Magnífico Reitor
15/09/2019 | 22h01
As eleições na Uenf – acusações, réplicas e tréplicas. Diversos profissionais da educação ouvidos para auxiliar na escolha do próximo reitor da universidade. O segundo turno será resolvido na próxima terça-feira (17).
Era um domingo, em meados de agosto. Procurado pela Folha, através deste blog, um dos candidatos a reitor da Uenf estava atarefado. Perguntado se poderia responder algumas perguntas sobre o pleito, ele diz de pronto: Hoje? Mas logo depois se prontifica — Terei prazer em responder, mas precisarei de um tempo — A intenção era publicar na segunda uma entrevista com posicionamentos do candidato. As outras duas chapas concorrentes foram procuradas por mesma via. Uma delas respondeu ainda no domingo: "Vou te passar o contato da assessoria da campanha". Mas também logo aceita responder diretamente — São 21 horas e tudo passa por assessoria, pois temos agenda busy por causa do debate do dia 20 (a universidade promoveu debate entre os concorrentes no dia 21 de agosto, na própria instituição) e três encontros com eleitores amanhã. Podemos programar para o dia 21? — A terceira chapa não respondeu o contato, o que faz depois.
Resultado 1º turno
Resultado 1º turno
As entrevistas foram publicadas. Como forma de manter a equidade, as mesmas perguntas foram feitas. Além das posições escritas, as três chapas puderam se posicionar verbalmente, de forma direta, na rádio FolhaFM. O primeiro turno aconteceu no inicio de setembro, tendo como vencedora a chapa 10, do professor Raúl Palacio, com 41,70% dos votos. Em segundo lugar, um empate: chapa 11 e 12 ficam com exatos 28,52% cada. Pelos critérios de desempate, previsto no estatuto da Uenf, o professor Carlão, chapa 11, vai ao segundo turno.
A campanha neste segundo turno segue em ritmo mais intenso. A chapa 12 se declara neutra. Assim como no primeiro turno, os candidatos são novamente entrevistados na FolhaFM. Defensores e acusadores intensificam postagens em rede social. Na entrevista da rádio, Raúl se posiciona sobre uma matéria, publicada em espaço virtual de baixo conceito na mídia local. O texto de qualidade ruim foi ilustrado com uma foto do ex-deputado federal Paulo Feijó (PR), entre Passoni, atual reitor, e Raúl. Na publicação, o professor é acusado de baixa produção acadêmica.
— A comunidade universitária entendeu que aquilo foi um processo extremamente agressivo. Em relação à foto, a gente foi conversar com o Feijó na tentativa de procurar dinheiro novo para a universidade[...] E por problemas que o Estado do Rio estava passando (na crise de 2017), a gente entendeu a necessidade de procurar emendas parlamentares federais[...] Nosso diálogo é com todos, tanto com a esquerda, quanto com a direita, desde que a Uenf esteja em primeiro lugar como universidade pública, gratuita e socialmente referenciada[...] O que acontece na universidade se discute na universidade e na sociedade. Mas nós temos que discutir com classe. É neste sentido que eu falo da campanha limpa. Nós vamos solucionar esse problema pelas vias normais. Não vai ficar sem resposta, com toda a certeza. Mas agora, neste momento, a gente não quer se concentrar nisso — disse o candidato a reitor.
Carlão, em respeito a necessária equidade jornalística, também foi entrevistado e indagado sobre o mesmo assunto, a matéria sensacionalista que acusava o opositor nas eleições. 
—Primeiro que o artigo não foi escrito por mim. Eu não vou me pronunciar. Eu estava fora (quando a matéria foi publicada) e não tenho um grupo grande para me ajudar. Eu não vou me manifestar. Muitas pessoas me ligaram e disseram que esse negócio iria me prejudicar. Mas o que eu posso fazer? Foi um artigo que não foi escrito por mim. A imprensa tem sua autonomia — responde Carlão.
Frases Raúl
Frases Raúl
Frases Carlão
Frases Carlão
A Folha ouviu diversas pessoas ligadas a Uenf e à educação. Após o fim do primeiro turno publicou, através do blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa, artigos que falavam sobre a universidade, sobre as eleições para a reitoria e o papel do ensino superior público em Campos e no Brasil. Foram publicadas as declarações de Luciane Silva, da Aduenf, Brand Arenari, secretário de Educação de Campos, Jefferson Manhães, reitor do IFF, José Carlos Mendonça, professor da Uenf, Roberto Dutra, também docente da instituição, Arthur Soffiati, professor aposentado da UFF, Gilberto Gomes, presidente do DCE da Uenf e Roberto Cezar, diretor da UFF Campos.
A manifestação do presidente do Diretório Central dos Estudantes - DCE, Gilberto Gomes, gerou polêmica. Questionado por sua parcialidade no artigo escrito à Folha, Gomes reponde em sua rede social iniciando pela frase: “oportunismo, mau-caratismo e o quanto incomoda um estudante com voz”. O estudante repele as acusações e diz ao final:
— É com muita satisfação que percebo o quanto um estudante com voz e espaço para debate pode incomodar os “phdeuses”, que acreditam que um currículo lattes extenso é suficiente para subjugar e silenciar o próximo — Gilberto Gomes em rede social.
No sábado (14) foi oferecido espaço na Folha e no blog Opiniões, o mesmo ofertado ao Gilberto, à estudantes filiados ao PSOL, para que se posicionassem sobre o assunto. A jornalista da Folha Daniela Abreu, que é filiada ao partido, fez o convite em nome do jornal, o que não foi aproveitado por nenhum dos estudantes. O espaço permanece aberto.
As eleições na Uenf seguem de forma democrática, seguindo os ditames do estatuo e sob o comando da Comissão Eleitoral, presidida pelo professor Sérgio Arruda. Arruda falou ao blog neste domingo (15) e faz uma previsão sobre a apuração final do pleito, que tem seu ápice no próximo dia 17 (terça-feira), quando votam os campi Campos e Macaé.
— Ontem, dia 14, foi a eleição nos 11 polos Cederj. As urnas estão lacradas e guardadas. Terça dia 17 vai ser nos campi Campos e Macaé, de 9h às 20h. Depois disso iniciamos a apuração. Deve acabar às 3 da manhã de quarta-feira — Prevê o presidente da Comissão Eleitoral da Uenf.
Cronograma
Cronograma
Votantes 1º turno
Votantes 1º turno
A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro nasce de uma mobilização da sociedade campista organizada conseguiu incluir na Constituição Estadual de 1989 uma emenda popular prevendo sua criação. O movimento envolveu entidades, associações e lideranças políticas. Com a eleição de Leonel Brizola para o governo do Estado do Rio em 1991, o projeto da UENF ganhou novos rumos. Brizola pôs em execução a implantação, delegando ao professor Darcy Ribeiro a tarefa de conceber o modelo e coordenar a implantação, sendo a primeira aula no campus ministrada em 16 de agosto de 1993.
Fausto Carvalho
Fausto Carvalho
O técnico de nível superior da Uenf, o doutor Fausto Carvalho, estava lá. Atuante na Uenf desde sua criação, Fausto coletou assinaturas no centro de Campos para a implantação da universidade. Deseja que as eleições transcorram da melhor forma possível e pede que o futuro reitor saiba dialogar com todos os segmentos.
—Sinto-me orgulhoso de ter participado de um grupo que trabalhou coletando assinaturas no centro de nossa cidade, fazendo um abaixo-assinado para ser levado a Alerj para que fosse colocado, na constituição do Estado, a obrigatoriedade do Governo Estadual de construir em Campos dos Goytacazes uma Universidade Pública. Este sonho dos campistas foi materializado em 1993 com a criação da Fenorte, então a mantenedora da Uenf. Fui contratado no primeiro processo seletivo em 1993, quando iniciamos nossos trabalhos no LMGA/CCTA, mais tarde passando a se chamar LRMGA. No primeiro ano da implantação havia poucos professores e técnicos, mas havia uma relação interpessoal muito boa, com muito entrosamento entre nós, relação está que foi se perdendo a medida que a universidade foi crescendo. Passamos por algumas crises, mas a mais grave e duradoura foi a que ocorreu em 2016/2017, onde tivemos alguns meses com salários atrasados, debandada de alunos e que gerou muita insatisfação entre professores, estudantes e técnicos, resultando na perda de experimentos, pois não havia recursos para aquisição de ração, gases, etc. Vejo com certa preocupação a falta de interesse de alguns pesquisadores em orientar estudantes de iniciação científica, mestrandos e doutorandos, daí o decréscimo no número de publicações e suas consequências negativas para a instituição que tem no seu quadro de docentes somente doutores — Relata Fausto.
