Duas caras: o que falamos e o que fazemos
30/08/2017 | 09h48
Participando certa vez de uma reunião entre empresários, escutei algo que me faz pensar até hoje. Eu, na época responsável pelo departamento de marketing de uma grande empresa, fui com a ideia clara de que seria mais uma reunião com assuntos básicos, como vendas, despesas, estratégias e funcionários.
Realmente isso aconteceu. Mas já no final, um senhor no auge de seus 60 anos, lança uma pergunta que fez todos os poderosos participantes pensarem.
Não lembro exatamente como era, mas a mensagem era esta: de que adianta gastarmos tudo que gastamos se as pessoas que trabalham para nós têm duas atitudes diferentes: o que falam e o que realmente fazem.
Exemplos. Você já deve ter conhecido pessoas que vivem repetindo que dinheiro não aceita desaforo, e ao mesmo tempo, gastam fortunas com inutilidades. Ou que repetem mantras lido em auto ajuda que não levaremos nada de material desta vida, mas sempre nos “lembram” daquele empréstimo ou daquela ajuda. O famoso “jogar na cara”. Pessoas que olham torto quando você toma uma cerveja na terça, e domingo levantam tarde por que encheram a cara no sábado.
As vezes, fazemos até sem saber, pelo menos, espero. Pessoas que dizem não ser interesseiras, e num churrasco só conversam com quem tem dinheiro. A ralé fica de lado. Justificativa? Interesses comuns....
Agora, transporte isto para as empresas, sejam grandes ou pequenas.
O funcionário que no treinamento faz sinal de positivo com a cabeça constantemente quando o assunto e atender bem, e na hora de fazê-lo, fica com a cara amarrada e se quer responde ao bom dia. A empresa que tem como lema honestidade, e no fim do mês, arrecada fortuna em centavos não devolvidos aos consumidores. Vide os trocos de supermercados. O diretor que prega enxugar ao máximo os gastos, ter que despedir funcionários, muitos pais de família, e trocam de caminhonete. E por aí vai.
Gosto muito de um conjunto chamado “Banda Mirim”, de São Paulo. Uma de suas músicas (Felizardo) diz assim: “Hoje eu acordei me sentindo tão bem, tão bem. Também pudera minha vida está tão boa. Logo que acordo já me pego rindo a toa. Eu gosto do que penso, gosto do que faço”....
Resumindo. De modo geral, falamos uma coisa e nossa atitude mostra o contrário. É o famoso “jogar para a galera”. Isso realmente não tem como controlar. É do caráter, e este, infelizmente não controlamos. Por isso, o senhor que fez a pergunta, infelizmente não teve resposta...
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Você esta sendo manipulado!
18/08/2017 | 09h53
Somos manipulados constantemente, e pior, nem percebemos. Citarei alguns exemplos rápidos utilizados pelo marketing, em comércios comuns, para não ficar um texto chato.
Lojas no geral. A maioria é dividida em compras necessárias e por impulso. Por exemplo, numa loja de roupas, uma camisa pode ser necessidade, já um colar pode ser por impulso. Assim, os produtos de necessidades geralmente ficam na cara do gol, e os produtos por impulso mais ao fundo, estrategicamente colocados.
Cores e a iluminação. Detalhes estéticos? Não. As cores mais vibrantes, por exemplo, podem chamar mais atenção, mas quando usados erradamente, causam certa irritação. Já reparou que os fast foods utilizam cores fortes com frequência? Assim o cliente chega, come e vai embora, dando lugar a outro. Diferente dos restaurantes, onde os clientes ficam muito mais tempo... e surpresa! As cores são neutras...
Literatura. Citarei um livro, Best Seller que a maioria leu, mas muitos não perceberam o marketing contido no texto. O Código Da Vinci de Dan Brown, um dos autores de maior sucesso atualmente, está repleto de propagandas. No livro, são citadas quase 50 marcas, que vai de relógios a restaurantes...filantropia?
O segredo do marketing é parecer natural ao ponto de não percebermos. Talvez o melhor exemplo seja o caso dos supermercados. O interior é inteiramente voltado para estimular o consumo.
Geralmente os clientes entram pela direita dos caixas, pois segundo estudos, o ser humano tem a tendência de virar a cabeça para essa direção. Assim, o lado direito fica reservado para a seção de roupas ou demais, pois provavelmente poucos vão ao supermercado para comprá-los, mas o efeito já foi conseguido: Você olhou para a direita e pode ter despertado seu interesse por alguma peça ou promoção.
Na esquerda, localiza-se toda a extensão do supermercado. Os produtos chamados de "primeira necessidade" são distribuídos pelo local, fazendo com que os clientes circulem, aumentando assim, a visibilidade e podendo ocasionar uma compra não programada. Mesmo motivo pelo qual o açougue e a padaria são localizados no final do estabelecimento.
Em relação às estantes, elas são divididas em três níveis: O primeiro perto do solo, onde estão os produtos que mais vendem, os chamados vendas obrigatórias; O segundo, a altura das mãos; E o terceiro, localiza-se ao nível dos olhos. Nesses dois últimos, as vendas são alavancadas por estarem em local de fácil visualização e podem ser pegos facilmente, localizando-se assim, os produtos novos, poucos conhecidos ou encalhados. O que pode ser visto, conhecido e tocado, vende.
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Clientes: diferença entre ATENDER e TRATAR bem.
09/08/2017 | 11h58
Num mundo onde os produtos em sua maioria são todos iguais, não raro do mesmo fabricante apenas com etiqueta trocada, é comum que ao falarmos em diferencial, pensamos logo no atendimento ao cliente.
