Sem limites no esporte
11/09/2016 | 15h56
Nos últimos dias, mesmo que sem o destaque merecido, os Jogos Paralímpicos Rio 2016 têm dado exemplos de superação.   Dias desses assistindo a uma das competições pela TV me peguei pensando o quanto é difícil e desafiador o esporte, mas também o quanto é gratificante para um atleta, ainda mais para um paratleta. O caminho até a medalha é árduo e realizador mesmo que ela não venha.  São anos de treino, disciplina e dedicação, que em um paratleta transborda de formas inimagináveis. Muitas vezes o maior desafio destes atletas não está na sua deficiência física, mas sim na falta de incentivo que não falta só a eles, mas a todos que se dedicam ao esporte. Agora, durante as Paralimpíadas, isso quase não é notado diante das várias medalhas já conquistas, mas como fica o depois? Fica como antes ou vamos acordar de vez? Falo vamos, não só em relação ao poder público, mas também a iniciativa privada e a nós como cidadãos. Claro que as prefeituras, governos dos estados e federal tem por obrigação investir no esporte, mas isso não pode ser encarado pela gente com comodismo ao ponto também de não ser feita nossa parte. Junto aos Jogos Paralímpicos Rio 2016, coincidentemente, a Folha realizou, durante essa última semana, uma rodada de entrevistas como os candidatos à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) justamente abordando o esporte e focando umas das perguntas no incentivo às modalidades paralímpicas. Uma forma de contribuir com você eleitor na sua escolha, dando base para avaliar qual governante irá de fato fazer uma gestão para todos. O primeiro a ser ouvido foi o candidato Geraldo Pudim (PMDB), que prometeu, se eleito, “a implantação de um centro de treinamento especializado para atletas com deficiência, visando à sua inclusão social e formação de atletas de alto rendimento para representar o município em competições regionais, estaduais e nacionais”, Outra proposta foi também “incluir o esporte paralímpico nas competições estudantis”. O segundo entrevistado foi Nildo Cardoso (DEM) que, como prefeitável, garantiu a criação de um “complexo esportivo com espaços adaptados para estimular e descobrir talentos nas modalidades paralímpicas?”, citando a ONG Esporte Sem Fronteiras, “que sempre desenvolveu um trabalho fantástico com o basquete em cadeira de rodas, mas, como em todas as outras modalidades, sofre com a falta incentivo do poder público”. Já Rafael Diniz (PPS) disse que se conseguir chegar à Prefeitura vai trabalhar uma “política de paradesporto propondo a formação de equipes paralímpicas, a adequação de equipamentos esportivos públicos para a prática e a implantação de um programa de Bolsa Atleta para os atletas de rendimento paralímpicos”. Outra ideia é ”chamar o setor empresarial para estimular e fomentar os atletas juntamente com a Prefeitura”. O candidato Rogério Matoso (PPL) também destacou a ONG Esporte Sem Fronteiras. Ele disse que “acredita no esporte como mola essencial para o desenvolvimento humano, resgate da cidadania e uma grande oportunidade para quem está em situações depressivas. Quero que a ONG tenha um espaço físico para realizar seus treinos em diversas modalidades, produzindo atletas para o país”. Uma sub-secretaria destinada aos atletas paralímpicos na pasta da Fundação Municipal de Esporte (FME) foi uma das promessas feitas pelo prefeitável Caio Vianna (PDT). Segundo ele, dentro desta “estrutura, terá profissionais capacitados para fomentar os projetos durante o ano. Os Jogos Estudantis Municipais Adaptados (Jema), Esporte Unificado (processo de inclusão), Atletas Saudáveis (avaliações), Atletas Jovens (atividade psicomotora de estimulação, de 0 a 5 anos) e Juventude e Escola (parceria junto com a secretária de Educação para o processo de inclusão), transformando Campos em um pólo paralímpico no Estado do Rio”. O último a responder sobre o assunto foi o candidato governista Dr. Chicão (PR). A entrevista está sendo publicada hoje na página 11.  Ele prometeu dar “continuidade e ampliar o trabalho de inserção de crianças e adolescentes portadores de deficiência física conforme vem realizando a FME, FMIJ, e as Vilas Olímpicas”. Além disso, garantiu que “vai interagir com as instituições voltadas para os esportes paralímpicos, ampliando o universo de inserção de crianças e jovens neste segmento tão importante para a socialização, elevação da auto-estima e desenvolvimento pessoal”. Com todas as promessas postas, agora é torcer que o eleito possa não só utilizar de suas ideias para fomentar o esporte paralímpico, mas que aproveite também o que foi proposto por cada candidato. Boas intenções todos demonstraram. Seja quem estiver à frente da Prefeitura de Campos em 2017, o pensamento deve ser o de que o esporte é uma mola propulsora para se ter mais qualidade de vida, sendo indispensável para a reabilitação e inclusão, principalmente de pessoas com deficiência física. Que as lições dadas até agora com os Jogos Paralímpicos Rio 2016 façam a diferença não só no presente, mas também sirvam para reavaliar o passado e garantir um futuro sem limitações. *Artigo publicado na edição da Folha deste domingo.
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Sobre o autor

Rodrigo Gonçalves

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