A Uenf, cumprindo seu papel institucional, formou diversos profissionais. Egressos da universidade de Darcy hoje ocupam cargos estratégicos na prefeitura. O tripé pesquisa, ensino e extensão, feito em turno integral por discentes e lecionado por professores — cem por cento doutores — de dedicação exclusiva, oferece à região educação de nível superior de alta qualidade.
Fausto encontra-se acidentado e não pode votar no primeiro turno. Ao relatar o fato na publicação deste blog em rede social, disse da dificuldade de locomoção para comparecer ao segundo turno. Em mesma publicação, Arruda, presidente da Comissão Eleitoral informa que mudara o local de votação dos técnicos. Fausto confirma sua participação na próxima terça no campus de Campos. O técnico complementa:
— Penso que a implantação da UENF nesta região trouxe uma oportunidade ímpar para campistas e estudantes de cidades vizinhas, estudar numa universidade pública de qualidade que oferece inúmeros cursos bastante qualificados. O projeto inicial da UENF contemplava a criação de cursos em Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, mas infelizmente está expansão não foi concretizada. Espero que o próximo reitor eleito tenha a capacidade de unir as diferentes correntes existentes e também tenha condições junto com os demais professores de captar recursos fora da universidade, em agências de fomento, na iniciativa privada, etc. Precisamos sim de um reitor que saiba dialogar com todos os segmentos, lutar por uma universidade grandiosa. Uma boa eleição a todos e que vença o melhor.
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Campos é conservadora?
13/09/2019 | 20h14
Sir Winston Churchill, o maior conservador do séc. XX
Sir Winston Churchill, o maior conservador do séc. XX / [email protected]
A França, como de amplo conhecimento, já foi uma monarquia. A realeza francesa, alicerçada no poder da Igreja Católica, tradicional, antiga, sólida e por muito tempo incontestável. Como os israelitas outrora, os franceses constituíam um povo eleito, merecedor e objeto do favor divino. Reis eram ungidos por Deus.
Influenciadas pelo iluminismo, revoluções foram iniciadas. Na França não foi diferente. Sob a tríade idealista Liberté, Égalité, Fraternité a Revolução Francesa forçou a queda paulatina da monarquia, a supressão dos privilégios de nascimento e a separação radical entre as prerrogativas de Deus. Mais do que isso, o sopro revolucionário forjaria uma nova mentalidade tendo a revolução jacobina se tornado o mais importante fato histórico relacionado aquele iluminismo que Kant (filósofo prussiano que morreu em 1804) classificou como “a saída do homem da sua menoridade”.
Conservadorismo clássico
“É impossível estimar a perda que resulta da supressão dos antigos costumes e regras de vida. A partir desse momento não há bússola que nos guie, nem temos meios de saber a qual porto nos dirigimos. A Europa, considerada em seu conjunto estava, sem dúvida, em uma situação florescente quando a Revolução Francesa foi consumada. Quanto daquela prosperidade não se deveu ao espírito de nossos costumes e opiniões antigas não é fácil dizer”. A passagem é da obra Reflexões sobre a Revolução em França, de Edmund Burke (1729-1797). Burke, filósofo irlandês que refletiu sobre a revolução que vivenciara, é considerado por muitos o pai do conservadorismo moderno. Como conservador, por óbvio fazia duras críticas a qualquer revolução e dava valor às tradições e costumes que moldavam a sociedade. Um dos marcos da Revolução Francesa foi queda da Bastilha, construção que servia de prisão/fortaleza, representando o poder da igreja e da monarquia. Sua derrubada consumou o ápice da ruptura psicológica, cultural e política. Mas também representou a violência dos atos revolucionários, que impulsionaram o nascimento de uma visão oposta. A revolução e boa parte dos valores iluministas encontraria inimigo: o conservadorismo.
Burke conseguiu prever que a revolução na França terminaria em um regime autoritário. Ao que parece, as pessoas, em geral, mesmo quando revolucionárias, tendem ao conservadorismo quando chegam ao poder. E por vezes assumem um viés autoritário.
Campos e o conservadorismo
O odontólogo campista Alexandre Buchaul, conhecido por ser - e auto proclamado - conservador, entende que Edmund Burke ainda está certo — Burke estava certo e permanece, sob muitos aspectos, atual. O rompimento promovido pela revolução francesa caminhou para a radicalização cada vez maior e acabou com a decapitação até dos próprios líderes. Talvez tenha sido o período de maior terror já testemunhado pelos franceses — Avalia Buchaul.
Como toda corrente de pensamento, especialmente as filosóficas, sofre críticas e passa por aperfeiçoamentos. O pensamento conservador é acusado de manter desigualdades e aceitá-las bem. Os conservadores, assim como os liberais, elogiam a diversidade mas negam o cosmopolismo; entendem que a formação de uma cultura nacional deve prevalecer. Eles entendem que o papel do estado não deve ser o de promover políticas igualitárias, além da igualdade jurídica. Porém, a práxis mostra que promover uma igualdade político-jurídica de cunho formal não é o bastante, se esta não se concretiza pela igualdade material.
Campos é conservadora? A cidade demonstra conservadorismo em aspectos sociais e econômicos, mas já fez escolhas políticas de ruptura, que derrubaram oligarquias históricas. Segundo avaliação de Buchaul, sim, a cidade tem um conservadorismo arraigado:
Alexandre Buchaul
Alexandre Buchaul
“Campos é uma cidade conservadora. O campista preza pelos valores tradicionais, pela história familiar, pela manutenção das famílias. Somos, nós campistas, majoritariamente cristãos e isso se revela no número de igrejas, na pujança de nossas festas religiosas e nas manifestações populares, o Caminho de Santo Amaro, por exemplo”.
Sobre as críticas ao seu espectro ideológico, o odontólogo explica: “essas críticas têm origem em uma leitura errada do que é ser conservador, não se trata de ser reacionário, tão pouco de ser adepto de uma espécie de imobilismo. Essa leitura, incorreta, vem da ideia, utópica e, portanto, distante da realidade de que é possível uma espécie de igualdade planificada. Conservadores, entendendo ser a realidade, a verdade, capaz de se impor acima de qualquer ideologia, compreendem que "canetadas" serão incapazes de encaixar o mundo na visão ideológica. Assim, ao aceitar certos níveis de desigualdade, compreende que a necessária melhora nas condições de vida das sociedades humanas vem do amadurecimento contínuo, da superação de obstáculos objetivos a essas melhorias”.
Em Campos ou na França as forças políticas são amplas e devem dialogar apesar das diferenças ideológicas. Devem os conservadores e os progressistas responderem à mesma complexidade social. Talvez a evolução das diversas correntes esteja no diálogo, na convergência de ideias e no trabalho em conjunto. De forma reformista ou revolucionária, a tendência ao individualismo deve ser combatida. É preciso que o conservadorismo ensine a não repetir os erros de revoluções passadas. Ao imobilismo e às desigualdades, revoluções. Inclusive as pessoais.
 
