frases nem tão soltas II
13/09/2018 12:20 - Atualizado em 13/09/2018 12:20

Frases nem tão soltas II

Cândida Albernaz

Dê-me flores. Eu te dou frutos.

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Em alguns dias tenho uma gastura do mundo e não sei o que fazer com ela. Corrói-me sem motivo aparente.

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Cartas não foram escritas, palavras não foram ditas, abraços não foram dados. E tudo o que poderia ter sido o tempo se encarregou de levar.

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Às vezes canso de gente. Gente dá trabalho, exige. Cansaria de mim também. Dou muito trabalho.

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Meu grito mais forte é aquele que não se ouve. Só no peito ele faz o eco de uma explosão.

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Quando olho para a folha em branco e as letras brincam de se esconder, penso em fugir. Para algum lugar onde observando o nada, balõezinhos surjam com toda a história dentro deles.

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Assusta-me escrever sobre você. Tenho medo que um dia releia o que passou.

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O tempo passado pode ser tão pesado que nossos braços não carregam. Fazer contas antigas... pesam tanto que chega a doer.

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E porque meu coração sangra deve ser muito bem cuidado.

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Em alguns dias continuo a procurar... Em outros, penso que encontrei.

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Pode estar tão perto, pode parecer tão pouco, pode ser tão fácil de tocar. Ninguém precisa de excessos.

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Alguns segundos que vivemos levam uma eternidade para se deixar esquecer.

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Um olhar pode nos fazer continuar ou estancar. Um olhar desnuda ou assusta. Ou assusta porque desnuda.

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Alguns pensam que podem agradar a Deus e ao diabo ao mesmo tempo. Não vejo como.

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Porque a melhor parte pode ser esperar pelo dia seguinte. E hoje já é o dia seguinte!

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A sensação de alguns momentos deveria ser para sempre. Mas se fosse assim, que graça teria buscar novos momentos?

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".