Boa polêmica: "O Exercício Aeróbico de intensidade moderada é a pior opção que existe para perder massa gorda".
Marcos Almeida 08/12/2013 09:46

Este e o próximo post ---mais tarde libero--- são linhas de trabalho e pesquisa aos quais os meios utilizados são bem contraditórios. Para os que gostam de ler para se informar neste assunto, sendo leigo ou profissional da área, é bem interessante, visto todas as informações inclusas nos artigos. Boa leitura ---que é longa mas vale cada linha--- e bons treinos!

Para que não hajam dúvidas o exercício aeróbico a que me refiro é aquele tipo de exercício contínuo de longa duração no intervalo dos 60-70% da frequência cardíaca máxima. Com certeza que já ouviu que correr é a melhor forma de queimar gordura. Todos nós ouvimos a mesma cantiga e eu também já acreditei que isto era assim. Porque fui ensinado desta forma. A explicação era mais ou menos esta: só a partir dos 20 e tal minutos de exercício contínuo é que começamos a entrar no metabolismo das gorduras e como tal o exercíco cardio de longa duração é a melhor solução para estimular a perda de gordura. Por isso o ideal é correr pelos menos uns 40-45 minutos para queimarmos a tal gordura não desejada. Entretanto medíamos a frequência cardíaca para apurar se estávamos na “zona de queima de gordura” e acabávamos de correr com aquela sensação de dever cumprido – “Hoje corri 40 minutos e queimei 500 calorias”. “Sinto-me muito melhor”.

Lembram-se de ver esta imagem nos ginásios e nos livros de fisiologia?

Infelizmente para muitas pessoas este ainda é o tipo de treino que fazem para tentar perder massa gorda. Mas, acredite, esta é de longe a melhor solução e as consequências de fazer corridas de longa duração sem estar preparado para tal podem ser desastrosas para a saúde do seu corpo e das suas articulações. Contrariamente ao que possa pensar é preciso estar em forma para correr. As forças de reacção do solo (recorde-se da 3ª lei de Newton – para cada acção há uma reacção igual e oposta) quando corre estão situadas entre 2 a 5 vezes o seu peso corporal, portanto se a sua musculatura não estiver preparada para estes impactos sucessivos, o melhor que tem a fazer é evitar a corrida. Aliás, esta é uma das razões pelas quais vemos muitos corredores recreativos lesionados com frequência – não têm força suficiente para minimizar os efeitos dos impactos causados pela corrida e depois o corpo acaba por pagar factura.

Pense durante uns segundos: Conhece alguém que tenha tentado fazer este tipo de treino e tenha obtido bons resultados no que diz respeito à perda de massa gorda e ganhos de massa muscular? Conhece alguém que participe em corridas de longa duração e tenha um físico de um corredor de 100 ou 200 metros? De certeza que não conhece. E sabe porquê? Porque fisiologicamente é impossível que isso aconteça.

Vejamos alguns aspectos negativos do Treino Aeróbico

O Treino Aeróbico aumenta o cortisol e acelera o envelhecimento

Se os seus níveis de cortisol estão constantemente elevados, o seu corpo vai acumular gordura em vez de queimar gordura. O cortisol alto vai levar também ao aumento de gordura visceral na barriga o que, por si só, aumenta a acumulação de gordura e a inflamação sistémica no corpo (se pensa que isto não é muito importante recomendo que dê uma vista de olhos na imagem abaixo para saber as respetivas consequências). Elevados níveis de cortisol aceleram também o envelhecimento porque verifica-se um aumento das substâncias oxidantes (radicais livres) no organismo que produzem inflamação no cérebro, coração, trato intestinal e órgãos reprodutivos.

Sabemos que o exercício aumenta o cortisol, porque o exercício causa stress ao corpo, no entanto, no caso do treino de força isto é óptimo porque obriga o organismo a se adaptar e a ficar mais forte. Com o treino de força o cortisol aumenta, mas aumenta também a produção de hormonas anabólicas (hormonas que estimulam a formação de tecido muscular – hormona do crescimento, testosterona, factor de crescimento insulínico) que superam completamente o efeito negativo do cortisol. Pelo contrário, o treino aeróbico causa stress ao corpo sem aumentar as hormonas anabólicas e o resultado é uma elevação do estado inflamatório devido ao efeito catabólico do exercício. Pior ainda: uma vez que as hormonas que estimulam a formação de tecido muscular não são estimuladas e o nosso corpo continua a precisar de produzir energia, este irá utilizar a nossa massa muscular como carburante energético, levando a uma diminuição da massa muscular e, nos casos mais extremos, a um aumento da massa gorda!