 
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Clima eleitoral na Uenf se acirra. Perfis de Raul e Carlão em disputa.
12/09/2019 | 11h20
Raul, Carlão (Fotos de Isaias Tinoco, arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Raul, Carlão (Fotos de Isaias Tinoco, arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Um dos principais instrumentos de uma eleição é o debate político. É essencial para o eleitor avaliar com clareza as propostas e as prioridades de cada candidato. O debate aprimora o sistema democrático.
Ontem (11) e hoje (12) à FolhaFM (aqui e aqui) não promoveu um debate, visto que os dois candidatos a reitor da Uenf não foram submetidos ao mesmo tempo e em mesmo local à sabatina. Porém, quando ofereceu oportunidade igual aos dois personagens, que compõe o segundo turno na eleição na universidade estadual, promoveu um confronto de ideias, perfis e propostas, importantes para a escolha dos votantes.
Raul Palacio sai vencedor do primeiro turno com 41,70% dos votos. Carlão empata com Enrique Medina no mesmo pleito, ambos com 28,52%. Pelos critérios definidos em estatuto, Carlão avança ao segundo turno. Consenso entre analistas políticos, sabe-se que se inicia uma nova eleição quando há segundo turno. Outras posturas dos candidatos se apresentam e parte do eleitor migra seus votos. Raul e Carlão sobem o tom, como também é praxe, principalmente quando o primeiro colocado possui uma margem ampla.
Os candidatos - polêmicas e perfis
Raul foi acusado por um veículo de comunicação da cidade que não dispõe de boa reputação, de baixa produção acadêmica e ligações com políticos. Foi exposto uma foto em que o candidato a reitor aparece ao lado do ex-deputado federal, Paulo Feijó. Carlão, em comentário de rede social, na postagem do blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa, foi acusado de ligação com o PSOL. Mesmo com o tom acusatório externo, os candidatos responderam às acusação no programa da FolhaFM. Sobre a publicação que acusa Raul, Carlão não quis se posicionar, mesmo sendo “favorecido” por ela.
Raul, mais firme e agregador, soube conduzir as acusações. Apresenta mais trato político, transita melhor entre os ambientes e abriria as portas da Uenf à comunidade e à outras instituições. Demonstra que terá melhor capacidade de articulação. Pesa contra ele a aderência à burocracia, junto com o desagaste da gestão atual. É fato que a produção acadêmica do candidato é tímida, possivelmente aquém para um candidato um reitor de uma universidade do porte da Uenf e da qualidade de pesquisa que produz, embora não há esse parâmetro como pré-requisito estatutário para ser regente.
Carlão demonstra estar pressionado. Reage as acusações com mais dificuldade e demonstrou menor pretensão em abrir a universidade e menor habilidade em trabalhar politicamente a Uenf, embora tenha reconhecido o governo estadual como um parceiro necessário à universidade na entrevista de hoje. Por outro lado, tem vasta contribuição, tanto acadêmica, quanto de criação de iniciativas dentro da instituição. É respeitado por sua história e representa o “novo”, já que não está aliado a gestão passada. Carlão produziu pesquisa quando a Uenf passou por dificuldades financeiras sérias no governo Pezão. Fato que atraiu recursos.
A escolha final
O filósofo grego Platão ensina que “não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”. A política é presente em todas nossas ações sociais e devem permear nossa escolhas, principalmente as institucionais. A oportunidade oferecida na rádio permitiu ver perfis diferentes. Caberá a Uenf, através de seus professores, alunos e corpo técnico definir qual destino prefere. Qual perfil se adéqua mais a realidade do campus, qual proposta é mais realizável e qual característica será melhor aproveitada. A eleição cumpre justamente esse papel. Uma escolha.
 
