Ponto Final - Ações, reações e o precioso tempo até as eleições
- Atualizado em 06/06/2019 09:51
Wladimir ataca para se defender
No meio político é normal que quem atravessa situação desfavorável tente criar uma ruim também ao seu principal opositor. Na terça-feira, foi o que fez o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), ao ecoar no Congresso Nacional denúncias de supostos desvios de recursos do SUS na Saúde de Campos. Foi uma cortina de fumaça para o fato de no mesmo dia ter sido divulgado que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) determinou o avanço das investigações sobre as denúncias de compra de voto contra Wladimir e o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC). Outra maneira de tentar sair de uma situação desfavorável, é tentar criar uma boa.
Rafael solta eleição a diretor
Atingido pelo pronunciamento assertivo de Wladimir, que cobrou investigações ao poder público federal na Saúde de Campos, o prefeito Rafael Diniz (PPS) gravou e divulgou um vídeo nas redes sociais também na terça. Nele, anunciou a eleição direta para diretores de escolas e creches. Promessa da sua campanha vitoriosa em 2016, já havia sido feita e descumprida pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (Patri). O problema é que o anúncio do prefeito desagradou alguns vereadores da situação, cujo apoio também se dá em troca da indicação de pessoas da sua confiança aos cargos de diretor de escolas e creches da sua base eleitoral.
Base reclama
Ainda na terça, em comentário ao vídeo de Rafael, o vereador governista Jorginho Virgílio (PRP) pediu desculpas e declarou: “(...) não posso aceitar mais decisões de governo sem a mínima discussão com a base de sustentação do governo… Já são 2 anos e 5 meses de governo e o parlamento não participa das decisões de governo, muitas vezes desastrosas como foi o aumento do IPTU que a equipe de governo preparou e a Câmara aprovou, mas o senhor acabou tendo que voltar atrás, como aconteceu no reajuste dos servidores… Ou o parlamento é respeitado e ouvido nas decisões de governo ou o barco vai realmente afundar…”.
Mais diálogo
Ontem, Jorginho informou que o projeto já chegou à Câmara, mas ainda não está à disposição para análise. Confirmou ter cerca de 10 indicações de diretores. E, embora assegure que a maioria é de concursados, admitiu que não são todos. Perguntado se o descontentamento poderia gerar um pula-pula antecipado na base, disse não acreditar: “Os vereadores não estão preocupados se os seus indicados se elegerão ou não. Estão preocupados com a falta de diálogo do governo”. Apesar da resistência da bancada da situação, não é necessário pesquisa para se constatar que a eleição para diretores de escolas e creches tem apoio popular maciço.
Mudanças
Acossado por seus próprios erros, como a desastrada suspensão do reajuste salarial de 4,18% ao servidor, e agora por uma blitzkrieg de pré-candidatos de oposição a prefeito de Campos em 2020, o governo Rafael finalmente publicou, ontem, em Diário Oficial a nomeação do seu novo secretário de Agricultura. Assume oficialmente o técnico em agropecuária Robson Correa Vieira, o Robinho. Servidor concursado desde 1999, foi uma indicação política do deputado estadual João Peixoto (DC), para selar o apoio deste à reeleição de Rafael. Até então à frente da pasta, Nildo Cardoso (DEM) assumiu a superintendência municipal de Abastecimento.
Já esperadas
Na nova superintendência, criada ontem, Nildo vai se dedicar a reativar a antiga Ceasa. Nenhum dos fatos oficializados é novidade. Em 5 de maio, a coluna Ponto Final anunciou que João Peixoto havia fechado aliança com Rafael para 2020, que provocou as mudanças administrativas de 2019. No dia 10, a coluna do empresário Murillo Dieguez anunciou que Robinho seria o novo secretário de Agricultura e que Nildo se dedicaria ao projeto de reativação da Ceasa. E, no dia 16, as duas novidades foram confirmadas novamente no Ponto Final.
Precioso
Para uma gestão municipal que ultrapassou a metade do seu mandato com altos níveis de desaprovação, 2019 é considerado fundamental para correção de rumo, na tentativa da reeleição em 2020. Já no quinto mês do ano de véspera das urnas, demorar 30 dias na oficialização de mudanças para garantir apoio político, é tempo demais. E tempo é tudo que o governo Rafael não pode continuar a perder. A oposição dá reiteradas provas de que não vai mais perder o dela.

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