É farra
25/02/2016 | 11h55

Ao longo dos últimos dias, mais uma vez ganhou destaque a questão da atuação da Pátio Norte em nosso município, algo que há muito vem sendo alvo de questionamentos por parte da população, que sofre com a falta de controle do serviço pelo Governo Municipal.

Campos, infelizmente, é uma terra em que as leis de trânsito são completamente ignoradas por grande parte da população, que ainda não percebeu que o crescimento da cidade não permite mais que infrações passem desapercebidas. Estacionamento em locais proibidos, filas duplas, uso do celular ao volante, são exemplos de infrações que transformam o trânsito da cidade num caos.

Não se discute que essas infrações devam ser coibidas e que os serviços de reboque e depósito devam ser utilizados, quer seja porque as leis de trânsito precisam ser cumpridas, quer seja pela necessidade de se pôr ordem em nosso caótico trânsito. Mas o que se vê hoje em Campos, muito além do cumprimento das leis, é o abuso de autoridade e a disseminação de uma verdadeira farra dos reboques.

Os fatos ocorridos na última semana demonstram muito bem isso. Por que rebocar o veículo, ainda que estacionado em local proibido, se o condutor já estava presente para tirar o automóvel dali? Não seria a multa, instrumento suficiente para o caso? Por que focar tempo e dinheiro público numa situação já resolvida, ao invés de colocar a guarda municipal para atuar em outra ocorrência? Por que interromper o trânsito de uma das principais avenidas da cidade para rebocar um automóvel cujo dono também já estava presente para retirar o veículo? Qual a lógica disso? Qual a eficiência disso? O que a cidade ganha com isso?

Algo precisa ser feito para que essa verdadeira indústria do reboque tenha fim. Não se pode mais admitir a burocracia para retirada dos veículos. Não se pode mais admitir que o depósito fique fechado aos finais de semana. Não se pode mais permitir que os veículos sejam leiloados da forma como vêm sendo hoje. Espera-se que a audiência pública que será realizada pela Câmara Municipal seja o início do processo de abertura da caixa preta da Pátio Norte.

Mas espera-se, também, uma mudança de atitude do Governo Municipal com relação à mobilidade urbana como um todo. A situação da Pátio Norte é apenas um reflexo do descuido com o setor. O transporte de ônibus não melhorou após a licitação. O serviço de vans continua, convenientemente a não ser regulamentado. O transporte pirata toma conta da cidade. O parquímetro, prometido para justamente mitigar o problema das vagas de estacionamento, até agora não saiu do papel.

Enfim, será difícil resolver a farra da Pátio Norte enquanto não resolvermos um problema muito maior: A farra do CESEC. Enquanto o exemplo não vier de lá, fica difícil o resto melhorar.

Artigo publicado na versão impressa da Folha de hoje (25/02)

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