Comum também é o cliente chegar numa loja, ser recebido pelo vendedor com um largo sorriso no rosto, ter seus caprichos atendidos e, após a venda concluída, ver a máscara cair e ser deixado de lado. E coitado desse cliente se ele voltar para reclamar de um produto com defeito ou alguma dúvida... aí ele passa de “querido” a “rejeitado”.
Exagero? Infelizmente não...
É fácil entender esta atitude, pois no mundo comercial, tudo são números. O supervisor tendo que aumentar as vendas, o gerente querendo bater metas e o diretor com necessidade de reduzir custos e aumentar a margem de lucro. E no final do quiabo, o vendedor.
Nesta confusão, poucos tentam entender a diferença entre atender bem e tratar bem um cliente.
Tratar bem, é muito mais simples, alias, nem deveria ser uma qualidade, e sim, uma obrigação. Você não vai brigar com uma pessoa que lhe falou “bom dia”. Partindo do princípio que todos deveriam ser educados, e o ser humano é feito de relacionamentos constantes, atitudes simples como uma simpática saudação e uma conversa informal, já cumprem o papel. Pronto, o cliente foi bem tratado.
Agora, atender bem, já é outra história. Vai desde o tratamento, a limpeza e organização do local, até o famoso pós venda. Ou seja, o cliente já foi embora do seu estabelecimento, e continua sendo atendido. Este tipo de relacionamento é duradouro, faz com que ele seja fiel a você e a seus produtos.
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Turismo. Esta bom como está?
04/08/2017 | 15h19
Hoje escreveremos sobre o marketing no turismo, pois afinal, estamos em um estado onde este segmento é de suma importância para a economia.
Marketing! Já ouvi falar, mas o quê, realmente é isso? Bom, está aí uma pergunta difícil. Não pela explicação, mas por ser oito ou oitenta. Uns acham que é um bicho de sete cabeças, que é oneroso, muito lero-lero, que não tem condições e que não é para ele. Outros acham que já sabe tudo a respeito, que é só copiar o que deu certo, que não precisa de profissional para isso, é só ter uma ideia boa, que ele como comandante sabe o que dá certo ou não.
Na verdade é um pouco a mistura dos dois lados. Tem muito lero-lero e pouco conhecimento de fato. Vejamos o exemplo do Marketing Turístico. O que de novo, de rentável e de prático está sendo feito? Será que não se usa as mesmas ideias, gestão atrás de gestão?
Em âmbito nacional, o Brasil recentemente foi sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, e não soube aproveitar. Pelo menos não como gostaríamos. Mesmas ideias, mesmas ações. Há exemplos de países que sediaram apenas um destes eventos e conseguiram dar outro rumo a sua história turística, inovando conceitos na época, como o simbólico caso da Espanha, através da cidade de Barcelona.
E se trouxéssemos este assunto para mais próximo de nós, mais especificamente para a região de Campos dos Goytacazes, será que mudaria algo?
O brasileiro tem se tornado um viajante mais frequente e com maior critério na escolha dos destinos turísticos. Distância, preço e atratividade exercem grande influência na decisão do local onde passarão seus momentos de lazer. Destes fatores, o que mais me preocupa é a atratividade. Ora, distância, não conseguiríamos colocar a cidade nos ombros e mudar. Preço, se a atratividade for boa, os momentos serão inesquecíveis, e isso, como o ditado diz, “não tem preço”. Agora a atratividade.... isso sim, depende de nós.
Ou ficamos inertes e não buscamos inovar em nada, esperando que “apenas” nossas paisagens e praias naturais abençoadas por Deus façam todo o nosso serviço, ou buscamos ações e atrativos que, somadas com o que temos, ofereçam estrutura e diversificação para completar o quadro de título “beleza natural”. Seria como uma moldura, um bom leiloeiro e um tema.
Exemplos: muitos destinos com potencial de atratividade pela cultura e belezas naturais, apresentam dificuldade de acesso, seja rodoviário, pela qualidade das estradas, pela insuficiência da malha aérea e/ou custos das passagens. Somam-se a isso, poucas mudanças e criatividades nos passeios, onde quem o fez a cinco anos atrás, praticamente não vai notar diferença, falta de mão de obra especializada (entenda-se atendimento, ou vontade de) e praticamente ausência de estímulos e ideias governamentais.
Percebo que de um modo geral, ficamos presos a propagandas e ações que passem atributos como descanso e tranquilidade, tempo com a família e amigos, diversão e beleza natural, aqui no caso, praias. E talvez seja hora de explorar nichos de mercados novos, como criatividade e inovação, aliados a patrimônio histórico e cidades históricas.
Sempre cito como exemplo os EUA, onde em uma simples partida de basquete universitário consegue-se girar milhões. Ou qualquer outro esporte. Não só de dinheiro, mas de emprego, rotatividade de produtos e serviços oferecidos. Existe o mascote local, cercado pela sua enorme fila para se tirar fotos, as camisetas do time de todos os tamanhos e formatos, sejam femininas ou masculinas, uma quantidade enorme de bugigangas, perdendo somente talvez, para os carrinhos de comidas, os famosos food trucks, com músicos locais mostrando seu trabalho enquanto animam o local, além de não raro, abrigar no mesmo espaço pequenos parques de diversões, com jogos de tiro ao alvo, pega urso e roda gigante. Isso sem citar os esportes profissionais, ai o bicho pega.
Estas ações não só atraem o turista, como o próprio cidadão. E não me venham comparar renda, por favor. Muitos são voluntários, ou querem mostrar seus serviços e dotes, buscando oportunidades futuras. Um passeio de mãos dadas com a namorada mais um algodão doce, não piora a vida de ninguém, ao contrário.
E por que não pensarmos em algo parecido, dentro de nossa realidade?
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Sobre o autor

Fábio Pexe

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