Empresas x profissionais: quem esta errado?
03/03/2016 | 10h16
Sempre leio artigos sobre a importância das pessoas nas organizações empresariais, tirando o fato de que, óbvio, sem elas a maquina não gira. Alguns chegam a dizer que não são mais descartáveis como eram entes. Pontos como a individualidade e a qualificação, são exaustivamente abordados em entrevistas. Você com certeza já se sentiu um estranho no ninho. Em algum momento da sua vida, seja por escolhas suas, ou por obrigação. Quando você escolhe, é mais fácil pegar o boné e partir para outra. Uns conselhos aqui, uma conversa com amigos lá, uma cervejinha acolá e, pronto. Mas e quando este sentimento vem no seu trabalho? Convenhamos que não há muita vaga para seu boné. Este é o motivo da risadinha amarela nas rodas de piadas sem graças. O ser aceito, mesmo que não seja você. A inclusão. Exclusão esta que talvez, seja causada pela própria empresa. Os selecionadores tem uma ideia do que seja bom para eles, mas e a individualidade citada no primeiro parágrafo? Vejo muitos aconselhando em fazer um bom currículo. Para mim, pouco importa o layout, e sim, sua qualificação. Prefiro receber currículos diferentes, do jeito que ache mais apropriado, desde que realmente me diga sobre você. Inclusive de como escolheu o layout. A partir do momento que eu lhe dou dicas de como fazer isso, sutilmente saiu você, e entrou eu. Estes dias vi o currículo do meu pai guardado numa caixa velha. Aposentado, diz que só quer cuidar das suas orquídeas. Simples, fala somente sobre suas qualificações. O currículo, modelo 1980 e mandado pela última vez em 1997, era simplesmente maravilhoso. Era tudo que eu gostaria de receber. Não tive tempo de reparar em fonte usada, quantidade de tópicos, linhas e demais invenções. Balela. Singelo, era ele ali, preto no branco, e o que ele tinha feito, verdadeiramente feito. Às vezes, é tanto modelo diferente, que o sujeito acaba inventado ou inflando qualificações para achar algo que encaixe naquele tópico. Se realmente o que vale é a qualificação do profissional, e o retorno que este traz, ou pode oferecer a empresa, por que é analisado se ele é social (com aquelas pessoas), se conta piada ou participa de brincadeiras, que aquele determinado grupo, naquela determinada organização, faz. Trabalhei em empresas que, por algum motivo particular (nem sei se existia um), não fazia questão de frequentar estas rodas, como fazia questão em outras particulares. Sempre educado, entrava na brincadeira, nunca me indispus com ninguém, mas ali não era meu grupo. E fui avaliado e julgado por isso. Não fui um profissional de outro planeta, por que neste caso, acho que não lhe entregam seu boné, mas também não sou dos piores. Ofereci o que eu conseguia, o meu melhor. Quantos profissionais de outro planeta existem? Estes viram diretores rapidamente, ou montam seu próprio negócio. Num time campeão de futebol, quantos craques existem? Dois ou três? Aí entra uma forma de suprir isto. A qualificação. Seja qualificado, traga resultados e a empresa fará de tudo para lhe segurar. Ah, então esta aí a fórmula...Opa! Mas quanto? Mais ou menos? Sim, por que seu eu for muito, a vaga não está na minha altura e não sou especialista. Mas eu tenho 4 especializações! Então...sabe de muito. Converso com muitos amigos que se sentem perdidos, não sabem o que, realmente a empresa quer. Daí surge coisas do tipo QI, vaga fantasma, puxa saco. Esperam este direcionamento de alguém...mas não tem. Ninguém escreve sobre isto, apenas dicas de currículos e como se comportar em entrevistas. Vejo quantidades de pessoas reclamando, com ou sem emprego. Será que são os profissionais apenas os culpados, ou as empresas e seus avaliadores devem adotar outra postura?
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