O Treino Aeróbico crónico causa maior inflamação e aumenta o stress oxidativo

A inflamação crónica é um grave problema de saúde que envelhece os tecidos e que tem sido chamado de “assassino silencioso”. A inflamação crónica ocorre quando as células estão sendo repetidamente atacadas por radicais livres oxidativos, insulina elevada, ou altos níveis de cortisol, isto para citar alguns. Esta situação está associada à acumulação de gordura, doença cardíaca, resistência à insulina e diabetes, asma, artrite, cancro, deficiente função reprodutiva, problemas de estômago e outras doenças.

O stress oxidativo ocorre quando o corpo produz radicais livres em resposta ao ambiente rico em oxigénio criado pela respiração aumentada que acontece com o treino aeróbico. Os radicais livres são substâncias tóxicas que têm de ser neutralizadas (por exemplo com a ingestão de frutos vermelhos e cacau puro), porque senão, de outra forma, elas vão causar danos nas nossas células e causar o envelhecimento prematuro.

A inflamação crónica é diferente da inflamação aguda que se segue ao treino ou lesão, já que esta última tem um efeito protector sobre o corpo, deslocalizando sangue para o tecido danificado com o objetivo de acelerar a recuperação.

O Treino Aeróbico pode causar diminuição do tamanho e função dos órgãos genitais

Um estudo publicado no Canadian Journal of Applied Physiology testou o efeito da natação aeróbica em ratos e os investigadores descobriram que os exercícios de resistência intensa levam ao stress oxidativo, que causa a disfunção do sistema reprodutivo masculino.

Neste estudo foi utilizado um grupo de controlo que não fez nenhum exercício e não tomou nenhum suplemento, um grupo que só fez exercício e um terceiro grupo que fez exercício e tomou um suplemento de vitamina E. Os grupos que fizeram exercício e exercício + suplemento realizaram quatro horas de natação por dia, cinco dias por semana durante dez semanas. Ao grupo de exercício + suplemento  foi dada uma dose de 50mg por cada kg de peso corporal por dia de vitamina E. Atenção que este é um volume relativamente elevado de exercício, mas é provável que um atleta de elite de resistência, ou mesmo um atleta recreativo, faça treinos com este volume.

Depois de dez semanas de exercício, os investigadores descobriram que o grupo que só fez exercício teve uma diminuição significativa no tamanho dos órgãos reprodutores (testículos e órgãos sexuais acessórios), níveis mais baixos de testosterona, hormona luteinizante e outros marcadores de androgénio. Tal como era de esperar, no grupo de controlo não aconteceu nada. No grupo que realizou exercício e tomou suplementação não se verificaram diferenças significativas nas áreas mencionadas e no stress oxidativo, pelo que os antioxidantes podem ser um suplemento razoável para minimizar os efeitos do treino aeróbico.

O Treino Aeróbico torna-o mais lento

Existem duas categorias principais de fibras musculares que compõem os músculos, sendo que as mesmas  têm capacidades e funções  diferentes. As fibras tipo I ou vermelhas são as que chamamos de contracção lenta e estão capacitadas para gerar menor tensão durante períodos prolongados de tempo. Pelo contrário, as fibras tipo II ou brancas são as que chamamos de contracção rápida, sendo que estas esgotam-se mais rapidamente mas estão capacitadas para gerar maior tensão / força. As fibras tipo I estão associadas a movimentos lentos e repetitivos (como por exemplo aqueles que assistimos nas corridas de longa duração, no ciclismo e na natação) enquanto que as fibras tipo II estão associadas a movimentos mais rápidos e explosivos (como por exemplo aqueles que acontecem nos lançamentos, nos saltos ou até no swing de golfe).

