Árvore genealógica
21/03/2016 | 12h59
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/170x96/1_22_300x293-930217.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3a7b6283f9d', 'cd_midia':930217, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/22_300x293-930217.jpg', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '300', 'cd_midia_h': '293', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:300px;height:293px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/22_300x293-930217.jpg" alt="" width="300" height="293"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>Sempre tive inveja daqueles que t&ecirc;m &aacute;rvore geneal&oacute;gica. Dos que encontram o sobrenome da fam&iacute;lia no museu da imigra&ccedil;&atilde;o ou s&atilde;o capazes de contar com detalhes a viagem imigrat&oacute;ria do bisav&ocirc; no final do s&eacute;culo XIX. Por motivos &oacute;bvios, por muito tempo, me foi negada a possibilidade de investiga&ccedil;&atilde;o da minha origem. Hoje, com testes de DNA, n&atilde;o sei a qual custo, &eacute; poss&iacute;vel saber de qual pa&iacute;s na &Aacute;frica origina parte do meu material gen&eacute;tico. &Eacute; um avan&ccedil;o. N&atilde;o posso negar. Mas ainda assim, nunca vou poder dizer que o av&ocirc; do meu bisav&ocirc; veio num navio negreiro origin&aacute;rio de onde hoje conhecemos como Angola, e foi escravizado numa fazenda extrativista de ouro nas proximidades de Vila Rica. Eu n&atilde;o sei absolutamente nada sobre a pessoa que veio trazida para o desconhecido contra sua pr&oacute;pria vontade. Mesmo sabendo de onde, nunca ser&aacute; me garantido o direito de investigar quem eram estas pessoas. Elas eram mercadorias. E mercadorias n&atilde;o t&ecirc;m &aacute;rvore geneal&oacute;gica. N&atilde;o vieram porque fugiam da guerra ou da fome. N&atilde;o vieram porque queriam se aventurar pelo novo mundo em busca de uma vida mais farta. Foram trazidos sem registro e tiveram seus nomes e origens adulterados o que impossibilita uma investiga&ccedil;&atilde;o mais precisa. Soube que meu bisav&ocirc; por parte de m&atilde;e era portugu&ecirc;s, que al&eacute;m dele haviam ind&iacute;genas e obviamente os negros, determinantes do fen&oacute;tipo da maioria de nossa fam&iacute;lia. A origem ind&iacute;gena n&atilde;o &eacute; tratada com import&acirc;ncia por nenhum membro da fam&iacute;lia. N&atilde;o se sabe a etinia, desconhece-se o g&ecirc;nero e a posi&ccedil;&atilde;o desta pessoa na &aacute;rvore geneal&oacute;gica. Talvez minha paix&atilde;o por milho e mandioca seja um outro indicador latente no meu DNA. Talvez seja apenas mais uma das minhas loucas ideias de me inventar uma origem. Do lado do meu pai, a hist&oacute;ria tinha tudo para ser um pouco mais f&aacute;cil. Nomes judaicos de origem portuguesa facilitariam o in&iacute;cio da pesquisa. No auge da minha investiga&ccedil;&atilde;o, descobri que meu av&ocirc; paterno, por raz&otilde;es desconhecidas, mudou o sobrenome da fam&iacute;lia para Macedo. Alguns de meus tios afirmam ter ouvido algo do tipo Damaceno. Mas n&atilde;o h&aacute; documentos que comprovem o palpite. Minha &uacute;nica alegria nisso tudo, foi concluir que n&atilde;o poderia ser parente direta do bispo Macedo um medo que sempre carreguei. Foi ent&atilde;o, que eu desisti de investigar. Semanas atr&aacute;s, durante uma viagem, descobri Antonio Maceo. Um dos her&oacute;is da hist&oacute;ria da independ&ecirc;ncia cubana. Comandante do ex&eacute;rcito, Maceo &eacute; citado em alguns livros de hist&oacute;ria com um homem determinado e corajoso. Conhecido pelo apelido de Titan de Bronze, devido ao tom marrom de sua pele, Maceo reunia numa s&oacute; pessoa as poucas caracter&iacute;sticas que consegui confirmar sobre a minha &aacute;rvore geneal&oacute;gica. Al&eacute;m da cor da pele, sua m&atilde;e se chamava Mariana e o sobrenome Maceo era por apenas um D, diferente do meu. Resolvi ent&atilde;o me considerar descendente deste homem arretado que libertou pessoas escravizadas das lavouras da cana-de-a&ccedil;&uacute;car e lutou at&eacute; sua morte pela independ&ecirc;ncia da col&ocirc;nia espanhola. Reconhe&ccedil;o que um homem que tem o sobrenome parecido com o da fam&iacute;lia do meu pai, e as ascend&ecirc;ncias africanas da fam&iacute;lia da minha m&atilde;e n&atilde;o teria lugar definido na minha &aacute;rvore geneal&oacute;gica. Reconhe&ccedil;o tamb&eacute;m que o parentesco com Maceo seria imposs&iacute;vel por quest&otilde;es hist&oacute;ricas e geogr&aacute;ficas. E mais, acredito que a ele tamb&eacute;m foi negado o direito de saber sobre seus ancestrais africanos e mais uma vez um ramo de nossa &aacute;rvore estaria incompleto. Mas isso pouco importa. O que me interessa agora &eacute; pouquinho de ilus&atilde;o e conforto nesse cora&ccedil;&atilde;o descrente e aflito. Obrigada, Maceo.</div>
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Um pouco de amor e medo
07/03/2016 | 00h21
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/170x96/1_fullsizerender_1_296x300-930228.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3a887e49a49', 'cd_midia':930228, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/fullsizerender_1_296x300-930228.jpg', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '296', 'cd_midia_h': '300', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:296px;height:300px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/fullsizerender_1_296x300-930228.jpg" alt="" width="296" height="300"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>De repente, do nada, me deu um medo. De precend&ecirc;ncia desconhecida, rastejou feito cobra no ch&atilde;o de terra batida entrando por entre os dedos dos p&eacute;s. Da sola suada subiu pelo corpo esfriando tudo que encontrava no caminho. Pernas tremeram de frio, o ventre se contorceu de susto proporcionando uma abrupta sensa&ccedil;&atilde;o de prazer, mas os intestinos cada um a seu modo lembrou meu corpo de que se tratava de medo e n&atilde;o de gozo. Na espinha, subiu como um raio acelerando a respira&ccedil;&atilde;o e os batimentos card&iacute;acos. O peito ficou acanhado, como se o medo enla&ccedil;asse uma art&eacute;ria do cora&ccedil;&atilde;o. Um n&oacute; apertado que n&atilde;o afrouxava por nada. Pronto, o medo tinha chegado a minha cabe&ccedil;a. E naquele breve instante veio um pensamento curto, r&aacute;pido e certeiro.</div> <div>E se voc&ecirc; n&atilde;o me amar mais?</div> <div>Se de um instante t&atilde;o curto quanto o pensamento ruim viesse em voc&ecirc; a certeira certeza do n&atilde;o amor por mim?</div> <div>O que restar&aacute; de mim, que estou completamente sem defesas e entregue &agrave; essa rela&ccedil;&atilde;o?</div> <div>Que estou inteiramente intensa vivendo este amor?</div> <div>O que eu vou fazer com o seu suposto desamor?</div> <div>O medo vai se transformar em raiva petrificando o n&oacute; da art&eacute;ria. O sangue n&atilde;o ser&aacute; mais bombeado. O ciclo de vida se acaba. Eu morro e morta-viva perambulo pelos dias, pelas cidades, como vinha fazendo antes de te conhecer.</div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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