Muitos medos e poucas coragens
04/06/2012 | 20h27
<div><strong><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/170x96/1_captura_de_tela_2017_12_12_a_s_11_37_11_pm-923689.png', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3084909e4ed', 'cd_midia':923689, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/captura_de_tela_2017_12_12_a_s_11_37_11_pm-923689.png', 'ds_midia': 'sapo no terr&aacute;rio', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': 'sapo no terr&aacute;rio', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '443', 'cd_midia_h': '333', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:443px;height:333px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/captura_de_tela_2017_12_12_a_s_11_37_11_pm-923689.png" alt="sapo no terr&aacute;rio" width="443" height="333"> <figcaption> sapo no terr&aacute;rio </figcaption> </figure></tinymce>Medo 1 - Cadeira de delegado</strong> Minha tia av&oacute; morava numa vila, que antes de ser vila era apenas um terreno do pai dela. No caso, meu bisav&ocirc;: Jos&eacute; Flora.&nbsp;Na vila, ou no terreiro como era conhecido, havia um galinheiro, um p&eacute; de caf&eacute;, uma mangueira enorme e uma cadeira de balan&ccedil;o com o encosto forrado de um acolchoado verde. Meu pai dizia que aquela era a cadeira do delegado. E eu, que cresci com medo de pol&iacute;cia,&nbsp;de cadeiras grandes e do meu pai - quando ali sentado.</div> <div><strong>Medo 2 - Sapo, perereca e r&atilde;</strong>&nbsp;Eu tinha uma cole&ccedil;&atilde;o de medos que fui me desfazendo &agrave; medida que crescia. Medo de morrer, de acabar a &aacute;gua pot&aacute;vel do planeta, dos meus pais morrerem, medo de nadar no mar, medo de cachorro, do Luke Skywalker, de ser a &uacute;ltima da casa a pegar no sono e o mais pavoroso de todos os medos, at&eacute; hoje o &uacute;nico n&atilde;o curado: O medo de sapos! O mais curioso de tudo &eacute; que eu nunca tinha tido nenhum contato com um&nbsp;sapo de verdade. S&oacute; os conhecia de fotografia ou livros de ci&ecirc;ncia. Quando beb&ecirc;, fora perseguida por um ator vestido de Luke, durante o lan&ccedil;amento nos cinemas do primeiro Guerra nas Estrelas. Aos quatro anos, fui mordida por um poodle na porta da minha casa. Aos dez, j&aacute; tinha me afogado em mar aberto e quase morrido. Mas sapo, perereca e r&atilde;, estes eu n&atilde;o conhecia pessoalmente.&nbsp;</div> <div>At&eacute; o dia, que meu pai, na tentativa de acabar com meu maior medo da vida, me levou a um restaurante, cujo card&aacute;pio tinha duas op&ccedil;&otilde;es: pernas de r&atilde;s fritas, ou pernas de r&atilde;s grelhadas. Meu pai seguia a filosofia de S&atilde;o Tom&eacute;: "ver para crer", adaptada neste caso, para o “ver pra o medo perder”. Se a verdade liberta, no meu caso me aprisionou ainda mais. O tal restaurante especializado em r&atilde;s tinha um ran&aacute;rio abarrotado de anf&iacute;bios&nbsp;albinos que nadavam e repousavam sobre as pedras. A verdadeira vis&atilde;o do inferno. O medo que era inexplic&aacute;vel passou a ter explica&ccedil;&atilde;o e materializa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o importava o tamanho ou cor. Grandes, pequenos, verdes, marrons, coloridos. Qualquer tipo. N&atilde;o importa a fam&iacute;lia ou classe, sapo, perereca, e r&atilde;. Agora eu tinha medo e tinha experimentado dele.&nbsp;</div> <div><strong>Coragem, a maior de todas</strong> Quando eu e meu irm&atilde;o &eacute;ramos crian&ccedil;as n&oacute;s t&iacute;nhamos um pacto de sangue. A luta constante pelo poder. Bastava minha m&atilde;e sair de casa para o trabalho que a guerra di&aacute;ria come&ccedil;ava. A batalha tinha hora para come&ccedil;ar e s&oacute; findava depois de anunciado o vencedor. O vencedor se tornava por um dia, o rei da casa. Isso significa que naquele dia, at&eacute; a hora dos pais retornarem do trabalho, ele poderia fazer tudo. Tudo que quisesse e faria do&nbsp;irm&atilde;o perdedor um vassalo pelas horas restantes at&eacute; o retorno dos pais &agrave; casa. A batalha era simples. Vencia o irm&atilde;o que derrubasse o outro da cama. Valia tudo, guerra de travesseiro, chute, empurr&otilde;es e nariz quase quebrado.</div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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