À medida que envelhecemos verifica-se uma conversão de fibras tipo II (rápidas) em fibras tipo I (lentas) e como tal tornamo-nos naturalmente mais lentos. Para inverter ou minimizar este processo, é fundamental estimular o trabalho de força e potência porque estas são as capacidades físicas que mais perdemos ao longo da vida – a partir dos 60 anos perdemos naturalmente cerca de 1,4-2,5% de força e 3,5% de potência ao ano. Portanto, se fizermos apenas treino aeróbico, estamos a estimular as fibras de contracção lenta e isto significa que não só não estamos a resolver o problema, como estamos a agravá-lo.

E antes que pense que não precisa de trabalhar a força e potência para a sua vida diária, pense naquelas situações em que tem que ajudar alguém a carregar alguma coisa ou quando perde o equilibrio e precisa de reagir rapidamente para não se magoar. Trabalhando desta forma vamos ser mais independentes, cair menos vezes e recuperar mais rapidamente após uma lesão.

O Treino Aeróbico pode comprometer o sistema imunitário

Há ampla evidência de que o treino aeróbico leva à supressão imunológica, colocando atletas de resistência aeróbica em maior risco de infecção, particularmente doença respiratória superior. O tipo de exercício aeróbico que leva à disfunção imune é mais pronunciado quando o exercício é contínuo, longo (cerca de 90 minutos por sessão) e de intensidade moderada a elevada (60-80% do VO2 Max.). O exagero na intensidade do treino aeróbico leva a um maior risco de doença, podendo despoletar várias modificações a nível hormonal.

Vejamos os aspectos positivos do Treino Aeróbico

Na verdade só há beneficios neste tipo de treino para a população sedentária ou para algum tipo de população específica que não possa realizar outro tipo de treino, como por exemplo treino de força, treino de resistência metabólico ou treino intervalado de alta intensidade. O que é importante perceber é que é melhor fazer algum tipo de treino aeróbico com uma duração de 30 minutos do que não fazer absolutamente nada. Portanto, se tem que optar entre não fazer nada e fazer este tipo de treino, é melhor fazer os tais 30 minutos na passadeira ou na elíptica.

Qual o melhor tipo de treino para perder massa gorda?

Segundo as investigações mais recentes o treino de força, o treino de resistência metabólico (MRT) e, num segundo plano, o treino intervalado de alta intensidade (HIIT) são aqueles que têm garantido os melhores resultados às pessoas que querem perder massa gorda. Como estamos a falar do tipo de treino e não da melhor forma para perder massa gorda, não vamos incluir aqui a nutrição, porque senão este seria o factor número um a ter em conta neste processo.

O treino de força consiste basicamente em levantar pesos e pode incluir exercícios com o próprio peso do corpo. O treino de resistência metabólico (MRT) é aquele tipo de treino em circuito, no qual fazemos vários exercícios seguidos com pouco tempo de descanso entre séries. O treino intervalado de alta intensidade (HIIT), tal como o nome indica, é um tipo de treino que alterna períodos de trabalho de alta intensidade (anaeróbicos) com períodos de recuperação menos intensos.

Os beneficios destas formas de treino superam de forma indiscutível o treino aeróbico, não só para perder massa gorda, mas também para aumentar a força, a velocidade, a massa muscular e a melhoria da saúde cardiovascular (lembre-se que o coração também é um músculo – não é por acaso que os maratonistas têm corações mais pequenos que os velocistas). Isto acontece porque, como vimos acima, a resposta hormonal destas formas de treino estimula a formação de tecido muscular e o músculo é o principal ingrediente do nosso corpo para queimar gordura (para que tenha a noção da importância deste facto saiba que o músculo queima 70 vezes mais calorias que a gordura!). Ou seja, quanto maior a nossa massa muscular, mais alta será a nossa taxa metabólica de repouso e quanto mais alta a taxa metabólica de repouso mais gordura vamos queimar.

