Cabelos brancos
26/06/2015 | 16h55

Muito se falou ao longo dessa semana, em razão de acontecimentos da política local, em respeito aos cabelos brancos dos mais velhos. O respeito, o cuidado, o afeto aos mais experientes, ao seu passado, às suas histórias de vida, é fundamental para uma sociedade que pretenda ser evoluída. Com relação a isso, acredito que não haja divergências.

Mas precisamos ter em mente que os cabelos brancos não escondem eventuais desvios de caráter das pessoas que os carregam. Cabelos brancos não escondem imoralidades, submissão, frouxidão, enfim, não escondem quem de fato uma pessoa é e foi. Vou além, cabelos brancos não podem ser usados como desculpa para justificar atrocidades, ilegalidades, desmandos.

Nós, jovens, precisamos sim respeitar e aprender com os mais velhos, mas não podemos aceitar que os cabelos brancos das pessoas sirvam de justificativa para tudo de errado que está acontecendo em nossa cidade.

[caption id="attachment_1409" align="aligncenter" width="300"]sarney Esses cabelos brancos camuflam quem esse homem foi?[/caption]
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Quem tem medo de CPI?
24/06/2015 | 12h23

O que se viu ontem, na Câmara Municipal, durante a aprovação de emenda ao Regimento interno da Casa, que passou a permitir apenas duas CPI's concomitantes, foi algo digno de pena. No afã de impedir a realização de uma eventual CPI para apurar o rombo de milhões de reais dos cofres públicos municipais, constatados por auditoria, os vereadores da base governista, vergonhosamente, abriram mão do seu direito de fiscalizar, desrespeitando ainda o direito constitucionalmente garantido à minoria da casa.

Diante desse circo de horrores, ficam a perguntas que não querem calar: Quem tem medo de CPI? Por qual motivo, uma Câmara com 25 vereadores, pagos com o nosso dinheiro, não pode ter mais de duas CPI'S simultâneas? Será que o governo municipal tem algo a esconder? Será que além de incompetente esse governo também é corrupto e está tentando encobrir atos ilícitos?

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Se essa moda pega
22/06/2015 | 09h26

Se essa moda de abrir mão da remuneração nos dias em que se falta a sessão pegar, vai ter vereador por aí "trabalhando" de graça. É ver, para crer.

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Crise de valores
18/06/2015 | 11h02

Campos vive uma grave crise econômica, quanto a isso não há dúvidas. A queda repentina na arrecadação oriunda das receitas dos royalties do petróleo contribuiu decisivamente para isso? Claro que sim. O desapego às boas práticas fiscais pelo Governo Dilma e o escândalo de corrupção da Petrobrás também? Óbvio que sim. Mas por mais desculpas que inventem, por mais demagogia que espalhem, uma coisa é certa: O principal responsável pelo caos econômico que vivemos é o Governo Rosinha Garotinho.

Nos últimos 6 anos e meio, Campos teve à sua disposição mais de 17 bilhões de reais, mais do que a soma dos governos dos seus antecessores nos últimos 20 anos. Não se pensou, contudo, em economizar, para que o município pudesse conviver com eventuais períodos de vacas magras. Gastaram muito, gastaram tudo e mais um pouco. E o pior de tudo, gastaram mal. Não houve planejamento, não houve gestão, não se colocou em prática um projeto de cidade, que nos preparasse para um futuro sem petróleo. O problema é que a conta por esse desleixo chegou antes do que esperavam e chegou pesada. Não bastasse o desperdício do dinheiro que jorrou nos últimos anos, estão nos impondo a venda do futuro de todo o município, para bancar, por mais um tempo, os projetos pessoais de uma meia dúzia de irresponsáveis.

O que mais me preocupa, contudo, não é crise econômica, que mais cedo ou mais tarde passará. O que me preocupa de fato, é crise de valores que estamos vivenciando em nosso município. O governo que aí está, além de quebrar o Município, conseguiu instalar um caos moral na cidade.

A Câmara municipal é um fiel retrato dessa lamentável situação. Vereadores eleitos pelo povo abrem mão do seu papel de fiscalizar e legislar, lavam as mãos e autorizam que o nosso futuro seja vendido aos bancos. Não bastasse isso, desaparecem, derrubam sessões, se acovardam, tudo isso sob a liderança de alguém que se julga elogiado quando taxado de ditador. Nossos órgãos de controle, com poucas e valorosas ressalvas, se omitem, vestindo a armadura da arrogância para esconderem-se da vergonha das suas atitudes. Pessoas sem preparo intelectual e moral algum, ocupam posições de relevo social, tornando o nosso cotidiano um verdadeiro balcão de negócios. Enquanto isso, os cidadãos honestos, preparados, qualificados assistem a tudo isso calados, muitas das vezes paralisados, sem saber o que fazer diante de tamanha desordem.

