"EU PROMETO para Campos..." É a economia, idiota!
01/08/2020 | 16h48
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Pouco importa quem são os culpados no desvio da PreviCampos, aludido no relatório da Câmara, lido esta semana. Fazendo uma exceção aos diretamente envolvidos, o que realmente importa para a população é o que a CPI evidencia: o mau (ou criminoso) uso dos recursos públicos e do servidor (ainda mais grave) e o inchaço da máquina pública em Campos.
Aos culpados, o rigor da lei. O caso é grave, mas é preciso que os citados sejam ouvidos, e garantido o direito de ampla defesa e contraditório. Para ser culpado é preciso processo jurídico e o trânsito em julgado.
Fundos de pensão de servidores sempre foram usurpados por toda sorte de malfeitos, infelizmente é uma prática comum de políticos e burocratas corruptos, em várias partes do mundo. Mas em Campos, prender os autores não será o bastante. É preciso combater a causa. Se a CPI foi política ou não, usada com a finalidade de alterar o resultado eleitoral, cabe ao eleitor analisar. Assim como cabe ao munícipe avaliar o que a CPI do legislativo produziu, o que demonstrou.
It's the economy, stupid" (É a economia, idiota). A frase de James Carville, então estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992, deveria ser a resposta para todos os questionamentos de promessas de campanha dos pré-candidatos em Campos. Com orçamento projetado para 2021 de R$ 1,7 bilhão (podendo ser bem menor) e R$ 1,1 bilhão já comprometido com folha de pagamento, qualquer proposta para a cidade deve pensar primeiro em receitas e despesas.
James Carville, cunhou a frase
James Carville, cunhou a frase "It's the economy, stupid", em 92, quando estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton contra George H. W. Bush, presidente dos Estados Unidos na época. / Reprodução
Atacar a despesa da folha de pagamento, que é a bola de ferro no calcanhar da administração municipal, é essencial para qualquer um que sentar na cadeira de prefeito. Em uma cidade que não atraiu investimentos, não se industrializou — e ainda acabou com suas usinas sucroalcooleiras —, não cuida de seu patrimônio histórico para atrair turismo, e com as consequências que isso tudo traz ao comércio, os empregos ficaram muito centrados na prefeitura, inchando a máquina e criando uma intencional dependência.
Soluções? Existem. Endividamento público, atração de investimentos, corte de despesas, redução da máquina administrativa e criação de receitas. Mas é preciso que a vocação do município seja respeitada. E incentivada. O agronegócio e a agricultura familiar podem levar Campos a reconhecer o seu passado e olhar para seu futuro, para quem sabe ser desenvolvida e pungente como o interior de São Paulo, por exemplo.
R$ 5.843.089,37. Foi o orçamento deste ano alocado para a superintendência de Agricultura de Campos. Pasta que sequer possui uma secretaria. O que seria esse valor perto do R$ 1,1 bilhão com pessoal? Como atacar o problema central sem criar receita e reduzir despesa? Como fazer isso sem apoiar o setor agro?
Perguntas que todo pré-candidato a prefeitura deve se fazer. E quem chegar lá, deve responder. Para que não precisemos de CPI, seja eleitoreira ou não.
 
 
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CPI da PreviCampos: Em um jogo de ataques e defesas, situação e oposição falam
30/07/2020 | 21h33
Ao jornalismo se atribui socialmente a função de relatar faces da verdade. O jornalismo profissional —que é essencialmente diferente de publicações virtuais que trabalham sem os parâmetros da verdade e da credibilidade — atua fundamentalmente com fatos. E mesmo com todos os problemas que eventualmente possa apresentar, como falha na apuração ou quando a serviço de interesses políticos — é praticamente impossível considerar a vida em sociedade democrática sem a atuação efetiva da imprensa.
Embora deva perceber a direção de ventos, principalmente de vendavais, o jornalismo não deve se alinhar com a máxima política que diz: “política é como nuvem. Você olha e está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”, definição do falecido ex-governador mineiro Magalhães Pinto.
Uma dessas ventanias foi o relatório da CPI da PreviCampos que foi lido nesta terça (28), fazendo as nuvens do céu político de Campos mudarem bastante nesta semana. Uma dessas mudanças ocorreram no grupo garotista. Depois de antecipado pela Folha e pelo blog Opiniões, de Aluysio Abreu Barbosa, parecia se consolidar a pré-candidatura de Fábio Ribeiro, ex-secretário de Administração de Campos, na gestão Rosinha, no lugar do deputado federal Wladimir Garotinho. Para disputar a majoritária, Fábio seria o nome escolhido após o cálculo político do grupo garotista, que pretendia manter Wladimir em Brasília.
Fábio foi ao Rio, visitar Anthony Garotinho, que sabidamente tem a palavra final no grupo. Wladimir publicou em rede social que não seria hora de individualismos e que deveriam pensar mais no município que em projetos pessoais. A partir desses fatos, a pré-candidatura de Fábio parecia certa. O que motivou um pedido de entrevista deste blog ao Fábio, que prontamente aceitou e declarou exclusividade. Feita a entrevista por telefone e depois de já preparada para publicação o ex-secretário pediu um prazo até ontem, quarta-feira (29), alegando motivos pessoais e familiares. Diante do pedido e das alegações, foi concedido o prazo solicitado, que não condiz com a praxe jornalística, porém havia uma promessa de exclusividade e a possibilidade de fatos novos que contribuíssem com a informação mais factual e verossímil ao leitor, este merecedor de todo respeito.
