Cuidado com suas palavras
08/12/2017 | 15h31
Esta semana, com a proximidade das festas de fim de ano, lembrei do meu avô, sábio homem do interior. Ele gostava do Natal, oportunidade de reunir toda a família.
Quando novo, gostava de ouvir suas histórias, de estar ao seu lado. Ele era daqueles que tinha um quartinho de ferramentas nos fundos e, ao fim do dia, corria para lá. Concertava tudo que me lembre, e contava muitas histórias. Uma delas ficou marcada, pois me ensinou de um jeito simples, o que muitos não sabem até hoje. Era mais ou menos assim:
Certa vez, um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou sendo preso. Algum tempo depois, descobriram que o rapaz era inocente, ele foi solto, e, após muita humilhação resolveu processar seu vizinho (o caluniador).
No tribunal, o caluniador disse ao juiz:
- Comentários não causam tanto mal... e o juiz respondeu:
- Escreva os comentários que você fez sobre ele num papel, depois pique o papel e jogue os pedaços pelo caminho de casa e amanhã volte para ouvir a sentença!
O homem obedeceu e voltou no dia seguinte, quando o juiz disse:
- Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem!
- Não posso fazer isso, meritíssimo! - respondeu o homem - o vento deve tê-los espalhados por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão!
Ao que o juiz respondeu:
- Da mesma maneira, um simples comentário que pode destruir a honra de um homem, espalha-se a ponto de não podermos consertar o mal causado; se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada!
Resumindo, como diria o poeta, sejamos senhores de nossa língua, para não sermos escravos de nossas palavras.
Comentar
Compartilhe
Sobre o autor

Fábio Pexe

[email protected]