Des-esperar... Sempre
05/05/2014 | 19h30
<!-- [if gte mso 9]> <![endif]--> <div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/20/170x96/1_photo-930937.png', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3b08d1ead2c', 'cd_midia':930937, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/20/photo-930937.png', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '211', 'cd_midia_h': '211', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:211px;height:211px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/20/photo-930937.png" alt="" width="211" height="211"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>Enquanto passavam vans, t&aacute;xis e &ocirc;nibus, ela esperava no fundo da terra, no fundo do po&ccedil;o, pelo trem do metr&ocirc;, cuja esta&ccedil;&atilde;o era na contram&atilde;o de sua casa e o destino longe de seu trabalho. Todas as manh&atilde;s, antes de sair, tomava sempre a mesma decis&atilde;o. Nos dias de chuva, titubeava entre pegar um uber ou o &ocirc;nibus cujo ponto ficava exatamente na frente do seu pr&eacute;dio. Mas bastava sair do elevador para mudar de ideia e seguir pelo trivial caminho mais dif&iacute;cil e mais longo.</div> <div>Sabia que todas as manh&atilde;s ele pegava o trem no Flamengo, onde morava, e descia na Cinel&acirc;ndia, onde trabalhava em um escrit&oacute;rio de advocacia. No final da tarde fazia o caminho inverso. Ele morava na Marqu&ecirc;s de Abrantes, coladinho no metr&ocirc;.</div> <div>Ela trabalhava na Gl&oacute;ria e morava uma esta&ccedil;&atilde;o antes dele, mas descia na Cinel&acirc;ndia esperando um dia esbarrar sem querer querendo, assim por acaso, para retomar uma conversa que ficou pela metade h&aacute; seis meses.</div> <div>Eles tinham bebido horrores numa noitada. Esbarraram-se numa festa na Lapa e ali mesmo ficaram aos beijos e amassos a noite toda. Amanheceram numa pens&atilde;o para estudantes a poucos metros do bar onde tudo come&ccedil;ou. Ele n&atilde;o se lembrava de como havia parado ali. Ela tinha vaga mem&oacute;ria de terem usado camisinha. Tomaram caf&eacute; num p&eacute; sujo. M&eacute;dia com p&atilde;o e margarina. Compraram uma cartela de p&iacute;lula do dia seguinte e trocaram telefones. Conversaram por mensagens algumas vezes. Ele come&ccedil;ou a segu&iacute;-la no Instagram e no Facebook. Curtiu as fotos do carnaval em que ela se fantasiou de Madonna e aceitou a solicita&ccedil;&atilde;o de amizade da melhor amiga dela. Ela tamb&eacute;m marcou presen&ccedil;a virtual. Comentou fotos, curtiu posts e achou que estavam caminhando para um relacionamento. Ele tamb&eacute;m pensou o mesmo, mas por precau&ccedil;&atilde;o e medo de nomear o que estava bom sem nome, resolveu nunca tocar no assunto. Algumas vezes se sentia confort&aacute;vel de estar numa rela&ccedil;&atilde;o leve, destitulada. Outras vezes, n&atilde;o sabia como agir e media palavras evitando despertar na companheira a suspeita de uma suposta men&ccedil;&atilde;o ou convite a um compromisso.</div> <div>Marcaram de ir ao cinema. Viram alguns filmes do Festival do Rio. Promoveram jantares na casa de amigos. Visitaram a vernissage da irm&atilde; dela. Decidiram passar um domingo inteiro na prainha, e ele, excepcionalmente, n&atilde;o comeu a macarronada dominical da av&oacute; Alzira. Ela j&aacute; conhecia parte de sua fam&iacute;lia. Ele, quase todos os amigos dela. Se viam mais de tr&ecirc;s vezes na semana. Se falavam diariamente. Mas nunca conversaram sobre o relacionamento e depois de alguns encontros sem conversa e sem acordos eles sumiram.</div> <div>N&atilde;o se sabe quem se foi primeiro. Mas nem um, nem outro tomou a provid&ecirc;ncia de procurar por aquele que supostamente tamb&eacute;m esperava. E o tempo passou sem piedade dos amantes orgulhosos e sonhadores sem atitude.</div> <div>Agora, depois de seis meses, a ela s&oacute; restava a espera por um encontro fortuito no metr&ocirc; enquanto ele levanta 40 minutos mais cedo para pegar o &ocirc;nibus que passa em frente ao pr&eacute;dio dela, descer na Gl&oacute;ria e caminhar 15 minutos at&eacute; o escrit&oacute;rio de advocacia. Tudo isso, na esperan&ccedil;a de esbarrar por ela quando atravessar a catraca.</div> <div>&nbsp;</div> <div>&nbsp;<br /></div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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