O melhor lugar do mundo é aqui... e agora! (Será?)
04/07/2011 | 20h00
<div>Quando fiz 15 anos, meus pais me deram de presente uma viagem pela Europa. Foram 35 dias “mochilando”, com uma amiga de inf&acirc;ncia, pelo velho continente. Era a minha primeira viagem ao exterior e a primeira vez que viajava sem meus pais ou algum respons&aacute;vel. Promessa de muita aventura e boas lembran&ccedil;as. Eu quase n&atilde;o comprei <em>souvenirs</em> ou bugigangas, mas gastei uma fortuna em filmes fotogr&aacute;ficos registrando os&nbsp;detalhes de cada futura saudade.</div> <div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/170x96/1_captura_de_tela_2017_12_12_a_s_9_29_37_pm-923389.png', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3066f6a97e7', 'cd_midia':923389, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/captura_de_tela_2017_12_12_a_s_9_29_37_pm-923389.png', 'ds_midia': 'Amigas, em Rotterdam 1998 ', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': 'Amigas, em Rotterdam 1998 ', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '295', 'cd_midia_h': '128', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:295px;height:128px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/captura_de_tela_2017_12_12_a_s_9_29_37_pm-923389.png" alt="Amigas, em Rotterdam 1998 " width="295" height="128"> <figcaption> Amigas, em Rotterdam 1998 </figcaption> </figure></tinymce>Foram 41 rolos de 36 poses. Um total de 1460 fotografias e um preju&iacute;zo na conta banc&aacute;ria dos meus pais, numa &eacute;poca em que a fotografia digital era assunto de filmes de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Quando as fotos ficaram prontas, eu comprei uma caixa de papel&atilde;o que continha seis pequenos &aacute;lbuns, um pouco maiores do que uma foto 10x15. Todos os &aacute;lbuns, inclusive a caixa, estampavam um mapa-m&uacute;ndi do final do s&eacute;culo XVIII com tons envelhecidos de amarelo, azul e verde. Eu arrumei as fotos em seq&uuml;&ecirc;ncia e depois de um tempo, guardei a caixa na parte superior do meu arm&aacute;rio junto com uns pap&eacute;is antigos da escola e malas vazias. &Eacute; engra&ccedil;ado, porque embora eu desse tanta import&acirc;ncia &agrave;quelas fotografias, posso contar nos dedos quantas vezes abria a caixa e revisitei os retratos. Na verdade, eu tinha at&eacute; me esquecido de alguns momentos da viagem e s&oacute; voltei a pensar nisso, na semana passada, quando ouvi num programa de r&aacute;dio, uma psiquiatra discursar sobre os malef&iacute;cios da saudade. A m&eacute;dica contava hist&oacute;rias de pessoas que viveram presas &agrave;s boas e m&aacute;s lembran&ccedil;as do passado, e que por isso, fizeram do presente, um momento para lamenta&ccedil;&otilde;es ou esperan&ccedil;as desastrosas. Ela falou por quase vinte minutos e depois do intervalo para an&uacute;ncios publicit&aacute;rios iniciou o segundo bloco da entrevista ensinando truques para driblar o pensamento da saudade e das expectativas futuras. Segundo a psiquiatra, o ideal para viver bem &eacute; pensar apenas no aqui e agora. Eu ouvi toda a entrevista tentando me convencer de que a m&eacute;dica, com mestrado e doutorado em universidades americanas de renome, tinha raz&atilde;o. E por um instante, me peguei anotando mentalmente as dicas para viver o presente com plenitude. <em>“Quando as mem&oacute;rias tomarem conta do seu pensamento por mais de cinco minutos e voc&ecirc; come&ccedil;ar a sentir um misto de tristeza e alegria, pare, respire e mentalize o seu momento presente. Pense com positividade naquilo que est&aacute; vivendo.” </em>dizia ela. E l&aacute; estava eu, dirigindo, ouvindo o programa e mentalizando o momento presente. Nas semanas seguintes, eu respirei fundo e vivi o <em>Carpem Diem</em> com a tal plenitude exigida pela psiquiatra e acreditem: n&atilde;o foi bom. Depois de um tempo seguindo as dicas da psiquiatra, eu me dei conta que estava me tornando uma adepta a essa corrente que condena a saudade, que s&oacute; olha pra frente. E viver o hoje o tempo todo foi para mim muito cansativo e angustiante.</div> <div><tinymce class="clickTinyMCE" title="{'nm_midia_inter_thumb1':'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/170x96/1_captura_de_tela_2017_12_12_a_s_9_29_23_pm-923371.png', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5a3066b85fdb3', 'cd_midia':923372, 'ds_midia_link': 'http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/532x284/1_captura_de_tela_2017_12_12_a_s_9_29_23_pm-923371.png', 'ds_midia': '', 'ds_midia_credi': '', 'ds_midia_titlo': '', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '532', 'cd_midia_h': '283', 'align': 'Left'}"><figure class="Left" style="width:532px;height:283px;"> <img src="http://www.folha1.com.br/_midias/png/2017/12/12/532x284/1_captura_de_tela_2017_12_12_a_s_9_29_23_pm-923371.png" alt="amigas em Rotterdam, 1998" width="532" height="283"> <figcaption> amigas em Rotterdam, 1998 </figcaption> </figure></tinymce>H&aacute; tanta cobran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao presente, tantas sugest&otilde;es do que fazer, de como aproveitar melhor o momento, de como n&atilde;o perder a &uacute;nica coisa que invariavelmente perdemos ao viver. A vida &eacute; uma constante perda de tempo. E no meio dessa &acirc;nsia pela felicidade moment&acirc;nea &eacute; que eu me lembrei da minha primeira viagem pelo mundo e me toquei que eu precisava abrir a minha caixa de saudades mais vezes. Pra sentir por um r&aacute;pido instante, uma dorzinha de vontade de ter 15 anos novamente.</div>
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Sobre o autor

Mariana Luiza

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