Após a leitura do relatório da CPI do PreviCampos, pelo relator Cláudio Andrade, foi citado o nome de Fábio Ribeiro, entre outros envolvidos, com “existência de indícios de improbidade administrativa”. O que tornou a entrevista de domingo anacrônica.
                                *Em respeito ao leitor, ao final desta publicação, deixo a entrevista realizada com Fábio no último domingo*.
O relatório da CPI trouxe os fatos ali apurados, e disponibilizou para qualquer munícipe as informações e quem foram os envolvidos. Impactos políticos a CPI fatalmente e factualmente produziu, alterando o tabuleiro e movimentando oposição, situação e os pré-candidatos da cidade.
O blog procurou representantes de diversas correntes políticas, inclusive novamente o ex-secretário Fábio Ribeiro, citado no relatório.
Este mesmo espaço está franqueado aos mencionados aqui, citados no relatório ou qualquer outro ator político que tenha informações a acrescentar. Foram procurados representantes do grupo político de Arnaldo Vianna, inclusive do pré-candidato Caio Vianna, mas não enviaram respostas.
 
Wladimir Garotinho prefere se posicionar atacando o relatório e o próprio relator. Considera que “a CPI da PreviCampos é totalmente eleitoreira”.
"Essa CPI da PreviCampos é totalmente eleitoreira, depois de 4 anos divulgam um relatório na véspera do período eleitoral para servir de cortina de fumaça para um governo medíocre e ser usada para atacar adversários" (Wladimir Garotinho)
 
—O vereador Cláudio Andrade deveria pedir uma CPI para investigar o perdão de 58 milhões dado pelo governo que ele defende para um grupo privado da área de saúde que apoiou abertamente a sua campanha. Enquanto abre mão para os ricos, não paga o salário do povo trabalhador. Essa CPI da PreviCampos é totalmente eleitoreira, depois de 4 anos divulgam um relatório na véspera do período eleitoral para servir de cortina de fumaça para um governo medíocre e ser usada para atacar adversários. Só sabem lamentar e colocar a culpa no governo passado, ninguém aguenta mais isso. Campos merece quem governe olhando pra frente e pensando no futuro. 
Fábio Ribeiro segue a mesma linha, acusando a CPI de eleitoreira e de uma “tentava de iludir a população”, chamando da CPI de “peça de teatro” e culpa a atual gestão.
"Os membros da CPI, na tentava de iludir a população, esqueceram a boa técnica e desrespeitaram a lei" (Fábio Ribeiro)
— O objeto da CPI da Previcampos já foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado e por um Auditoria independente. Assim, qual a finalidade de sua instalação? Impedir a instalação da CPI saúde e servir de palanque eleitoreiro para os seus membros. A PREVICAMPOS possui autonomia administrativa e financeira. Os membros da CPI, na tentava de iludir a população, esqueceram a boa técnica e desrespeitaram a lei. Fizeram do Relatório um panfleto de especulação politica. Assim, a divulgação dessa peça de teatro é prova inequívoca do descaso dos atuais gestores e vereadores governistas com a Saúde de Campos, que pode está matando gente por falta de assistência. Isso nos motiva cada vez mais a continuar a caminhada por uma Campos unida, que ofereça serviços de qualidade para o nosso povo. 
Roberto Henriques, ex-prefeito e pré-candidato a majoritária em 2020, lembra do direito de defesa dos acusados.
"Não devemos condená-los prematuramente, eles tem o direito à ampla defesa que é consagrado através da constituição federal. A palavra agora, depois do relatório, está com aqueles que foram acusados " (Roberto Henriques)
—Eu me recuso a crer que um vereador do parlamento campista, juramentado, e não é um só, são membros de uma comissão, todos juramentados, juraram sob a constituição do município e da federal. Eu me recuso a crer que eles iriam fraudar qualquer tipo de relatório. Eles não podem mentir em apurações acerca de recurso do tesouro público, e nem de outra natureza. Portanto, também reconheço que aqueles que estão sendo acusados como responsáveis ou corresponsáveis, nós não devemos condená-los prematuramente, eles tem o direito à ampla defesa que é consagrado através da constituição federal. A palavra agora, depois do relatório, está com aqueles que foram acusados e a eles devem dar o direito da defesa.
Alexandre Bastos, secretário de Governo de Rafael Diniz rebate o grupo de oposição garotista.
"Os anos passam e esses Garotinhos nunca crescem" (Alexandre Bastos)
— Os anos passam e esses Garotinhos nunca crescem. Ao invés de explicar o absurdo que foi cometido com os recursos dos servidores públicos, eles preferem se vitimizar e colocar a culpa em quem desmascara o modus operandi deles.
 
 
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Entrevista com Fábio Ribeiro que seria publicada no último domingo (26):
Como a Folha e o blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa adiantaram ontem (25) e hoje (26), (confira aqui e aqui) o ex-vereador Fábio Riberio (PSD) poderá assumir a pré-candidatura do garotismo em Campos. Wladimir Garotinho (PSD), filho do líder do grupo, Anthony Garotinho (sem partido), sempre alegou que a concretização de seu nome dependeria de uma decisão do grupo. Não confirmava, mas também não negava que seria o candidato escolhido após as convenções partidárias (que deverão acontecer após 31 de agosto, data definida após o adiamento das eleições municipais deste ano, pela pandemia do coronavírus).
