O Fantástico Rio Grande dos Vinhos
01/06/2019 11:55 - Atualizado em 01/06/2019 12:30
BNB COLUNA
JOÃO RODRIGUES*
A convite do meu amigo Nino Bellieny, irei escrever para o seu Blog sobre uma coisa que gosto muito, que é tomar um bom vinho.
Há algum tempo venho escrevendo sobre os vinhos do Rio Grande do Sul, minha terra natal.
O Rio Grande devido à colonização europeia e clima propicio ao plantio das videiras sempre teve a tradição na produção de vinhos, principalmente os de mesa e a partir da década de 90 as vinícolas começaram a investir na produção de vinhos finos aos quais eu dedicarei a minha atenção.
O mundo dos vinhos é vasto, tanto em variedades, sabores, aromas e outras tantas especificidades que fazem parte da degustação da bebida de Baco. Ao longo de nossas experiências irei relatar aqui no blog.
Mas sempre lembrando, “que o bom vinho é aquele que bebemos com os nossos amigos”.
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com condições climáticas mais favoráveis para a vinicultura de qualidade, estando sua parte centro sul inserida na faixa teoricamente perfeita para esse fim, genericamente definida entre os paralelos 30º e 50º.
Entretanto, o regime de chuvas reinante no estado é geralmente mais volumoso que o desejado, levando por vezes os vinhedos a um excesso de umidade justamente no final da maturação das uvas. 
 
 
 Adega em Roraima, foto feita pelo autor do texto
Adega em Roraima, foto feita pelo autor do texto / João Rodrigues
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A região vinícola do Rio Grande do Sul possui 4 sub-regiões: Campanha Gaúcha, Campos de Cima da Serra, Serra do Sudeste e Serra Gaúcha.
 
 Vamos começar por uma vinícola da região mais conhecida que é a Serra Gaúcha, a Vinícola Casa Perini localizada no Vale Trentino na cidade de Farroupilha entre as belas colinas e videiras que compõem o cenário deste terroir*.
O vinho escolhido foi um varietal* da uva Tannat, safra 2017.Um pouco sobre a uva Tannat; A variedade Tannat é proveniente da França, mais precisamente de uma região localizada próxima aos Pirineus, chamada Madiran e atualmente ela é reconhecida com a uva emblemática* do Uruguai, onde também é chamada de Harriague.
Essa casta tem se adaptado com perfeição a região da Campanha Gaúcha, caracterizada pelo Bioma Pampa com longas horas de sol, fazendo com que a planta concentre açúcares e matéria corante, conseguindo equilibrar sua elevada carga tânica.
Devido sua alta concentração de taninos*, é amplamente utilizada em cortes, geralmente com as famosas Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, onde geralmente resulta em exemplares ricos em aromas e sabores, buscando sempre deixá-la mais delicada.
Outra forma de suavizar seus taninos é a clássica passagem por barricas de carvalho, onde diversas reações ocorrerão para que o resultado possa ser o mais equilibrado possível.
Vamos ao vinho; característico da uva tannat apresenta muita cor, aromas intensos lembrando baunilha e frutas vermelhas, na boca tem a presença marcante dos taninos , porém agradável no final, harmonizei com presunto cozido e queijo gouda temperado, mas também harmoniza bem com carnes vermelhas.
*Terroir: é uma palavra francesa sem tradução em nenhum outro idioma. Significa a relação mais íntima entre o solo e o micro-clima particular, que concebe o nascimento de um tipo de uva, que expressa livremente sua qualidade, tipicidade e identidade em um grande vinho, sem que ninguém consiga explicar o porquê.
*Vinho varietal: são elaborados a partir de uma única variedade de uva ou com grande predominância de uma mesma variedade são denominados vinhos varietais. *Uvas emblemáticas: apresentam pontos em comum, são sempre importantes no país ou região que as adotou, mas não necessariamente no país de origem; seu nome vem estampado nos rótulos dos vinhos.
*Taninos: Trata-se de um polifenol presente na casca e nas sementes da uva e que, quando mantidas em contato com o mosto, é transmitido ao vinho, trazendo a sensação de adstringência ao paladar. Os taninos são presentes nas cascas e no engaço das uvas.Vinho degustado na adega Casa Freitas em Boa Vista – RR.
INGLÊS
João Rodrigues *
At the invitation of my friend Nino Bellieny, I will write to your blog about something that I like very much, that is to take a good wine. For some time now I've been writing about the wines of Rio Grande do Sul, my native land.
The Rio Grande due to the European colonization and favorable climate for the planting of the vines always had the tradition in the production of wines, mainly the ones of table and from the decade of 90 the wineries began to invest in the production of fine wines to which I will dedicate my attention.
The world of wines is vast, both in varieties, flavors, aromas and other specificities that are part of the tasting of the Bacchus drink and throughout our experiences I will report here on the blog.
But always remembering, "that good wine is the one we drink with our friends".
Rio Grande do Sul is the Brazilian state with more favorable climatic conditions for quality viniculture, with its south central part inserted in the theoretically perfect range for this purpose, generically defined between the 30º and 50º parallels.
However, the rainfall regime prevailing in the state is generally more voluminous than desired, sometimes leading the vineyards to an excess of moisture at the very end of ripening of the grapes.
The wine region of Rio Grande do Sul has four subregions: the Gaúcha Campaign, Campos de Cima da Serra, the Serra do Sudeste and the Serra Gaúcha. Let's start with a winery of the most known region that is the Serra Gaúcha, the Vinícola Casa Perini located in the Trentino Valley in the city of Farroupilha between the beautiful hills and vines that make up the scenery of this terroir *. The wine chosen was a varietal * of the Tannat grape, 2017 vintage.
A little about the Tannat grape; The Tannat variety comes from France, more precisely from a region located near the Pyrenees called Madiran and is currently recognized with the emblematic grape of Uruguay, where it is also called Harriague. This caste has been perfectly adapted to the region of the Gaucha Campaign, characterized by the Pampa Biome with long hours of sun, causing the plant to concentrate sugars and coloring matter, managing to balance its high tannic load.
Due to its high concentration of tannins, it is widely used in cuts, usually with the famous Merlot, Cabernet Franc and Cabernet Sauvignon, where it usually results in specimens rich in aromas and flavors, always seeking to make it more delicate.
Another way to soften your tannins is the classic passage through oak barrels, where various reactions will occur so that the result can be as balanced as possible.
Let's go to the wine; characteristic of the grape tannat presents a lot of color, intense aromas resembling vanilla and red fruits, in the mouth has the remarkable presence of the tannins, however pleasant in the end, harmonized with cooked ham and tempered gouda cheese, but also harmonizes well with red meat.
* Terroir: is a French word without translation in any other language. It means the most intimate relationship between the soil and the particular micro-climate, which conceives the birth of a type of grape, which freely expresses its quality, typicality and identity in a great wine, without anyone being able to explain why.
* Varietal wine: are made from a single grape variety or with a large predominance of the same variety are called varietal wines.
* Flagship grapes: they have points in common, they are always important in the country or region that adopted them, but not necessarily in the country of origin; its name is stamped on wine labels.
* Tannins: It is a polyphenol present in the bark and the seeds of the grape and that, when kept in contact with the must, is transmitted to the wine, bringing the sensation of astringency to the palate. The tannins are present in the bark and in the grapes. Wine tasted in the Casa Freitas winery in Boa Vista - RR.
* João is a gaucho from Santo Ângelo, MBA in Public Management, Lieutenant of the Brazilian Army, Commands & Special Forces, has carried out missions and courses in several continents.

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