Além disto, há ainda outro fenómeno fisiológico que importa destacar mais conhecido por EPOC (Excess Post- Exercise Oxygen Consumption). O EPOC é o consumo adicional de oxigénio que acontece após a realização de exercício e pode ser entendido mais facilmente como o débito de oxigénio, isto é, a quantidade de oxigénio que necessitamos para repor as reservas de energia. Pense naquilo que acontece quando tem que fazer um sprint para não perder o autocarro ou o avião. O EPOC é tanto mais alto quando maior a intensidade do exercício que fazemos, portanto a intensidade, ao contrário da duração do exercício, tem uma maior influência na queima de gordura após a realização do treino. Não pense apenas nas calorias que queima durante o exercício (na verdade isso é pouco importante), pense nos mecanismos fisiológicos que vão desencadear a perda de massa gorda após o exercício. Sim, isto significa que pode queimar gordura enquanto está a trabalhar ou a dormir. E o que tem mais piada é que este efeito pode durar entre 6 e 48 horas, dependendo da intensidade e duração da sessão de treino.

Infelizmente, para a maioria das pessoas que têm tentado perder peso passando horas e horas na passadeira ou na bicicleta, o treino aeróbico apenas eleva o EPOC por alguns minutos após o exercício, constituindo, portanto, a pior opção para queimar gordura.

Conclusão

O exercício aeróbico é a pior opção que tem à sua disposição se o seu objetivo é queimar gordura e melhorar a sua composição corporal. Na verdade, depois do trabalho de pesquisa que efectuei para escrever estas linhas é que me apercebi que o treino aeróbico tem ainda mais efeitos negativos no nosso corpo do que aquilo que pensava. Sim, refiro-me particularmente àquela parte “pode causar diminuição do tamanho e função dos órgãos genitais”. Brincadeiras à parte, a ciência diz-nos que se apenas fizer treino aeróbico, o seu metabolismo vai ficar mais lento e mais propício a acumular gordura.

Sendo assim, a chave para perder peso e/ou massa gorda está na intensidade do trabalho. Hoje em dia já não há segredos nem dúvidas a este respeito.

Recomendações

Com a finalidade de potenciar a perda de massa gorda, recomendo o seguinte:

1) Tenha atenção à nutrição e hidratação. Se não cuidar destes dois aspectos, por mais que treine de forma intensa, os resultados vão ficar aquém do esperado. Regra geral, coma mais proteína, mais hidratos de carbono das frutas e verduras, mais fibra e elimine as gorduras hidrogenadas. Em relação à hidratação, beba no mínimo 1,5 litros de água por cada 50 kg de peso corporal.

2) Faça treino de força, treino de resistência metabólico ou treino intervalado de alta intensidade pelo menos 2-3 vezes por semana. Procure um profissional qualificado para lhe ajudar na prescrição do treino, nas componentes críticas, número de repetições, tempo de descanso e número de séries.

3) Faça exercícios compostos que envolvam o recrutamento dos principais grupos musculares (exemplo: agachamentos, flexões, burpees, elevações, lunges, peso morto, remada, press de peito / ombros, exercícios com a bola medicinal, pranchas, kettlebell swings, power cleans).

4) Tome um suplemento de óleo de peixe e uma multivitamina. Tendo em conta o excesso de alimentos processados na nossa alimentação, a maioria das pessoas são deficitárias em gorduras ómega 3 e num largo número de vitaminas.

5) Faça treino aeróbico (1 x por semana) como complemento do treino de força ou dos outros tipos de treino, apenas se gostar e se não tiver excesso de peso ou obesidade.

6) Esqueça os exercícios típicos dos culturistas, que normalmente consistem em trabalhar músculos de forma isolada, e todos aqueles que costuma realizar nas máquinas, uma vez que este tipo de trabalho não vai ajudá-lo(a) a obter os melhores resultados.

Ajude os seus amigos e partilhe este post com aqueles que andam a tentar perder peso e a realizar este tipo de treino!

E claro, nao se esqueçam de deixar os vossos comentários abaixo, gostava de saber a vossa opinião.

Até breve,

PC

Referências:

Alwyn Cosgrove (2010) – Training Techniques to Maximize Fat Loss.

Alwyn Cosgrove (2007) – The Hierarchy of Fat Loss.

Charles Poliquin (2011) – The (Many) Negatives of Aerobic Training.

Charles Poliquin (2011) – How to Counter The Many Negatives of Aerobic Training.

Mark J. Smith (2008) – Sprint Interval Training – “It’s a HIIT”.

