Empreendedores desafiam crise
Paulo Renato Pinto Porto 30/11/2019 15:39 - Atualizado em 01/12/2019 13:56
Que crise, que nada! As tempestades na economia que derrubam empresas e desmoronam outros tipos de negócios passam longe de empreendedores campistas que ocupam seu espaço em diferentes nichos de mercado, ao mesmo tempo em que desafiam a maré de baixo crescimento e desemprego em vigor no país. Na contramão da crise, exemplos não faltam de empresários que deixaram sua vida como profissionais liberais e decidiram abrir um negócio. Outros decidiram apostar na inovação para criar alternativas de geração de renda e empregos.
Há cinco anos, o advogado Rodrigo Klem, o médico Guilherme Camilo e o petroleiro Fábio Ferreira decidiram entrar na área da construção civil para melhorar o patrimônio. O negócio avançou a um ponto que o trio montou uma empresa até evoluir para o Grupo CKF, que engloba mais duas, nas áreas de imóveis e design.
— Somos três amigos, começamos a construir e vender algumas casas de uma forma despretensiosa, para formar um patrimônio e garantir o futuro, mas o negócio cresceu e decidimos partir para montar a construtora e verticalizamos a empresa com a CKF Imóveis e a CKF Design — disse Rodrigo, de 44 anos.
Empreendedores campistas driblam crise
Empreendedores campistas driblam crise / Isaías Fernandes
A CKF trabalha dentro de quaisquer perspectivas para proporcionar solução ao cliente, cujo perfil é de classe média A e B. “São médicos, advogados, petroleiros, gente que não dispõe de tempo para se dedicar construir uma casa. Então nós cuidamos de tudo, até a parte burocrática e de financiamento.Temos solução para o cliente dentro dessas três vertentes, se ele precisar. Desde o terreno, passando pela residência até os móveis planejados. Depois, temos nosso arquiteto e o design que vão tratar da decoração e interiores, piso e acabamento, entre outros detalhes. Temos casas já construídas para o cliente, e se ele tiver o terreno nós construímos. No final, sai mais barato do que comprar uma casa pronta”, explicou Rodrigo.
A CKF tem como alvo preferencial a construção de casas em condomínios fechados. As três empresas têm escritório e atuação em Campos, mas a fabricação de móveis planejados está localizada em São Fidélis e deve ter sua área operacional ampliada para o Noroeste Fluminense com uma unidade em Itaperuna no próximo ano. “Atualmente contamos com uma grande demanda, com 16 obras em andamento e três fechadas para 2020”.
Para constituir a organização do grupo, foi contratado o engenheiro de produção Pedro Mancini, que atua como consultor de gestão empresarial com larga experiência em outros grupos empresariais de Campos. “Antes tudo aqui era muito centralizado. O Pedro foi muito importante porque criou os setores administrativo, financeiro e de compras, entre outros, para melhorar o funcionamento administrativo da empresa”, conta Rodrigo. O Grupo CFK gera atualmente 65 empregos diretos e 100 indiretos.
Depois da cana, produção do etanol vem da batata
Em Morro do Coco, cerca de 50 pequenos produtores rurais dos assentamentos Josué de Castro e Dandara já se dedicam à produção de batata doce geneticamente modificada. Com esta matéria prima, o empresário Nildo Cardoso planeja montar uma destilaria com galpões, tanques, áreas de armazenamento e de estoque regulador em Poço Gordo, na Baixada Campista, destinada à produção de etanol. A experiência bem sucedida em Mato Grosso chega a Campos para produzir 20 mil litros/dia de combustível no primeiro ano, com cálculos para dobrar a produção em 2021. O produto será distribuído diretamente aos postos de combustíveis, de acordo com as novas regras anunciadas pelo governo federal.
O cultivo do tubérculo se estenderá também em áreas da Baixada Campista com a supervisão de técnicos do IFF (Instituto Federal Fluminense). Segundo estimativas preliminares, o projeto deve gerar cerca de 1 mil empregos no primeiro ano de implantação, incluindo os técnicos e operários da destilaria.
Fertilizante e adubo natural em Travessão
Poucos campistas sabem que em Travessão, há nove anos, funciona a GR Agrária Orgânica de Campos, que produz fertilizante e adubo natural orgânico com base no aproveitamento de sangue, ossos e vísceras do rebanho bovino. A afirmação é do engenheiro agrônomo Guilherme Sá, responsável técnico e gerente comercial do empreendimento, situado na Estada de Balança Rangel, que produz também substrato para orquídeas com base na reciclagem de poda de árvores e restos de alimentos de hortifrutigranjeiros. O empreendimento, além de gerar cerca de 70 empregos diretos e indiretos. “A nossa grande contribuição, além de gerar empregos, é para o meio ambiente”, destaca Guilherme.
A história da GR começou em 1972, em Nova Iguaçu, também com a mesma contribuição para o meio ambiente a partir da coleta de osso e sebo em frigoríficos, açougues e supermercados do Estado do Rio. Com estes resíduos se obtém o ácido graxo essencial na produção de sabões, a empresa expandiu sua operação entrado no mercado de produtos o sabão e detergente, formando a GR Higiene e Limpeza.
Ex-apresentadora decidiu empreender com padaria
Apresentadora de televisão por oito anos, sendo sete destes dedicados ao Grupo Folha da Manhã, a empresária Tânia Borges é um dos exemplos de empreendedorismo em Campos. Atualmente, ela é proprietária de uma padaria e de um minimercado, ambos localizados na avenida Pelinca. A comerciante demonstra esta característica desde a juventude. Ela já teve diversos estabelecimentos comerciais.
— E não peguei aula com ninguém. Hoje, eu tiro pão da tela, boto mão na massa, faço bolo. É um mundo diferente. Estou apaixonada. Isso é um exemplo de que as pessoas não podem parar. Não dá para ficar de braços cruzados — afirmou.
Para Tânia, a mudança de área trouxe aspectos positivos para a sua vida, com diferenças marcantes entre as duas rotinas, de apresentadora e empresária, esta caracterizada pela profissional como mais desafiadora.
Tânia destacou que, diante do cenário de crise, é necessário se reinventar tanto para permanecer no mercado de trabalho quanto para manter a qualidade de vida.
— Ninguém fica rico mais com comércio. Muitas lojas são abertas, mas, se a pessoa não perseverar, se não ficar de frente e acreditar, vai abrir, investir e fechar. É deslumbrante esse lado de padaria. Estou apaixonada. Virei doceira da noite para o dia. Sou confeiteira, sou padeira. E nunca fiz um curso. Eu sou apaixonada pela confeitaria e esqueci que existe crise — declarou.

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