Fábio foi ao Rio de Janeiro ontem e se encontrou com Garotinho e Rosinha. Em suas redes sociais divulgou o encontro, com a frase: “Uma conversa sobre o futuro de Campos sim, mas sobretudo, sobre amizade, lealdade e paz!”. Wladimir não compareceu ao encontro.
Fábio falou ao blog nesta noite de domingo com exclusividade. Animado com o encontro de ontem, que disse ter sido uma oportunidade de “rever grandes amigos que não via há um tempo”, o ex-vereador repete o discurso de Wladimir e não confirma, mas também não nega a possibilidade de disputar em Novembro a majoritária. Fábio diz que o grupo “deixou a vaidade de lado” e que seria muito mais “confortável” ter Wladimir como candidato, mas que poderia ser “melhor para Campos” mantê-lo como Deputado Federal.
Confira a conversa do blog nesta noite, por ligação telefônica, com Fábio Ribeiro:
—Deixamos a vaidade de lado e estamos pensando em Campos. Campos precisa de paz. Precisa de pacificação política. Nossa realidade financeira, política, com uma arrecadação que só cai, e com a pandemia (do coronavírus), precisaremos muito de Brasília e do Estado. A gente (o grupo do garotismo) está conversando muito. Temos hoje um Deputado Federal de Campos eleito, que é o Wladimir, temos outro, mas exerce o mandato ocupando a cadeira deixada por um deputado que participa de um governo (do governador Wilson Witzel) que está prestes a implodir. Campos vai precisar dessa união. E precisa de um representante legítimo em Brasília.
Wladimir continua pré-candidato? Fábio diz que sim:
—Wladimir é o protagonista do grupo. Ele tem um sonho de ser prefeito de sua cidade, está preparado e vem se preparando ainda mais para isso. Ele ainda é o nosso pré-candidato, como presidente do PSD local posso te afirmar isso.
Fábio fala de seu encontro do Garotinho no Rio:
—Fui ao Rio rever grandes amigos e fui muito bem recebido, como sempre, pelo casal Garotinho. A gente vem construindo um projeto para Campos. E pensando se não seria melhor a cidade ter um representante legítimo em Brasília. Veja, seria muito mais confortável para nosso grupo manter o Wladimir como pré-candidato. Mas primeiro precisamos pensar no município. Existem outros nomes do grupo que podem ser uma alternativa, eu não sou o único.
Fábio ou Wladimir, ou outro do grupo de Garotinho, ou qualquer outro que pretenda governar Campos nos próximos anos, terá que responder ( ou pelo menos tentar) a pergunta feita no Blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa: “Como governar uma cidade com R$ 1,6 bilhão de orçamento e R$ 1,1 bilhão comprometido com pagamento de servidor?”. Pergunta até agora sem reposta, mas com uma certeza: todos nós, campistas, pagaremos essa conta.
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Arquivo Público tem energia cortada por falta de pagamento e documentação histórica de Campos fica em risco
30/07/2020 | 16h11
Nesta quarta-feira (29) diversas unidades da prefeitura de Campos tiveram a energia elétrica suspensa por falta de pagamento. Foram afetadas a Secretaria de Trabalho e Renda, Secretaria de Limpeza Pública, Codemca, Shopping Popular Michel Haddad e o Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho. Em maio, a Enel já havia cortado a energia do Museu Histórico, do Teatro Municipal Trianon, que sedia a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, e de outros sete prédios públicos de Campos. No caso específico do Museu, ficaram comprometidas na ocasião a segurança, limpeza e preservação de acervos guardados no prédio, como denunciado à Folha pela diretora do espaço, Graziela Escocard.
A cultura e o patrimônio histórico de Campos ficam novamente ameaçados com o corte no Arquivo, instituição sediada no prédio do Solar do Colégio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além da construção que fica comprometida com a falta de energia, por estar localizada em local afastado do centro da cidade, em área rural, a instituição abriga vasto material histórico, de grande importância para os campistas e para a região.
Segundo a concessionária Enel, a dívida com a prefeitura vem sendo negociada e os cortes tem respaldo na Resolução nº 878/2020 da Aneel, que determinam as condutas “durante o cenário envolvendo o avanço da COVID-19 no país”. Procurada pelo blog, a Enel respondeu por meio de nota, onde alega que "não houve nenhum avanço nas negociações” com a prefeitura:
— A Enel Distribuição Rio informa que realizou cortes em prédios públicos não essenciais do Município de Campos dos Goytacazes, em função de débitos da administração municipal com a empresa. Entre os locais impactados pelos cortes, está o Shopping Popular do município. A companhia esclarece que vem tentando negociar o débito com a Prefeitura, mas até o momento não houve nenhum avanço. A empresa segue aguardando um retorno da administração da cidade para negociação da dívida. A Enel reforça que somente tomou a decisão de interromper o abastecimento de energia após tentar negociar o débito em diferentes ocasiões — informa a nota da Enel.
Rafaela Machado, diretora do Arquivo, mostra grande preocupação com a integridade da documentação do Arquivo, e lembra ter “a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura”:
— Além da preocupação com a segurança do edifício e do acervo, outra grande preocupação é com a integridade da documentação, já que fazemos uso de ar condicionado e aparelhos de desumidificação para fazer o controle de temperatura e umidade das salas. A manutenção periódica desse acervo é crucial para a sobrevivência dos documentos. Como muitos sabem, o Arquivo tem a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura.
