Conselho veta indicação de Bolsonaro
07/08/2019 08:57 - Atualizado em 16/08/2019 14:14
Agência Brasil
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) vetou, nessa terça-feira (6), a indicação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para que o procurador Ailton Benedito compusesse a Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. A indicação causou polêmica na semana passada, marcada por declarações polêmicas de Bolsonaro sobre a ditadura militar.
Benedito possui perfil conservador e, nas redes sociais, já fez postagens simpáticas à ditadura. No entanto, na sessão dessa terça, os conselheiros rejeitaram a indicação por 6 a 4 sob o argumento de que não cabe ao Executivo escolher o membro do MPF que integrará a comissão.
Também na última semana, o MPF finalizou um inquérito, com base na análise de documentos e no depoimento do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Cláudio Guerra, que concluiu que os corpos de 12 presos políticos foram incinerados nos fornos da usina Cambaíba, em Campos, durante o regime militar. Entre estes, estaria o de Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.
Na segunda-feira (29), Bolsonaro começou a polêmica ao falar para Felipe: “Um dia se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”.
Posteriormente, Bolsonaro usou as redes sociais para dizer que Fernando foi assassinado pelo grupo de esquerda da qual Santa Cruz fazia parte. Porém, um documento oficial da Aeronáutica desmente o presidente e diz que o pai de Felipe foi preso pelos militares.
Em 2012, o promotor Marcelo Lessa, do Ministério Público estadual, concluiu outro procedimento, afirmando que não havia vestígios dos crimes no local. Herdeiros de Cambaíba também contestam a versão do MPF. (A.N.) (A.S.)

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