Memórias e Traumas de Infância
07/05/2012 | 19h22
Telegrama
Meu primo Arthur, de sete anos, está muito chateado. Ele, que não é muito fã da escola, levou um zero numa prova de português, porque não sabia o que era um telegrama. O que deixou Arthur mais furioso, foi ao chegar em casa e descobrir que o telegrama foi o precursor do Twitter. É que Arthur adora tudo que é antigo. Fotografias analógicas, Karmann Ghias, motores de veículos movidos a manivelas. Posso me arriscar a afirmar que ele conhece todos, se não quase todos, os modelos de carros dos anos 40 e 50. Arthur é um nostálgico do dessaber. Detesta eletrônicos, nunca pediu um tablet ou celular para os pais e e tem pavor de internet. O menino novo de espírito velho gosta mesmo é de visitar museus, aprender sobre pergaminhos e como eram as guerras quando ainda não existiam armas de fogo. Arthur pensava que sabia de tudo que era velho, mas não conhecia o tal do telegrama e respondeu na prova, como bom entendedor de prefixos e sufixos, que telegrama se tratava de uma televisão que pesava uma grama!
O homem do saco
Coney Island, 2010
Coney Island, 2010
Festa de criança com cachorro-quente nunca foi pra mim sinônimo de diversão. Eu tinha 26 anos quando comi o primeiro hot dog da minha vida. Foi a superação de um trauma forçada pelas circunstâncias. Eu estava em Nova York, no evento mais famoso do verão de Coney Island, o concurso dos comedores de cachorro-quente. Naquele ano de 2008, o vencedor devorou sozinho 59 cachorros quentes em 10 minutos. E eu até aquele dia, em 26 anos de minha vida, não tinha comido um sequer. Tratava-se de um trauma de infância. Minha avó costumava dizer que quando uma criança não se comportava direito, os adultos ligavam para o homem do saco e que vinha prontamente buscar o infante delinqüente. Daí, uma vez capturada pelo famoso homem, o destino da criança era um só. Ser moída por um triturador de carne e virar salsicha. Por isso, que toda vez que a mãe de algum amigo meu me oferecia um cachorro-quente, eu recusava com um certo ar de revolta. A mãe é a última das criaturas humanas que podem servir um cachorro quente. Não acham?
Visite o site do famoso concurso de hot dogs: http://nathansfamous.com/PageFetch/getpage.php?pgid=78
Uma festa de criança, uma prova de interpretação de texto. Traumas de infância de duas crianças de gerações bem diferentes que compartilha o mesmo amor pelas histórias e pelos objetos, artigos de colecionadores e tecnologias antigas, que provocam saudades nos coroas que conheceram ao vivo, o que tanto ele quanto eu só conhecemos através das fotografias e páginas de revistas.
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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