Cirurgia Bariátrica só em último caso
05/11/2019 18:43 - Atualizado em 11/11/2019 15:20
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A cirurgia bariátrica é reconhecida como um dos tratamentos do nível mais grave de obesidade, a de grau 3, estágio em que já é classificada como mórbida, representando por uma enfermidade. Muitas pessoas recorrem ao procedimento quando não conseguem alcançar um peso saudável por outros meios, como a reeducação alimentar e a prática de atividade física. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) orienta que os pacientes interessados podem recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), desde que tenham esgotado todas as possibilidades de tratamento clínico para a doença. Até maio de 2019, 5.073 cirurgias bariátricas foram realizadas pelo SUS no Brasil.
Os índices de obesidade tiveram um crescimento no último ano, principalmente entre adultos de 25 a 44 anos. O aumento foi de 67,8%, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018, segundo a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde. Com os números em alta e todos os perigos à saúde que envolvem a obesidade, é possível perceber uma movimentação das pessoas contra o excesso de peso. O Vigitel de 2017, por exemplo, demonstrou uma melhora nos hábitos dos brasileiros. Apesar disso, a cirurgia bariátrica surge no imaginário das pessoas como uma saída aparentemente definitiva.
Além de estar ciente dos riscos do procedimento, é preciso cumprir os requisitos impostos pelo Ministério da Saúde, que incluem: idade mínima de 16 anos; Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 40; ou IMC maior que 35 associado a comorbidades, doenças diretamente ligadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Os pacientes precisam ainda passar pela avaliação de uma equipe multidisciplinar, que inclui acompanhamento médico, nutricional e psicológico.
Cirurgião especialista em bariátrica do Hospital Santa Marcelina, de São Paulo, Gustavo Fernandes lembrou que o procedimento tem como contraindicações a falta de condições clínicas por parte do paciente e o uso abusivo de álcool ou drogas ilícitas nos seis meses antecedentes, além de doenças psiquiátricas não controladas.
Quando se fala em tratamentos para a obesidade, dois procedimentos são levados em consideração: a cirurgia bariátrica e o balão intragástrico. Este funciona como um “peso” no estômago, que faz o paciente emagrecer por obstruir o espaço que até então recebia um maior volume de comida, provocando a diminuição do apetite e o aumento da sensação de saciedade após as refeições.
Segundo Dr. Gustavo, o balão tende a emagrecer menos que a cirurgia bariátrica e é indicado para os pacientes com obesidade moderada, IMC abaixo de 35, ou para o emagrecimento pré-operatório de pacientes com obesidade extrema.
Em relação à bariátrica, o cirurgião lembra que existem basicamente dois tipos: as técnicas restritivas e as disabortivas. A primeira causa a diminuição do volume do estômago, e a segunda provoca a diminuição da absorção dos nutrientes.
— As técnicas são definidas conforme as comorbidades e exames pré-operatórios, mas também são levadas em consideração as escolhas individuais de cada paciente. As técnicas irreversíveis são aquelas em que ocorre a ressecção gástrica, como a Gastrectomia Vertical e Duodenal Switch — afirmou o especialista, referindo-se a procedimentos que envolvem cortes no tecido gástrico.
Fonte: Ministério da Saúde.

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