ponto e vírgula
Mariana Luiza 22/01/2017 01:21 - Atualizado em 20/12/2017 12:28
Ela escreve com ponto e vírgula. Como se tudo que tivesse na vida um fim, continuasse sem a esperança ou alívio da pausa eterna. Como um amor findado e não perdoado. Uma lembrança que você quer esquecer e só pelo desejo do esquecimento a faz perpetuar. Como o descobrir da reencarnação no juízo final. Ou a vida e lembrança eterna no paraíso. É também uma segunda chance. Um recomeço de vida. O centímetro antes do abismo. A pausa antes do suicídio. É a possibilidade de mudar de ideia. É o segundo antes do trem chegar no fim do túnel. É quase morrer de parada respiratória. É um sofrimento que não tem fim. É uma onda do mar que congela em movimento num dia de vinte e sete graus negativos. O ponto e vírgula não é um fim, nem um começo. É o continuar do que se queria terminado. A perpetuação do trauma. Dos amores mal resolvidos. A água do rio que depois de uma longa jornada rumo ao mar, evapora no meio do caminho retornando à nascente. Ela escreve com ponto e vírgula. A pausa mais forte que a vírgula e menos que o ponto. Porque conhece bem as regras gramaticais e as regras da vida.  

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