Panelaço no país e em Campos durante pronunciamento de Bolsonaro
18/03/2020 20:41 - Atualizado em 18/03/2020 23:02
Panelaços ecoaram por todo país nesta quarta-feira (18), em atos contra e também de apoio, em momentos distintos, ao presidente Jair Bolsonaro. O movimento negativo aconteceu pelo segundo dia seguido, em diversas cidades do país. Já os favoráveis foram realizados pela primeira vez, após convocação do próprio presidente. Em Campos, diversos bairros também registraram os movimentos, que aconteceram durante o pronunciamento em rede nacional do presidente sobre a pandemia do coronavírus. O panelaço foi um dos mais intensos realizados na planície. 
O protesto convocado em redes sociais foi impulsionado pela reação de Bolsonaro à crise do coronavírus, que afetou a rotina de milhões de brasileiros e deve ter duro impacto na economia.
O ato contra Bolsonaro estava marcado para as 20h30, mas, em bairros de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, alguns moradores anteciparam a mobilização, simultaneamente ao pronunciamento do presidente anunciando medidas contra a doença. Os atos acabaram se estendendo até a hora que tinha sido combinada.
Na Pelinca, área central do município, diversos prédios realizaram o panelaço e gritos de protestos contra o presidente também foram ouvidos. No entanto, alguns simpatizantes do presidente também se manisfestaram. 
Em Copacabana, zona sul do Rio, houve gritos de "Acabou" e "Fora", além de algumas reações contrárias, como "Fora petralhas". Também houve em bairros como Laranjeiras, Humaitá e Leblon.
Reduto bolsonarista, Águas Claras, no Distrito Federal, também teve panelaço antecipado contra Bolsonaro, além de gritos contra o ministro da Economia, Paulo Guedes.
Em São Paulo, as manifestações aconteceram em prédios no Tatuapé, na zona leste, na Casa Verde, na zona norte, no Brooklin Novo e na Saúde, na zona sul, e por toda a região central. Na zona norte, o protesto foi com cornetas nas janelas dos apartamentos. Pelas ruas, também houve buzinaço, xingamentos e menções a milicianos.
No bairro Paraíso, os manifestantes tocaram bumbo. Nos Jardins, foi ouvido o slogan "Ele não", usado por opositores na eleição presidencial de 2018. Na região central, em meio ao panelaço foi tocada a música "Apesar de Você", de Chico Buarque.
Na Vila Buarque, no centro, os manifestantes também projetaram um letreiro que dizia "Fora Bozo" em um edifício.
A tática de protestar com uma projeção em fachada também foi usada no centro de Porto Alegre e em Ipanema, no Rio.
Houve ainda panelaço em Belém, nos bairros da Pampulha e Lurdes, em Belo Horizonte, no Recife, na localidade da Madalena, e em Salvador, nos bairros Pituba e Rio Vermelho.
O panelaço também foi expressivo na região central de Florianópolis e no centro de Curitiba, capital na qual o presidente fez 76% dos votos no segundo turno em 2018. Fora das capitais, houve manifestações em cidades como Londrina (PR) e Ribeirão Preto (SP).
Bolsonaro, que já se referiu à dimensão da doença como "fantasia", dizendo haver "histeria" da população, tentou reagir nesta quarta, após perder apoio inclusive entre alas conservadoras.
Modulando seu discurso público, passou a reconhecer que a situação é grave, embora não tenha demonstrado arrependimento de ter participado de ato no último domingo (15), contrariando recomendação do Ministério da Saúde.
Houve ainda panelaço em Belém, nos bairros da Pampulha e Lurdes, em Belo Horizonte, no Recife, na localidade da Madalena, e em Salvador, nos bairros Pituba e Rio Vermelho.
O panelaço também foi expressivo na região central de Florianópolis e no centro de Curitiba, capital na qual o presidente fez 76% dos votos no segundo turno em 2018. Fora das capitais, houve manifestações em cidades como Londrina (PR) e Ribeirão Preto (SP).
O presidente, na tentativa de reduzir seu desgaste e isolamento, buscou nesta quarta demonstrar maior preocupação com a crise do coronavírus ao convocar entrevista ao lado de ministros, todos com máscaras, para anunciar medidas do governo.
Ele também fez um aceno aos outros Poderes ao propor um encontro com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, após ter endossado ato de bolsonaristas com ataques ao Parlamento e ao Judiciário no domingo.
A proposta, porém, acabou fracassada: Alcolumbre foi diagnosticado à tarde com coronavírus, e Maia cobrou uma pauta mais objetiva e disse que não iria para reunião só “para fotografia”. Só Toffoli esteve com Bolsonaro, que fez um pronunciamento para anunciar mais medidas contra a doença.
Os panelaços em janelas de apartamentos se tornaram um dos símbolos de protesto contra a então presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em 2016.
Na terça, foi protocolado na Câmara um primeiro pedido de afastamento de Bolsonaro na Presidência por ter convocado atos contra o Congresso e Judiciário no último fim de semana. A iniciativa foi do deputado distrital Leandro Grass (Rede-DF).
Em entrevista à imprensa, Bolsonaro, ao se referir ao panelaço contra ele, disse que qualquer protesto popular deve ser compreendido pela classe política.
"Parece que é um movimento espontâneo por parte da população. Qualquer movimento por parte da população eu encaro como uma expressão da democracia", disse.
O presidente afirmou ainda que "em qualquer momento que a nação assim precisar, eu estarei na linha de frente com esse povo, que é o meu exército, que é o exército de todos os democratas do Brasil".
 
 
 

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