Desapegue-se
19/05/2017 | 21h04
Recebi este texto e aproveito este espaço para partilhar toda essa desistência que se faz necessária em nossa vida cotidiana... “É isso mesmo, entreguei os pontos, não dá mais, acabou. Essa frase soa com tanta força, não é? Mas é verdade, eu desisti mesmo. De um monte de coisas. Desisti de reclamar de quem não quer aprender. Decidi me concentrar em quem quer. E se você olhar bem direitinho, perto de você tem um monte de gente sedenta de conhecimento. Desisti de tentar emagrecer para ser igual a todo mundo. Resolvi ter o peso que eu devo ter, por uma questão de saúde, por uma questão de bem estar. Só isso. Desisti de tentar fazer com que as pessoas pensem do jeito que eu gostaria que elas pensassem. Achei melhor buscar respeitar o outro do jeito que ele é. Imagina se o mundo fosse feito de milhões de pessoas iguais a mim. Ah, isso ia ser um tormento! Desisti de procurar um emprego perfeito e apaixonante. Achei que estava na hora de me apaixonar pelo meu trabalho e fazer dele o acontecimento mais incrível da minha vida, enquanto ele durar. Desisti de procurar defeito nas pessoas. Achei que estava na hora de colocar um filtro e só ver o que as pessoas têm de melhor. Defeito todo mundo acha, quero ver achar qualidades em quem parece não tê-las. Desisti de ter o celular mais “psico-tecno-cibernético” do mercado. Agora eu só quero um telefone, pra falar. É muito frustrante comprar o mais novo modelo e dias depois ver que ele já foi superado. É pra isso que a indústria trabalha. Aproveitei o gancho e apliquei o conceito também a outros produtos: relógio, computador, máquina fotográfica, carro. Desisti de impor minha opinião sobre tudo. Decidi que de agora em diante vou ouvir todas as opiniões, mesmo as contrárias, e vou tentar tirar proveito de cada uma delas. É mais barato compartilhar as opiniões do que brigar pra manter só uma. Desisti de ter tanta pressa. Tudo na vida tem seu tempo, e se não acontecer, não era pra acontecer. Não quer dizer que eu vou “deixar a vida me levar” e parar de correr atrás do que eu acredito, mas não vou me desesperar se eu perder o vôo. Sei lá o que vai acontecer com o avião... Desisti de correr da chuva. Tem coisa mais bacana que tomar banho de chuva? Há quanto tempo você não sente aquele cheiro de terra molhada? E se o resfriado chegar, qual o problema? Não vai ser o primeiro nem o último. Desisti de estudar por obrigação. Agora eu faço da leitura um momento de prazer... Cadeira confortável, pezão pra cima, um chocolate quente, minha gata ronronando do lado. Os livros agora ficaram menores e mais fáceis, mesmo que seja a CLT ou a NBR 9004. Desisti de buscar uma planilha de indicadores toda verdinha. Os índices são assim mesmo, às vezes melhoram, às vezes pioram. Isso é o mundo real. Eu não vou deixar de fazer a gestão sobre eles, mas decidi que não vou mais sofrer por isso. Bons ou ruins eles devem gerar aprendizado e isso é o mais importante. Desisti de trabalhar para fazer o meu sistema da qualidade ser perfeito. Eu prefiro mantê-lo sob controle, funcionando, ajudando as pessoas, ajudando os processos, dando resultados, mesmo que aos poucos. Com essa filosofia eu ganhei um monte de parceiros, ao invés de cultivar inimigos. Se eu fosse você, desistia também... Tem um monte de coisas que você faz, carrega e sente, que não precisa!!!”
E nunca se esqueça que existem 4 coisas na vida que não se recuperam: a pedra - depois de atirada; a palavra - depois de proferida; a ocasião - depois de perdida; o tempo - depois de passado... Portanto...
Dê mais às pessoas do que elas esperam, e faça-o com alegria. Case com alguém com quem você goste de conversar. À medida em que vocês forem envelhecendo, seu talento para a conversa se tornará tão importante quanto os outros todos. Não acredite em tudo o que ouve: não gaste tudo o que tem, não durma tanto quanto gostaria. Quando disser 'eu te amo', seja sincero. Quando disser 'sinto muito' olhe nos olhos da pessoa. Fique noivo pelo menos durante seis meses antes do casamento. Acredite no amor à primeira vista. Nunca ria dos sonhos dos outros. Quem não tem sonhos tem muito pouco. Ame profundamente e com paixão. Você pode se ferir, mas é o único meio de viver uma vida completa. Quando se desentender, lute limpo. Por favor, nada de insultos. Não julgue ninguém pelos seus parentes. Fale devagar, mas pense depressa. Quando lhe fizerem uma pergunta a que não quer responder, sorria e pergunte; 'Porque deseja saber?' Lembre-se que grandes amores e grandes realizações envolvem grandes riscos. Diga 'saúde' quando alguém espirrar. Quando você perder, não perca a lição. Recorde-se dos três 'R': Respeito por si mesmo, Respeito pelos outros, Responsabilidade pelos seus atos. Não deixe uma pequena disputa afetar uma grande amizade. Quando notar que cometeu um engano, tome providências imediatas para corrigi-lo. Sorria quando atender ao telefone. Quem chama vai percebê-lo na sua voz. Passe algum tempo sozinho e reflita... Desapague-se...
Com afeto,
Beth Landim
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Mãe, um presente de Deus...
15/05/2017 | 09h27
 
“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. (...) A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa". Papa Francisco.