 
 
 
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Frente Parlamentar em defesa da UENF
11/09/2019 | 13h28
Vereadores assinam parceria institucional 
com a UENF, 2016
Vereadores assinam parceria institucional com a UENF, 2016 / Alex Cordeiro
 
 
A Uenf, enquanto universidade pública, sofre restrições orçamentárias e acaba se tornando refém de programas de governo. O que ocorre tradicionalmente no Brasil. Princialmente quando falamos em educação e saúde, estes deveriam ser programas de estado, resistentes a mudanças político-eleitorais.
Em entrevista (aqui) à FolhaFM hoje (11), o candidato a reitor da instituição, vencedor do primeiro turno, Raul Palacio, lembrou os esforços de criação de uma frente parlamentar em defesa da Uenf. O tema possivelmente será tratado também na entrevista de amanhã, quando a rádio do grupo Folha receberá o segundo colocado na disputa eleitoral, Carlão Rezende.
O assunto não é recente. Em 2016, o ainda reitor Luís Passoni, foi à Câmara de Vereadores de Campos, onde deputados e vereadores participaram da sessão do Parlamento Regional. A criação de uma frente parlamentar em defesa da Uenf, bem como a utilização de recursos do Fundo da Assembleia Legislativa (Alerj) para socorrer a universidade, foram o tema do encontro. No mesmo ano, os edis campistas assinaram um acordo de cooperação com a instituição, sendo um desses vereadores o atual prefeito, Rafael Diniz.
 