Michael Boyle (2011) – Complete Training Systems for Basketball Players.

Precision Nutrition (2008) – Intense Exercise, Why and How.

Para que não hajam dúvidas o exercício aeróbico a que me refiro é aquele tipo de exercício contínuo de longa duração no intervalo dos 60-70% da frequência cardíaca máxima. Com certeza que já ouviu que correr é a melhor forma de queimar gordura. Todos nós ouvimos a mesma cantiga e eu também já acreditei que isto era assim. Porque fui ensinado desta forma. A explicação era mais ou menos esta: só a partir dos 20 e tal minutos de exercício contínuo é que começamos a entrar no metabolismo das gorduras e como tal o exercíco cardio de longa duração é a melhor solução para estimular a perda de gordura. Por isso o ideal é correr pelos menos uns 40-45 minutos para queimarmos a tal gordura não desejada. Entretanto medíamos a frequência cardíaca para apurar se estávamos na “zona de queima de gordura” e acabávamos de correr com aquela sensação de dever cumprido – “Hoje corri 40 minutos e queimei 500 calorias”. “Sinto-me muito melhor”.

Lembram-se de ver esta imagem nos ginásios e nos livros de fisiologia?

Infelizmente para muitas pessoas este ainda é o tipo de treino que fazem para tentar perder massa gorda. Mas, acredite, esta é de longe a melhor solução e as consequências de fazer corridas de longa duração sem estar preparado para tal podem ser desastrosas para a saúde do seu corpo e das suas articulações. Contrariamente ao que possa pensar é preciso estar em forma para correr. As forças de reacção do solo (recorde-se da 3ª lei de Newton – para cada acção há uma reacção igual e oposta) quando corre estão situadas entre 2 a 5 vezes o seu peso corporal, portanto se a sua musculatura não estiver preparada para estes impactos sucessivos, o melhor que tem a fazer é evitar a corrida. Aliás, esta é uma das razões pelas quais vemos muitos corredores recreativos lesionados com frequência – não têm força suficiente para minimizar os efeitos dos impactos causados pela corrida e depois o corpo acaba por pagar factura.

Pense durante uns segundos: Conhece alguém que tenha tentado fazer este tipo de treino e tenha obtido bons resultados no que diz respeito à perda de massa gorda e ganhos de massa muscular? Conhece alguém que participe em corridas de longa duração e tenha um físico de um corredor de 100 ou 200 metros? De certeza que não conhece. E sabe porquê? Porque fisiologicamente é impossível que isso aconteça.

Vejamos alguns aspectos negativos do Treino Aeróbico

O Treino Aeróbico aumenta o cortisol e acelera o envelhecimento

Se os seus níveis de cortisol estão constantemente elevados, o seu corpo vai acumular gordura em vez de queimar gordura. O cortisol alto vai levar também ao aumento de gordura visceral na barriga o que, por si só, aumenta a acumulação de gordura e a inflamação sistémica no corpo (se pensa que isto não é muito importante recomendo que dê uma vista de olhos na imagem abaixo para saber as respetivas consequências). Elevados níveis de cortisol aceleram também o envelhecimento porque verifica-se um aumento das substâncias oxidantes (radicais livres) no organismo que produzem inflamação no cérebro, coração, trato intestinal e órgãos reprodutivos.

Sabemos que o exercício aumenta o cortisol, porque o exercício causa stress ao corpo, no entanto, no caso do treino de força isto é óptimo porque obriga o organismo a se adaptar e a ficar mais forte. Com o treino de força o cortisol aumenta, mas aumenta também a produção de hormonas anabólicas (hormonas que estimulam a formação de tecido muscular – hormona do crescimento, testosterona, factor de crescimento insulínico) que superam completamente o efeito negativo do cortisol. Pelo contrário, o treino aeróbico causa stress ao corpo sem aumentar as hormonas anabólicas e o resultado é uma elevação do estado inflamatório devido ao efeito catabólico do exercício. Pior ainda: uma vez que as hormonas que estimulam a formação de tecido muscular não são estimuladas e o nosso corpo continua a precisar de produzir energia, este irá utilizar a nossa massa muscular como carburante energético, levando a uma diminuição da massa muscular e, nos casos mais extremos, a um aumento da massa gorda!

