Conselho Municipal é contra divisão do Palácio da Cultura
Matheus Berriel - Atualizado em 10/07/2019 18:19
Rodrigo Silveira
Permanece o impasse. Projeto do falecido arquiteto Francisco Leal no governo do ex-prefeito Rockfeller de Lima e inaugurado em 1973, o Palácio da Cultura vai reabrir suas portas para servir apenas à cultura? Ou será dividido com “inovação, empreendedorismo e tecnologia”, atividades importantes, mas que sempre funcionaram fora do mais importante aparelho cultural da cidade de Campos? Como informado pela coluna Ponto Final na edição desta quarta-feira (10) da Folha da Manhã, o Conselho Municipal de Cultura (Comcultura) decidiu, na noite da última terça-feira (09), se posicionar contra o projeto da Prefeitura em utilizar parte prédio como local para receber as áreas mencionadas. Na reunião ordinária realizada no Museu Histórico, 10 conselheiros foram favoráveis à decisão tomada, com nenhum voto contrário e quatro abstenções. Além de ter formulado um texto para informar ao governo a insatisfação, o Comcultura marcou reunião extraordinária para sábado (13), com objetivo de desenhar uma espécie de projeto de ocupação integralmente com atividades culturais.
— O que agora falta ao conselho, na minha opinião, é nós nos reunirmos e projetarmos algo que nós possamos realizar no Palácio da Cultura, para ele também não ficar ocioso, sendo subutilizado, como ele era subutilizado nos governos anteriores — disse o conselheiro titular da câmara de cultura popular, Marcelo Sampaio. — Esta causa é muito pertinente e urgente, porque dividir a cultura num lugar em que ela tem tão poucos espaços, é lamentável — acrescentou.
No início da reunião de terça-feira, antes do voto dos conselheiros, o superintendente de Ciência, Tecnologia e Inovação, Romeu e Silva Neto, fez uma apresentação do projeto atual para a reabertura do Palácio da Cultura. A ideia é transformá-lo em algo similar à Casa Firjan, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Cerca de 30 a 35% do espaço seriam destinados à criação de um Centro Municipal de Inovação.
— A primeira coisa importante é o fomento à economia criativa. Você tem que ter um empreendedorismo na cultura também. O empreendedorismo não é só uma nova empresa e tecnologia, você também pode empreender na cultura. Então, (o projeto) tem lá um espaço de croworking, apoio com crédito, apoio ao financiamento, apoio à inovação, ao empreendedorismo, que pode ser utilizado também pela cultura. A cultura tem que se abastecer da economia criativa também. Esse espaço tem que ser misto, e é essa ideia que a gente defende no novo Palácio da Cultura — afirmou Romeu e Silva Neto, garantindo que não haverá uma descaracterização e/ou mudança do nome do prédio.
Ainda de acordo com Romeu, uma emenda parlamentar do ex-deputado federal Paulo Feijó, de cerca de R$ 1 milhão, garantirá a aquisição de mobília e equipamentos para todo o Palácio da Cultura. Esta emenda (aguardando liberação), segundo ele, só poderá ser usada no espaço com a chegada do Centro Municipal de Inovação, uma vez que deve ser destinada à área de Ciência e Tecnologia. Sem convencer a maior parte dos presentes, sugeriu a formulação de uma pauta por parte dos conselheiros.
— O que a classe cultural tem que fazer é elaborar um conjunto de reivindicações e sugestões, com base nas reuniões do conselho, e encaminhar para a Prefeitura avaliar — completou.
Presidente do Comcultura, Cristina Lima foi questionada por alguns conselheiros sobre o motivo de a divisão do Palácio da Cultura só ter sido mencionada na última reunião anterior à de terça-feira. Ela, que acompanhou a formulação do projeto por presidir também a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), considerou a reunião como o momento certo para tratar o assunto, recebendo Romeu e Silva Neto como convidado. Na votação, Cristina foi uma das quatro pessoas com direito a voto que se abstiveram.
— Dificilmente a gente teria esse investimento disponível. Nós temos esse prédio aqui (Museu Histórico) que precisa de reparos, estamos com a planilha do Arquivo Municipal pronta para reforma do prédio, temos o Olavo Cardoso despencando, o Teatro de Bolso com necessidade de refazimento do ar condicionado e manifestação de cupins (...). Então, é muita coisa, muito investimento. Por isso eu achei e acho que a associação com a Ciência e Tecnologia, no momento, seria a saída — enfatizou a presidente do Comcultura e da FCJOL.
Questionada sobre a previsão para reabertura do Palácio da Cultura, Cristina Lima disse esperar que aconteça ainda no governo Rafael Diniz — até o fim de 2020: “Quanto mais rápido, melhor”.

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