A minha mãe, Elza, é o reflexo destes dizeres do nosso Papa.
Este ano, você nos ensinou mais uma vez, com toda a sua firmeza e paciência, ao enfrentarmos juntos o tratamento de saúde de papai. Sua fé, sua esperança, sua tranquilidade em não perder o humor e a graça da vida. Sua disponibilidade e desprendimento, sua coragem sempre silenciosa, mas vista escandalosamente nos seus atos, nos fizeram pessoas melhores, nos mostram que a luta, seja ela qual for, vale a pena e que nunca devemos desistir... Aliás, desistir é uma palavra que você não conhece, pois você persiste na adversidade e sempre com a calma e tranquilidade que lhe são peculiares.
Na invisibilidade visível ao coração, minha mãe está presente em todos os segundos da minha vida... No silêncio ou na ausência física, sua presença é totalmente perceptível em minha consciência, através dos seus conselhos, dos seus ensinamentos, do seu exemplo de vida, do equilíbrio das atitudes, do seu discernimento e disponibilidade, do seu silêncio que nos fala muito alto SEMPRE... Na sua tranqüilidade do dia-a-dia, seja nos dias difíceis ou na alegria... Na sua disposição em nos acompanhar para qualquer programa de lazer ou trabalho, ela nunca nega um chamado ou convite, indo sempre além das nossas expectativas...
Mãe, te admiro muito! Quero sempre poder seguir os teus passos! Meu amor por você é incondicional! Você tem a capacidade de adivinhar meus sentimentos, de encontrar a palavra certa nos momentos incertos, de nos fortalecer sempre... Sua existência é em si um ato de amor. Gerar, cuidar, nutrir. Amar, amar, amar... Amar com um amor incondicional que nada espera em troca. Sua honradez nos enobrece e nos faz ser aprendizes da vida. Uma vida vivida em profundidade de princípios e valores! Isto é o que você sempre nos passou e nos passa, através de seus exemplos e atitudes. Uma mãe que me ensinou tão bem o sentido de ser filha e me preparou para ser mãe... pois sua liberdade de pensamento, sua conversão aos novos tempos e conceitos nos aproximam sempre... Muito mais do que mãe, você é parceira, amiga de todas as horas... Uma mãe que conquistou a nossa admiração e amor, no exercício de uma educação que tem limites, mas que não limita e cerceia as diferenças de cada um de seus filhos...
Assim é você, mamãe! Exemplo de Mulher, de Mãe e de Honradez! Você nos agasalha sob as suas asas... sua luz nos ilumina, seu carinho e sua firmeza se transformam em energia transformadora para multiplicarmos em nossos lares o seu exemplo de amor... Mais que dar à luz é SER luz na vida de alguém. Não é impor cuidados, nem pôr-se ao centro onde o universo gira. Ser mãe não é pastorar proles, é cultivar talentos, e talentos crescem quando lhes é dado pulso, criatividade e amor. Ser mãe é ter o gesto seguro que limita as ofensas que praticamos contra o bom senso. É ter o colo que se anseia por entre os crepúsculos de nossa existência, e isso você faz com maestria! Desde pequena, ouço dizer que as mães têm um sexto sentido, mas acho que ainda é pouco. Ao observar o espírito de luta, a garra, a sabedoria, a santa teimosia de minha mãe e tantas outras mulheres que exercem a maternidade, ouso dizer que elas têm: oito, nove, dez... doze sentidos. Praticamente, um especial para cada filho. Não sei como fazemos, eu só sei que fazemos. Como filha e mãe fico encantada ao constatar que arranjamos tempo para tudo e conseguimos chegar ao fim do dia, cansadas, mas felizes e com vontade de fazer ainda mais.
A isso, se chama amor e esta garra se chama graça da maternidade. Segundo Padre Zezinho “a maternidade é tão divina que poetas jamais saberão descrever, escritores jamais saberão analisar e, por mais que o desejem, os filósofos não sabem destrinchar. Assim no exercício da maternidade, podemos dizer que a mulher se glorifica”. Então, mãe, o que falar pra você neste dia? Pois você é tudo... E para você as palavras são pequenas, os gestos de carinho são poucos, diante de seu amor incondicional de Mãe. Com você, experimento o amor profundo, enxergo com a alma e com o coração, sinto o verdadeiro sentido da bonança! Você, com toda a sua sabedoria, nos ensina sempre, mesmo no silêncio, que a paciência do tempo nos auxilia a enfrentar os contratempos, e a transformar sempre a dor em amor. Este é o legado que você nos deixa sempre... Pois a esperança faz morada em seu ser e os sonhos continuam cada vez mais vivos em sua vida, refletindo em nós, seus filhos e netos que tanto a amamos. Seu nome ELZA significa “águas profundas”, e lhe cai tão bem, pois você não convive com a superficialidade, mas com as profundezas dos sentimentos e da doação.
Agradeço por tanto aprendizado, e hoje vejo refletir na minha maternidade, seus exemplos. Exemplos que desdobrei com Rafaela, Juliana e Carolina, que tanto me ensinam, me ajudam a ser uma pessoa melhor, me fazem sentir o encantamento da vida e o amor mais puro, sincero e visceral, o amor que através de um simples olhar, um cheiro, um colo... nos traz uma felicidade indescritível.
Parabenizo a todas as mães pelo seu dia e agradeço, ainda, a presença de Ir. Suraya Chaloub em nossas vidas, um verdadeiro exemplo de maternidade espiritual para todos nós.