 
A novidade
O que não era discutido na ocasião foi o papel antagônico da educação – como um todo – em relação ao governo federal. Presidente da república e ministro da educação contingenciaram verbas das universidades públicas, e os campi foram acusados, pelo ministro Abraham Weintraub, de promoverem “balburdia”.
O senso comum nos permite inferir que toda crise é uma oportunidade. O próximo reitor da Uenf poderá fazer do limão uma limonada (outra metáfora popular). Deve o próximo regente da universidade de Darcy Ribeiro dialogar com o governo do estado, por óbvio. Porém a aproximação com o parlamento e o incentivo institucional para a criação de uma fre
Luís Passoni, na câmara de vereadores de Campos - 2016  Reprodução Ascom UENF
Luís Passoni, na câmara de vereadores de Campos - 2016 Reprodução Ascom UENF / André Cordeiro
nte composta por deputados da região aderentes a ideia, pode gerar frutos importantes para a Uenf. O congresso se fortalece em governos fracos ou constantemente envolvidos em polêmicas e escândalos. Os freios e contrapesos da república, na separação de poderes proposta por Montesquieu (1689-1755), deve servir para contrabalancear os desafios que a universidade pública e a pesquisa enfrentarão daqui para frente.
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Quem é mais pesado, Ilsan ou Garotinho?
10/09/2019 | 13h59
Wladimir, Garotinho, Caio e Arnaldo. Famílias políticas
Wladimir, Garotinho, Caio e Arnaldo. Famílias políticas
Dois dos pretensos candidatos a prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT), carregam o peso de seus genitores nos ombros, eleitoralmente. O fardo do ex-governador Garotinho, que teve sua prisão decretada pelo juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos, no último dia 3, recai sobre Wladimir. A ex-vereadora Ilsan Vianna (PDT), é tida como centralizadora e, por muitos analistas políticos, como a “parte ruim” dos governos de Arnaldo Vianna (agora, de volta ao PDT). O receio que ela volte a governar a cidade pela influência que exerce sobre o filho, pesa em Caio.
Garotinho, pai e Wladimir, foi solto um dia após sua condenação, pelo desembargador Siro Darlan, no plantão judiciário da quarta-feira (4), que decidiu conceder liberdade ao casal garotinho (Rosinha também foi alvo da decisão) por entender que não havia provas suficientes de coação. O que é contraditório ao que diz a promotora Simone Sibilio, coordenadora do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo matéria do G1, disse que “é notório o poder dissuasório que os dois réus possuem no município de Campos” e que poderiam “fazer ameaças a testemunhas”.
Ilsan, mãe de Caio, afastada da vida pública desde 2012, polariza uma disputa de poder familiar e político no grupo de Caio. Na última campanha do jovem político, essa polarização pareceu mais evidente quando Arnaldo chegou a dizer que Caio precisaria “estudar mais”. Em 2016 Arnaldo e Edilene, madrasta de Caio, filiaram-se ao MDB e fecham apoio à Geraldo Pudim. No lançamento da campanha de Caio, no mesmo ano, Edilene afirmou que “faltava o pai e o povo” no evento. Para 2020, o candidato do PDT procura, estrategicamente, não trazer a imagem da mãe, Ilsan, para a pré-campanha. Dessa vez se alinha com o pai.
Caso sejam realmente candidatos, Wladimir e Caio precisarão usar uma balança de precisão a cada posicionamento que envolvam pai e mãe, respectivamente. A rejeição aos dois genitores atrapalhará os anseios políticos eleitorais dos filhos. Caso as denúncias graves de corrupção envolvendo o grupo garotista sejam confirmadas, deverá impactar a campanha do deputado Wladimir de maneira agressiva, Mais ainda que uma possível lembrança do perfil político de Ilsan Vianna. De outro lado, a experiência como congressista favorece a imagem de Wladimir, contrapondo com a de Caio que não demonstra experiência pública, ou mesmo na esfera privada. O peso do passado mais uma vez deverá ensinar no futuro.
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O prefeito do Rio e a censura - uma conversa com Sana Gimenes
08/09/2019 | 20h37
Um cidadão alemão que estivesse passeando em uma praça pública, em 10 de maio de 1933, certamente ficara aterrorizado ao ver as pilhas de livros sendo queimados, aos milhares, em diversas fogueiras espalhadas pela Alemanha nazista. Um regime que se pretende autoritário deve, necessariamente, atacar o conhecimento. A cultura de uma forma geral. Imprensa e literatura são alvos preferenciais. O poeta nazista (por mais estranho que possa parecer essa conceituação) Hanns Johst, defendeu as fogueiras literárias, dizendo que havia a “necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura".
Seja nos anos 30, antes ou depois disso, a censura sempre foi uma arma, uma forma de controle. Quando estatal, usa do seu poder coercitivo para exercê-la. Foi o que tentou o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), quando pediu a fiscais da prefeitura que recolhessem na bienal o livro “Vingadores - a cruzada das crianças” por conter, segundo o prefeito, “homotransexualismo”.
Os efeitos jurídicos
O fato gerou grande discussão jurídica. No sábado, o presidente do Tribunal de Justiça, Claudio de Mello Tavares, concedeu liminar favorável à Prefeitura do Rio, permitindo que a publicação fosse recolhida. Depois, cassada pelo STF, por decisão do ministro Dias Toffoli e a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Crivella afirmou neste domingo (8) que recorrerá da decisão.
Política e Religião - o papel do estado
Sana Gimenes
Sana Gimenes
Para entender melhor o assunto, o blog ouviu Sana Gimenes, presidente da Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ) de Campos. Sana considera “bastante equivocada” a decisão do TJ que legitimou a ação de Crivella. Critica a mistura entre religião e política. Advogada, ela lembra que o “estado democrático de direito exige de qualquer gestor comprometimento com a Constituição”.
Confira a (esclarecedora) conversa com Sana Gimenes:
Edmundo Siqueira — O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, pediu a fiscais da prefeitura que recolhessem na bienal o livro “Vingadores - a cruzada das crianças” por conter, segundo o prefeito, “homotransexualismo”. Crivella alega que a prefeitura estaria protegendo as criança do Rio. Campos já sediou varias bienais do livro, você imagina um gestor público de Campos propondo algo parecido? O interior estaria a frente da capital?
Sana Gimenes — Infelizmente temos visto muitos políticos reacionários que inventam determinadas ameaças, como a famigerada ideologia de gênero, como uma forma de promoção eleitoral e para esconder que não tem um projeto consistente de atuação. Muitos deles, inclusive, misturando religião com política. Nosso prefeito é um homem esclarecido e que, apesar de ser muito religioso, entende que a prática republicana exige a separação entre a moral individual e as políticas de Estado. Na sua gestão, inclusive, Campos já avançou muito no que se refere ao tratamento igualitário para a população LGBT. É isso que o Estado Democrático de Direito exige de qualquer gestor comprometido com a Constituição.
Edmundo Siqueira — Nesta sábado, o presidente do Tribunal de Justiça, Claudio de Mello Tavares, concedeu, no início da tarde deste sábado, liminar favorável à Prefeitura do Rio. Na decisão ele se baseia no estatuto da criança e do adolescente e diz: "É inegável que os relacionamentos homoafetivos vêm recebendo amparo pela jurisprudência pátria, notadamente dos tribunais de cúpula (...) Contudo, também se afigura algo evidente neste juízo abreviado de cognição, que o conteúdo objeto da demanda mandamental, não sendo corriqueiro, não se encontrando no campo semântico temático próprio da publicação (livro de quadrinhos de super-heróis que desperta notório interesse em enorme parcela das crianças e jovens, sem relação direta ou esperada com matérias atinentes à sexualidade), desperta a obrigação qualificada de advertências, nos moldes pretendido pelo legislador". Como você avalia a decisão do magistrado?
Sana Gimenes — Com o devido respeito que devemos ter ao Poder Judiciário e seus membros, considero a decisão bastante equivocada. Mesmo que ela própria reconheça que a jurisprudência brasileira ampara os relacionamentos homoafetivos, acaba havendo também uma distinção negativa a esse tipo de relação, já que se quer estabelecer uma advertência na publicação. Se os personagens fossem um casal heterossexual por acaso haveria necessidade de alguma ressalva ou preocupação? Não estamos falando de pornografia, é bom que se esclareça, mas de um simples beijo entre duas pessoas do mesmo sexo.
Edmundo Siqueira — Sua pasta, a Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ), desenvolve ações de proteção ao público infanto-juvenil. Você vê com bons olhos o poder público intervir no que os jovens estão lendo ou assistindo? Isso caberia a família? Ou o estado pode influenciar?
Sana Gimenes — O Estado tem o papel de fiscalizar e garantir que conteúdos adequados sejam distribuídos para as crianças e os adolescentes. Mas essa fiscalização não pode ser condicionada por moralismos, sob pena de, na verdade, se estar impondo uma visão de mundo discriminatória. Os critérios técnicos-científicos de caráter universal devem pautar as ações do Estado. Às famílias cabe o papel de formação moral como, por exemplo, prover uma educação religiosa. Contudo, não existem poderes ilimitados, seja o poder estatal ou o poder familiar, pois isso poderia colocar o bem-estar das crianças e adolescentes em risco.
Edmundo Siqueira — O YouTuber Felipe Neto teria comprado todas as edições da publicação e distribuiu gratuitamente na Bienal. Isso também seria uma forma de influenciar e aumentar o confronto de narrativas? Ou seria válido diante do possível abuso da prefeitura do Rio?
Sana Gimenes — Achei muito válida a iniciativa, ainda que seja muito preocupante que ações individuais como essa tenham que ser realizadas para tentar compensar algum tipo de arbitrariedade do Estado.
Conversas de domingo
Conversas de domingo
 
