Câmara aprova texto-base da Reforma da Previdência
Aldir Sales 10/07/2019 20:19 - Atualizado em 10/07/2019 23:37
Agência Brasil
Depois de oito horas de debates, na noite desta quarta-feira (10), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, o texto principal da reforma da Previdência. A proposta teve 379 votos a favor e 131 votos contra. No entanto, o placar entre os deputados do Norte e do Noroeste Fluminense apontou empate por 2 a 2. Do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL, o ex-delegado da Polícia Federal de Macaé Felício Laterça teve a companhia do ex-secretário estadual da Casa Civil Christino Áureo (PP) nos votos favoráveis à reforma. Por outro lado, os irmãos Wladimir (PSD) e Clarissa Garotinho (Pros) foram contrários.
Além disso, Christino e Clarissa também conseguiram vagas na comissão especial da Câmara Federal que vai analisar a grande reforma seguinte do país: a tributária, como informou o jornalista Aluysio Abreu Barbosa no blog Opiniões, hospedado no Folha1.
— Aguardei até o último momento as alterações no texto-base da comissão especial. E decidi votar contra, mesmo com meu partido tendo fechado questão favorável. Não há dúvidas de que uma reforma da Previdência é necessária, mas, infelizmente, a proposta está muito aquém do que seria razoável para o Brasil. Por mais que se defenda que a reforma atinge as parcelas mais ricas da população, a realidade é que o texto que estamos votando trata de forma injusta os trabalhadores, os professores, os aposentados e as pensionistas — disse Wladimir.
Após a votação principal, os parlamentares começaram a votar os destaques apresentados pelas bancadas. No entanto, os deputados aprovaram apenas a permanência dos professores na reforma e a sessão foi encerrada.
— Busquei, com meu trabalho, a preservação de alguns aspectos. Por exemplo, pessoas com mais de 55 anos, que, quando a régua da idade mínima mudar, correm o risco de ficarem desempregadas e muito longe da aposentadoria. Coloquei uma emenda para que o governo devolva uma parte dessa economia através de um incentivo, para que o empregador também capacite essas pessoas — declarou Christino Áureo.
Em um momento da sessão, antes da votação do texto-base, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), chorou quando o líder do PSL, delegado Waldir (GO), pediu aos apoiadores da reforma uma salva de palmas a Maia por seu empenho e condução na análise da PEC.
A reforma da Previdência precisava de 308 votos, o equivalente a três quintos dos deputados, para ser aprovada. Se aprovado em segundo turno, o texto segue para análise do Senado, onde também deve ser apreciado em dois turnos e depende da aprovação de, pelo menos, 49 senadores.
Tributária - No mesmo dia da votação da Previdência, Clarissa e Christino também participaram da comissão para análise da reforma tributária.
— É uma grande responsabilidade poder atuar na comissão especial da reforma tributária, que é urgente, necessária e vai unificar o país. No Brasil gastamos cerca de 2 mil horas só para calcular e pagar impostos. Precisamos mudar essa realidade, trabalhar para a simplificação dos impostos e redistribuir melhor as receitas tributárias. Com relação a Previdência, mesmo compreendendo que o modelo atual tem de sofrer alterações, não posso ser favorável a uma reforma que, em vários pontos, praticamente impedem o acesso do brasileiro à Previdência.

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