O Mar
06/01/2014 | 18h59
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/170x96/1_photo_1_290x300-930925.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3b04fc487e5', 'cd_midia':930925, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/photo_1_290x300-930925.jpg', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '290', 'cd_midia_h': '300', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:290px;height:300px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/20/photo_1_290x300-930925.jpg" alt="" width="290" height="300"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>Eu estava sentada de olho nas ondas quando ele chegou. Parecia &iacute;ntimo do mar. Era marinheiro ou pescador. Talvez um filho de Yemanj&aacute;. Chegou e foi logo entrando de roupa e tudo. Sem cerim&ocirc;nia. Sem parcim&ocirc;nia. Aflito pela chegada do novo ano. Sem pedir licen&ccedil;a &agrave;s ondas, colocou sobre as &aacute;guas um barquinho de madeira azul e um punhado de rosas brancas. Eu n&atilde;o consegui ver o que tinha dentro do barco. Supus que eram presentes para Odoy&aacute;. Para as sereias. Sauda&ccedil;&otilde;es do novo ciclo. O marinheiro pescador sussurrava a cada flor que lan&ccedil;ava no mar. Se eram pedidos ou agradecimentos, n&atilde;o consegui ouvir. Mas pelo semblante de tristeza, ele deixava no barco mais m&aacute;goas do que conquistas. As ondas se encarregaram de levar o barco para fora do nosso alcance. Algumas das rosas foram devolvidas na areia. Nem tudo a rainha&nbsp;aceita. Nem tudo o mar engole. O senhor catou uma por uma das flores rejeitadas for&ccedil;ando o presente mal recebido. O mar n&atilde;o estava nem a&iacute;, devolveu-lhe novamente, e novamente e novamente at&eacute; o pescador marinheiro desistir da insist&ecirc;ncia. Ele se banhou nas &aacute;guas deixando que o sal levasse para o fundo todas as mazelas daquele ano. Esfregava o corpo com a &aacute;gua salgada como se quisesse lavar o que tinha de mais dolorido na pele e no cora&ccedil;&atilde;o. Levar para longe, para o fundo do mar toda desesperan&ccedil;a. Bem nas profundezas do oceano, onde a luz do sol n&atilde;o chega, descansam tesouros naufragados, barcos de madeira, m&aacute;goas e tristezas de cora&ccedil;&otilde;es aflitos que sempre recorrem ao mar, ao sal, as sereias por um novo recome&ccedil;ar. &nbsp;</div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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