Carnaval e suas histórias
22/03/2019 | 15h43
É época de carnaval, apesar de atrasado este ano, como diria uns, mas com todo ânimo e empolgação que o período proporciona. Na cidadezinha do interior onde meus pais moram, os boêmios profissionais estão a todo vapor, pois agora há movimento a madrugada toda.
A data não se resume a semana do carnaval, sendo que os ensaios começam com intensidade um mês antes e a folia acaba uma semana depois, com os desfiles das campeãs e os últimos blocos da “ressaca”.
Particularmente sempre vi o carnaval de outra maneira. Aproveitei sim, em minha juventude, viajando para as grandes capitais da folia, saindo em todos os blocos e escolas possíveis, e dormindo muitas vezes em pequenos cantos emprestados em casas de conhecidos Brasil a fora.
Vi e vivi muita coisa, tanto do lado positivo como negativo. Conheci lugares e pessoas do mundo todo, ao redor de um ritmo contagiante, contando estórias, cantando e se divertindo. Mas também presenciei brigas, roubos e situações ruins, que ficam na memória.
Mas isso, para mim, ficou no passado. E escrevo isso com orgulho de quem já aproveitou tudo que tinha que aproveitar em seu devido tempo. Pensamento este que gosto de ter.
Não me vejo mais até tarde da noite, andando atrás de blocos pelas ruas, pulando igual doido, conversando com pessoas que não conheço, e muitas vezes, bebendo um pouco a mais da conta. E para finalizar, completando com uma noite pessimamente dormida. Não é nem questão de vontade somente, mas de físico também. Admito que não tenho mais para isso.
Hoje o que mais prezo é a segurança. De nada adianta trabalhar como nunca, ganhar dinheiro, ter saúde, ser admirado, bem sucedido em todos os aspectos, se nos sentimos inseguros.
Sou capaz de citar inúmeros casos de pessoas de bem que, ao ficarem ate de madrugada na rua, tiveram suas vidas roubadas por assassinos (não ladrão), a troco de um celular ou alguns míseros trocados. Se acha exagero, espere até as próximas noticias.
É importante sairmos, nos divertirmos, mas atualmente o mais importante é não criarmos contra nós mesmos, situações ruins, meramente evitáveis. Sempre lembro-me dum amigo que marcava jantares em restaurantes, mas nunca conseguimos nos encontrar, ou pelo menos, pouquíssimas vezes. Não quando marcávamos.
O motivo era simples. O horário. Ele marcava em restaurantes aos sábados, as nove da noite. Dia e horário em que a maioria dos bons restaurantes no interior de São Paulo, assim como em Campo Grande, já estão com filas de espera.
Explicava para ele que sábado era um dia que não trabalhávamos a tarde, portanto poderíamos nos organizarmos mais cedo. Afinal, penso assim: para que sair tarde, ficar esperando na fila, não poder escolher a mesa que lhe agrada, ser mal atendido (ou na melhor das hipóteses pior do que quando o restaurante não esta tão cheio), parar o carro longe sendo praticamente extorquidos a pagar o valor imposto pelo chamado flanelinha, além de chegar em casa de madruga, se posso fazer justamente, ao contrário de tudo isso?
Este é mais ou menos meu pensamento sobre o carnaval. Gosto da época, gosto de participar e assistir, desde que possa levar minha família, dançar com meus filhos, ficando longe de bebedeiras, confusões, discussões e brigas. Hoje, casado, jamais trocaria uma vida por uma noite.
Prefiro os blocos com as marchinhas de carnaval, onde se possam levar crianças, para mim, sinônimo de ambiente familiar. Meu avó dizia que onde há crianças, a fisionomia dos adultos mudam. Para melhor.
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Sobre o autor

Fábio Pexe

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