Enfim, caros leitores, faço esse desabafo, pois de nada adiantará combatermos a crise financeira, se nós não tivermos a dignidade de resgatarmos os nossos valores. Precisamos, mais do que nunca, deixamos de lado nossos interesses pessoais imediatos e exigir um novo projeto de cidade. Nosso problema não é e nunca será falta de dinheiro, nós sabemos muito bem disso e precisamos urgentemente fazer algo. Graças a deus 2016 está chegando.

Artigo publicado na versão impressa da Folha de hoje (18/06).

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Irresponsabilidade
15/06/2015 | 10h13

No fim do ano passado, quando o atual Governo vendeu os royalties do petróleo a que o Município tinha direito, para obter empréstimo junto ao Banco do Brasil, escrevi um pequeno texto afirmando que tal atitude consistia num acinte histórico. Pagar mais de 50 milhões de reais em juros, mesmo com o Município chegando a um orçamento de dois bilhões e setecentos milhões de reais em 2014 parecia, pelo menos para mim, o auge do absurdo, de tantos outros cometidos por esse Governo que aí está. Não esperava que algo pior pudesse acontecer, mesmo afirmando que aquela atitude poderia nos levar ao caos administrativo.

Para meu espanto, contudo, o algo pior está em vias de acontecer. Não satisfeito com a venda absurda do ano passado, o atual Governo, após articulação do Secretário Garotinho no Senado, já solicitou carta branca à Câmara Municipal para vender ainda mais royalties. Segundo as más línguas, para obter cerca de 500 milhões de reais, o Governo estaria disposto a vender mais de um bilhão de reais, pagando altíssimos juros e, o pior de tudo, deixando a conta para os futuros prefeitos pagarem. Notem a gravidade da situação, caros leitores, para colocar a mão de imediato em 500 milhões de reais, querem entregar aos bancos outros 500 milhões, dinheiro dos futuros governos, das futuras gerações.

Tudo isso, para tapar os rombos deixados para trás, decorrentes da má gestão dos mais de R$ 17 bilhões recebidos nos últimos seis anos e meio, quando Campos nunca viu tanto dinheiro. Mais uma vez, querem que paguemos a conta pela irresponsabilidade desse Governo que aí está. Ao invés de sanearem as contas e enxugarem efetivamente a máquina pública, vão meter a mão nas receitas das gerações futuras, para manterem as aparências até 2016.

Trata-se de uma irresponsabilidade sem tamanho. Não há previsão de aumento da cotação do barril do petróleo nos próximos anos. Com esse empréstimo, as futuras administrações, que já contatarão com orçamentos mais modestos, terão as contas ainda mais comprometidas. Isso sem falar na possibilidade de perda definitiva de grande parte das receitas dos royalties, caso o Supremo Tribunal Federal declare constitucional a lei que reparte essas receitas com todos os entes federados.

Muitos afirmam que ao final dos seus 8 anos de mandato, esse grupo político que aí está não deixará legado algum para a cidade, não terá uma marca para dizer que é sua. Eu afirmo o contrário. Esse Governo nos deixará sim um legado. Deixará como legado uma cidade quebrada e uma bela dívida para pagarmos. Vamos pagar pelos delírios e ambição desmedida de um grupo político decadente, que faz de tudo para manter o seu projeto de poder.

Artigo publicado na versão impressa da Folha de quinta-feira (11/06).

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Começou o terrorismo
10/06/2015 | 15h41

Bastou alguns vereadores da bancada governista ousarem contrariar as ordem do chefe do grupo político, para começar o terrorismo. Os veículos de imprensa aliados ao governo e grupo de blogueiros pagos com o dinheiro público começaram a divulgar notícias dando conta de que alguns programas do Governo, como a passagem a um real e o cartão cidadão poderão ser cancelados caso a venda dos royalties não seja autorizada pela Câmara.

