Redução de homicídios no trimestre
18/05/2019 | 16h46
Silhuetas de corpos no chão.
Silhuetas de corpos no chão. / Fernando Frazão/Agência Brasil
Na última semana foi notícia em todo o país a queda no número de homicídios no primeiro trimestre de 2019 em comparação ao mesmo período de 2018. Foi uma diminuição de 24% segundo levantamento feito pelo G1. Foram cerca de 3.200 mortos a menos. Essa redução ocorreu em todos os Estados, com destaque para o Ceará, onde a queda chegou a impressionantes 56%.
No Rio de Janeiro a redução não teve o percentual do Ceará, ficando perto da média nacional, com uma redução de 26% no número de homicídios no mesmo período. Já em Campos dos Goytacazes essa queda foi maior, com uma redução de cerca de 44%. No primeiro trimestre desse ano houve 37 homicídios enquanto no mesmo período em 2018 foram 66 casos.
Os números de homicídios continuam altos, mais de 13.000 pessoas foram mortas no primeiro trimestre no país, mas essa ampla redução ocorrida chamou a atenção de pesquisadores e especialistas que tentam compreender e explicar o que ocasionou esse fenômeno.
Alguns apontam a trégua ocorrida entre facções criminosas rivais em alguns Estados como uma das razões para a redução. Outros citam uma maior articulação entre poderes para um combate mais articulado ao crime organizado, como um dos principais fatores, principalmente depois da crise de 2017, quando o Brasil bateu o recorde de homicídios com mais de 63.000 mortes.
Seja qual tenha sido o fator ou conjunto de fatores que influenciou nessa redução, o que fica claro é a possibilidade de um combate aos homicídios no Brasil. Com cerca de 3% da população mundial, o Brasil chegou a ter 10% dos homicídios. Em todos os rankings de violência figuram cidades brasileiras e com Campos não foi diferente, tendo figurado nos últimos anos sempre entre as 50 cidades mais violentas do mundo, segundo a organização mexicana Segurança, Justiça e Paz.
Portanto, é urgente compreender as razões que levaram a essa redução para que finalmente tenhamos no país uma política integrada, articulada e planejada de combate a um dos maiores problemas de nossa sociedade, o número absurdo de homicídios.
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O Presidente e o pai.
17/05/2019 | 01h24
Senador Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro / Tânia Rego/Agência Brasil
Enquanto o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro aprofunda as investigações sobre o Senador Flávio Bolsonaro e pessoas ligadas a ele, o Presidente Bolsonaro declara para a imprensa que o objetivo disso é atingí-lo.
Eleito com um discurso de combate à corrupção e de perseguição implacável a corruptos, soa estranha essa declaração. Para manter a coerência, teria sido melhor defender a apuração até o fim com a responsabilização de todos que fossem culpados.
Ao chamar para si a questão, levou a o problema para dentro do Palácio do Alvorada, em nova crise gerada por um de seus filhos.
E nesse momento o que país menos precisa são de mais problemas criados pelos filhos do Presidente.
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BR 101: ações de curto prazo não resolvem
12/05/2019 | 23h04

No dia 09 tivemos uma manifestação por mais segurança na BR-101, principalmente no trecho da rodovia próximo a São Gonçalo/RJ. Esse fragmento da estrada federal tem sido palco de inúmeros crimes com muitos relatos de vítimas e vídeos circulando nas redes sociais. Em razão da existência de comunidades controladas por traficantes nas proximidades, a ação dos criminosos é facilitada, pois podem facilmente fugir para o interior de uma delas, tornando a sua captura muito mais difícil. Apesar disso tudo, não é um problema novo.