 
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Vai de preto ou verde e amarelo?
06/09/2019 | 21h02
Amanhã, 7 de setembro, o presidente Bolsonaro dobrará a aposta em seus fiéis seguidores. Na última terça-feira (3) ele pediu, em cerimônia no Palácio do Planalto, que as pessoas vestissem verde e amarelo durante as festividades da independência como forma de mostrar “ao mundo que a Amazônia é nossa”. Bolsonaro cita que o pedido não seria para que as pessoas o apoiassem, mas sim o Brasil.
“Eu sou um nacionalista do fundo do coração”. Essa frase, dita pelo presidente, reflete muito da identidade política do grupo que levou o PSL à presidência da república. O slogan de campanha “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos“ é a prova irrefutável desse viés, além da flagrante confusão com a laicidade do estado. Apesar dos acordos permissivos com a América do Norte, Bolsonaro tenta copiar o ultranacionalismo, quase ufanista, de Trump. Talvez por desconhecimento do que o exagero nacionalista provocou na história mundial.
As comemorações desse 7 de setembro custarão 15% a mais que a última promovida pelo governo federal. Algo em torno 970 mil reais. O que se mostra incoerente com um governo que contingencia verbas da educação e pede sacrifícios previdenciários à população. O pedido presidencial para uso de roupas nas cores da bandeira será uma prova de popularidade e vem após pesquisas que apontam queda de aprovação do governo. Caso consiga adesão significativa, Bolsonaro poderá provar que ainda possui peso político e manterá ativa uma militância histriônica. Caso o verde amarelo dê lugar ao preto, como já pedem grupos em rede social, Bolsonaro poderá repetir outro presidente que precisava de apoio e fez o mesmo pedido: Fernando Collor de Mello. Collor pediu que “as famílias saiam com uma peça de roupa com as cores da nossa bandeira” e queria provar “onde está a verdadeira maioria”. No discurso da última terça o atual presidente lembra seu colega que renunciou em 1992 mas acredita que “não é nosso caso”.
Em um pronunciamento que fará amanhã (7) em rede nacional, Jair Bolsonaro deverá exaltar a soberania nacional e a importância das forças armadas. Deverá contar com o nacionalismo usual. Usar a Amazônia como um 'bem' da nação e eleger inimigos estrangeiros.
A cerimônia contará com mais de três mil homens das polícias militar e federal e usará snipers. O KC390, o super cargueiro da Embraer, está cotado para ser a atração da festa. Restará saber se contará com um Bolsonaro presidente, que ainda não apareceu, ou o Jair da campanha, lugar que não se desvencilhou. De preto ou de verde amarelo, o que o país espera é a independência responsável de um país de grande importância geopolítica.
 
 
 
 
 