A grave situação financeira do município é de domínio público, evidenciada por atrasos de pagamentos de pessoal contratado, dentre outros fatos. Energia elétrica e outros serviços básicos para as instituições públicas podem vir a comprometer definitivamente serviços e bens de elevado valor à população, como vem sendo recorrente em Campos.
A assessoria de Comunicação (Supcom) da prefeitura informou depende de individualização de contas de energia para regularizar a situação e cita a situação econômica do município. 
— A superintendência de Iluminação Pública já solicitou a Enel, há mais de um ano, a emissão de conta com código de barra individual para pagamento de fatura. Este pedido havia sido negado pela concessionária - que agrupa conta de vários imóveis numa única fatura, fazendo com que o valor da conta fique muito elevado. O município ainda aguarda que este desmembramento total seja feito e toma medidas para que o religamento da luz em prédios em funcionamento, neste momento, seja feito o quanto antes. Campos recebeu este mês, o terceiro menor repasse de royalties nos últimos 16 anos. Entre royalties e Participação Especial (PE), Campos já acumula perdas de mais de R$ 150 milhões somente este ano — informa a prefeitura. 
 
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Corte de energia na prefeitura - Depois do Museu, Arquivo Público tem energia elétrica cortada
30/07/2020 | 14h20
Nesta quarta-feira (29) unidades da prefeitura de Campos tiveram novamente a energia elétrica suspensa por falta de pagamento. Desta vez, as unidades da Secretaria de Trabalho e Renda, Secretaria de Limpeza Pública, CODEMCA, Shopping Popular Michel Haddad e o Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho ficaram sem luz. Em maio a Enel cortou a energia do Museu Histórico, do Teatro Municipal Trianon, que sedia a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, e de outros sete prédios públicos de Campos. No caso específico do Museu, ficaram comprometidas na ocasião a segurança, limpeza e preservação de acervos guardados no prédio, como denunciado à Folha pela diretora do espaço, Graziela Escocard.
Desta vez a cultura e o patrimônio histórico de Campos ficam novamente ameaçados com o corte no Arquivo, instituição sediada no prédio do Solar do Colégio, tombado pelo Iphan. Além da construção que fica comprometida com a falta de energia, por estar localizada em local afastado do centro da cidade, em área rural, a instituição abriga vasto material histórico, de grande importância para os campistas e para a região.
Segundo a concessionária Enel, a dívida com a prefeitura vem sendo negociada e os cortes tem respaldo na Resolução nº 878/2020 da Aneel, que determinam as condutas “durante o cenário envolvendo o avanço da COVID-19 no país”. Procurada pelo blog, a Enel respondeu por meio de nota, onde alega que "não houve nenhum avanço nas negociações” com a prefeitura:
— A Enel Distribuição Rio informa que realizou cortes em prédios públicos não essenciais do Município de Campos dos Goytacazes, em função de débitos da administração municipal com a empresa. Entre os locais impactados pelos cortes, está o Shopping Popular do município. A companhia esclarece que vem tentando negociar o débito com a Prefeitura, mas até o momento não houve nenhum avanço. A empresa segue aguardando um retorno da administração da cidade para negociação da dívida. A Enel reforça que somente tomou a decisão de interromper o abastecimento de energia após tentar negociar o débito em diferentes ocasiões — informa a nota da Enel.
Segundo a diretora do Arquivo, Rafaela Machado, existe grande preocupação com a integridade da documentação do Arquivo, que ele lembra ter “a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura”:
— Além da preocupação com a segurança do edifício e do acervo, outra grande preocupação é com a integridade da documentação, já que fazemos uso de ar condicionado e aparelhos de desumidificação para fazer o controle de temperatura e umidade das salas. A manutenção periódica desse acervo é crucial para a sobrevivência dos documentos. Como muitos sabem, o Arquivo tem a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura.
A grave situação financeira do município é de domínio público, evidenciada por atrasos de pagamentos de pessoal contratado, dentre outros fatos. Energia elétrica e outros serviços básicos para as instituições públicas podem vir a comprometer definitivamente serviços e bens de elevado valor à população, como vem sendo recorrente em Campos.
A assessoria de Comunicação (Supcom) da prefeitura informou depende de individualização de contas de energia para regularizar a situação e cita a situação econômica do município.
— A superintendência de Iluminação Pública já solicitou a Enel, há mais de um ano, a emissão de conta com código de barra individual para pagamento de fatura. Este pedido havia sido negado pela concessionária - que agrupa conta de vários imóveis numa única fatura, fazendo com que o valor da conta fique muito elevado. O município ainda aguarda que este desmembramento total seja feito e toma medidas para que o religamento da luz em prédios em funcionamento, neste momento, seja feito o quanto antes. Campos recebeu este mês, o terceiro menor repasse de royalties nos últimos 16 anos. Entre royalties e Participação Especial (PE), Campos já acumula perdas de mais de R$ 150 milhões somente este ano — informa a prefeitura.
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A culpa é nossa e da ema envergonhada
25/07/2020 | 21h56
Bolsonaro e a ema envergonhada - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) flagrado nesta quinta (23) exibindo uma caixa de cloroquina para as emas que vivem no Palácio da Alvorada. A cena foi flagrada por repórteres fotográficos que cobriam a movimentação presidencial no local.