O Treino Aeróbico crónico causa maior inflamação e aumenta o stress oxidativo

A inflamação crónica é um grave problema de saúde que envelhece os tecidos e que tem sido chamado de “assassino silencioso”. A inflamação crónica ocorre quando as células estão sendo repetidamente atacadas por radicais livres oxidativos, insulina elevada, ou altos níveis de cortisol, isto para citar alguns. Esta situação está associada à acumulação de gordura, doença cardíaca, resistência à insulina e diabetes, asma, artrite, cancro, deficiente função reprodutiva, problemas de estômago e outras doenças.

O stress oxidativo ocorre quando o corpo produz radicais livres em resposta ao ambiente rico em oxigénio criado pela respiração aumentada que acontece com o treino aeróbico. Os radicais livres são substâncias tóxicas que têm de ser neutralizadas (por exemplo com a ingestão de frutos vermelhos e cacau puro), porque senão, de outra forma, elas vão causar danos nas nossas células e causar o envelhecimento prematuro.

A inflamação crónica é diferente da inflamação aguda que se segue ao treino ou lesão, já que esta última tem um efeito protector sobre o corpo, deslocalizando sangue para o tecido danificado com o objetivo de acelerar a recuperação.

O Treino Aeróbico pode causar diminuição do tamanho e função dos órgãos genitais

Um estudo publicado no Canadian Journal of Applied Physiology testou o efeito da natação aeróbica em ratos e os investigadores descobriram que os exercícios de resistência intensa levam ao stress oxidativo, que causa a disfunção do sistema reprodutivo masculino.

Neste estudo foi utilizado um grupo de controlo que não fez nenhum exercício e não tomou nenhum suplemento, um grupo que só fez exercício e um terceiro grupo que fez exercício e tomou um suplemento de vitamina E. Os grupos que fizeram exercício e exercício + suplemento realizaram quatro horas de natação por dia, cinco dias por semana durante dez semanas. Ao grupo de exercício + suplemento  foi dada uma dose de 50mg por cada kg de peso corporal por dia de vitamina E. Atenção que este é um volume relativamente elevado de exercício, mas é provável que um atleta de elite de resistência, ou mesmo um atleta recreativo, faça treinos com este volume.

Depois de dez semanas de exercício, os investigadores descobriram que o grupo que só fez exercício teve uma diminuição significativa no tamanho dos órgãos reprodutores (testículos e órgãos sexuais acessórios), níveis mais baixos de testosterona, hormona luteinizante e outros marcadores de androgénio. Tal como era de esperar, no grupo de controlo não aconteceu nada. No grupo que realizou exercício e tomou suplementação não se verificaram diferenças significativas nas áreas mencionadas e no stress oxidativo, pelo que os antioxidantes podem ser um suplemento razoável para minimizar os efeitos do treino aeróbico.

O Treino Aeróbico torna-o mais lento

Existem duas categorias principais de fibras musculares que compõem os músculos, sendo que as mesmas  têm capacidades e funções  diferentes. As fibras tipo I ou vermelhas são as que chamamos de contracção lenta e estão capacitadas para gerar menor tensão durante períodos prolongados de tempo. Pelo contrário, as fibras tipo II ou brancas são as que chamamos de contracção rápida, sendo que estas esgotam-se mais rapidamente mas estão capacitadas para gerar maior tensão / força. As fibras tipo I estão associadas a movimentos lentos e repetitivos (como por exemplo aqueles que assistimos nas corridas de longa duração, no ciclismo e na natação) enquanto que as fibras tipo II estão associadas a movimentos mais rápidos e explosivos (como por exemplo aqueles que acontecem nos lançamentos, nos saltos ou até no swing de golfe).

À medida que envelhecemos verifica-se uma conversão de fibras tipo II (rápidas) em fibras tipo I (lentas) e como tal tornamo-nos naturalmente mais lentos. Para inverter ou minimizar este processo, é fundamental estimular o trabalho de força e potência porque estas são as capacidades físicas que mais perdemos ao longo da vida – a partir dos 60 anos perdemos naturalmente cerca de 1,4-2,5% de força e 3,5% de potência ao ano. Portanto, se fizermos apenas treino aeróbico, estamos a estimular as fibras de contracção lenta e isto significa que não só não estamos a resolver o problema, como estamos a agravá-lo.

