Divina lua
07/04/2014 | 23h35
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2018/01/24/170x96/1_captura_de_tela_2018_01_24_a_s_12_47_48_pm-961788.png', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a689cc80f479', 'cd_midia':961796, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2018/01/24/320x285/1_captura_de_tela_2018_01_24_a_s_12_47_48_pm-961788.png', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '320', 'cd_midia_h': '284', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:320px;height:284px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/png/2018/01/24/320x285/1_captura_de_tela_2018_01_24_a_s_12_47_48_pm-961788.png" alt="" width="320" height="284"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>Eu tomei mamadeira at&eacute; os meus 9 anos. Culpa da minha av&oacute; que fazia uma deliciosa vitamina de mam&atilde;o, banana e ma&ccedil;&atilde;. Ela me acordava, todas as manh&atilde;s, trazendo nas m&atilde;os aquele desjejum delicioso. O n&eacute;ctar dos deuses para um digno despertar pueril. A mistura das tr&ecirc;s frutas &eacute; um dos sabores da minha inf&acirc;ncia e uma das muitas saudades que sinto de Dona Diva. O ritual da mamadeira na cama foi repetido diariamente por nove anos e n&atilde;o me recordo do motivo, nem do dia que parei de tomar mamadeira, mas posso garantir que n&atilde;o foi por vontade da minha av&oacute;. Foi minha av&oacute; Diva quem me ensinou a gostar da lua. A fazer pedidos e chamar por ela como lobos nas noites mais brancas. A gente ficava debru&ccedil;ada na grade da janela de um terceiro andar num apartamento na Tijuca, chamando, chamando... Pedindo pra lua nos levar pra bem perto dela. Foi minha av&oacute; quem me ensinou a amar os brigadeiros. E desde a adolesc&ecirc;ncia, me fazia de presente de anivers&aacute;rio a minha idade multiplicada por dez em quantidade de docinhos. Parou l&aacute; pelos vinte e poucos anos quando descobriu que eu comia tudo sozinha, sem nem ao menos, dividir com meu irm&atilde;o. Este ano seriam 330 brigadeiros e uma prov&aacute;vel e descomunal dor de barriga. Seriam. Hoje faz quinze dias que minha av&oacute; morreu com o desejo de n&atilde;o viver. “<em>Pede pra Mariana rezar pra mim porque ora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a tem mais for&ccedil;a</em>.” Disse ela pra minha m&atilde;e numa das poucas e &uacute;ltimas l&uacute;cidas frases.</div> <div>Quando eu ganhei meu primeiro pr&ecirc;mio de literatura, mais ou menos na mesma &eacute;poca em que ela parou de me fazer brigadeiros, confessei a minha av&oacute; que sonhava em ser escritora. Ela prontamente me recomendou que lesse o livro <em>Vidas Esparsas</em>, que acredito ter sido escrito por Maria Am&aacute;lia, a quem sempre se referia como autora favorita. Quando minha av&oacute; ficou de cama por conta de um f&ecirc;mur fraturado, voltou a perguntar se eu havia lido o tal livro e me disse que quando eu tivesse dificuldade para escrever era s&oacute; pedir &agrave; Maria Am&aacute;lia que iluminasse meus pensamentos. Eu menti dizendo que havia lido o livro. E menti outra vez dizendo que tinha adorado a leitura. Mas fui obediente quando ela me pediu uma ora&ccedil;&atilde;o que a levasse at&eacute; a lua. N&atilde;o pedi a deus. Nem a Maria Am&aacute;lia, como minha av&oacute; havia me pedido. Pedi a Lua e a sua luz branca roubada do sol, que atendesse ao desejo da minha av&oacute; de ter sua luz roubada da terra.&nbsp;</div>
Comentar
Compartilhe
Sobre o autor

Mariana Luiza

[email protected]