Com afeto,
Beth Landim
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Metamorfoses...
05/05/2017 | 21h40
 
Metamorfoses...
"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses".
Ao refletir sobre este pensamento de Rubem Alves fico a pensar na importância das mudanças para nossas vidas. Quando observamos o vôo e o colorido das borboletas nos impressionamos com sua beleza e naquele momento não pensamos na feiúra que fez parte de cada fase de sua transformação até que chegasse a maturidade de sua beleza. Da mesma maneira, nós seres humanos vivemos essa transformação permanente e processual, numa metamorfose longa e silenciosa. Mas essas mudanças são possíveis mediante as muitas transformações que começam em cada um de nós, todos os dias, mesmo diante dos sofrimentos causados pelas pedras no caminho. Buscamos superar, valorizando a capacidade, a criatividade, mas, sobretudo, sentindo a alegria de aprender e ensinar.
Onde aprendemos sobre como ser feliz?
A felicidade é como uma taça que se deixa encher com a alegria que transborda do sol. Mas vem o tempo quando a taça se enche e ela não mais pode conter aquilo que recebe, e então deseja transbordar. Esse é um grande momento de nossa metamorfose, quando descobrimos a alegria de compartilhar com o outro a felicidade que mora dentro de nós. Para Rubem Alves, o ensino das ciências, o ensino da literatura, o ensino da história, o ensino da matemática não são apenas disciplinas a serem ministradas, mas "taças multiformes coloridas que devem estar cheias de alegria". Essa felicidade deve ser compartilhada com aqueles que recebem o ensinamento: os alunos. A alegria de ensinar deve ter a contrapartida da alegria de aprender. O que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde, um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mas cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro.
Nós somos as borboletas de nosso próprio jardim e simbioticamente necessitamos descobrir o ofício de ser jardineiro num plantar e regar incessante da nossa felicidade. Os seus sonhos são suas esperanças, são as imagens visíveis das esperanças. Os sonhos não correspondem a nada que exista.
Quando os sonhos assumem forma concreta, surge a beleza. Antes de existir como fatos, os jardins existem como sonhos. Se todas as pessoas, desde a infância, puderem aprender nas escolas o respeito e a beleza de todas as pessoas, homens e mulheres, poderemos sonhar e concretizar o sonho de unir a humanidade mais justa, tolerante e igualitária. A educação de hoje, além de se dedicar ao ensino dos saberes científicos, há de superar os seus muros curriculares, dedicando-se também a fomentar esperanças e criar sonhos, a humanizar-se.
Temos visto tantos crimes e atrocidades, fome e desespero, famílias ao relento... Às vezes detemos nossos pensamentos, como foi feito, nos detalhes, nos relatos das investigações. E nos esquecemos de perguntar o que faltou a esse homem? O que está faltando ao mundo? Porque a degradação dos valores? Porque os homens são incapazes de cuidar do seu “jardim” mesmo quando a eles são oferecidas todas as oportunidades.
E como nos diz com propriedade Cecília Meireles... "A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la."
É preciso rever nossas sementes, nossos valores! Temos que a todo o momento limpar as ervas daninhas e deixar florescer o que temos de melhor. Assim é a educação, um trabalho diário, constante, de cuidar, transformar, regar, adubar as mentes com valores sinceros e justos!
É chegado o tempo em que o homem plante as sementes de sua mais alta esperança. Esperança de beleza e de ser feliz sem esquecer que o trabalho que inspira o jardineiro é a espera, muitas vezes a longa espera de colheita do fruto. Porém, sem desanimar nem desistir. Certo de que seu trabalho jamais será em vão. Assim, continua plantando e regando, cuidando e esperando nascer. Chegado o momento da colheita, sua alegria maior, vivencia a partilha, transbordante de frutos... os frutos da felicidade.
E com ela as borboletas virão para dar o seu colorido a nossa existência... Pois, como nos diz Shakespeare... “O tempo é algo que não volta atrás. Por isso plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores...”
Todos os dias há um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Que possamos enriquecer a nossa vida através dos períodos de metamorfose que vivenciamos e fazer desses momentos novas oportunidades... O instante mágico é o momento que um sim ou um não pode mudar toda a nossa existência, portanto saibamos fazer nossas escolhas! Uma boa semana!
Com afeto,
Beth Landim
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Refúgio...
