Noite de letras e artes
paulavigneron 23/09/2016 11:43
[caption id="attachment_122" align="aligncenter" width="514"]Momento em que os participantes receberam medalhas (foto: Paula Vigneron) Momento em que os participantes receberam medalhas (foto: Paula Vigneron)[/caption]  

Estudantes do curso de Letras do campus Centro do Instituto Federal Fluminense  (IFF) promoveram, na noite de ontem (22), a primeira edição do Festival de Contos do Ensino Médio. Para a final, foram selecionados nove textos escritos pelos alunos. Adolescentes entre 15 e 17 anos. Meninas e meninos tímidos. Tive a honra de poder presenciar o evento da mesa dos jurados, composta, também, pelos professores Adriano Moura e Marília Siqueira.

O vozerio indicava o lugar onde aconteceria o concurso: auditório Cristina Bastos. Pessoas de todas as idades e interesses ali se encontravam para acompanhar a leitura dos contos e apresentações musicais dos graduandos, que se alternavam no palco ajustando os últimos detalhes para o começo das atividades. Na véspera, recebi as histórias produzidas por aqueles garotos que são um pouco do que fui.

A correria da rotina da redação não me impediu de, antes da leitura mais atenta, passar os olhos pelas narrativas. À primeira vista, percebi a riqueza dos enredos. Ideias críticas em diálogo com a realidade, que golpeiam o leitor, saídas de mentes tão jovens. Novamente, eu estava entre eles. Porque, anos antes, percorri os caminhos pelos quais os participantes andam. Minha história com a literatura esbarra pela passagem, durante o ensino médio, no então Cefet. Também aos 15 anos.

Após encerrar as atividades no jornal, dediquei o tempo à leitura dos contos. Textos bem construídos, com desfechos incômodos que abordam, em sua maioria, os fatos cotidianos a que estamos lamentavelmente acostumados. E soam como alerta à necessidade de não naturalizar as barbaridades vistas, ouvidas e lidas nos noticiários.

Entre as músicas, o público acompanhou a interpretação dos alunos da graduação. Nove contos que causaram diversas reações na plateia. Murmúrios, respirações descompassadas e atenção constante. Da mesa, observei e compartilhei as sensações. Membros de comissões julgadoras afirmam sempre que é difícil o momento da escolha. Até então, achava que era a repetição de um discurso comum. Mas a breve experiência resultou na comunhão de pensamento.

Três dos nove estudantes foram selecionados. Ganharam prêmio em dinheiro e livros de literatura brasileira. Dois meninos, Leonardo Pinheiro e Théo Dias, e uma menina, Ana Victória Canellas, ocuparam os lugares, envergonhados diante dos aplausos, flashes e cumprimentos. Três jovens que desenvolveram, conforme suas criatividades e vivências, histórias e personagens que poderiam viver entre nós. Três mentes que representam grupos de estudantes para os quais, muitas vezes, podem faltar oportunidades, mas não vontade. E uma noite que despertou perspectivas para novos festivais e a certeza de uma adolescência não alienada.

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