Lula deixa a prisão em Curitiba após decisão do STF
08/11/2019 17:47 - Atualizado em 09/11/2019 13:40
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou, nessa sexta-feira (8), a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, onde ficou preso por 580 dias após ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por corrupção no caso do triplex do Guarujá, no litoral de São Paulo. A Justiça Federal autorizou a soltura do petista depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, em julgamento na última quinta-feira, validade de prisão após condenação em segunda instância. Além de Lula, a Justiça também mandou soltar o ex-ministro José Dirceu e o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo, que também cumpria pena antes do trânsito em julgado de suas respectivas ações.
Lula deixou a sede da PF pela porta da frente, acompanhado por parlamentares do PT e seus advogados. Ele caminhou em direção aos apoiadores que o esperavam em um palco, onde fez um pronunciamento. Em um discurso de aproximadamente 20 minutos, o ex-presidente agradeceu aos militantes que fizeram um acampamento durante o tempo em que esteve preso. O petista também disse que vai retornar para São Paulo e participará de reuniões no Sindicato dos Metalúrgicos durante o fim de semana.
— Não pensei que no dia de hoje (ontem) poderia estar aqui, conversando com homens e mulheres que, durante 580 dias, gritaram aqui ‘bom dia, Lula’. Vocês eram o alimento da democracia para eu resistir”, afirmou.
Durante o discurso, Lula voltou atacar os integrantes da força-tarefa da operação Lava Jato. “Se pegar o (Deltan) Dallagnol, o (Sérgio) Moro, alguns delegados que fizeram inquérito, enfiar um dentro do outro e bater no liquidificador, o que sobrar não é 10% da honestidade que eu represento neste país”, disse o ex-presidente que se referiu aos agentes como “lado podre” de instituições que trabalharam, em seu entendimento, “para tentar criminalizar a esquerda, o PT e o Lula”.
O petista ainda criticou o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e anunciou que vai fazer uma nova caravana para percorrer o país. “Depois que eu fui preso, o Brasil não melhorou, o Brasil piorou. O povo está passando mais fome, o povo não tem mais trabalho, o povo tá trabalhando de Uber, tá trabalhando de bicicleta para entregar pizza, tá trabalhando sem o menor respeito”.
Na primeira instância, em decisão do então juiz Sérgio Moro, a pena imposta a Lula era de 9 anos e 6 meses, por corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz entendeu que o ex-presidente recebeu o triplex do Guarujá como propina da construtora OAS para favorecer a empresa em contratos com a Petrobras. O ex-presidente afirma ser inocente.
Depois, na segunda instância, o TRF-4 elevou a pena para 12 anos e 1 mês. Em abril deste ano, o tempo foi reduzido a 8 anos, 10 meses e 20 dias no Superior Tribunal de Justiça (STJ), considerado a terceira instância.
Enquanto isso, o julgamento da apelação do ex-presidente em outro processo, referente ao sítio de Atibaia, será realizado às 9h do dia 27 de novembro no TRF-4.
Outras figurinhas carimbadas da política fluminense condenadas em segunda instância não poderão deixar a prisão após a decisão do STF. São os casos do ex-governador Sérgio Cabral e dos ex-deputados estaduais Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo. A defesa de Cabral até entrou com pedido de soltura, porém, todos também possuem em aberto mandados de prisão preventiva (sem tempo determinado).
Repercussão da planície ao Planalto
A liberdade do ex-presidente Lula também repercutiu imediatamente na planície goitacá. Forças políticas das mais variadas correntes se manifestaram sobre o assunto durante a sexta-feira.
Presidente do PT em Campos, Odisséia Carvalho comemorou a soltura do ex-presidente. “Foi o melhor presidente que o Brasil já teve, que tirou o Brasil do mapa da fome e da miséria, que mais abriu as universidades. Foi condenado injustamente, o processo não foi imparcial, sem provas. Sua condenação foi recompensada com um cargo de ministro no governo do candidato beneficiado pela prisão do oponente. Preso por um apartamento onde nunca morou e do qual não tinha escritura de propriedade”, afirmou Odisséia.
Por outro lado, o deputado federal Felício Laterça (PSL) lamentou a saída de Lula. “Vamos dar prioridade na Câmara para a PEC da prisão em segunda instância. Se o ex-presidiário sair fazendo desordem por aí, como tem falado, podemos ter uma convulsão social. Para mim, bandido bom é algemado e preso”, disse.
Já o comandante do PSDB no município, Lesley Beethoven, destacou a divisão do país. “Lula livre, Dirceu livre, tantos outros livres e o Brasil dividido. Festa do PT, revolta e indiferença de muitos. Vale acrescentar um fato inédito no mundo, a terceira mudança de ‘entendimento’ de uma Suprema Corte num período de 10 anos. Agora a guerra política e ideológica deve tomar conta da Câmara e do Senado, com a “Lei da 2ª Instância”. Enquanto isso, continuamos com milhões de desempregados, de desesperados”, declarou.
José da Silva Neto, o Netinho da Baixada, é o presidente municipal do MDB, e também analisou a soltura de Lula. “Eu sou um democrata e sigo as regras da democracia. Se o STF, que é o guardião da Constituição, é favorável a esse cenário, temos que acatar. A soltura do ex-presidente Lula já estava prevista, como a de outras pessoas. Acho que o cenário do país muda, pois, com todas as críticas, Lula é uma grande liderança”.
Também do PSL, o deputado estadual Gil Vianna classificou o ato de “retrocesso”: “Vejo a medida como um retrocesso. Precisamos passar o Brasil a limpo e trabalhamos acreditando na mudança. Infelizmente, o Supremo está sendo conivente em garantir a liberdade de quem tanto roubou o país, deixando rastros enormes de destruição”, finalizou. (A.N.) (A.S.) 

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