02/05/2017 | 15h16
Muitas vezes temos que nos refugiar, não somente motivados pelas guerras externas, mas por guerras interiores que acontecem de forma invisível... verdadeiras guerras frias. Porém, em todo refúgio, a própria palavra já nos diz, temos que buscar em Deus e dentro de nós forças renovadas para não abandonarmos os nossos sonhos. Em toda nova situação, antes de julgar, antes de agir, devemos nos sintonizar e conhecer verdadeiramente quem são as pessoas, qual é o seu passado, sua real história, suas contribuições, seus sonhos concretizados nesta caminhada. Que nenhuma guerra ou violência seja solução para os confrontos, muito menos qualquer tipo de agressão. No mundo, as pessoas precisam de afeto e de paz. Precisamos cada vez mais afetar positivamente as pessoas, demonstrando nosso querer bem, com energias boas e renovadas, tendo sempre a oportunidade do diálogo. Destaco hoje, entre todas as guerras que o mundo está vivendo, a guerra da Síria. A Síria tão distante de nós e ao mesmo tempo tão perto, dentro de nossas casas e dos nossos corações todos os dias, através das dolorosas notícias que chegam até nós. Desejo que os refugiados da guerra não percam os seus sonhos de ter uma pátria, uma casa, uma família, um trabalho, a normalidade de suas vidas de volta. Essas pessoas deixaram para trás suas cidades, suas casas, seu contexto de vida, o que faziam, sua história, enfim seus sonhos... A guerra civil na Síria teve início em março de 2011. Desde então, já deixou mais de 260 mil mortos e 4,5 milhões de refugiados, segundo a ONU, e envolveu diversos atores - regionais e internacionais. Relatório das Nações Unidos classifica a guerra síria de "grande tragédia do século 21". "A Síria transformou-se na grande tragédia deste século, uma calamidade em termos humanos com um sofrimento e deslocamento de populações sem precedentes nos últimos anos", afirma António Guterres, do Acnur. Em um dos piores episódios da guerra, EUA, França e Grã-Bretanha concluíram que o governo de Bashar Assad foi o autor do massacre de 21 de agosto de 2013, que deixou 1.429 mortos, sendo 426 crianças. A Síria assinou a Convenção de Armas Químicas, que proíbe o uso do armamento, depois de uma ameaça de intervenção internacional. Os EUA e outros países ocidentais, como França, discutiram a possível ação militar após o uso de armas químicas em um ataque em Ghouta, subúrbio de Damasco. Após um acordo entre EUA e Rússia, o governo de Assad se comprometeu - para evitar a intervenção internacional - a assinar o tratado e permitir que o arsenal químico sírio fosse destruído. Inspetores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) e da ONU supervisionaram a implementação da resolução 2118 do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas, que ordenou a destruição do arsenal e das instalações de produção de armas químicas da Síria. Com o avanço do grupo Estado Islâmico em territórios da Síria, o conflito se agravou ainda mais. Recentemente, forças internacionais lideradas, de um lado, pelos EUA e, do outro, pela Rússia, começaram a conduzir bombardeios aéreos contra supostos alvos dos jihadistas, iniciando uma nova fase na guerra. A população deslocada no sul da Síria enfrenta insegurança extrema e acesso limitado a assistência e cuidados médicos. Conforme suas condições de vida se tornam mais precárias, sua saúde se deteriora continuamente. Os confrontos resultaram em um aumento no número de ferimentos. Uma das maiores preocupações no momento é a proteção de populações vulneráveis e a resposta às suas necessidades básicas de abrigo. Há novos acampamentos formais na região de Dara’a e, apesar dos esforços feitos, a necessidade de abrigo adequado da população deslocada ainda não foi atendida. Milhares de pessoas estão vivendo de maneira improvisada nas ruas ou fazendas, o que representa muitos riscos em termos de segurança e saúde. Em geral, há grandes lacunas em todos os aspectos no que tange cuidados de saúde na Síria, tanto no que diz respeito a cuidados secundários e terciários como vacinação de rotina, assistência de saúde mental, tratamento de doenças crônicas e cuidados de saúde reprodutiva. Ainda que MSF e outras organizações tenham buscado antecipar períodos de escalada da violência, hospitais e instalações médicas no sul do país continuam subfinanciados e faltam profissionais. A falta de equipamentos médicos específicos e o número limitado de especialidades médicas na Síria resultaram em um sistema de saúde fragilizado, basicamente dizimado após seis anos de guerra. De acordo com informações recentes, estima-se que 15 mil médicos – quase metade do número de profissionais que havia na Síria antes do conflito – tenham fugido do país, impedindo que centenas de milhares de civis recebam os cuidados de saúde mais básicos. O Papa Francisco implorou pela paz no Oriente Médio e na Síria, onde "reinam o horror e a morte", em sua tradicional bênção "Urbi et Orbi" do Domingo de Páscoa. Ante milhares de fiéis congregados na praça de São Pedro do Vaticano, o Papa rogou a Deus que "conceda a paz a todo o Oriente Médio" e ajude "a quem trabalha ativamente para levar alívio e consolo à população civil da Síria, vítima de uma guerra que não cessar de semear horror e morte". O pontífice também pediu a Deus que conceda "aos representantes das Nações o valor de evitar que se propaguem os conflito e acabar com o tráfico de armas". Na tradicional bênção à cidade e ao mundo após a missa pascal, o Papa argentina não esqueceu de seu próprio continente. Pediu a Deus para que "sustente os esforços de quem, especialmente na América Latina, se compromete a favor do bem comum das sociedades, tantas vezes marcadas por tensões políticas e sociais, e que, em alguns casos, é sufocado pela violência".
Especialmente no dia em que refletimos sobre o dia do trabalho, que possamos rezar pelas pessoas que vivem esse conflito e abrir nossa visão de mundo. Que o nosso país possa ser passado a limpo. Que as relações sejam transparentes, afetuosas e que não nos deixemos jamais nos escravizar diante de qualquer situação. Que nossos sonhos sejam como as aragens, que nos tragam sempre o sabor da brisa suave que possui a força na constância do frescor que nos traz... As tempestades nunca são, por si só, resoluções. O meu desejo é que a suavidade e o afeto sejam constantes na humanidade neste século XXI, e que possamos substituir as marcas da guerra pelos sinos da paz...
Com afeto,
Beth Landim
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Cultivando as amizades...
12/04/2017 | 21h17
Duas estórias que nos fazem refletir...