Para ilustrar a rotina de quem trafega pela rodovia, vale recordar alguns casos. No dia 24/04/18 uma viatura da polícia civil que ia em direção ao Rio de Janeiro, foi atingida por disparos de arma de fogo por volta das 7h da manhã quando passava na estrada. No mesmo dia, um ônibus que fazia a linha Tanguá-Praça XV foi assaltado na altura de Itaúna, São Gonçalo.
Diante da ineficiência das forças policiais em coibir essa onda de crimes, durante a intervenção militar, veículos militares passaram a patrulhar a rodovia com o objetivo de melhorar a segurança. Aumentou a sensação de segurança, porém, com o fim da intervenção, esse patrulhamento extra também encerrou.
Com a diminuição do patrulhamento ostensivo, o número de crimes voltou a crescer, e no dia 18/04/19, quase um ano após o atentado contra os policiais, um motociclista foi baleado, por volta de meio dia, quando trafegava pela estrada. Diante do quadro de completa insegurança existente na rodovia BR 101, fica claro que ações de curto prazo não resolvem o problema. A PRF, que tem atribuição para combater os crimes ocorridos na rodovia, sofre com déficit de servidores e não tem como agir nas comunidades próximas. Já as polícias estaduais não conseguem tirar as comunidades do jugo de criminosos.
Somente com uma ação integrada das forças de segurança federais e estaduais, unindo inteligência e ostensividade, será possível dar segurança aos milhares de pessoas que utilizam diariamente a rodovia. Mas para isso é preciso vontade política, e isso não parece ser a prioridade dos governos federal e estadual.
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Bolsonaro assina novo decreto sobre armas
07/05/2019 | 22h50
 O presidente da República, Jair Bolsonaro, assina o decreto.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, assina o decreto. / Wilson Dias/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro assinou na data de hoje novo decreto que modifica a regulamentação sobre posse, porte e comercialização de armas e munições para caçadores, atiradores esportivos e caçadores. O teor do texto ainda não foi divulgado por completo, o que ocorrerá somente com sua publicação no diário oficial da União, mas alguns detalhes foram repassados por integrantes do governo.
As principais mudanças foram relacionadas à quantidade de munições que podem ser adquiridas, que passam de 50 para 1000, a previsão do porte de arma pelos atiradores quando em trânsito entre o clube de tiro e sua residência e a quebra do monopólio da Taurus S/A, permitindo a livre importação de armas e munições.
O presidente justificou a medida como sendo o cumprimento de uma promessa de campanha e a devolução do direito de defesa que foi retirado do cidadão desde a promulgação do estatuto do desarmamento.
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Problemas carcerários
04/05/2019 | 15h52
Nessa semana um detento foi morto dentro da Cadeia Pública em Campos. Ele teria saído para o banho de sol quando foi atacado por um grupo de detentos que o espancou. Seu corpo só foi encontrado 6hs após o crime e já sem vida. Diante de um fato como esse fica a indagação: Como pode ocorrer algo assim em um local que deveria ser controlado pelo Estado?
Primeiro é necessário deixar claro que não foi um fato isolado. Segundo dados levantados pelo Conselho Nacional do Ministério Público, de 2015 a 2017 houve um crescimento cerca de 50% no número de detentos mortos em presídios no Estado, de 207 para 301. E os números do primeiro semestre de 2018 apontam para a manutenção da trajetória de crescimento, pois em seis meses foram mortos 178 presos.
E para entender porque ocorrem tantas mortes nos presídios do Estado, dois fatores devem ser levados em conta: a superlotação e a falta de efetivo para controlar e vigiar os detentos, dois problemas crônicos no sistema de administração penitenciária.
Segundo o mesmo levantamento do Ministério Público, a capacidade para presos no Estado do RJ no primeiro semestre de 2018 era de 31.210 presos, enquanto havia 53.100 detentos, um excedente de 170,14%. E o quadro é ainda pior em nosso município, pois aqui temos uma capacidade para 1.566 e temos 2.911 presos, com 185,89% de superlotação.
Se não bastasse esse excesso de presos para dificultar o controle, o quadro de servidores existentes para essas funções está abaixo do mínimo para a capacidade máxima. Segundo informações o déficit de servidores é enorme, e em 2018, com um quadro de cerca de 4.500 inspetores penitenciários, era estimada a necessidade de contratação de outros 2.500.
Conjugando esses dois fatores, superlotação e déficit de servidores, fica muito difícil manter o controle das instalações e ao mesmo tempo vigiar as atividades dos presos em tempo integral. Se o governo quiser impedir que o problema se agrave, o caminho é um só, ou realiza investimentos em novas instalações e contratação de profissionais, ou será necessária uma revisão da política de encarceramento.
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Um dia no Rio de Janeiro
30/04/2019 | 23h47
Governador Witzel posa para foto segurando uma metralhadora calibre .30
Governador Witzel posa para foto segurando uma metralhadora calibre .30 / Divulgação Governo do Estado do RJ
Em operação realizada nesta terça feira no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, policiais militares apreenderam um vasto arsenal que incluia sete fuzis, uma metralhadora Browning calibre .30, 42 granadas, drogas, carregadores e muitas munições.
A apreensão foi feita após intenso confronto com traficantes e o material foi levado ao Palácio Guanabara a pedido do governador Wilson Witzel. O governador elogiou a operação e posou para fotos com a metralhadora.
Segundo o governador "Esse é o retrato da realidade que nós vamos mudar. Cada uma dessas munições tinha um destino: o corpo de um policial, de um civil, de uma vítima, de uma criança".
 
 
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Uma visão ampla sobre segurança
28/04/2019 | 12h42
É com satisfação e alegria que hoje me apresento como novo colunista da Folha da Manhã. Uma grande oportunidade de poder falar diretamente com vocês leitores e leitoras sobre segurança pública de uma forma diferente, tendo em foco o interesse da sociedade e trazendo uma visão ampla sobre o tema. Antes de apresentar esse novo projeto que se materializará nas próximas semanas com a publicação das colunas aos sábados, farei uma breve apresentação e a razão de eu estar aqui.
Meu nome é Roberto Uchôa de Oliveira Santos, mas costumo assinar simplesmente como Roberto Uchôa. Sou carioca, policial federal, especialista em segurança pública pela UFF, mestrando em Sociologia Política na UENF, bacharel em Direito pela UERJ, pesquisador do NUC/UENF, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e um entusiasta quando o tema é segurança.
Casado, escolhi Campos para viver há 10 anos. Aqui, tive um casal de filhos e hoje me considero campista por adoção. Desde que cheguei, a questão da segurança pública tem se agravado na região como em todo país. A cidade tem índices de homicídios altíssimos e uma sensação de insegurança constante.

Após anos de experiência na área, tive a certeza de que as reformas necessárias não iriam ocorrer no interior das corporações e por isso fui estudar questões relativas ao tema e como solucionar seus problemas. Aliar essa experiência de 16 anos na polícia com estudos acadêmicos, foi a melhor forma de conseguir apresentar possíveis saídas para ter a segurança pública que a sociedade deseja, precisa e merece.

Esse é o objetivo principal desse espaço. Agregar com algo construtivo, tecer críticas quando necessárias, mas também pontuar ações que tenham êxito. Através dos olhos de quem vive e estuda a segurança pública, pretendo levar aos leitores algumas reflexões e possíveis soluções para esse tema tão complexo que parece coibir nossa liberdade de ir e vir. Então, nos vemos no próximo sábado. Até breve!

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Sobre o autor

Roberto Uchôa

[email protected]

Especialista em Segurança Pública, mestrando em Sociologia Política e policial federal