A saga e a dedicação de um tetracampeão
17/11/2017 21:26 - Atualizado em 19/11/2017 23:47
Voar milhares de quilômetros pelos ares do Brasil afora para a disputa de provas do ciclismo nacional é tão rotineiro para o ciclista Afonso Celso Pacheco quanto cruzar no pedal as longas extensões das pistas em ruas deste país atrás de preciosos pontos que o alçaram à condição de um dos mais laureados ciclistas da atualidade. Aos 52 anos, com 27 anos de estrada Afonso chegou ao topo da sua trajetória, ao atingir pela quarta vez o primeiro lugar no ranking brasileiro na Categoria Master, ao chegar em primeiro lugar no último dia 12, na prova disputada em Macapá, capital do Amapá.
— Foi uma prova difícil, porque o segundo colocado (Paulo Fernandes, do Rio de Janeiro) estava com 23 pontos de diferença na minha frente. Se eu chego em segundo lugar, não conseguiria alcançá-lo na soma de pontos. Mas fiquei em primeiro, somei mais 40 pontos e o superei em 17 pontos no total — afirmou o pedalista, seis vezes campeão da Prova Ciclística de São Salvador.
Foi um ano pleno de vitórias para Afonso, que levantou também, em 2017, o título de campeão estadual na mesma categoria.
Afonso não bebe ou fuma, vida espartana de atleta que contribui decisivamente para sua rotina de vitórias. “Se bebesse, seria apenas mais um. Jamais conquistaria os títulos e as medalhas que consegui”, admite.
A hora de decidir e o legado para os jovens
O encantamento com o ciclismo começou bem cedo na tradicional prova inaugurada por Gerardo Maria Ferriolli, o Patesko.
— Eu era ainda bem criança, meu pai me levava para assistir a prova, eu ficava encantando com aquela disputa e passei depois a pedalar junto daqueles que eu via no pódio — contou.
Os anos de dedicação, além da rotina de treinamentos e viagens já pesam no justo momento em que se encontra no auge. “Vamos ver. São muitos anos de dedicação e, por vezes me sinto com vontade de parar, sim”, admite.
Se parar agora, Afonso considera que tenha deixado por trás de sua história um legado para os jovens. “Acredito que o legado é essa superação, dedicação pelo esporte para a garotada que está começando no ciclismo”.
Nas provas, o apoio logístico da mulher
Em suas viagens para competir pelo País, Afonso já conheceu quase todas as capitais brasileiras. Nas suas andanças, a companhia indispensável da mulher, a coordenadora de ensino Heloísa Rocha, entre preocupada e feliz com as armadilhas das pistas e as proezas do marido nos treinos e provas.
— O ciclismo oferece perigos. Ele já sofreu quedas e se machucou seriamente. Quando sai de casa para treinar, diz: “vou ali pedalar tantos quilômetros e volto tal hora” Se não chega nesse horário, a gente fica apreensiva. O telefone começa a bater, mas quando está treinando, ele não atende. Algumas vezes atende e, pelo tom de voz, a gente sabe que ele caiu e o tombo foi feio — conta Heloísa, que se derrete em elogios ao multicampeão.
— Ele é motivo de orgulho não apenas para mim, mas toda família. Treinar, competir, cuidar da família, da loja (é comerciante do ramo de refrigeração) e ainda pedalar como ele pedala é uma façanha — comentou Heloísa.
Nas competições, é a esposa quem oferece um apoio logistico. “Eu vou às provas, sirvo água, se ele precisar de uma roda, estou ali. Quando corrida é de estrada, eu vou atrás, faço o percurso de carro, enfim”.

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