 
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Eleições na Uenf: Chapa 12 fica neutra
06/09/2019 | 13h41
Chapa
Chapa "Uenf Renova"- site da Uenf
O primeiro turno das eleições na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - Uenf teve como vencedor o professor Raul Palacio (leia mais aqui), da chapa 10 “Cada vez mais Uenf: Inovadora e Participativa”, que é formada também pela professora Rosana Rodrigues (candidata a vice-reitora). Como seu concorrente para o segundo turno foi escolhido o professor Carlão, da chapa 12 "Avança Uenf", definido na última quarta-feira (04) quando a comissão eleitoral, presidida pelo professor Sérgio Arruda, de acordo com os critérios de desempate definidos no Regimento Interno da Uenf e com parecer da Assessoria Jurídica (Asjur) confirmou o desempate.
Ficou de fora da disputa a chapa 12, “Uenf Renova” do professor Enrique Medina-Acosta, que recebeu os mesmos 28,52% dos votos de Carlão. Em comunicado, a chapa 12 decidiu pela neutralidade, justificando que cabe aos eleitores decidir pela "superioridade" das proposta de cada candidato. Na nota cita que ficou de fora do segundo turno por ser "mais jovem".  Abaixo segue a íntegra da nota emitida pela chapa:
"Prezados membros da comunidade da UENF,
A chapa 12 ‘UENF Renova’ foi constituída por um grupo de pessoas interessadas em propor uma alternativa de gestão inovadora, que melhorasse nossa realidade atual. O resultado do primeiro turno mostrou a validade de nossa proposta, visto que um número expressivo de eleitores votou em nossa chapa, nos colocando junto a outra chapa em segundo lugar.
Somos mais jovens! E esse foi o critério de desempate. Desse modo, nossa campanha terminou. Quanto ao segundo turno, a chapa 12 ‘UENF Renova’ não manifestará apoio a nenhum dos concorrentes, pois é competência dos candidatos convencer os eleitores sobre a superioridade de suas respectivas propostas. Desejamos a nossa comunidade universitária um segundo turno harmonioso e democrático".
Ao blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa  (aqui) Carlã subiu o tom das críticas, aquecendo o debate nas eleições da Uenf que finaliza com a definição em segundo turno, no próximo dia 17. Na entrevista ao Aluysio, o professor dispara sobre a chapa vencedora do primeiro turno:
– Assim, quando vejo a chapa apoiada pelo professor Luís Passoni, que se auto-rotula como sendo a da continuidade, prometendo resolver questões que deveriam ter sido resolvidas por eles ao longo destes últimos quatro anos, me causa um misto de surpresa e indignação. Outro aspecto que nos incomodou bastante foi a prática também alienígena à vida universitária de fazer promessas que se sabe ser incumpríveis apenas para aumentar as chances eleitorais de quem as faz. Nesse sentido, esclareço que a Chapa 11 Avança Uenf: Ciência e Sociedade, não fez e não fará promessas para conquistar votos seja dos estudantes, servidores técnicos ou professores.
 
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Rafael usa hospital particular mas a equipe foi a "pública"
05/09/2019 | 15h36
Rafael Diniz
Rafael Diniz
O prefeito Rafael Diniz sofreu uma cirurgia de emergência ontem (mais detalhes aqui) e escolheu o hospital particular da Unimed para o procedimento.
O fato foi noticiado por meio de comunicado à impressa, emitido pela assessoria da prefeitura. Os comentários feitos em redes sociais, em sua ampla maioria, criticaram a escolha de Diniz em ser operado em rede hospitalar particular. A tônica das críticas – algumas agressivas e descabidas por revelarem “satisfação” com o quadro de saúde do prefeito – seria no sentido de que o antedimento médico deveria ser na rede pública, uma vez que uma das soluções da recente e, amplamente comentada, greve da saúde, teria sido a narrativa sobre os avanços na área, promovidos pela administração de Rafael.
Segundo fonte, a equipe médica que realizou o precedimento cirúrgico foi composta pelos médicos Bruno Cavalho e Vilson Batista e o anestesista José Cláudio Poppe. Bruno atua no Hospital Geral de Guarus e Ferreira Machado, Vilson é da equipe de rotina do HFM. Ambos servidores públicos.
A escolha de Rafael Diniz demonstra que a outra narrativa, imposta pelo próprio movimento grevista terminado no mês passado (31), tem fundamento técnico, além do já visivelmente confirmado por quem usa o serviço público de saúde na cidade. A narrativa dava conta das precárias condições de saúde pública de Campos. Fortalece também o discurso do presidente do sindicato dos médicos (Simec), José Roberto Crespo, dado na entrevista na FolhaFM, no último dia 2, que valorizava a qualidade e dedicação dos servidores públicos da categoria. A cirurgia de Rafael foi realizada pela mesma equipe responsável pelos mesmos procedimentos no HGG e HFM. Mas, talvez, não seja utilizado em rede particular furadeiras da construção civil (relembre aqui).
O episódio demonstra a maldade e falta de humanidade de quem usa politicamente doenças alheias ou torce pela enfermidade de qualquer pessoa, seja pública ou não. Mas lembra as empresas que adoram o liberalismo e o “livre” mercado, mas que recorrem ao estado quando quebram.
 
 
 
