Pontes
04/02/2013 | 12h14
<div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/19/170x96/1_dsc_01951-929141.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a397c11d1370', 'cd_midia':929146, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/19/320x285/1_dsc_01951-929141.jpg', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '320', 'cd_midia_h': '285', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:320px;height:285px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/jpg/2017/12/19/320x285/1_dsc_01951-929141.jpg" alt="" width="320" height="285"> <figcaption> </figcaption> </figure></tinymce>Sempre tive uma inexplic&aacute;vel admira&ccedil;&atilde;o por Marilyn Monroe. O &iacute;cone sexual do vestido costurado no corpo, saindo do bolo como presente para o homem mais importante do planeta nunca foi o que me atraiu. Havia algo escondido, algo de obscuro, algo muito mais de Norma Jean do que de M.M. que me encantava e seduzia. Assisti a todos os filmes estrelados por ela, mas nunca havia lido nenhuma biografia sobre sua vida. Sempre achei que o que eu gostaria de saber sobre a Marilyn nunca foi dito em livro algum. S&oacute; n&atilde;o sabia onde encontr&aacute;-la. Como conhec&ecirc;-la. H&aacute; quase um ano comprei um livro dos fragmentos de v&aacute;rios cadernos e di&aacute;rios que Marylin escreveu ao longo da vida. Poemas, testemunhos e desabafos de uma&nbsp;mulher&nbsp;muito diferente da que conhecemos, mas igualmente irresist&iacute;vel. Esta Marylin leu poetas e romancistas considerados dif&iacute;ceis como James Joyce. Casou-se com um escritor e encheu seus cadernos de angustias e sonhos. Esta Marylin gostava de pontes. Como eu. E de todas as identifica&ccedil;&otilde;es que tive com ela &agrave; medida que avan&ccedil;ava na leitura do livro de fragmentos, esta foi a que mais me aproximou da diva loira. Pode parecer rid&iacute;culo admirar uma pessoa porque ela, como voc&ecirc;, gosta de pontes. Mas at&eacute; ent&atilde;o, eu n&atilde;o tinha encontrado ningu&eacute;m na vida, que gostasse, pelo&nbsp;mesmo motivo, deste tipo de obra da engenharia. Talvez isso n&atilde;o aconte&ccedil;a entre pessoas que tor&ccedil;am por um mesmo time de futebol, ou que gostem de um mesmo filme. Mais do que dividir o gosto por um assunto ou coisa, &eacute; compartilhar as mesmas raz&atilde;o pela qual se gosta daquilo. N&atilde;o existem pontes feias para Marylin. N&atilde;o existem pontes desnecess&aacute;rias para mim. Todas as pontes nos levam a um caminho talvez novo, talvez desconhecido. Cruzam rios, vales, rodovias. Tornam-se um caminho alternativo para a vida. Atravessar uma ponte &eacute; n&atilde;o dar voltas para chegar a algum lugar. &Eacute; talvez a &uacute;nica forma de se chegar. Pular de uma ponte &eacute; acabar com a chegada. Ou proporcionar um novo come&ccedil;o. N&atilde;o h&aacute; nenhuma ponte no mundo feia o suficiente, que n&atilde;o mere&ccedil;a ser atravessada. “<em>Oh droga queria estar morta - absolutamente inexistente - desaparecida daqui - de todos os lugares, mas como eu conseguiria. Sempre existem pontes. </em></div> <div><em>A Ponte do Brooklyn Mas eu amo aquela ponte (tudo &eacute; lindo daqui e o ar &eacute; t&atilde;o puro caminhando) me parece cheio de paz l&aacute; mesmo com todos aqueles carros enlouquecendo embaixo. Ent&atilde;o teria que ser outra ponte uma feia e sem vista - exceto que gosto em particular de todas as pontes - existe algo nelas e al&eacute;m do mais nunca vi uma ponte feia.”</em>&nbsp;</div> <div>Eu e Marilyn amamos a mesma ponte. Quando cheguei a Nova York, no meu primeiro dia na cidade, resolvi sozinha pegar um metr&ocirc; at&eacute; Manhattan em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Times Square. Eu estava assustada. Uma menina que passou a vida numa cidade como Maca&eacute;, que s&oacute; tinha uma sala de cinema, ficou intimidada diante de tanta luz, tanta gente e movimento. Andei por cinco minutos na Broadway e peguei o metr&ocirc; de volta. No trajeto, eu me perguntava se deveria estar mesmo ali, se minha decis&atilde;o de morar um tempo naquela cidade n&atilde;o tinha sido precipitada demais. E planejava com ansiedade remarcar minha passagem de volta ao Brasil assim que chegasse ao apartamento. Desci na Fulton St. e caminhei at&eacute; a ponte do Brooklyn. Atravessei a ponte caminhando e quando estava no meio da travessia, liguei para a minha m&atilde;e. Falei dos medos, da quantidade de pessoas e luzes, e &agrave; medida que eu falava era como se aquilo tudo ficasse pra tr&aacute;s. Quando cheguei ao Brooklyn peguei o trem de volta a Manhattan e passeei por horas na Times Square. Vi o anoitecer naquele lugar que nunca anoitece. Vi o escurecer do c&eacute;u diante dos radiantes letreiros de musicais e comerciais de &oacute;culos de sol e cal&ccedil;as jeans. Cheguei &agrave; noite em casa curada do excesso que &eacute; a Times Square e vivi por mais um ano naquela cidade insone sem sofrer de medo algum.&nbsp;</div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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