise.
 
 
 
 
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Sobre o autor

Edmundo Siqueira

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