Bolsonaro e a ema envergonhada - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) flagrado nesta quinta (23) exibindo uma caixa de cloroquina para as emas que vivem no Palácio da Alvorada. A cena foi flagrada por repórteres fotográficos que cobriam a movimentação presidencial no local. / Reprodução
 
Há quem diga que o passado não tem importância. Ledo engano. A sociedade evolui justamente por ter aprendido com o passado, evoluindo as relações entre pessoas e instituições — públicas e privadas.
Por exemplo: a separação dos poderes, herança de pensadores antigos, principalmente Montesquieu, determinando que o Legislativo, Judiciário e o Executivo devem ser independentes e harmônicos; conceito utilizado até hoje na quase totalidade das democracias do mundo. Outro conceito importante: o estado laico, onde são separados o Estado e a Religião, conceito vindo lá da Revolução Francesa (1789-1799), para impedir que grupos religiosos influenciem diretamente o governo, e principalmente para que o Estado não tenha uma religião definida. Respeite a religião de todos. Esse conceito está na maioria das constituições modernas, inclusive na brasileira.
Bolsonaro como
Bolsonaro como "garoto propaganda" da cloroquina / Reprodução
 
Mas o Brasil de hoje não parece ter aprendido com seu passado. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, propôs nesta quinta-feira (23) uma PEC para determinar que militares que aceitem participar de governos sejam colocados automaticamente na reserva. O que valeria também para congressistas, perdendo os mandatos caso exerçam funções no executivo. A necessidade propor uma Proposta de Emenda à Constituição nesses moldes mostra que o passado recente do país foi convenientemente esquecido.
O governo Bolsonaro possui 6.157 militares em seus quadros. Da ativa e da reserva. No ministério da Saúde temos um general da ativa. As Forças Armadas não podem se identificar com governo algum. Elas são aparatos de estado, não de governo. Isso acontece na Venezuela (sim, aquela mesma Venezuela que os bolsonaristas falavam que íamos ficar iguais com a vitória de outro grupo político).

Leia mais

Por falar em passado e saúde, na medicina o passado tem uma importância vital. As pesquisas acontecem antes de decisões médicas. São necessários anos de estudo para que alguém possa assinar e carimbar uma receita, prescrevendo um medicamento. Mesmo sabendo que não há problema algum o ministro da Saúde não ser médico, pode ser um gestor de saúde pública sem ser formado em medicina, é consenso que problema há de ser um militar da ativa, que cumpre uma "missão" em meio à pior crise sanitária da nossa época.
General Pazuello da ativa, ocupa o ministério da Saúde desde o pedido de demissão de seu antecessor. A cloroquina foi apontada como o motivo da saída do ex-ministro Nelson Teich
General Pazuello da ativa, ocupa o ministério da Saúde desde o pedido de demissão de seu antecessor. A cloroquina foi apontada como o motivo da saída do ex-ministro Nelson Teich / Reprodução
O exército produziu cloroquina aos montes sob ordem do seu Comandante em Chefe, mesmo sem qualquer pesquisa científica que comprovasse definitivamente sua eficácia contra o coronavírus. Bolsonaro faz propaganda abusiva de um medicamento, inclusive se dizendo curado por ele. Com fotos com 'jóinha' em material panfletário. E o mais grave: expôs uma caixa de cloroquina, à erguendo como se fosse a Taça da copa do mundo de 70, numa simbiose religiosa entre pastor e rebanho, trazendo o milagre.
Fatos, registrados por fotografias, que são o resumo visual do oposto da evolução humana. A anti-evolução. O retrógrado. O obscurantismo, a ignorância. A ema da Alvorada correndo de Bolsonaro, quase que entendo todo o simbolismo daquilo e se retirando às pressas por vergonha, mostram que ter o Capitão Corona na presidência é culpa nossa. De todos. Até da ema envergonhada.
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Crônica de domingo: #Deixem a mulher trabalhar!
19/07/2020 | 22h07
Para ela, era mais um dia normal no tal “novo normal”. Na TV, antes de sair, ouviu a recomendação de ficar em casa. “Fique em casa!”. “Se puder”, já dizem os apresentadores de rádio e TV, de um tempo pra cá. No ponto do ônibus, daquela manhã, estavam um monte de gente que pertencia ao grupo dos que “não podem”. Gente dos serviços essenciais, gente de comércio, que está abrindo no sistema de entrega na porta do estabelecimento, gente da periferia, pessoal das padarias, das farmácias, gente que mora em Guarus, mas precisa ir ao centro trabalhar.
Ela estava ali no ponto. Atrás dela e daquela gente toda – uma boa parte de máscara, é verdade –, que lotava o transporte público da cidade, podia-se ver um outdoor. Ela nem percebeu, era mais uma daquelas propagandas de loja do shopping. Esses dias viu um desses divulgando uma live e deu uma risada interna. Propaganda de rua para evento virtual! Pois sim. “Dá retorno financeiro assim, essas lives?” Indagou-se, também sem externar para suas companhias que chocalhavam no mesmo transporte público. Mas não percebeu que aquele outdoor era um pouco diferente.
Assim que subiu no ônibus, depois de sentar-se e de um bom dia, sufocado pela máscara, para quem já estava sentando próximo à janela, pôde ver melhor a placa de propaganda. Era o presidente Bolsonaro. Dessa vez não resistiu e provocou o rapaz de mochila e fone no ouvido, que pela janela também olhava o outdoor:
—Ué, propaganda do presidente? perguntou a mulher. Já estamos em campanha? Esse ano não é para prefeito?