E antes que pense que não precisa de trabalhar a força e potência para a sua vida diária, pense naquelas situações em que tem que ajudar alguém a carregar alguma coisa ou quando perde o equilibrio e precisa de reagir rapidamente para não se magoar. Trabalhando desta forma vamos ser mais independentes, cair menos vezes e recuperar mais rapidamente após uma lesão.

O Treino Aeróbico pode comprometer o sistema imunitário

Há ampla evidência de que o treino aeróbico leva à supressão imunológica, colocando atletas de resistência aeróbica em maior risco de infecção, particularmente doença respiratória superior. O tipo de exercício aeróbico que leva à disfunção imune é mais pronunciado quando o exercício é contínuo, longo (cerca de 90 minutos por sessão) e de intensidade moderada a elevada (60-80% do VO2 Max.). O exagero na intensidade do treino aeróbico leva a um maior risco de doença, podendo despoletar várias modificações a nível hormonal.

Vejamos os aspectos positivos do Treino Aeróbico

Na verdade só há beneficios neste tipo de treino para a população sedentária ou para algum tipo de população específica que não possa realizar outro tipo de treino, como por exemplo treino de força, treino de resistência metabólico ou treino intervalado de alta intensidade. O que é importante perceber é que é melhor fazer algum tipo de treino aeróbico com uma duração de 30 minutos do que não fazer absolutamente nada. Portanto, se tem que optar entre não fazer nada e fazer este tipo de treino, é melhor fazer os tais 30 minutos na passadeira ou na elíptica.

Qual o melhor tipo de treino para perder massa gorda?

Segundo as investigações mais recentes o treino de força, o treino de resistência metabólico (MRT) e, num segundo plano, o treino intervalado de alta intensidade (HIIT) são aqueles que têm garantido os melhores resultados às pessoas que querem perder massa gorda. Como estamos a falar do tipo de treino e não da melhor forma para perder massa gorda, não vamos incluir aqui a nutrição, porque senão este seria o factor número um a ter em conta neste processo.

O treino de força consiste basicamente em levantar pesos e pode incluir exercícios com o próprio peso do corpo. O treino de resistência metabólico (MRT) é aquele tipo de treino em circuito, no qual fazemos vários exercícios seguidos com pouco tempo de descanso entre séries. O treino intervalado de alta intensidade (HIIT), tal como o nome indica, é um tipo de treino que alterna períodos de trabalho de alta intensidade (anaeróbicos) com períodos de recuperação menos intensos.

Os beneficios destas formas de treino superam de forma indiscutível o treino aeróbico, não só para perder massa gorda, mas também para aumentar a força, a velocidade, a massa muscular e a melhoria da saúde cardiovascular (lembre-se que o coração também é um músculo – não é por acaso que os maratonistas têm corações mais pequenos que os velocistas). Isto acontece porque, como vimos acima, a resposta hormonal destas formas de treino estimula a formação de tecido muscular e o músculo é o principal ingrediente do nosso corpo para queimar gordura (para que tenha a noção da importância deste facto saiba que o músculo queima 70 vezes mais calorias que a gordura!). Ou seja, quanto maior a nossa massa muscular, mais alta será a nossa taxa metabólica de repouso e quanto mais alta a taxa metabólica de repouso mais gordura vamos queimar.

Além disto, há ainda outro fenómeno fisiológico que importa destacar mais conhecido por EPOC (Excess Post- Exercise Oxygen Consumption). O EPOC é o consumo adicional de oxigénio que acontece após a realização de exercício e pode ser entendido mais facilmente como o débito de oxigénio, isto é, a quantidade de oxigénio que necessitamos para repor as reservas de energia. Pense naquilo que acontece quando tem que fazer um sprint para não perder o autocarro ou o avião. O EPOC é tanto mais alto quando maior a intensidade do exercício que fazemos, portanto a intensidade, ao contrário da duração do exercício, tem uma maior influência na queima de gordura após a realização do treino. Não pense apenas nas calorias que queima durante o exercício (na verdade isso é pouco importante), pense nos mecanismos fisiológicos que vão desencadear a perda de massa gorda após o exercício. Sim, isto significa que pode queimar gordura enquanto está a trabalhar ou a dormir. E o que tem mais piada é que este efeito pode durar entre 6 e 48 horas, dependendo da intensidade e duração da sessão de treino.

