Novo partido com nova missão
12/12/2015 19:12

Alexandre Bastos
Foto: Rodrigo Silveira

O ex-vereador Nelson Nahim, que nos últimos dias trocou o PSD pelo PMDB, vai assumir amanhã uma cadeira na Câmara Federal. Já diplomado, ele entra na vaga de Alexandre Serfiotis (PSD), que assume a secretaria de Ciência e Tecnologia da Prefeitura do Rio. A posse de Nahim como deputado federal faz parte de um “plano de guerra” do PMDB do Rio para reverter uma manobra que tirou do deputado federal Leonardo Picciani a liderança do PMDB na Câmara. Como o clima de guerrilha é intenso, membros do PMDB que lutam contra os peemedebistas do Rio já ameaçam levar o caso “Meninas de Guarus” ao Conselho de Ética da Câmara Federal.

Missão em Brasília — Segundo Nahim, que já foi prefeito interino de Campos durante seis meses, em 2010, o segredo é atuar sem pensar no tempo que vai durar. “Vou entrar com a mesma serenidade de sempre, sabendo que posso ficar um dia, um mês ou mais tempo. Sei que serei importante nesta luta para devolver a liderança do partido ao Leonardo Picciani, mas também vou defender os interesses da nossa região, sobretudo neste momento de crise”, disse Nahim, cuja postura tem sido elogiada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) e pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB).

Troca de partido — Sobre a saída do PSD para se filiar ao PMDB, Nahim informou que a troca foi tranquila, com a participação das principais lideranças das legendas. “Conversei com o ministro Gilberto Kassab, presidente nacional do partido, e ele entendeu a importância dessa missão em Brasília. Também falei com o André Correa”, explicou Nahim. Ele destacou que a troca não influencia seu posicionamento na eleição de 2016. Vale lembrar que o partido já anunciou apoio ao deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB) na disputa pela Prefeitura de Campos.

Ameaça — Peemedebistas que derrubaram Leonardo Picciani da liderança do partido não gostaram da articulação para reforçar a bancada na Câmara Federal. Eles ameaçam levar o caso “Meninas de Guarus” ao Conselho de Ética da Câmara. Nahim, que é réu no processo, afirma que não irá se intimidar. “Entro de cabeça erguida e consciente de que não existe nada nos autos que prove qualquer ato ilícito cometido por mim. Trata-se de um processo sem vítima e com muitas situações estranhas”, afirmou Nahim, que chegou a ser preso em outubro do ano passado. “O motivo da prisão foi uma suposta coação de testemunha. Porém, em depoimento essa testemunha diz que não foi ameaçada. Além disso, um dos depoimentos pode ter sido forjado e isso está sendo analisado”. Nahim também lembra que o depoimento que gerou o processo foi tomado no dia 13 de dezembro de 2010, quando ele era prefeito interino de Campos. “Naquela época o TRE já cogitava a marcação de uma nova eleição e me coloquei como candidato. Porém, o líder do grupo político que eu fazia parte defendia o voto nulo. Discordei e vejo que existia uma intenção para me desmoralizar. Porém, quatro dias depois a prefeita conseguiu uma liminar e voltou ao cargo”, comentou.

Eleição de 2014 — Nahim recebeu 25.872 votos na eleição do ano passado. Em Campos, ele só ficou atrás da deputada Clarissa Garotinho (PR), que obteve 47.507 votos, e do vereador Alexandre Tadeu (PRB), que ficou com 20.794 votos. Com 17.827 na planície goitacá, Nahim foi o terceiro mais votado na cidade, superando políticos como o deputado Paulo Feijó (PR), o vereador Jorge Magal e o médico Makhoul Moussallem. Além disso, ainda conquistou oito mil votos fora da cidade. “Conseguimos um excelente resultado eleitoral sem apoio da máquina. Vamos representar não só os eleitores que acreditaram na nossa proposta, mas toda a população da região, independente de posição política”, disse.

Suplência — Antes das articulações para a posse, Nahim estava na segunda suplência do partido. Inicialmente ele deveria ser o primeiro suplente, mas a vereadora carioca Laura Carneiro conseguiu um “jeitinho” para tomar posse em Brasília sem precisar perder o mandato de vereadora em Brasília. “Inicialmente ela disse que continuaria na Câmara, mas depois resolveu assumir o mandato em Brasília. Vamos aguardar os desdobramentos. Agora estou focado nessa missão e, se tiver que voltar a ser suplente, voltarei sem problema”, comentou.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

    BLOGS - MAIS LIDAS