 
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Eleições na Uenf: buscando equidade e fugindo de anacronismos
04/09/2019 | 14h13
Raul, Carlão e Enrique (Fotos de Isaias Tinoco, arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Raul, Carlão e Enrique (Fotos de Isaias Tinoco, arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
As eleições na Uenf irão para o segundo turno. O professor Raul Palacio, candidato a reitor pela chapa 10 “Cada vez mais Uenf: Inovadora e Participativa”, recebeu 41,70% dos votos, percentual inferior aos 50% exigidos pelo estatuto da universidade, sendo necessário novo pleito que será realizada no dia 14 deste mês. A outra vaga na disputa será definida no critério desempate entre os outros dois candidatos, os professores Carlão Rezende (chapa 11, “AvançaUenf: Ciência e Sociedade”) e Enrique Medina Acosta (chapa 12, “Uenf Renova”) que empataram, com 28,52% dos votos (leia mais no blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa), que deverá ser definido hoje (04) às 14 horas.
Este blog entrevistou duas das chapas concorrentes, dos candidatos Carlão e Enrique, antes das eleições. O contato foi feito pela mesma via com as três chapas. Na ocasião, foi aberto o espaço para todos os concorrentes e publicado as duas entrevistas que responderam as perguntas enviadas. Na última segunda (02), a chapa “Cada vez mais Uenf", do professor Raul, vencedora do primeiro turno ontem, enviou ao blog suas posições sobre os questionamentos enviados anteriormente. 
A entrevista contendo as mesmas perguntas feitas às outras chapas pode ser conferida aqui, nesta publicação, mantendo a isonomia e equidade necessárias ao jornalismo e buscando manter-se fiel a essas mesmas premissas presentes na linha editorial deste blog e da Folha. A decisão de publicá-la após a eleição se deu para não incorrer em um anacronismo injusto com o processo eleitoral.
Confira a entrevista completa:
Blog - Existe um documento que dá origem a UENF escrito por Darcy Ribeiro em 93, um “Plano Orientador”. Está lá na página 8, ainda em seu preâmbulo, que a UENF “há de ser, no mundo das coisas, tal como a história a fará”. A história da UENF foi escrita corretamente até aqui? Existem correções de rumo?
Chapa Cada vez mais Uenf -A História mudou muito o rumo original da UENF, muitas das ideias originais esbarraram na prática cotidiana. O modelo de gestão e o projeto pedagógico dos cursos de graduação estão entre as maiores modificações feitas. Por outro lado, o grande diferencial da DE permaneceu, esta é a espinha dorsal do modelo, que garante que tenhamos uma comunidade 100% comprometida única e exclusivamente com a Universidade e, a partir desse compromisso, pensar a atualização da universidade frente à realidade. Sempre temos que atualizar e melhorar nossas práticas. Recentemente revisamos o PDI num grande esforço coletivo, envolvendo todos os Laboratórios. Também atualizamos várias legislações internas, com participação ativa dos colegiados, Assessoria Juridica e Auditoria Interna, de modo a melhorar nossas práticas. Muito ainda precisa ser feito, mas o fundamental é que seja feito com a participação da comunidade e respeito aos órgãos colegiados.
Blog - A universidade dialoga com o “mundo das coisas” satisfatoriamente?
Chapa Cada vez mais Uenf - Sim, muitas das pesquisas têm aplicação imediata e principalmente os projetos de extensão, que são muitos, dialogam diretamente com questões práticas.
Blog - Oferece soluções ao cotidiano? Deverá a UENF se aproximar mais com a sociedade?
Chapa Cada vez mais Uenf - Sempre é possível melhorar, mas é inegável que o diálogo com a sociedade tem melhorado também. Mais uma vez, a extensão é a principal forma de interlocução com a sociedade, e a Uenf tem, proporcionalmente, o mais robusto programa de extensão entre as universidades públicas, que a faz presente em toda região e em quase todo o Estado. Também a graduação, presencial e semi-presencial, com participação da UENF em 10 polos regionais do CEDERJ, intensifica esta interlocução.
Blog - Ainda no mesmo documento, foi citado por Darcy que a UENF deveria dispersa-se pela região, implantando centros de ensino nas cidades do Norte Fluminense. Quais empecilhos existem para o cumprimento desse objetivo?
Chapa Cada vez mais Uenf - O grande empecilho existente, que afeta este e outros aspectos do desenvolvimento da UENF, é a falta de maior autonomia. Embora conquistada no parlamento e introduzida na Constituição Estadual, a autonomia de gestão financeira, na forma de duodécimos, ainda não foi aplicada na prática. Nem o governo anterior, nem o atual cumpriram a Constituição, o que deixa claro que os duodécimos foram uma conquista alcançada apesar dos governos e até de alguns grupos internos, que trabalharam contra sua aprovação. Hoje há inclusive uma representação junto ao Ministério Público para obrigar o Governo a cumprir a constituição. Para além dos duodécimos, é preciso também destravar os sistemas de gestão, para que possamos exercer plenamente a execução financeira.
Blog -  Como a UENF pode atuar mais significativamente no desenvolvimento do Norte Fluminense?
Chapa Cada vez mais Uenf -Chegando ao tamanho proposto inicialmente. Hoje a UENF ainda é metade daquilo que deveria ser. Bem como fortalecendo o campus de Macaé e abrindo mais dois campi na região.
Blog - Saindo da estratégia e indo para a práxis do campus, como a chapa buscará solucionar os problemas financeiros da universidade? Como contratar novos professores e oxigenar a academia, incluindo o auxílio à pesquisa, com as dificuldades orçamentárias da UENF, como acontece com outras universidades públicas do país?
Chapa Cada vez mais Uenf - Mais uma vez, a ampliação do conceito da autonomia de gestão, para incluir a vinculação orçamentária, além dos duodécimos e do acesso a todas as funcionalidades dos sistemas de gestão do Estado, pode garantir a capacidade necessária de planejamento para alcançar a solução dos problemas apontados. Foi assim que as estaduais paulistas alcançaram o topo em todas as avaliações que se faça.
Blog - Como a chapa analisa as diretrizes da educação no governo Bolsonaro?
Chapa Cada vez mais Uenf - A única diretriz do Governo Federal parecer ser de acabar com tudo que existe no País. A consequência pode ser o fim do próprio País.
Blog - Muitas declarações do ministro da educação e do próprio presidente antagonizam com o ensino superior público, acusando vocês de ideologismos voltados à esquerda. Como a UENF pode participar desse debate público?
Chapa Cada vez mais Uenf - Participando deste Blog, por exemplo. A UENF também tem participado de debates na Assembleia, no Congresso, na televisão, nos jornais, enfim, temos ocupado cada vez mais espaços, e pretendemos ocupar ainda mais. Mas, é importante que se diga, a Universidade Pública, UENF entre elas, abriga também liberais e direitistas.
Blog - A academia deve sair de suas “bolhas” e ir às ruas dialogar com o homem comum?
Chapa Cada vez mais Uenf - Essa "bolha" não existe. Talvez tenha existido no passado, mas não existe mais. É claro que o diálogo sempre pode melhorar e se intensificar, mas isso já vem ocorrendo, qualquer dúvida pode perguntar a comunidade do entorno a UENF em particular ou a comunidade campista em geral
 
 
 
 
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Sobre o autor

Edmundo Siqueira

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