Espólios
22/02/2016 | 22h58
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/170x96/1_fullsizerender_300x300-930240.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3a890a477b3', 'cd_midia':930240, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/fullsizerender_300x300-930240.jpg', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '300', 'cd_midia_h': '300', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:300px;height:300px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/fullsizerender_300x300-930240.jpg" alt="" width="300" height="300"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>"Rog&eacute;rio me deve R$120,00, 3 doses de prote&iacute;na e um pote de pl&aacute;stico."</div> <div>"Anderson nunca me devolveu a camiseta que eu comprei numa lojinha de um cinema em Rabat."</div> <div>"Foram um edredom, algumas roupas e uma d&iacute;vida de p&atilde;es, leites e manteigas de R$800,00. Ele se mandou deixando na porta da minha casa, um fusquinha azul que de t&atilde;o velho n&atilde;o deu nem pra pagar a conta da padaria."</div> <div>Durante um per&iacute;odo da vida, colecionei esp&oacute;lios do fim de relacionamentos alheios. Perguntava a amigos, conhecidos e pessoas que dificilmente encontraria novamente, qual a d&iacute;vida deixada pelo ex-amor. Restos de senten&ccedil;as, frases n&atilde;o ditas e coisas. Interessavam-me as coisas. Objetos que o outro se apossou e nunca devolveu me diziam muito mais sobre aquele relacionamento do que os sentimentos e as promessas feitas, jamais cumpridas, guardadas com todos os detalhes na &uacute;ltima inst&acirc;ncia do rancor do entrevistado. A caneca do Fluminense que o parceiro &ldquo;roubou&rdquo; e nunca devolveu. A assadeira de alum&iacute;nio do &uacute;ltimo frango com batatas. O conjunto de chaves de fenda que pendurou o quadro estopim do t&eacute;rmino. Para escrever esta cr&ocirc;nica, me pus a pensar nas minhas pr&oacute;prias pequenezas e nos esp&oacute;lios dos meus ex-amores. Lembrei de um shampoo importado que ganhei de uma amiga, que me trouxe de Paris naquela &eacute;poca em que pouqu&iacute;ssimas pessoas, pelo menos das que eu conhecia, passava f&eacute;rias em Paris. O shampoo ficou perdido na casa dos pais do desafeto que por motivo contundente fiz quest&atilde;o de nunca mais falar. Hoje, o desafeto mal &eacute; lembrado. Mas o shampoo, este me faz falta. O cheiro, a textura dos cabelos, o toque sedoso depois da lavagem. Lembro como se fosse hoje. Posso e acredito que devo estar mesmo supervalorizando sab&atilde;o de lavar cabelos. Vai ver o shampoo nem era t&atilde;o bom assim. Mas em se tratando de fins, vale mais uma malqueren&ccedil;a bem valorizada do que um aprendizado isento de m&aacute;goa.</div>
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Profissional do Carnaval
08/02/2016 | 11h48
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/170x96/1_fullsizerender_300x281-930252.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3a8a8f6b018', 'cd_midia':930252, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/fullsizerender_300x281-930252.jpg', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '300', 'cd_midia_h': '281', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:300px;height:281px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/fullsizerender_300x281-930252.jpg" alt="" width="300" height="281"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>Era uma profissional do&nbsp;carnaval. Dessas que nunca repete a fantasia e que se orgulha por frequentar quatro a cinco blocos por dia, emendando a folia na Apoteose. Dessas capaz de fazer planilha em Excel, com algoritmos que cruzavam informa&ccedil;&otilde;es de hor&aacute;rios, dura&ccedil;&atilde;o e trajeto dos blocos. O formul&aacute;rio de Excel de Mariana era o objeto de desejo mais cobi&ccedil;ado entre os foli&otilde;es do carnaval carioca. Com um c&aacute;lculo