O mundo gira, mas a gente não precisa acompanhá-lo...
05/12/2011 | 22h42
Dervixes, Turquia 2011
Dervixes, Turquia 2011
Semana passada, fui a um salão de beleza fazer uma escova nos cabelos. Enquanto eu folheava uma dessas revistas de fofoca, Teresa, a cabeleireira, não gostava de conversa. E agia sempre da mesma maneira, com todos os clientes que atendia. Primeiro, um cumprimento cordial e acordo com o horário. Depois, oferecia uma água ou café. Em seguida, perguntava sobre o serviço desejado. Ouvia com atenção e só então, depois de um breve silêncio, sugeria um corte ou coloração. Naquele dia, não foi diferente. Dei boa tarde, tomei um expresso e um copo de água, e Teresa começou a escovação dos meus cabelos. Sempre metódica. Ela iniciava o trabalho com as mechas de trás da cabeça, deixando os cabelos do que seria uma franja, por último.
Teresa escovava os cabelos da minha testa com uma força maior do que a usada no resto da cabeça. O calor do secador nos meus olhos e o peso de sua mão me provocou um incômodo. Murmurei uma espécie de reclamação e ela imediatamente desligou o secador, escovando meus cabelos para trás, para que pudesse me olhar nos olhos.
- Você tem muitos redemoinhos na cabeça. Os redemoinhos, também conhecidos como torvelinhos, pés-de-vento ou diabos de poeira (sim, em inglês eles são chamados de dust devil) são, segundo o dicionário, “ventos em espiral formados pela convecção do ar, em dias quentes, sem ventos e de muito sol”. No caso do meu cabelo... Fios que nascem virados para uma determinada direção, e que fazem uma pessoa penar para colocá-los na direção contrária. Redemoinhos são freqüentemente confundidos com tornados, mas o dicionário explica que ao contrário dos tornados, os redemoinhos causam apenas pequenos estragos, como destelhamentos leves. No interior de Minas Gerais, e em muitas cidadezinhas espalhadas pelo Brasil, há quem acredite que redemoinhos são o rastro do caminhar de um saci-pererê, e que se alguém entrar no meio deles com uma peneira ou garrafão poderá prender o menino perneta.   Saí do salão sem redemoinho algum na cabeça, mas o acontecimento seguinte, me fez relembrar o comentário da cabeleireira. A verdade é que eu vivi uma situação, num encontro amoroso, exatamente igual a um acontecimento anterior do qual eu detestei ter vivido. E que me faz passar o resto do dia pensando em como muitas coisas e pessoas giram sempre em volta de si. Pensei nos dervixes dançantes da Turquia, nos ponteiros de relógios, nas rodas das bicicletas. E me pus a perguntar por que motivo alguns fatos são como redemoinhos: chegam causando pequenos, mas inesquecíveis estragos, e o pior, andam sempre em círculo numa mesma trajetória e fim. A minha terapeuta diria que os fatos se repetem porque a gente sempre faz tudo igual. “Como esperar por resultados diferentes se nós não mudamos de atitudes”. É uma verdade difícil de contradizer, e também difícil de aplicar na vida prática. Mudar não é pra qualquer um. Nem pra qualquer momento. A maior dificuldade é aceitar que estamos fazendo tudo errado, e descobrir a maneira certa de obter o resultado desejado. 
Se você me perguntar se eu encontrei a resposta para a repetição dos fatos, vou dizer que ainda não. Mas que estou muito empenhada a começar este próximo ano com atitudes um pouco diferentes. Quem sabe meus redemoinhos façam 270º ao invés dos habituais 360º? Como eu disse, em algumas cidadezinhas de Minas e do interior do Brasil, muitas pessoas acreditam que ao engarrafar o saci, acabam com a pequena tempestade de poeira. Na verdade, o que acontece é que ao entrar no meio do redemoinho, a pessoa pode interromper a corrente de convecção que alimenta o fenômeno, e o redemoinho simplesmente "desaparece".  E é isso o que eu desejo para mim e para os meus leitores no ano de 2012. Que vocês engarrafem muitos sacis, e caminhem em linha reta! Sucesso nos desejos. Até o ano que vem!
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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