Um fazendeiro que venceu o prêmio “milho-crescido”. Todo ano ele entrava com seu milho na feira e ganhava o maior prêmio. Uma vez um repórter de jornal o entrevistou e aprendeu algo interessante sobre como ele cultivou o milho. O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do milho dele com seus vizinhos. “Como pode você se dispor a compartilhar sua melhor semente de milho com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano?” – perguntou o repórter. Por que?” - disse o fazendeiro, - “Você não sabe ? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade de meu milho. Se eu for cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom”. Ele era atento às conectividades da vida. O milho dele não pode melhorar a menos que o milho do vizinho também melhore. Aqueles que escolhem estar em paz devem fazer com que seus vizinhos estejam em paz. Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem. E aqueles que querem ser felizes têm que ajudar os outros a achar a felicidade, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos. A lição para cada um de nós se formos cultivar milho bom, nós temos que ajudar nossos vizinhos a cultivar milho bom.
Conta-nos uma lenda judaica que dois amigos cultivavam o mesmo campo de trigo, trabalhando arduamente a terra com amor e dedicação, numa luta estafante, às vezes inglória, à espera de um resultado compensador. Passam-se anos de pouco ou nenhum retorno. Até que um dia, chegou a grande colheita.
Perfeita, abundante, magnífica, satisfazendo os dois agricultores que a repartiram igualmente, eufóricos. Cada um seguiu o seu rumo. À noite, já no leito, cansado da brava lida daqueles últimos dias, um deles pensou: “Eu sou casado, tenho filhos fortes e bons, uma companheira fiel e cúmplice. Eles me ajudarão no fim da minha vida. O meu amigo é sozinho, não se casou, nunca terá um braço forte a apoiá-lo. Com certeza, vai precisar muito mais do dinheiro da colheita do que eu”. Levantou-se silencioso para não acordar ninguém, colocou metade dos sacos de trigo recolhidos na carroça e saiu. Ao mesmo tempo, em sua casa, o outro não conciliava o sono, questionando: “Para que preciso de tanto dinheiro se não tenho ninguém para sustentar, já estou idoso para ter filhos e não penso mais em me casar. As minhas necessidades são muito menores do que as do meu sócio, com uma família numerosa para manter”. Não teve dúvidas, pulou da cama, encheu a sua carroça com a metade do produto da boa terra e saiu pela madrugada fria, dirigindo-se à casa do outro. O entusiasmo era tanto que não dava para esperar o amanhecer. Na estrada escura e nebulosa daquela noite de inverno, os dois amigos encontraram-se frente a frente. Olharam-se espantados. Mas não foram necessárias as palavras para que entendessem a mútua intenção...
Nos tempos atuais é raro estarmos ao lado de quem sabe ouvir... Estamos sempre ávidos por falar, por contar, por dividir as nossas lutas, pois nestes momentos percebemos em nós um alívio das nossas tensões, um frescor em nossa mente, um vento bom nos envolvendo em novas e energizadas vibrações de paz. Porém a vida é uma via de mão dupla, e ao mesmo tempo que queremos ser ouvidos... os que nos cercam também esperam o mesmo de nós.
A vida nos proporciona momentos muito ricos, nos oportunizando sermos ombro amigo e ombro que recebe os amigos, sermos braços que abraçam e braços que são envolvidos em um forte abraço, sermos mãos que recebem flores e mão que semeiam o perfume das mesmas.
Amigo é aquele que no seu silêncio escuta o silêncio do outro. Como é bom sermos uma referência para os que nos cercam em nosso dia-a-dia e termos a certeza de que a nossa forma de sermos amigos envolve momentos de escuta, de paciência, de trocas, de caminhar lado a lado.
Hoje com a instantaneidade do mundo não podemos permitir que as nossas amizades se tornem também instantâneas, pois a amizade é um bem muito precioso, que não só lava a nossa alma, como também nos traz o frescor da juventude para os nossos dias...
Que saibamos então repensar os valores que compõem uma amizade como nessas duas estórias... a sinceridade, o cuidar do outro, o não ser egoísta, o não ser individualista, a paciência, o respeito ao limite do outro, mas também o impulsionar a sair do limite e vencer os próprios desafios...
Que assim como o milho bom nós possamos ser sempre um vento suave, como o que sopra nos campos de trigo, levando aos nossos amigos o calor, a energia e o aconchego da nossa sincera amizade...
Com afeto,
Beth Landim
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A caixa d água
07/04/2017 | 12h05
Toda caixa d’água tem várias funções. Acumular água, decantar os resíduos, resguardar um “líquido precioso” para alimentar a vida e assim por diante! Por isso precisa periodicamente de uma “faxina”. Pois toda água tem resíduos e com a decantação, os resíduos vão se acumulando e na maioria das vezes se agrupam formando uma lama, fazendo com que a caixa d’água tenha outro fundo, que não o seu, límpido, próprio para o armazenamento do líquido precioso. Como nos diz Guilherme Arantes em sua canção Planeta Água... “Água que nasce na fonte serena do mundo e que abre um profundo grotão, água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão, águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão, águas que banham aldeias e matam a sede da população. Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de trovão e depois dormem tranqüilas no leito dos lagos...”
E conosco acontece o mesmo... Vamos acumulando, guardando sentimentos, angústias, coisas mal resolvidas, resíduos... Este tempo de Quaresma vem nos lembrar dessa faxina em nossa caixa d’água...
Uma faxina que deve ser periódica, mas que “neste tempo” tem uma dimensão ainda maior. Repensar as nossas atitudes, nosso agir, nossos sentimentos e nossa espiritualidade. Trazer de volta a transparência e a limpidez de nossa “água interior”... É dela que nossa alma se alimenta! De que serve acumular angustias? Desentendimentos? E para isso, temos o perdão! O perdão acima de tudo é uma aceitação de nossas falhas e das falhas dos outros... mas é uma nova chance que damos a nós mesmos de tirar as mágoas, as tristezas, os desencantos e decepções de nossa “caixa d’água” para que sejamos livres e cristalinos no viver!