—Tô vendo isso também. Né campanha não, senhora. É que o pessoal aí está satisfeito com Bolsonaro.
—Que engraçado. Cada doido com sua loucura.
—Eu gostei. Recebi meus R$ 600,00 direitinho, governo de respeito. Tá colocando ordem nas coisas. Bolsonaro é patriota.
—Olha menino, não tenho tempo de ler muito as notícias não, mas esses R$ 600 foram aprovados pela Câmara. Parece que Bolsonaro queria dar R$ 200. E ainda somos o 2º pior país do mundo nessa coisa toda de coronavírus.
—A senhora tá lendo muito o Globo. O dinheiro veio do governo. E pelo que sei somos o que tem mais curados. Se usássemos a cloroquina, ia está tudo resolvido. E chegou aonde chegou por causa dos Governadores. E aqui por causa desse Rafael aí, que fechou tudo.
—Eu sou enfermeira. 25 anos lá no Ferreira. Não receito remédio não. Mas pelo que ouço lá dos médicos, essa história de mais curados é por que temos muitos casos, então é natural que tenhamos mais curados. E olha, já vi um monte morrer desse troço. Não desejo a ninguém. Não é nada de gripezinha. Mas, deixa isso pra lá, eles estão ricos e a gente aqui nesse ônibus.
O rapaz voltou a colocar os dois fones de ouvido, a mulher segurou sua bolsa mais firme, o ônibus já tinha saído do ponto. Mais adiante a mulher viu outro outdoor daqueles. Olhou com mais atenção. Dessa vez, sem conversar, conseguiu ler a frase que tinha depois da hashtag: “deixeohomemtrabalhar”. Pensou até em mostrar para o menino, mas achou que não valeria a pena.
Ao descer perto do hospital, lá estava outra propaganda de rua. Pensou: “Caramba. Esse pessoal gastou foi é dinheiro com isso. Devem estar querendo que ele trabalhe mesmo”. Para mais um dia de trabalho arriscado, colocou todos os EPI´s que tinha ali disponíveis e começou a ler os prontuários. Pouco depois, uma amiga que trabalhava na limpeza se aproxima. Voltou a tocar no assunto:
Deixa eu trabalhar.
Deixa eu trabalhar.
—Ei, você viu esse monte de placa na cidade com a cara do presidente? Perguntou ainda olhando para um prontuário com suspeita de covid-19. 
—Vi. Tem um montão. Deixa o homem trabalhar!
—Pois é. Mas tem alguém impedindo?
—Tem, menina. Vi ele falar no YouTube. Parece que é uma tal de democracia.
—Ah é? Bom, sei lá o que esse povo pensa. Olha, deixa eu trabalhar.
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"Quero fazer um dia de mergulho na cultura de Campos"; "Nos próximos dias o escritório do Inepac será uma realidade" - Danielle Barros, secretária estadual de Cultura
17/07/2020 | 22h59
O Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho realizou um bate-papo virtual nesta sexta (17), com transmissão em redes sociais e transmitido pelo canal oficial da TV Câmara de Campos, com a presença da secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Danielle Barros. Entre outros assuntos, a secretária confirmou a vinda do escritório do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) para Campos e também sua visita técnica à cidade, que acontecerá nos próximos dias. A diretora do Arquivo, Rafaela Machado, conduziu a live trazendo ainda as explicações da secretária sobre os próximos passos da Lei Aldir Blanc, aprovada recentemente no Congresso Nacional, que terá sua execução a cargo dos estados e municípios, e que socorrerá o setor cultural.
Tendo a cultura de Campos e região como tema principal, que abrangeu o patrimônio histórico, os equipamentos culturais e o apoio aos “fazedores de cultura” da cidade, a secretária iniciou a entrevista entusiasmada com a movimentação do setor em Campos:
—Satisfeita saber que temos uma live com uma boa audiência numa sexta-feira à noite, onde a gente vai falar de uma temática muito interessante, que é a cultura. É um enorme prazer. E falar com o público da região norte e noroeste fluminense, aumenta minha disposição de estar aqui, porque eu gosto muito dessas regiões, andei muito por essa regiões e eu tenho um carinho muito especial, que qualifica muito a nossa conversa —enalteceu Danielle Barros.
Rafaela Machado, diretora do Arquivo, comenta que "a presença da secretária falando com todo o norte e noroeste através dessa live do Arquivo é mais um passo que damos no sentindo de estreitarmos os laços com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro que têm feito um excelente trabalho de aproximação com municípios do interior do estado. Acredito que a visita da secretária a Campos é não só muito aguardada, como também será essencial para delimitarmos as ações que o Inepac e os demais braços da Secretaria podem ter na região. Temos muitas demandas, pleitos muito antigos e de vários setores. Essa aproximação é urgente, necessária e vem em excelente momento".