Toda vez que a corda aperta é esse papo que a cidade vai quebrar, que os programas vão parar, que as pessoas vão sofrer e nunca é feito o que é necessário para colocar a Prefeitura nos eixos.  Só querem postergar o caos, viver de aparências até 2016. Mas o fato é que, da forma como as coisas vêm sendo administradas, o caos chegará, seja agora, seja mais na frente. Não é hora de empréstimo, é hora de reconhecer os erros, enfrentar os problemas, cortar na própria pele, fazer as verdadeiras reformas que são necessárias. Será duro, a cidade poderá sofrer, mas não podemos empurrar com a barriga. Uma hora a corda estoura e não vai ter empréstimo que salve.

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Mercado: Voltando ao assunto
04/06/2015 | 19h39

De forma conveniente, tentou-se mudar de assunto, dando como favas contadas a continuidade das obras do Mercado Municipal. Felizmente, eu sou daqueles que não desiste e estou disposto a quebrar a vitrola de tanto tocar o mesmo samba.

Insiste-se na desinformação ao público, alardeando-se que não há alternativas ao projeto que está sendo executado e que os interessados na preservação do Mercado não pensam nas pessoas que dele tiram o seu sustento. Omite-se do leitor que o antigo Shopping Popular já não existe mais lá, permitindo a visualização de uma das faces do mercado e que já estão praticamente prontas as instalações provisórias dos feirantes, poucos metros distantes da atual, o que permitiria a visualização da outra face.

Mas aonde enfiar cerca de 1.000 camelôs e feirantes, como querem tanto saber? Não tenho a pretensão de esgotar as possibilidades, que apenas os míopes políticos e sociais não conseguem enxergar. Já há projetos prontos, muitos deles contratados pela própria prefeitura, outros elaborados em sede acadêmica, indicando uma série de opções. Todas eles, certamente, dariam muito mais dignidade aos feirantes e camelôs. No próprio local onde estão sendo construídas as instalações provisórias dos feirantes, já existe projeto para construção de moderno prédio. Também há projeto pronto para construção do novo mercado nas proximidades da Arthur Bernardes com José Alves de Azevedo – eixo de franca expansão do município -, num prédio moderno e com amplo estacionamento. Com relação aos camelôs, para ficar apenas numa proposta, há, do outro lado do mercado, na Rua Formosa, um grande espaço vazio, em que hoje funciona um estacionamento, que poderia receber todos esses trabalhadores.

Não creio em desconhecimento de todos esses projetos - que já foram pra lá de expostos e divulgados. É má-fé mesmo. No afã de defender um Governo que não dialoga e não tem zelo com a coisa pública, surgem visões obtusas e alheias ao fato de que as pessoas mais pobres, que tiram o seu sustento do mercado e do seu entorno, terão muito mais dignidade se foram transferidas para locais mais amplos, limpos e de fácil acesso.

Fico me imaginando daqui uns 10 anos, passando a pé mesmo pelo mercado e mostrando ao meu filho o que sobrou do prédio. Teria que dizer para ele: “Para permitir que uns poucos tivessem orgasmos na contagem de votos, os órgãos responsáveis por zelar pela coisa pública permitiram a continuidade dessas pessoas no local. Hoje, ninguém vê esse histórico prédio e essas pessoas passam fome, porque ninguém que vir comprar nada num lugar sujo, apertado e sem lugar para os visitantes pararem o carro. Valeu a pena não? Afinal de contas, quem se importa com isto?”

O grande problema é que, para mal dos pecados de poucos, muitos se importam!

Artigo publicado na versão impressa da Folha de hoje (04/06)

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Para inglês ver
03/06/2015 | 13h19

Depois da morte, no Rio de Janeiro, do médico Jaime Gold, após ser atacado a facadas por jovens, na Lagoa Rodrigo de Freitas, algumas medidas passaram a ser adotadas pelas autoridades. Uma delas, foi a apresentação pelo Deputado Estadual Geraldo Pudim de um projeto de lei que proíbe o porte de "armas brancas", sob pena de pagamento de multa.

Não desconfio da boa vontade do Deputado nesse caso, mas, sinceramente, trate-se de mais um projeto para inglês ver. A pessoa que usa uma faca para agredir ou, até mesmo, matar uma pessoa, já pode ir presa por homicídio, lesão corporal, roubo, dentre tantos outros tipos penais, e nem por isso deixa de portar e utilizar a dita "arma branca". Será mesmo que será uma multa que a fará desistir de cometer um crime?

Pensando no caso do médico, seria mesmo uma multa que faria os jovens acusados desistirem do crime? Eles pagariam a multa com que dinheiro? O do produto da venda da bicicleta roubada?

Deixemos a hipocrisia de lado. Não será mais uma lei que mudará o caos social que vivemos, muito menos reprimirá crimes como esse.

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