Assim como a água que é fonte de vida e alimento, podemos gerar vida não somente em quem conosco convive, mas principalmente dentro de nós.
E então poderíamos dar um telefonema, ou como nos dias de hoje, linkar com o wathsApp, porque fazemos isso com todo mundo e nos esquecemos D’Ele... me lembrei de um trecho da música... “Alô meu Deus fazia tanto tempo que eu não mais te procurava. Alô meu Deus, senti saudades tuas e acabei voltando aqui. Andei por mil caminhos e, como as andorinhas, eu vim fazer meu ninho em tua casa e repousar. Embora eu me afastasse e andasse desligado, meu coração cansado, resolveu voltar. Eu não me acostumei, nas terras onde andei...”
E nesta reflexão podemos repensar como estamos levando a vida... Se lavamos as mãos como Pilates, se temos a caridade de Verônica, que mesmo não podendo mudar o rumo da história, enxugou o rosto de Jesus, numa prova viva de cuidado, solidariedade e força...
Nos conta uma lenda que um velho Mestre pediu a uma jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal num copo d'água e bebesse. -"Qual é o gosto?" - perguntou o Mestre. -"Ruim" - disse a aprendiz. O Mestre sorriu e pediu à jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e a jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse: -"Beba um pouco dessa água". Enquanto a água escorria do queixo da jovem, o Mestre perguntou: -"Qual é o gosto?" -"Bom!" disse a jovem. -"Você sente o gosto do sal?" perguntou o Mestre. -"Não", disse a jovem. O Mestre então disse: - "A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Então, quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixar de ser um copo. Tornar-se um lago”.
Como nos diz Madre Teresa de Calcutá... “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” E de gota em gota, de persistência árdua, juntos, podemos formar um oceano... Não queremos nada pela metade...
Talvez a urgência da água possa nos abrir os olhos para a mudança... Mudança de comportamento contra o desperdício, mudança de valores desta sociedade tão consumista... Vamos começar dentro da nossa casa... Não deixemos chegar “na gota d’água”...
Voltando ao período da Quaresma... refletimos que Quaresma é deserto, perdão, encontro, luz, saúde, libertação, triunfo, transfiguração e também água... É a passagem da sede da nossa insatisfação para a água viva, como a água de Moisés ao povo de Israel no deserto ou como a água que Jesus ofertou a mulher samaritana. Quaresma é o esforço para retirar o fermento velho e incorporar o novo. Que possamos então viver com intensidade este momento, nos recolhendo interiormente na oração, no silêncio, na faxina da nossa alma com água límpida e cristalina, fazendo com que esta nossa “passagem” que é o significado da Páscoa, seja efetivamente plena e renovadora. E então, iremos limpando nossa “caixa d’água”...
Com afeto,
Beth Landim
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A Inutilidade e o Verdadeiro Amor
03/04/2017 | 12h23
 
A velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade. Porque mais cedo ou mais tarde iremos experimentar esse território desconcertante da inutilidade. Esse é o movimento natural da vida. Perder a juventude é você perder a sua utilidade, é uma conseqüência natural da idade que chega. O sol do amanhã... Sob o olhar de uma cuidadora... Como você decide viver é o que faz a diferença no momento das provações, nos diz Padre Fábio de Melo, falando sobre a velhice... Quem tiver a oportunidade de assistir ao seu DVD “No meu interior tem Deus”, não deixe de ver e principalmente de ouvir com o “coração”. Vale muito a pena!!! Aqui vai um trechinho...
“... A velhice nos trás direitos maravilhosos. Enquanto a juventude é cheia de obrigações. A velhice é o tempo em que passa a utilidade e aí fica somente o significado da pessoa. É o momento que a gente se purifica. É o momento que a gente vai tendo a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama pra ficar até o fim aquele que, depois da nossa utilidade, descobriu o nosso significado. É por isso que sempre rezo para envelhecer ao lado de quem me ama. Para poder ter a tranqüilidade de não ser útil, mas ao mesmo tempo não perder o valor. Se você quiser saber se alguém te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo, quem nesta vida que pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora. E é assim que nós descobrimos o significado do amor... Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim! Feliz daquele que tem ao fim da vida a graça de ser olhado nos olhos, e ouvir a fala que diz: - Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”
O que falta muitas vezes para poder resolver os nossos problemas é a simplicidade em enxergá-los. Devemos retirar os excessos. Não permitir que os nossos excessos venham obscurecer a nossa visão, ou até mesmo de nos impedir de encaminhar uma solução para aquilo que nos faz sofrer. Isso é ter fé. É a gente acreditar que Deus está ao nosso lado no momento da nossa luta, no momento da nossa dor. E que, portanto, a gente tem o direito de ser simples.
É interessante observar os movimentos de nossas mudanças interiores. Nem sempre sabemos identificar o nascimento da inadequação que gera todo o processo. O fato é que um dia a gente acorda e percebe que a roupa não nos serve mais. Como se no curto espaço do descanso de uma noite a alma sofresse dilatação, deixando de caber no espaço antigo onde antes tão bem se acomodava. É inevitável. Mais cedo ou mais tarde, os sonhos da juventude perdem o viço. O que antes nos causava gozo, aos poucos, bem ao poucos deixa de causar. Nossos valores vão se tornando mais consistentes.
