Em carta aberta à prefeita, professora desabafa
Alexandre Bastos 26/04/2014 16:04

Em carta aberta à prefeita Rosinha Garotinho (PR), a professora Cláudia Moura Gouvêa desabafou em seu perfil no Facebook. Confira:

"É Prefeita... enquanto uns riem, outros choram... A senhora sabia que no tempo de Arnaldo eu cheguei a ganhar mais de 3 salários mínimos como professora? Estive olhando agora o contracheque, são apenas 2 salários mínimos... 11 anos de carreira... 25 horas semanais, turmas lotadas, nenhum aparato, dignidade zero. Sabe, prefeita, uso boa parte do meu salário na compra de remédios controlados que a senhora NÂO fornece em seus postinhos...ganhei uma depressão e uma síndrome do pânico em sala de aula, sem contar com a bursite por esforço repetitivo, que adquiri com os quadros feitos pra gigantes... consegui também, prefeita, um hipotireoidismo e uma fibromialgia. 

Agora imagine isso tudo junto, num dia só, numa semana só... consegue? Não né? A senhora vive num mundo rosa, de fantasias e ilusões... Sabia que sua equipe fantástica proibiu os professores readaptados de fazerem os cursos que aumentam em míseros, mas necessários, 3%? Sabia que professor readaptado é tratado como lixo, tanto por SUA administração, como por SEUS funcionariozinhos DAS..? Prefeita, sustento duas filhas pequenas... não recebo nenhum dos seus mimos ( bolsas, cheques, casinhas), aí, a senhora vai lá e acaba de dar o tiro de misericórdia: me corta o plano Ases, onde eu caminhava com terapias, médicos especializados de minha plena confiança, remédios e diagnósticos adaptados... tudo certinho, andando lado a lado. Faz ideia do caos psicológico que me causou e a centenas de outros colegas? Não, Não sabe... NEM QUER SABER.

Só tenho a agradecer, prefeita. Foi uma bela calça arreada... Lembro que o pau que dá em Chico, dá em Francisco... que o vento que venta cá, venta aí... Deus existe.  Agradeço porque mesmo com essa montoeira de lutas e dificuldades, eu só cresço... como mãe, como mulher, como gente.  Tenho um bom exemplo, nesses seus governos, de como não ser, não agir...topo com pessoas vazias, más, inúteis... todas ocupando espaço e ganhando fortunas...desejando mal, puxando tapetes... isso não existia em Campos, prefeita. É coisa nova por aqui, essa peste, uma praga. Mas...vou caminhando, não vou desistir... paro um pouco, descanso, volto a caminhar...olho o sorriso das minhas crias, vejo a força de meus pais, uma vida digna... Vou persistir, prefeita. Seu trator não vai me atropelar. Esse carnaval NOJENTO e digno de pena que a senhora inventou, que coisa mais medonha, temos pessoas precisando de remédios, comida, escola de qualidade, segurança, abrigo, socorro...sabia? Não, a senhora, em seu mundo rosa, não sabe de nada.  Absolutamente NADA. Só isso já me põe em vantagem... Ah, e não estou choramingando nem esperneando não, estou me sentindo fodástica de passar por tudo isso chamuscada apenas e não TORRADA como a senhora... Bjs. 

Eu esqueci de mencionar que esse descaso com professor readaptado apareceu em seu governo, Prefeita, sabe, éramos valorizados e direcionados pra onde houvesse necessidade-adaptação, pro serviço sair bem feito, gostoso... hoje não... quando não somos jogados num canto mofado, chamados de inúteis, somos obrigados a FAZER TODO o serviço que SEUS auxiliares de secretaria não fazem... Quero lembrar que foi a senhora quem inventou uma lei bizarra, querendo tirar a lotação e o auxílio alimentação do servidor que ficasse mais de 60 dias afastado por DOENÇA. Prefeita, doente não come? Ainda bem que a senhora deu fim a esta oligofrênica moda, porque não teria funcionario pra nos remanejar a cada relotação que teria que fazer...imagina, não foi por nós que desistiu, foi por sua pessoa mesmo. Cadê a cidade prometida do Amor? Eu nunca acreditei nisso, fiz bem, não sou idiota como a dona Marineia disse... Não sou mesmo.

Meu voto foi consciente, mas não foi na senhora, nunca será. Vou lhe contar um segredo: Fiz direito. Me formei em 2001. Não quis ser operadora do direito não: quando me deparei com uma SAFADEZA imensa entre ALGUNS advogados, juizes e a Lei, corri. Corri porque essa moda aqui não pega. O certo é sempre certo, não tenho preço. Preferi fazer um concurso pra minha outra profissão, achando que ajudaria de outra forma meu semelhante... ledo engano. Nunca imaginei que passaria por isso... Ganhei estabilidade, ainda que medíocre, mas minha família ganhou uma chefe DOENTE. É bem por aí.

Amo minha profissão, ao contrário da senhora, porque sabe que EDUCAÇÃO ESCLARECE... paternalismo escraviza. Minhas duas filhas estudam em escola particular, SEM bolsa, que pago num aperto desgraçado. Mas jamais, JAMAIS a colocaria numa escola pública em sua gestão... assim como seus filhos e netos também não a frequentam e nunca frequentarão..."

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