Garotinho, um pastor à beira de perder o comando de suas ovelhas
12/07/2015 | 10h51
Do jornal "O Dia" (aqui):

Corre à boca pequena uma frase entre os poderosos que serve para ajudar a entender que rumos vai tomar o ex-governador e atual secretário de governo de Campos Anthony Garotinho (PR): na política, quatro anos podem ser quatro décadas.

[caption id="" align="aligncenter" width="498"] Em 13 anos, Garotinho foi da candidatura a presidente ao risco de perder o comando do PR          Foto: Márcio Mercante / Agência O Dia[/caption]
A comparação — indicativa de que o tempo pode acelerar carreiras para cima ou para baixo — é ponto de partida para responder uma pergunta: como, em 13 anos, um político vai do sonho de ser presidente da República ao isolamento em sua cidade natal, podendo perder o comando do partido no estado e assistindo à debandada de antigos aliados?

Hoje, no PR do Estado do Rio um grupo de parlamentares quer Garotinho fora do comando da legenda. A insatisfação, já antiga, atingiu o auge na sexta-feira passada, data do ultimado dado pela bancada federal para que a filha de Garotinho, Clarissa, deixe o partido.

Ela já não esconde mais que flerta com o PSDB, e sua saída, se concretizada, tornará a situação de Garotinho insustentável. Por isso, defendem que o terceiro colocado nas eleições para o governo do estado em 2014 deixe a presidência do PR imediatamente.

Os membros do grupo político do ex-governador não titubeiam e garantem: Garotinho não esperava ficar fora do segundo turno nas eleições estaduais de 2014. A derrota desencadeou uma sucessão de outros dissabores para o ex-governador.

Primeiro, viu Fernando Peregrino, aliado de longa data, sair da legenda ainda em dezembro do ano passado; na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), viu o amigo Geraldo Pudim tornar-se aliado de Jorge Picciani (PMDB), seu desafeto.

E os verá em Campos no ano que vem, pois Pudim será candidato peemedebista à prefeitura, embora garanta que não vai disparar contra o amigo. Além disso, teve que aturar as acusações de estar sempre protegendo e privilegiando a filha.

Se na Alerj Garotinho ainda é visto como liderança, o ex-governador é persona non grata em Brasília. A bancada do Rio reclama que não houve reuniões dos parlamentares com a direção de outubro ao começo da semana passada, ou seja, quase 10 meses sem contato formal. A avaliação é de que a falta de diálogo, somada à publicidade do desejo de Clarissa em ir para o PSDB, evidenciam problemas “insuperáveis” no comando de Garotinho na legenda.

Feijó: "A situação não é boa" - Paulo Feijó é um dos fiéis na Câmara dos Deputados, e tenta contornar problemas. “Tenho cinco mandatos e tentarei apaziguar as relações. A situação não é boa”, admite.

Garotinho não quis conversar com a reportagem.

Prestígio está abalado  em Campos

Em Campos, a força de Garotinho está abalada, e o mais proeminente político da cidade periga não conseguir, no ano que vem, eleger seu candidato, para suceder Rosinha. O nome natural seria o de Geraldo Pudim, mas, com a ida dele para o PMDB, o grupo do ex-governador tem três opções: o deputado estadual Bruno Dauaire (PR); o líder do governo na Câmara dos Vereadores de Campos, Mauro Silva (PT do B); e Dr. Chicão (PP), vice de Rosinha.

Pesquisas encomendadas pelo governo avaliam que a aprovação de Rosinha não é das melhores e, em breve, o PP sairá do governo: o deputado estadual Papinha será candidato a prefeito.

E há um acordo entre PP e PMDB: quem ficar fora do segundo turno apoia o outro. Todos contra Garotinho.

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Clarissa: “Essa história de me isolar como deputada da capital não cola”
20/05/2013 | 07h39
[caption id="attachment_16947" align="aligncenter" width="305"] Foto/Folha da Manhã[/caption]

A deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), que não foi incluída na pesquisa do Iguape (aqui), deixa uma coisa bem clara: não quer ser apontada como uma deputada da capital. Adiantando que a sua nova missão deve ser a disputa por uma cadeira na Câmara Federal, a parlamentar fala sobre ações na região e diz que “o voto é consequência do trabalho”.

Sobre dividir votos em Campos com os deputados Geraldo Pudim (PR) e Paulo Feijó, (PR), possíveis candidatos à Câmara Federal, ela afirma que “tem espaço para todo mundo”. E a candidatura de Wladimir Garotinho a deputado estadual? Para Clarissa, o irmão ainda está amadurecendo a ideia e não existe razão para antecipar o debate.

Em matéria publicada na Folha e no blog "Opiniões" (aqui), o deputado estadual Geraldo Pudim (PR) disse que a estratégia do PR é ter Clarissa como puxadora de votos "na capital e região metropolitana". No entanto, o próprio Pudim ressalta que há espaço no eleitorado de Campos não só para ajudar Clarissa a puxar a legenda para todos os candidatos à Câmara Federal do PR no Estado, como suficientes para deixar sua eleição e a do deputado federal Paulo Feijó praticamente asseguradas.

Confira as perguntas e as respostas:

Folha — Sobre a eleição de 2014, já estaria definido que o seu novo desafio será a disputa por uma cadeira na Câmara Federal?

Clarissa: A tendência é que o Partido da República, no momento apropriado, oficialize a candidatura de Garotinho ao Governo do Estado. Com isso, abre um espaço para minha candidatura à Deputada Federal. Estou animada com essa possibilidade. Já tenho experiência no parlamento municipal e estadual, a Câmara Federal será um desafio que abraçarei com entusiasmo.

Folha — E a sua postura em relação ao município de Campos. A estratégia será parecida com a de 2010, quando evitou uma disputa franca com os aliados, ou vai entrar com força na busca por votos na planície goitacá?

Clarissa: Qualquer que seja o desafio eleitoral que irei enfrentar não abrirei mão de buscar apoios em Campos. Essa história de quererem me isolar como deputada da capital não cola. Minha atuação é estadual. Tem sido assim durante todo o meu mandato. Minhas ações políticas nunca esqueceram da região. Realizei audiência Pública em Quissamã por causa da falta de água no município, presidi uma Comissão Especial para acompanhar o Porto do Açú em São João da Barra, apresentei emenda que destina recursos para a nossa região no projeto da Taxa de Fiscalização do Petróleo e Gás, participei de maneira firme de todos os movimentos em defesa dos Royalties e lidero na Alerj o movimento pela duplicação da BR 101. O voto é consequência do trabalho.

Folha— Em 2010 você obteve 118.863 votos, sendo bem votada em várias partes do Estado. Porém, outros candidatos do grupo (Pudim e Feijó) não teriam a possibilidade de conseguir votos em municípios mais distantes. Até que ponto a sua entrada em Campos pode prejudicar esses aliados?

Clarissa: É bom lembrar que nenhuma candidatura está confirmada, só depois das convenções no ano que vem. Se forem confirmadas as três candidaturas, são três opções para o eleitor. Feijó e Pudim são meus companheiros de partido, é evidente que respeito o espaço político de cada um. Mas recebo muitos incentivos da nossa militância em Campos para dar esse passo em direção à Câmara Federal. Tem espaço para todo mundo. A tendência é que eu seja a puxadora da legenda e isso é bom para o partido.

Folha — Como vê a possibilidade de uma dobradinha com o seu irmão, Wladimir Garotinho? Porém, essa dobradinha não poderia prejudicar alianças em outras cidades?

Clarissa: Wladimir ainda está amadurecendo a pré-candidatura dele. Não existe razão para antecipar o debate.

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