Para os dias de chuva
05/02/2015 | 00h05
Nosso amor é uma tempestade de raios ao avesso. O céu cor de chumbo enobrece a sua chegada. Trovoadas se antecipam aos raios. Um anúncio do que virá, ao invés da explicação sobre o que passou. Parece estranho, uma força contrária à natureza. Palavras anunciam a chegada do tempo ruim. Feixes de luz trazem o início do tempo bom. E vem a tempestade ao contrário. Contrariando as expectativas e às explicações lógicas sobre o que é o amor e como se deve vivê-lo (ou como dizem que se deve vivê-lo). E eu que desejava a calmaria de um amor tranquilo, nado no mar de emoções correntes. Um mar que de tão escuro se encontra com o céu cor de chumbo. Transformando-se num só. Iansã e Yemanjá. Um forte encontro de amor. Trago o mar no nome e a agitação das águas tempestuosas no coração. Encontro inesperadamente com uma chuva às avessas. Gotas que fogem do mar durante as tempestades. E lutam contra a gravidade para uma volta às nuvens. Guarda-chuvas são desnecessários e inúteis. Não há o que guardar desta tempestade. A chuva não pode ser abarcada como mágoas.
Ela flui no sentido inverso à gravidade.
Rumo aos céus onde ficam os deuses. Depois da trovoada, as gotas de chuva se unem aos raios tardios. Uma redenção.
O rio sempre corre de volta pro mar.
Não seria diferente com a chuva.
Amores ao avesso são difíceis de viver. Contrariam as expectativas, as convenções.
Desmistificam o que é certo do que é errado. E traz tanta dor e tanta alegria numa mesma proporção. Uma tempestade misturada de mar, de luz, de complicação.
Mas quem disse que seria fácil? Quem disse que o fácil é bom?
        
Rainha dos raios, rainha do mar iluminem este amor tempestuoso. E faça do avesso de uma tempestade a nossa calmaria.
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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