matem&aacute;tico que chamou aten&ccedil;&atilde;o at&eacute; do prefeito, Mari conseguira aproveitar um maior n&uacute;mero de eventos gastando menos energia no deslocamento entre um e outro. Durante os quatro dias oficiais do carnaval, quase n&atilde;o se via a foli&atilde; em casa. Nunca se soube ao certo a origem de tamanha energia. Biot&ocirc;nico Fontoura, Red Bull, a&ccedil;a&iacute; com guaran&aacute;, &aacute;cido lis&eacute;rgico, ou alegria acumulada. A disposi&ccedil;&atilde;o de Mariana impressionava a m&eacute;dicos, atletas, profissionais de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. Mas o fato &eacute; que, nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, as m&aacute;s l&iacute;nguas da cidade profanavam aos quatro ventos que Mari j&aacute; n&atilde;o era a mesma. No &uacute;ltimo carnaval, havia substitu&iacute;do a planilha por uma simples lista com no m&aacute;ximo dois blocos por dia, evitando aqueles que sa&iacute;am no hor&aacute;rio de sol escaldante. A energia da foli&atilde; diminu&iacute;a na mesma propor&ccedil;&atilde;o que a temperatura do Rio aumentava. Naquele ano, a sensa&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica, medida na praia do Leme, foi de 53 graus celsius. Era uma ter&ccedil;a-feira de calor infernal. Mariana, fantasiada de diabinha, conhecera um casal de alem&atilde;es extasiados com o calor do Rio. Segundo eles, a neve e o frio intenso inviabilizavam a alegria da festa no velho continente. Por isso, este ano, eles decidiram fugir para um pa&iacute;s tropical. Foi ent&atilde;o, que num s&uacute;bito de inveja, a carnavalesca teve a brilhante ideia: procurar o prefeito para sugerir uma mudan&ccedil;a no calend&aacute;rio do carnaval da cidade. Se o prefeito era o detentor das chaves do Rio de Janeiro, bastava recusar o pedido do Rei Momo, postergando a entrega para os meses de Maio ou Junho.</div> <div>- Fa&ccedil;a como as construtoras de im&oacute;veis. Prometa para Fevereiro, mas alegue atraso na obra, prorrogando o carnaval pra Maio ou Junho.</div> <div>- Mariana, a cidade n&atilde;o &eacute; im&oacute;vel. E eu n&atilde;o sou dono de construtora...</div> <div>- Senhor prefeito, com todo respeito, a cidade pode at&eacute; n&atilde;o ser im&oacute;vel, mas que o senhor tem percentual de construtora tem sim...</div> <div>A conversa amig&aacute;vel terminou em acusa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Um assessor do prefeito acompanhou a foli&atilde; que saiu escorra&ccedil;ada do gabinete.</div> <div>- Senhora, o carnaval &eacute; uma festa pag&atilde; atrelada ao calend&aacute;rio crist&atilde;o. S&atilde;o quarenta dias antes da p&aacute;scoa. N&atilde;o se pode mudar esta data a revelia.</div> <div>Mariana procurou ent&atilde;o o cardeal arcebispo da cidade, e alegando mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, pediu que ele intercedesse junto ao Papa por mudan&ccedil;as na data da p&aacute;scoa. O cardeal at&eacute; que se mostrou paciente ao explicar a Mariana como funcionava o calend&aacute;rio crist&atilde;o. Tudo corria na santa paz de deus at&eacute; a foli&atilde; relacionar a origem do carnaval aos bacanais promovidos pelo deus grego Baco, e fazer uma alus&atilde;o do uso do vinho como simbolismo do sangue de Cristo pela igreja cat&oacute;lica &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio Romano que consumia vinho devido &agrave; met&aacute;fora do sangue de Baco. Mariana foi expulsa da reuni&atilde;o sem direto a argumento. Tentada a se mudar para Berlim, ou desistir de vez da festa, Mariana juntou as tralhas e foi viver no interior do Rio Grande do Norte. Neste ano de 2016, ela se dedicar&aacute; integralmente a participar das festas juninas e julinas na regi&atilde;o nordeste. Aguardem as planilhas.</div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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