Atrasos e ?calotes? marcam ano eleitoral
26/09/2014 09:09

Alexandre Bastos
Foto: Genilson Pessanha

A Prefeitura de Campos tem um dos maiores orçamentos do Brasil. Ao todo, até o fim deste ano, o governo deve contar com R$ 2,5 bilhões. Mesmo assim, não são raros os atrasos nos pagamentos de prestadores de serviços que, diante da falta de recursos, vivem com a corda no pescoço e pires na mão. Empreiteiros, empresas terceirizadas e instituições filantrópicas andam sofrendo para receber neste ano eleitoral. Em alguns casos, obras e atividades estariam prestes a parar. Se os pequenos empreiteiros aguardam dois meses para receber, alguns veículos que divulgam a propaganda oficial estão há cinco meses sem receber. De acordo com alguns empresários, apenas os “peixes grandes” conseguem receber. A Imbeg, por exemplo, recebeu dois aditivos nos últimos meses: um de R$ 23,5 milhões e outro de R$ 31,9 milhões. Em seu blog hospedado na Folha, o jornalista Esdras Pereira informou que alguns empreiteiros “tiraram o pé do acelerador” e podem paralisar as obras.

As reclamações envolvendo atrasos foram constantes durante este ano. Em julho, empresas que prestam serviços atrasaram pagamentos de funcionários e colocaram o atraso na conta da Prefeitura de Campos. A Biomed Center – prestadora de serviços de esterilização e lavanderia hospitalar para a prefeitura – chegou a tornar o “calote” público. Porém, logo depois o problema foi solucionado. Já no mês de agosto foi a vez da empresa Nutrindo, responsável por pacientes que necessitam do sistema Home Care, atendimento nos moldes hospitalar, porém em casa. Com o risco de o serviço ser paralisado, parentes de pacientes chegaram a protocolar uma denúncia no Ministério Público (MP). Na ocasião, o promotor Marcelo Lessa estabeleceu, através de ofício, prazo de até 48 horas para que a secretaria de Saúde esclarecesse aos interessados como ficaria a situação, caso o serviço fosse interrompido. Após o ultimato do MP, a Prefeitura providenciou os pagamentos.

Na ocasião, em entrevista à Folha, o vice-prefeito e secretário de Saúde, Chicão Oliveira (PP), afirmou que o atraso no repasse dos royalties acabou prejudicando o pagamento à empresa Nutrindo. “Como houve atraso no repasse dos recursos dos royalties do petróleo, por parte do Governo Federal, o pagamento à empresa Nutrindo, feito pela Prefeitura, foi prejudicado. Com o valor pago, o serviço vai ser normalizado e pacientes atendidos pelo programa, assim como os seus parentes, podem ficar tranquilos”, informou, sem esconder que “outros pagamentos também ficaram pendentes por conta do atraso dos royalties”.

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