Mas não precisamos necessariamente chegar à velhice extrema, para entendermos o sentido da inutilidade que leva ao amor... Perder tempo, gastar tempo, ou melhor dizendo “Ter a utilidade do seu tempo” para as coisas que nos levam aos verdadeiros sentimentos... Se permitir “jogar conversa fora” com seus filhos, seus amigos, fazer piqueniques e voltar a ser criança, andar na chuva, sentir o cheiro da terra molhada, passear na praça, na praia, no bosque... sentir a liberdade do rosto te acariciando a pele... jogar frescobol, voleibol, “buraco”, seja o que for, apenas com o intuito de reunir os amigos, e a família... Assim como faziam os homens das cavernas. Ascendiam a fogueira e ao seu redor conversavam, conversavam e conversavam... e assim os laços iam se tecendo, os abraços se alongavam e a vida mesmo na rusticidade daqueles tempos, era aconchegante!!! Tempo... sempre o tempo do Senhor a nos ensinar... Assim como na história de Alice no País das Maravilhas em que seu coelho, corria com o relógio pendurado atrás do tempo... Estamos hoje nós a fazer o mesmo... Que o tempo da inutilidade amorosa, possa ser constante no tempo de nossa utilidade existencial. Que a simplicidade faça morada em nossos corações, atitudes e sentimentos. E que nossos sentimentos estejam sempre no ritmo e no compasso do “amor inútil” aquele que traz pleno significado. Que saibamos respeitar a dor de cada hora, a esperança de cada momento, sendo ao mesmo tempo de Aço e de Flores... Que neste tempo de Quaresma, possamos sentir a esperança brotar de cada coração, nos fazendo pessoas melhores, menos complicadas, de aço, para enfrentar os desafios, mas sem perder a doçura de ser simplesmente humano... Um tempo para nos purificar... Primeiro consigo mesmo, pois muitas vezes somos nosso maior carrasco e depois com todas as pessoas que nos cercam. É essa sensibilidade de enxergar cada tempo com sabedoria, que nos levará a conhecer o significado do amor...
Com afeto,
Beth Landim
 
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DETOX DA ALMA...
27/03/2017 | 10h04
 
Em tempos de tanta dieta detox, vale a pena investirmos no detox da alma... na quaresma tempo próprio para refletir, repensar, redirecionar, converter pensamentos e atitudes, um detox, uma limpeza de maus pensamentos, pessimismo, falta de valores, se torna alimento imprescindível destes tempos difíceis!
Todos nós passamos por períodos de “inverno”, é nestes longos invernos, que temos que atravessar a dureza que o inverno nos impõe... Assim como na natureza, nos longos invernos, as sementes adormecem e tudo fica árido!
Porem, as sementes continuam lá! Invernando, se fortalecendo, pois para tudo temos um tempo... Um tempo de Deus... Assim como as Ilhas Cagarras, na praia de Ipanema, em dias nublados, não a avistamos da praia... o que não significa que não estejam lá! Então para atravessarmos o longo inverno precisamos de persistência, determinação, competência e fé... Mas principalmente, precisamos ser otimistas, bem humorados, atrair as energias boas, sem deixar nos contagiar pelo pessimismo. Precisamos enxergar além do que os nossos olhos vêem.
Penso que vivemos no mundo e em nosso país, em longo inverno. O mundo passa por um total desequilíbrio. A situação dos refugiados deixa claro este longo inverno. Ter que abandonar sua casa, sua pátria, famílias parte das crianças órfãs, milhares e milhares de pessoas fugindo sem saber para onde ir... No Brasil, vivemos uma crise moral, em que os valores estão sendo colocados à parte.
Falta humanidade, valores, caráter... E são estes valores, que temos que alimentar, junto à esperança de dias melhores, porque nós podemos mudar o curso da história... Às vezes, estamos tão concentrados na dificuldade da nossa escalada que nos esquecemos de agradecer simplesmente por temos uma montanha para escalar.
“Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer-se de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.” Martha Medeiros
E é no amálgama deste quebra-cabeças que entra a nossa fé. O verdadeiro sentido da nossa vida, que nos norteia e nos mostra o quanto vale a pena lutarmos para restabelecermos a nossa paz, a nossa tranquilidade, o nosso equilíbrio, a nossa harmonia interior.
E ainda que os invernos venham... e com eles os seus solstícios (paradas do sol em sua trajetória)... ainda assim ficamos com a certeza de que os invernos são antecedidos pelo outono e precedidos pela primavera. Possibilitando-nos reciclar as nossas emoções antes do inverno, nos outonos da vida, tempo de deixar sair de nós tudo que não vale a pena levarmos em nossos corações... e após o inverno... nos alegrarmos com a chegada da primavera que nos encanta os olhos e as emoções com a beleza e a suavidade que as flores nos trazem...
Sentir-se grato o tempo todo, não é fácil. Mas é justamente quando você se sente menos grato que mais precisa daquilo que a gratidão pode lhe dar: Perspectiva.
E é exatamente isto que precisamos: Olhar com olhos de perspectiva – ver longe, ver ao longo, ver com olhos de esperança, ter atitudes otimistas para alterar toda e qualquer vibração negativa em positiva.
