Morre, aos 64 anos, o comerciante Ronaldo Cravo
Maria Laura Gomes e Arnaldo Neto 09/11/2019 12:48 - Atualizado em 09/11/2019 13:05
Morreu na noite dessa sexta-feira (5), em Atafona, o comerciante Ronaldo Cravo, que atualmente estava à frente do bar e restaurante “Não me viu”. Muito conhecido desde a época áurea do Pontal, ele foi proprietário do restaurante Palafita, entre as décadas de 1970 e 1980. Ronaldo passou mal por volta das 20h, sofreu um infarto, chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Ele tinha 64 anos e deixa cinco filhos.
Depois de um tempo afastado do comércio, Ronaldo ficou alguns anos em Macaé, onde se dedicou exclusivamente à pesca. De volta a Atafona, ele abriu o bar e restaurante “Não me viu”, que chegou a funcionar normalmente nesta sexta, na avenida Atlântica.
Amiga de Ronaldo há mais de 40 anos, Mônica Paes, que é servidora pública, contou, muito emocionada, um pouco sobre o amigo e a sua maneira carinhosa de lidar com o próximo. Querido por todos em Atafona, Ronaldo vendia, em seu estabelecimento, o caranguejo considerado o mais famoso da praia. Além dos atafonenses, muitos campistas também frequentavam o bar. De acordo com a amiga, ele era um verdadeiro ícone do Pontal. Ela também destacou que, mais que um amigo, ele foi um irmão.
— Ele era uma pessoa que todo mundo amava demais, desde a época do Palafita. Ele me ligava às 6h para a gente tomar café. Eu passava minhas tardes no bar com ele. Era um amante dos animais. Deixou cinco, que vão para a adoção. Ele tinha um carinho enorme por todos. Para ele, não tinha pobre, não tinha rico, não tinha negro, não tinha branco. Era tudo a mesma coisa. Ele morreu na segunda chuva de Atafona, que foi um aviso. Foi Atafona chorando a morte de um grande filho. Era uma pessoa que só vivia de bem. Passei a tarde com ele ontem (sexta-feira). Ele me ligou depois que fui embora, mas Deus sabe o que faz — relatou Mônica.
O jornalista e escritor João Noronha, que citou Ronaldo em um de seus livros, "Uma dama chamada Atafona", se recordou dos momentos do Palafita. Ele era conhecido do comerciante e da família.
— Ele foi dono do Palafita, no antigo Pontal, quando Pontal era Pontal. O lugar se tornou um ponto de encontro da juventude que ia veranear em Atafona, nos anos 70. O bar recebia muita gente. Eu era frequentador. É uma perda enorme — lamentou Noronha.
Nas redes sociais, amigos, conhecidos e fregueses lamentaram a morte de Ronaldo. Uma das homenagens foi feita por Felício Rizzo: "Essa é a pior notícia que eu poderia dar hoje. Nosso amigo Ronaldo Cravo, o famoso "Não me viu", acaba de nos deixar... Atafona chora... Siga em Paz, meu irmão mais amado do coração...Te amarei para sempre... Como está me doendo..."
Outro conhecido de Ronaldo, Francisco Barros também lamentou: "Pessoa simples e discreta, foi testemunha ocular das peripécias da boemia regional. Lamento imensamente, a seus familiares e amigos, os meus pêsames". 
O velório acontece na capela mortuária da igreja de Nossa Senhora da Penha, em Atafona, e o sepultamento será as 17h, no cemitério São João Batista, em São João da Barra.

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