O Legado da Copa
11/07/2014 | 00h21
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3bb4b179829', 'cd_midia':931687, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/21/photo_150x150-931687.jpg', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '150', 'cd_midia_h': '150', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:150px;height:150px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/21/photo_150x150-931687.jpg" alt="" width="150" height="150"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>N&atilde;o se via o Cristo. As nuvens cinza-negras cobriam todo o c&eacute;u do Jardim Bot&acirc;nico. Eu desci do &ocirc;nibus e mal atravessei a rua quando a chuva come&ccedil;ou. O c&eacute;u embranqueceu rapidamente despejando sobre n&oacute;s um dil&uacute;vio t&iacute;pico de tarde de ver&atilde;o, s&oacute; que era inverno. Tinham muito mais carros na rua do que o habitual. Muito mais gente correndo da chuva e correndo contra o tempo. S&oacute; que quase ningu&eacute;m ali estava atrasado para o trabalho. Era o dia do jogo do Brasil. Em Belo Horizonte n&atilde;o chovia e os jogadores j&aacute; estavam em campo quando conseguimos atravessar o t&uacute;nel que levava ao parque da bola. A tenda branca que abrigava a equipe de transmiss&atilde;o se confundia com o branco do c&eacute;u. Na grama sint&eacute;tica que cobria o parque, pessoas encharcadas corriam de um lado a outro disputando os pouqu&iacute;ssimos espa&ccedil;os cobertos. N&atilde;o tinha outra escolha a n&atilde;o ser enfrentar a tempestade para ver o jogo no tel&atilde;o. Quando o hino do Brasil estava quase no fim... Um apag&atilde;o. Ficamos uns bons cinco minutos sem transmiss&atilde;o alguma do que se passava no Mineir&atilde;o. Pensei em pedir meu dinheiro de volta, atravessar a nado o Jardim Bot&acirc;nico para assistir num barzinho pr&oacute;ximo &agrave; vit&oacute;ria do Brasil, mas os cinco minutos quase eternos terminaram antes que tiv&eacute;ssemos coragem de abandonar o lugar. E a transmiss&atilde;o seguiu tranquila at&eacute; o Brasil tomar o primeiro gol. A gente ainda acreditava na virada. “Brasil time de ra&ccedil;a, vamos l&aacute;!” Do Mineir&atilde;o se ouvia o sofrido grito da torcida Atleticana “<em>Eu acredito, Eu acredito</em>”. Mas uma sequ&ecirc;ncia de quatro gols em seis minutos, que mais pareciam replay de jornal esportivo, roubou de n&oacute;s o sonho do campeonato. Eu, como boa Americana Mineira, j&aacute; deveria estar acostumada a derrotas. Mas n&atilde;o foi t&atilde;o simples assim. Decidimos assistir ao fim da trag&eacute;dia num bar onde pud&eacute;ssemos afogar as m&aacute;goas. As buzinas euf&oacute;ricas em dia de vit&oacute;ria deram lugar ao sil&ecirc;ncio num bar do BG que mais parecia uma capela em vel&oacute;rio. E o clima f&uacute;nebre assim seguiu at&eacute; que a Alemanha fizesse o sexto gol mudando todo o cen&aacute;rio. Torcedores abatidos e frustrados deram lugar &agrave; empolga&ccedil;&atilde;o e gritavam palavras como “<em>Hexa</em>”, “<em>Flamengo</em>” e outras insanidades s&oacute; cometidas por amantes com orgulho ferido. Peguei um taxi onde se ouvia no r&aacute;dio que uma confus&atilde;o-tiroteio acarretou na pris&atilde;o de torcedores na arena da Fifa em Copacabana. Na televis&atilde;o, dava a not&iacute;cia de que um torcedor alem&atilde;o apanhou nas proximidades do Mineir&atilde;o. Depois vim saber que o mesmo ficara surdo de um ouvido. Quando cheguei em casa j&aacute; choviam piadas nas redes sociais. A cada minuto recebia um meme mais criativo do que o anterior zoando a sele&ccedil;&atilde;o Brasileira. Havia&nbsp;tamb&eacute;m os que choravam e os que culpavam a choradeira da sele&ccedil;&atilde;o pela derrota vergonhosa. A internet estava um saco (e ainda est&aacute; at&eacute; hoje)! E eu que s&oacute; queria um gol-consola&ccedil;&atilde;o para ver os alem&atilde;es dan&ccedil;arem o Lepo-Lepo, revi pelo computador as t&iacute;midas celebra&ccedil;&otilde;es da sele&ccedil;&atilde;o Alem&atilde; e do jogador com maior n&uacute;mero de gols na Copa do Mundo. Tem gente que sabe ganhar e gente que n&atilde;o sabe perder.</div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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