 
O escritório do Inepac em Campos
A cidade de campos possui nove bens tombados pelo Inepac e terá em breve um escritório técnico do órgão, que é um desejo antigo das entidades locais ligadas à preservação. Essa ação já havia sido divulgada pelo diretor geral do órgão, Claudio Prado de Mello, durante live com a diretora do Museu Histórico de Campos, Graziela Escocard, no último domingo (5). De acordo com Cláudio, o município foi escolhido para sediar o escritório técnico do Norte Fluminense após parceria com a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL). Está acordado entre os envolvidos a instalação nas dependências do Museu
A secretária confirmou a vinda do escritório e se disse “entusiasmada” com a iniciativa, dando uma previsão de 45 dias para se concretizar. Informou ainda que a parceria com a prefeitura de Campos foi fundamental para a concretização e que também aconteceu por forte demanda da sociedade civil, onde segundo a secretária, “muita gente do bem querendo que isso aconteça". Ela afirma ainda que está "altamente afetados por essa corrente do bem e vamos acelerar para que isso logo aconteça”.
— Sempre foi um desejo de o órgão ter esses escritórios regionais. Mas acontece que a gente tem uma dificuldade de manter isso. Temos uma necessidade de fazer um enxugamento de nossas contas e o governador Wilson Witzel assumiu o estado do Rio de Janeiro numa situação muito difícil em relação aos salários dos servidores, e precisou enxugar mesmo para colocar esses salários em dia, assim como está hoje, mesmo em meio a toda essa crise econômica. Mas essa dificuldade nos obrigou, em um determinado momento, a deixar de pensar em escritórios em determinadas regiões e ter servidores espalhados pelo estado. Precisávamos concentrar os servidores em um lugar só para ter uma otimização dos recursos. Porém quando a prefeitura de Campos manifestou uma parceria, e nesse sentido quero enaltecer esse movimento, que só está sendo possível por conta dessa parceira que está se efetivando para isso (a instalação do escritório do Inepac), com a participação da sociedade civil, pois era uma demanda da sociedade civil, e a prefeitura de Campos apoia essa demanda, e ela só vai se efetivar por conta disso, pois a gente conseguiu abrigar isso por esse desejo popular e uma demanda da região. Nós estamos felizes com isso. Estamos trabalhando para que nos próximos 45 dias a gente de fato se organize para fazer isso acontecer, a gente está entusiasmado, eu espero que seja um ganho para a região, nós temos um deputado na Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) que é defensor das melhorias para a região de Campos, que é o Deputado Bacellar (Rodrigo Bacellar/SDD), que também está muito empenhado nisso, está entusiasmado, e temos muita gente do bem querendo que isso aconteça e nós estamos altamente afetados por essa corrente do bem e vamos acelerar para que isso logo aconteça — informou a secretária.
A secretária confirma sua presença em Campos nos próximos dias
Além do escritório do Inepac, a secretária confirmou uma visita técnica em Campos nos próximos dias. A visita foi solicitada via ofício pelo Arquivo Público de Campos. A expectativa é que a secretaria de Cultura do Estado possa conhecer de perto as necessidades e urgências do setor cultural de Campos e de seus patrimônios materiais e imateriais.
— Eu já estou querendo isso há algum tempo. Estou com minha agenda disponível daqui a 10 dias, e quero me submeter à agenda de vocês na região. Então pensem em um dia muito bacana, para a gente visitar patrimônio, para a gente conhecer as casas de arte aí de Campos, para a gente fazer esse dia em um dia de mergulho mesmo na cultura de Campos — confirma a secretária.
 
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Em nome do pai - As heranças (malditas?) de Caio e Wladimir
10/07/2020 | 17h20
As entrevistas dos pré-candidatos Caio Vianna e Wladimir Garotinho ao Folha no Ar [Caio em 26/06 e Wladimir nesta Quarta-feira (9)] mostraram, dentre outras coisas, o peso da filiação. Como pai e mãe dos entrevistados os afetam politicamente e pessoalmente, por óbvio. Porém, são heranças distintas.
Caio, filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna e Ilsan Vianna, tem o legado da gestão de seu pai como arma. Sem fazer juízo de valor sobre a qualidade daquela administração, é possível afirmar que o inexperiente Caio a usa como bengala. A administração de Arnaldo – e até sua participação numa eventual vitória eleitoral – se mostra como o principal projeto de Caio. Sem o pai, o filho teria pouco a oferecer. Não possui cargo público, pelo que se sabe não possui experiência relevante empresarial ou no mercado de trabalho formal e, apesar de responder o contrário, é constantemente questionado por não residir em Campos.
Wladimir, filho do ex-governador e ex-prefeito de Campos Garotinho e Rosinha, também ex-governadora e ex-prefeita, tem o legado de seu pai e de sua mãe como fardo. A proximidade temporal das gestões dos pais, oposto do que acontece com Caio, traz a rejeição natural, mas não é apenas isso. Wladimir carrega o peso da postura bélica de seu pai e principalmente as prisões recentes dos seus genitores. O desgaste de imagem que os problemas judiciais trazem, e inevitavelmente afetam o filho Wladimir, representa uma herança maldita.
Em um eventual governo dos Vianna’s, a participação do pai parece ser bem vinda. Traria experiência à prefeitura e a boa memória da administração Arnaldo, que em geral foi bem avaliada por boa parte dos campistas, até por ter vivido o auge dos royalties. Sem o pai, Caio expõe sua "imaturidade" para enfrentar os gravíssimos problemas que o município atravessa e certamente ainda se agravará. “Imaturo” foi o adjetivo usado pelo adversário Wladimir, mesmo dizendo que “não foi uma crítica”.
