Júri definido para o Festival de Samba de Campos
Matheus Berriel 12/08/2019 17:43 - Atualizado em 12/08/2019 17:50
Rodrigo Silveira/Folha da Manhã
Já está definida a comissão julgadora dos desfiles do Festival de Samba de Campos, que acontecerá no próximo fim de semana, durante a programação da Semana Municipal de Folclore, no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop). Com experiência local e também em Carnavais de outras praças, o professor e pesquisador Marcelo Sampaio, titular da câmara técnica de cultura popular no Conselho Municipal de Cultura (Comcultura), foi o responsável por montar o júri, do qual será também um dos integrantes, o único já divulgado entre os 16 componentes.
— São pessoas ligadas à arte, todas com certo envolvimento com o Carnaval. Obviamente, não tem ninguém diretamente ligado a alguma agremiação carnavalesca, mas são pessoas que não só gostam, como têm contato com o Carnaval. Muita gente preparada, pessoas que têm conhecimento técnico — explicou Marcelo Sampaio, convidado para escolher os demais julgadores pelo presidente da Associação dos Bois Pintadinhos de Campos (Aboipic), entidade realizadora do Carnaval fora de época com apoio da Prefeitura e do setor privado.
O retorno da festa popular a Campos contará com um novo manual do julgador, elaborado por Marcelo Sampaio, com dois julgadores para cada quesito. Os quesitos de escolas de samba e blocos são alegorias e adereços, bateria, comissão de frente, enredo, evolução, fantasias, harmonia e samba-enredo, enquanto os bois pintadinhos serão julgados em abre-alas, bateria, pai-joão e mãe-maria, tema, evolução, fantasias, confecção do boi e samba-tema. As notas podem variar de 9 a 10, fracionadas décimos de ponto. Não haverá descarte na apuração.
— Aqui em Campos já teve algumas coisas muito esquisitas. Em um ano, a Ururau da Lapa, sempre favorita ao título, teve um problema da saída do barracão até a XV de Novembro. Jaiminho era até o presidente da escola. O casal do mestre-sala e porta-bandeira foi, mas as fantasias e o pavilhão da escola não foram. A escola desfilou sem casal. Porém, o regulamento dizia que as notas eram de 5 a 10, não havia nenhum adendo. Para este ano, as notas vão ser de 9 a 10, fracionadas em um décimo. E vai ter o adendo de que, na ausência de quesito, é traço. Não é nem 0, porque 0 é nota — explicou Marcelo. Na ocasião mencionada pelo professor e pesquisador, a Ururau da Lapa recebeu a nota mínima em mestre-sala e porta-bandeira e acabou se livrando do rebaixamento, que ficou com a Unidos de Santa Cruz.
Experiência — Durante muitos anos, Marcelo Sampaio organizou e compôs a comissão julgadora do Carnaval campista, tendo estreado em 1989.
— Eu havia acabado de me formar como professor de história, e o saudoso Kapi (Antonio Roberto de Góis Cavalcanti) me convidou para ser julgador de enredo. A partir dali, tomei um gosto muito grande, fiz um curso na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) com Ricardo Cravo Albin e o falecido Hiram Araújo, que durante muitos anos foi o diretor cultural da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Eles fizeram um curso de formação de julgadores de Carnaval na Uerj, e eu fiz parte desse curso em 1992. Foram 20 anos julgando o Carnaval de Campos. Tive experiências também no Grupo Especial de Porto Alegre, já julguei Manaus, no maior sambódromo do país, com 100 mil lugares — contou Marcelo.
Dos demais jurados, três também já atuaram em Campos, enquanto os outros oito darão notas pela primeira vez. A comissão ocupará as cabines 1 e 2 do Cepop na noite de sábado (17), quando desfilarão as escolas do grupo de acesso e do Especial, tarde e noite de domingo (18), destinadas aos grupos de blocos e bois pintadinhos, respectivamente.
Reuniões — Os 16 jurados do Festival de Samba se encontrarão nesta terça-feira (13), reservadamente, para detalhamento do manual. Na quarta (14), Marcelo Sampaio terá uma reunião com os carnavalescos, às 18h, no Museu Histórico de Campos, para apresentação dos cronogramas de desfile das agremiações.
Condição — Crítico do Carnaval fora de época, Marcelo Sampaio foi convidado para organizar a comissão julgadora pelo presidente da Associação dos Bois Pintadinhos de Campos (Aboipic), Marciano da Hora. A aceitação veio, segundo Marcelo, vinculada à condição de que a festa volte ao seu período original em 2020, desejo também já manifestado por Marciano.
— Aceitei ser julgador e fazer a comissão julgadora, primeiro, para o Carnaval não morrer definitivamente. Até porque, esse Carnaval tem enredo que ia ser de dois anos atrás, mas o Carnaval acabou não acontecendo — mencionou.

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