A foto da capa
04/12/2012 | 23h44
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O jornal New York Post de hoje reacendeu uma polêmica: Qual o papel do fotógrafo ao registrar uma imagem?
O site Atlantic Wire pergunta: Quem deixou este homem morrer?
A capa do New York Post registra o último minuto de vida de Ki Suk Han, atropelado por um vagão do metrô de Nova York. A foto foi tirada pelo fotógrafo freelance, R. Umar Abbasi. O artigo do Atlantic Wire pergunta: "Por que ninguém ajudou este homem?" e reacende a polêmica que vira e mexe assombra a vida dos fotógrafos profissionais. "Se houve tempo suficiente para capturar o momento da morte deste homem, (o que é mais importante do que a capa de um jornal) por que motivo não lhe salvaram a vida?". O fotógrafo da querela, alega que fez inúmeros disparos de sua máquina, com esperança de que o maquinista pudesse ver os flashes da câmera e assim parasse o trem. O artigo do Atlantic contesta a justificativa do fotógrafo, alegando que os flashes poderiam na verdade, ter cegado o maquinista.
Esta não é a primeira e nem será a última vez que um fotógrafo será questionado quanto ao seu papel no momento do ato da fotografia. Quase todo fotógrafo profissional, ou amador, já se questionou se deveria ou não ter feito AQUELA foto. A insegurança e medo do fotografado reclamar, o instinto pela sobrevivência, a certeza de saber que está fazendo a foto da sua carreira... Eu mesma, como amadora que sou, já perdi inúmeras possibilidades de fotos brilhantes. Talvez seja isso que me defina como fotógrafa amadora. Um profissional nunca perde a foto. Corra o risco que correr, custe o que custar. Um bom exemplo disso é a fotografia de uma menina, que tornou famoso o fotógrafo Kevin Carter. Em março de 1993, durante uma viagem ao Sudão, Carter fotografou uma menina desnutrida, descansando num chão de terra batida, com um abutre ao fundo. Na época, Carter disse que esperou aproximadamente 20 minutos, esperando que o abutre abrisse suas asas. Não o fez. Então, ele tirou a fotografia e perseguiu o abutre para afastá-lo. Entretanto, o fotógrafo foi extremamente criticado por sua atitude em registrar o fato e não ajudar a menina. A foto foi vendida ao The New York Times e foi publicada 26 de março de 1993. Segundo o jornal, centenas de pessoas ligaram para a redação para saber se a criança havia sobrevivido. O Jornal criou uma nota explicativa onde dizia que a menina tinha força suficiente para fugir do abutre, mas que seu destino era desconhecido. Em 1994, por causa da famosa foto, Kevin Carter recebeu o maior prêmio da fotografia mundial, o Pulitzer. Meses mais tarde, ele cometera suicídio utilizando uma mangueira para levar a fumaça do escapamento do seu carro para dentro do veículo. Muitas conspirações giram em torno da morte do fotógrafo. Alguns dizem que foi conseqüência da fotografia premiada, outros dizem que Carter tinha problemas financeiros e era dependente de drogas. O real motivo do suicídio, Carter carregou consigo na morte. E embora muitas pessoas questionem sua fotografia, para mim, o registro de uma menina sucumbindo a morte é o melhor que ele poderia fazer para salvar a vida dela e das outras crianças que passam fome no Sudão. Uma foto como esta e a do rapaz morto no trilho do trem viaja o mundo, fomenta pensamentos e gera atitudes que podem ou não salvar aquelas e outras vidas. Eu acredito que cada pessoa tem seu papel na sociedade. Sendo ele agir diretamente ou mobilizar outras para que algo seja feito.
E você? O que pensa das fotografias deste post? E sobre os fotógrafos?
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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