Em um eventual governo Garotinho’s, a participação do pai parece ser um problema. Traria a agressividade e o histórico de problemas que Garotinho cultivou na cidade. Com o pai a tiracolo Wladimir corre o risco de apagar qualquer boa avaliação que teve enquanto parlamentar federal. Se sua vantagem sobre Caio é a maturidade e experiência, como o próprio alega, a experiência de sua família deixou marcas e rejeições. Apesar de não ser questionado por morar em Campos ou não, Wladimir terá que explicar como não relacionar os problemas atuais do município com as gestões de seus pais. E toda gastança.
Os filhos não devem ser culpados pelos erros dos pais. A história pode ser escrita de forma diferente em gerações que se sucedem. O problema é quando a interferência é direta. É difícil crer que um eventual governo de Caio ou Wladimir não tenha a participação direta dos seus pais ou que seja a continuação dos estilos dos clãs familiares. É possível fazer diferente. Mas é preciso romper com as tutelas paternais.
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A "elite" brasileira e sua alergia à igualdade
09/07/2020 | 10h55
João Dória encontra Regina Duarte na Avenida Paulista em varrição midiática. Exemplos de
João Dória encontra Regina Duarte na Avenida Paulista em varrição midiática. Exemplos de "elite rastaquera", como definido pelo historiador Marco Antônio Villa? / Reprodução
O episódio do “Cidadão, não. Engenheiro civil formado e melhor que você" protagonizado por uma mulher que apareceu em uma reportagem do programa dominical da rede Globo, Fantástico, do último domingo (5), discutindo com um fiscal da Prefeitura do Rio durante uma inspeção na região da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, mostra o típico orgulho de uma certa “elite” brasileira da sua ignorância, mediocridade e porque não, burrice.
Pessoas que se entendem como elite por ter formação superior, por ter um carro ou mesmo uma casa própria. Uma certa "elite" que se sente privilegiada por viver em um país de desigualdade pornográfica, onde qualquer bem material de valor um pouco mais elevado pode levar ilusões à uma classe média de baixíssima cultura, pouca leitura, educação limitada e visão de mundo atrasada.
Cidadão, não, engenheiro civil, melhor que você, foi a frase dita mulher que foi filmada. Após a tentativa de diminuir o fiscal da prefeitura, a mulher foi demitida nesta segunda-feira (6). A empresa afirma não compactuar com desrespeito a normas sanitárias.
Cidadão, não, engenheiro civil, melhor que você, foi a frase dita mulher que foi filmada. Após a tentativa de diminuir o fiscal da prefeitura, a mulher foi demitida nesta segunda-feira (6). A empresa afirma não compactuar com desrespeito a normas sanitárias. / Reprodução
 
 
É preciso reconhecer que para esses brasileiros obedecer a lei, a ordem, as regras e contratos sociais são sinais de submissão, subordinação. Descumprir regras é legal, significa ser superior, esperto. “Elite”.
Mas, em verdade, significa justamente o contrário. Obedecer regras de convívio e ser regido por um ordenamento jurídico sólido significa democracia, desenvolvimento social. Evolução da espécie.
O que esperar de uma sociedade assim? Como admitir que evoluímos, que vencemos a escravidão, que superamos nosso “complexo de vira-latas”?
Atualmente todo negacionismo, falta de conhecimento dos brasileiros de sua própria história, uma aceitação criminosa de uma brutal desigualdade, ampliação de preconceito racial, de gênero, de condição social, nos leva ao descrédito de uma evolução social. Talvez seja mesmo um problema cultural que nos impede de desenvolver nossa democracia.
Talvez a polarização política idiota seja alimentada não por preconceito ideológico, de esquerda X direita. Talvez seja por burrice e mediocridade mesmo. Características principais de quem diz “sabe com que está falando” ou “sou filho de alguma autoridade” ou mesmo “sou melhor que você”.
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O preguiçoso que queria liderar
26/06/2020 | 19h44
Esses dias ouvi uma daquelas frases que ficam guardadas na cabeça da gente. “Elogio em boca própria é vitupério”. Em resumo, quer dizer que não devemos nos render ao autoelogio, sob pena de estarmos, na verdade, nos prejudicando. Essa coisa de autoimagem é mesmo complicada. Por vezes achamos que não merecemos aquela promoção, ou aquele amor. Mas tem o tipo mais perigoso: quando a autoimagem é deturpada para “mais”. Quando achamos que estamos com tudo, a última bolacha do pacote. 
Todo mundo tem um parente assim. Aquele que se acha cantor, o outro que pensa fazer churrasco muito bem, aquela que acredita que se veste melhor que atriz de Hollywood.
Eles estão em toda parte. No mundo político, isso é muito comum.
Quando a vaidade faz o político acreditar que sua oratória é perfeita, que seu projeto de lei vai mudar a região inteira ou ainda que todos ao seu redor sejam genuinamente seus fãs. Mas tem um tipo especial. Aquele que quer ser líder. Liderança, todos sabem, é preciso ser conquistada. Não basta gostar ou querer liderar. Pior ainda quando se tem preguiça de conquistar seu próprio espaço.
Em tempos de rede social os preguiçosos vaidosos alimentam seu ego em postagens cheias de filtros e hashtags chamativas. Tenho certeza que você já os viu por aí em algum Facebook ou Instagram da vida. Se não viu, saiba: eles estão por aí e estarão ainda mais. E querendo liderar a todo custo, cometendo vitupérios verbais.
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Edmundo Siqueira

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