Infelizmente, para a maioria das pessoas que têm tentado perder peso passando horas e horas na passadeira ou na bicicleta, o treino aeróbico apenas eleva o EPOC por alguns minutos após o exercício, constituindo, portanto, a pior opção para queimar gordura.

Conclusão

O exercício aeróbico é a pior opção que tem à sua disposição se o seu objetivo é queimar gordura e melhorar a sua composição corporal. Na verdade, depois do trabalho de pesquisa que efectuei para escrever estas linhas é que me apercebi que o treino aeróbico tem ainda mais efeitos negativos no nosso corpo do que aquilo que pensava. Sim, refiro-me particularmente àquela parte “pode causar diminuição do tamanho e função dos órgãos genitais”. Brincadeiras à parte, a ciência diz-nos que se apenas fizer treino aeróbico, o seu metabolismo vai ficar mais lento e mais propício a acumular gordura.

Sendo assim, a chave para perder peso e/ou massa gorda está na intensidade do trabalho. Hoje em dia já não há segredos nem dúvidas a este respeito.

Recomendações

Com a finalidade de potenciar a perda de massa gorda, recomendo o seguinte:

1) Tenha atenção à nutrição e hidratação. Se não cuidar destes dois aspectos, por mais que treine de forma intensa, os resultados vão ficar aquém do esperado. Regra geral, coma mais proteína, mais hidratos de carbono das frutas e verduras, mais fibra e elimine as gorduras hidrogenadas. Em relação à hidratação, beba no mínimo 1,5 litros de água por cada 50 kg de peso corporal.

2) Faça treino de força, treino de resistência metabólico ou treino intervalado de alta intensidade pelo menos 2-3 vezes por semana. Procure um profissional qualificado para lhe ajudar na prescrição do treino, nas componentes críticas, número de repetições, tempo de descanso e número de séries.

3) Faça exercícios compostos que envolvam o recrutamento dos principais grupos musculares (exemplo: agachamentos, flexões, burpees, elevações, lunges, peso morto, remada, press de peito / ombros, exercícios com a bola medicinal, pranchas, kettlebell swings, power cleans).

4) Tome um suplemento de óleo de peixe e uma multivitamina. Tendo em conta o excesso de alimentos processados na nossa alimentação, a maioria das pessoas são deficitárias em gorduras ómega 3 e num largo número de vitaminas.

5) Faça treino aeróbico (1 x por semana) como complemento do treino de força ou dos outros tipos de treino, apenas se gostar e se não tiver excesso de peso ou obesidade.

6) Esqueça os exercícios típicos dos culturistas, que normalmente consistem em trabalhar músculos de forma isolada, e todos aqueles que costuma realizar nas máquinas, uma vez que este tipo de trabalho não vai ajudá-lo(a) a obter os melhores resultados.

Ajude os seus amigos e partilhe este post com aqueles que andam a tentar perder peso e a realizar este tipo de treino!

E claro, nao se esqueçam de deixar os vossos comentários abaixo, gostava de saber a vossa opinião.

Até breve,

PC

Referências:

Alwyn Cosgrove (2010) – Training Techniques to Maximize Fat Loss.

Alwyn Cosgrove (2007) – The Hierarchy of Fat Loss.

Charles Poliquin (2011) – The (Many) Negatives of Aerobic Training.

Charles Poliquin (2011) – How to Counter The Many Negatives of Aerobic Training.

Mark J. Smith (2008) – Sprint Interval Training – “It’s a HIIT”.

Michael Boyle (2011) – Complete Training Systems for Basketball Players.

Precision Nutrition (2008) – Intense Exercise, Why and How.

Fonte: http://pedrocorreiatraining.wordpress.com/about/

 

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    Sobre o autor

    Marcos Almeida

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    Marcos Almeida é assessor esportivo, especialista em Ciência da Musculação e mestre em Ciência da Motricidade Humana.

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