Que possamos então “quaresmar” sem perder a perspectiva em dias melhores, em momentos de alegria em nossas vidas, na união da família, no querer bem que contagia, na palavra que acolhe e socorre, no ombro amigo que podemos sempre emprestar, nas palavras que aliviam as dores alheias, nas vibrações positivas que podemos endereçar aos que nos cercam, em ter um coração amoroso e grande o suficiente para amar a todos que estão em nossas trilhas, na certeza de que mesmo em períodos de detox da alma, jamais seguimos sozinhos.
O maior benefício da esperança e da gratidão, é que para senti-las, temos que deixar nosso ego de lado. E o que floresce é a compaixão e uma compreensão maior da vida. Porque por piores que sejam os momentos, eles passarão. Nada dura para sempre.
Com afeto,
Beth Landim
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Cérebros e Atitudes
24/03/2017 | 13h36
 
Rir sozinha, cantarolar olhando para o céu, sentir a brisa afagar o rosto, andar descalça, soltar os cabelos abraçando o vento, tomar banho de rio, de mar, de cachoeira... Se permitir...
Se permitir desobedecer, revolucionar, comemorar aquela alegria “boa” da vida, rir do nada... Ser você e se amar do jeito que você é, sem julgamentos ou regras... “Que nada nos limite, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” Simone de Beauvoir... Ser mulher... E ser mulher é estar preparada para a vida... Os tremores do dia-a-dia são inevitáveis... Mas estar preparadas para o terremoto, nos faz nos sentirmos vivos... E nós mulheres, damos sempre um passo à direita, ou à esquerda, em busca de um novo centro de gravidade. Talvez duas palavras que nos definam: novo e gravidade... Estamos sempre “descascando”, trazendo um jeito novo, um novo olhar, uma nova forma de vestir e ser da nossa alma, e isso, nos permite transgredir o velho, o absoluto, o preconceito, o enrijecimento da sensibilidade...
Buscar a gravidade, sendo sempre, o tempero do equilíbrio das relações, o porto seguro, o meio termo, os pés no chão e a cabeça nas estrelas, nos permite sonhar e com isso manter a juventude dos planos, o frescor da alma, o centro de gravidade das nossas famílias...
Que possamos sempre cultivar o amor, pois tristeza não dá flor... E está em nossas mãos florir sempre, plantar e replantar, trazer leveza e boas energias aos nossos ambientes, sermos plenas de vida onde quer que estejamos, enfim... Sermos mulheres de cérebros e atitudes.
O compositor Dominic Mc Clurkin canta uma música que diz: “O que fazer quando você já fez tudo o que podia e mesmo assim nunca parece o bastante? O que você dá quando já deu tudo e mesmo assim parece que não vai conseguir?” A resposta do refrão é simples: “Se mantém firme”. E é nisto que reside a nossa força: na capacidade de enfrentar, resistir e prosseguir, seja qual for o cenário, ou o centro de gravidade. O tempo voa. Não nos espera... E desta forma, só temos um caminho. Continuar crescendo como pessoas, profissionais, em nossas relações... E todo aquele que passa pelo nosso caminho faz parte do que somos hoje... Portanto, mutação, também nos traduz... Nos vestimos e revestimos de tantas mulheres, em tantos papéis, com tantas facetas, que só podemos nos amar pela infinita aquarela que permitimos nos transmutar e desfiar um infinito de cores....
“Acordei, fui ao banheiro, olhei no espelho e vi alguém pelo qual vale a pena viver.” Como nos diz com propriedade Clarice Lispector, que possamos ser sempre esta mulher pela qual vale a pena viver. Depende simplesmente de nós alcançarmos que se não eliminarmos algumas coisas de nossa vida, essas coisas eliminarão a vida que existe em nós. É sempre tempo de recomeçar!
E diante de tantas possibilidades que a vida nos oferece: “Suba bem alto, inspire o ar rarefeito, veja o que nunca foi visto, parta, perca-se, mas faça a escalada” Edna St. Vincent Millay... Partimos sempre, não aceitamos um não como resposta, se um sim será melhor para o coletivo. Evoluir é um processo de escavação que dura a vida inteira! É preciso cavar fundo. É preciso se auto conhecer para então vislumbrar o por do sol que a vida nos descortina todos os dias... “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores... Eu sou aquela mulher, a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar as palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e ser otimista. Creio numa força imanente que vai ligando a família humana numa corrente luminosa da fraternidade universal. Creio na solidariedade humana. Creio na superação dos erros e angústias do presente.” Cora Coralina
Porque nada faz uma mulher mais bonita do que acreditar em si mesma, e acreditar sempre... E a maturidade chega a medida que vivemos em paz com aquilo que não podemos mudar... Nos tornamos plenas e felizes... Pois as culpas, desculpas e culpados são pesos desnecessários que travam os nossos passos, corroem os nossos laços e nos impedem o caminhar. Assumamos pois a responsabilidade que nos cabe, reparemos o que for possível e avancemos sem olhar pra trás.
Escalar, plantar flores e amores, não se limitar, que a liberdade seja nossa forma de amar e nos ensinar a amar.... Não guardamos mágoas, guardamos boas lembranças que nos façam crescer, e quando a vida quiser tirar o nosso folego, simplesmente aproveitemos... porque a vida sempre nos tira para dançar... mesmo quando achamos que ela não está no nosso ritmo... Somos Mulher de Flores e Aço, Cérebros e Atitudes.
Com afeto,
Beth Landim
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Novo curso no ISECENSA!
22/01/2017 | 00h52
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Vestibular dia 20 de janeiro às 17 horas!

Inscrições abertas para o Vestibular a partir do dia 10 de janeiro!

Com afeto!

Beth Landim

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